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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Espiritismo é sempre atual – Entrevista com Divaldo Pereira Franco

Aos 86 anos e sem jamais interromper sua tarefa, Divaldo Pereira Franco continua trazendo a luz espírita a todos os corações.

Médium, orador, escritor, espírita. Divaldo Pereira Franco é, inegavelmente, um dos maiores expoentes da Doutrina Espírita na atualidade e em toda a sua história. Mais do que isso, é um homem de bem, voltado para a consolação das aflições e necessidades humanas, sejam físicas ou espirituais. Natural de Feira de Santana (BA) e ligado à Mansão do Caminho e ao Centro Espírita Caminho da Redenção – que fundou juntamente com Nilson de Souza Pereira –, Divaldo já percorreu todo o planeta levando a mensagem espírita, a mensagem cristã. Nesta entrevista, ele relata suas impressões sobre o movimento espírita, o envolvimento do Espiritismo e do espírita em questões sociais e quais são suas sensações no contato com o público durante as palestras. 


RIE – Durante mais de 60 anos de dedicação à Doutrina Espírita, você realizou um número aproximado de 11 mil palestras e seminários por diferentes cidades do mundo. Explique como é a sua preparação para os eventos e o estudo dos temas.
Divaldo Pereira Franco – Em realidade, não faço nenhuma preparação especial. Como tenho o hábito de estudar a Doutrina com carinho, sempre elaboro os temas por inspiração dos Benfeitores espirituais, fundamentando-os nos conceitos exarados na Codificação, que é a estrutura básica do Espiritismo. Procuro introduzir nos temas questões de atualidade, analisando-as à luz do Evangelho, conforme os Espíritos nobres no-lo desvelaram. Invariavelmente, procuro repousar um pouco antes da conferência, a fim de entrar em sintonia com os Mentores e entrego-me em totalidade à inspiração, confiando no Senhor que a todos nos conduz.

RIE – Após esses anos de trabalho você ainda se surpreende com o púbico? Tem ainda a sensação de que cada palestra é algo novo?
Divaldo – Tenho grande respeito pelo público e por isso mesmo preocupo-me com o conteúdo das palestras, procurando ser simples e deixar a mensagem enriquecida pela esperança, portadora de diretrizes para o equilíbrio e a alegria de viver que são fundamentais em nossa existência. Graças a Deus, até o momento, tenho sido muito feliz com as atividades desenvolvidas, observando os júbilos que tomam conta dos ouvintes. Para mim, cada palestra é uma experiência nova, como se fosse a primeira vez, o que me leva a estar vigilante e sem nenhuma empáfia ou presunção. Basta um momento infeliz e todo o trabalho passa a sofrer suspeição e desagrado por parte dos ouvintes.

RIE – A cada evento você dedica um tempo para autografar livros, ouvir as pessoas, dar conselhos. É possível ouvir as pessoas de maneira isenta, de modo que os problemas e aflições relatados não se tornem parte de seus próprios sentimentos? Como você trabalha o seu lado emocional?
Divaldo – Sempre ouço as pessoas que me procuram com imenso carinho, avaliando o significado das suas aflições e procurando ouvir “como o faria Jesus”, o que certamente não consigo, mas O tenho em mente. Evito dar opinião pessoal, expondo sempre que a Doutrina Espírita tem respostas para todos os desafios e enigmas existenciais. Deixo-me conduzir com interesse, pensando o quanto eu gostaria de ouvir e de receber ajuda, caso me encontrasse naquela situação. Trabalho-me emocionalmente através da oração, da meditação e da ação no bem quanto me é possível.

RIE – Em 2014 completa-se 14 anos do desencarne de Chico Xavier. O que mudou desde então no Movimento Espírita? Qual o legado que ele nos deixou?
Divaldo – Penso que nada mudou, pelo menos que eu haja percebido, após a desencarnação do venerando apóstolo da mediunidade, Francisco Cândido Xavier, além da saudade de todos nós pela sua natural liderança. Os seus exemplos de renúncia e bondade, de fidelidade e amor à Doutrina e à Humanidade, são um tesouro de inapreciado valor que o tempo vai demonstrando o quanto é significativo e merece ser vivenciado. Quanto ao legado mediúnico de que se fez instrumento, é todo um manancial de bênçãos para a sociedade de hoje e do futuro, necessitada de conhecimento, autoiluminação e paz.

