quarta-feira, 26 de junho de 2013

A melhor das religiões



Para Victor Hugo, a tolerância é a melhor das religiões.
 
“Nunca quis mudar a religião de alguém porque, positivamente, não acredito que a religião A seja melhor que a religião B. Nas origens de toda religião cristã está o pensamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem segue o Evangelho...”– afirmava Francisco Cândido Xavier, no balanço do apagar de seus dias na Terra.
 
A fantástica internet nos traz a opinião de Frei Betto sobre Chico. Frei Betto é frade dominicano, teólogo e escritor muitas vezes premiado, militante nos movimentos pastorais e sociais da Igreja Católica, referência da Teologia da Libertação, 56 livros publicados e traduzidos em diversos idiomas, quatro anos preso e torturado pela ditadura militar, no primeiro governo Lula coordenador da Mobilização Social do Programa Fome Zero. Chega-nos dele, via web: “As escrituras registram que Jesus passou a vida fazendo o bem. O mesmo se aplica a Francisco Cândido Xavier, o mais famoso kardecista brasileiro e um dos autores mais lidos do País. Conheci-o nos anos 50, em Minas. Nos meios católicos, contavam-se horrores a seu respeito. Espíritas e protestantes eram “queimados” na fogueira de nossos preconceitos até que o papa João XXIII, nos anos 60, abriu as portas da Igreja Católica ao ecumenismo. Chico Xavier é cristão na fé e na prática. Famoso, fugiu à ribalta. Poderoso, nunca enriqueceu. Objeto de peregrinações a Uberaba, jamais posou de guru. Quem dera que nós, católicos, em vez de nos inquietar com os mortos que escrevem pela mão de Chico, seguíssemos, com os vivos, seu exemplo de bondade e amor”.

 
Chico jamais falou mal da Igreja Católica. Pelo contrário, a admirava desde criança, como ele próprio relata em Chico e Emmanuel, de Carlos A. Baccelli: “Eu ia à Igreja, quando havia gente e quando não havia gente. E via os espíritos deslizando na nave, como se usassem patins. Naquele tempo não havia patins, e eu pensava como eles podiam “voar” entre os bancos, beijar os santos. Quando se ministrava a eucaristia, em algumas bocas a hóstia brilhava aos meus olhos. Não em todas. Havia um padre em Pedro Leopoldo, muito bondoso, Sebastião Scarzelli. Eu me confessei com ele, para a primeira comunhão, e lhe disse o que passava. Ele, no princípio, pareceu duvidar um pouco, mas depois me ajudou muito”.
 
Conta Marcel Souto Maior, jornalista e escritor consagrado com o seu best-seller As Vidas de Chico Xavier, que, em meados dos anos 50, quanto mais gente saía de outros Estados à procura do médium, mais o sangue do padre Sinfrônio subia à cabeça. Os carros passavam direto pela Igreja da Nossa Senhora da Conceição e estacionavam diante do Centro Espírita Luiz Gonzaga, a 50 metros de distância. Ele ficou tão irritado com o espiritismo, com o doutor Bezerra de Menezes, com as curas e textos do Além, que instalou na torre da igreja, um potente alto-falante.
 
Entre uma badalada e outra, o sacerdote convocava a população para a missa, rezava a Ave-maria, criticava a reencarnação. Só evitava pronunciar o nome de Chico Xavier, numa medida estratégica: não queria transformar o médium em vítima.
 
Com sutileza e inteligência, o pároco conseguiu convencer muitas beatas do quanto o espiritismo era arriscado. Chico era um exemplo de boa pessoa, educada e honesta. Mas como sofria o coitado! Era perseguido pela imprensa, processado na Justiça, assediado por fantasmas e forasteiros. Quem mandou se meter com o diabo?
 
Chico ignorava qualquer provocação. Quando cruzava com o “rival” no meio da rua, tirava o chapéu e o cumprimentava, respeitoso. Muita gente ficava irritada com sua passividade, mas, pelo contrário, fazia questão de defender a Igreja Católica como fundamental ao País: – Por mais de 400 anos, nós fomos e somos tutelados por ela na formação de nosso caráter cristão.
 
Sua tática pacifista e sua postura ecumênica funcionaram com o sacerdote. Quase 40 anos depois, o padre Sinfrônio participaria da festa de inauguração de uma praça batizada com o nome de Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo”.
 
Outra conclusão é do pastor presbiteriano Neemias Marien, doutor em ciências bíblicas e pregador na Europa, que ficou famoso respondendo na televisãso sobre a Bíblia, no programa “O Céu é o limite”, de Jota Silvestre. Ela está no Diário da Manhã de 23/1º/2008:  “Chico Xavier é um nome-legenda da Espiritualidade, nacional e mundial. Eu tive o privilégio de estar com ele, duas vezes. Fui fazer uma série de conferências no Rio e Brasília. Viajei de carro e propus ao meu amigo levar-me a Uberaba. Oramos juntos. Olha, Chico Xavier e dom Hélder Câmara são pessoas que me fizeram muito bem pela prece ao meu favor. Rogo a Deus que este ícone da Espiritualidade, este santo Chico Xavier, que o mundo todo respeita, continue nesta bênção inaudita de transbordar a Espiritualidade”.
 
*Texto publicado no site do jornal Diário da manhã, por Jávier Godinho, jornalista.