RIE – O Censo 2010 apontou um crescimento significativo no número de espíritas. Hoje, 3,8 milhões de pessoas se declaram adeptas do Espiritismo e outras 20 milhões se dizem simpatizantes. O censo demonstra também que, entre os espíritas, 98,6% são alfabetizados, com o maior índice de pessoas com curso superior completo (31.5%) e o menor índice de analfabetismo. Em comparação, o mesmo censo aponta que, no Brasil, há cerca de 40 milhões de evangélicos, sendo componentes, em sua maioria, da população periférica e de baixa instrução. Como podemos entender esses números?
Divaldo – O Espiritismo é a doutrina da consolação, conforme Jesus prometeu, no inesquecível diálogo com os discípulos. Todo ele é um conjunto de lições sublimes que libertam da ignorância e dignificam os seus adeptos. Tornar-se espírita é encontrar a trilha de segurança para a plenitude. Todas as criaturas têm perguntas e o Espiritismo tem as suas respostas. Estruturado na dialética e no modelo cartesiano das ideias, atende as questões que inquietam o ser humano, iluminando-o interiormente e conduzindo-o ao porto da paz. Os evangélicos, pelo menos, no que posso observar, com o meu máximo respeito, estão muito preocupados com o “reino da Terra”, enquanto os espíritas estamos procurando vivenciar desde hoje o “reino dos Céus”, embora transitando na Terra.

RIE – Você acredita que está ocorrendo um processo de elitização no Movimento Espírita? Em que medida esse processo impede que a mensagem chegue às camadas menos favorecidas?
Divaldo – Em realidade não vejo nenhum elitismo no movimento espírita. A doutrina é profunda e exige reflexão, estudo e seriedade, sem a necessidade de preocupação cultural ou acadêmica. Confesso que vejo grande preocupação no movimento em alcançar as populações menos felizes, menos favorecidas, envidando todos os esforços possíveis para as socorrer e também para as esclarecer quanto aos problemas que vivenciam. Minha genitora era analfabeta e tornou-se espírita militante, havendo adquirido os conhecimentos essenciais e vivenciado a proposta libertadora. Certamente, há, e é inevitável, alguns bolsões mais exigentes e talvez elitistas, mas não constituem a maioria dos lidadores espíritas.

RIE – Como você acredita que o espírita, enquanto cidadão, deve se posicionar perante as questões políticas e sociais de nossa época? E o Movimento Espírita, de maneira geral, deve manter-se isento?
Divaldo – O cidadão deve cumprir com todos os seus deveres, e o de natureza política é um instrumento valioso para transformar a sociedade. A omissão, nesse aspecto, deixa espaço para que pessoas menos escrupulosas encarreguem-se de preenchê-lo. Quanto ao movimento espírita, acredito que deve manter-se isento. Temos a história de outras doutrinas religiosas que se envolveram na política e os resultados lamentáveis disso decorrentes.

RIE – Qual sua opinião sobre as manifestações que ocorreram com grande intensidade por todo o Brasil? Você acredita realmente que o povo brasileiro “acordou”?
Divaldo – Louvo as manifestações que ocorreram em nosso país, num saudável despertar da consciência brasileira para os magnos problemas que afetam a nossa nação. Infelizmente, desordeiros a soldo da perversidade e de interesses subalternos tentaram transformá-las em baderna e criminalidade, sem que houvessem, felizmente, alcançado o seu desejo. Espero que as conquistas, embora pequenas, que foram logradas, sirvam de estímulo para novos investimentos, demonstrando que o povo necessita de ser respeitado e dignificado pelos seus dirigentes...

RIE – A humanidade vive em processo constante de evolução e o Espiritismo, sem estabelecer dogmas, também pode evoluir de acordo com cada época. Como você vê esse aspecto da doutrina na atualidade?
Divaldo – O Espiritismo é sempre atual. Todas as conquistas do conhecimento contemporâneo não conseguiram alterar nenhum dos postulados doutrinários, antes, pelo contrário, vêm confirmando-os. Graças à ciência e à tecnologia de ponta, os conceitos têm podido ser apresentados em linguagem compatível com o momento histórico que vivemos sem qualquer alteração de conteúdo.

RIE – Atualmente, a ciência tem demonstrado interesse e receptividade quanto à realização de pesquisas com temática espírita. Como você entende a relação entre Espiritismo e Ciência na atualidade? De que maneira esses estudos contribuem para a Doutrina Espírita?
Divaldo – Foi Allan Kardec quem refez a aliança da ciência com a religião, conforme se encontra exarado em O Evangelho Segundo o Espiritismo. A ruptura que se dera no século XVII com o ressurgimento do atomismo grego e, posteriormente, do materialismo nos seus diferentes aspectos, recebeu a ponte de ligação de ambas, através da razão, das experiências científicas comprovando a mediunidade, a imortalidade, a justiça divina… Essa relação na atualidade é muito saudável e os estudos que se vêm realizando são de resultado superior, facultando aos acadêmicos a oportunidade para melhor investigarem o Espírito e a sua realidade, mediante a utilização dos modernos equipamentos de que dispõem, quais as tomografias computadorizadas com ou sem emissão de pósitrons.

RIE – Qual é o papel do espírita neste período de transição planetária? 
Divaldo – O papel do espírita neste momento de transição planetária como em outro qualquer é o de viver a Doutrina em toda a sua intensidade, tornando-se carta viva, conforme o conceito paulino. Amar e servir, eis as abençoadas ferramentas para a construção do mundo melhor de amanhã.

*Entrevista extraída do site da Casa Editoria O Clarim escrita por Rodrigo Henrique Cabrera.

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