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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Qual a nossa verdadeira busca?

Depois de alguns anos em tratamento, Suzana finalmente livrou-se de todas as sacolas e embrulhos que acumulou durante anos, exatamente 12 anos. Ela totalizou nada menos que 3.000 sacolas e muitos papéis de presente – “eram todos muito importantes para mim”, dizia ela. Mas, o ponto máximo do seu tratamento foi a descoberta que Suzana fez: “Eu guardava tudo aquilo na tentativa desesperada de reter o amor das pessoas. Comprava presentes para mim mesma, os embrulhava, e em casa dizia que havia recebido de outras pessoas: abria com felicidade e acreditava realmente tê-los recebido”. Apesar dos seus cinco filhos, marido e irmã, Suzana é uma mulher carente de afeto: - “Vivo com pessoas mecânicas que se comunicam pelos teclados; isso é muito frio, e não sei onde me perdi de todos eles...”
A vida moderna nos presenteou com um avanço tecnológico inimaginável, e hoje podemos resolver muitas coisas com um clique; isso é ruim? Não. O grande problema que enfrentamos e enfrentaremos se não mudarmos a rota é a mecanização das nossas relações, a robotização do ser. Como o mundo ficou rápido, muitas coisas que antes fazíamos e desprendíamos energia ao fazer tornaram-se automáticas; e as relações também, e isso é ruim! Na nossa pauta diária não temos lugar para as emoções, não queremos sentir, porque ninguém vai “curtir” a minha tristeza, solidão ou qualquer outra emoção que no momento não seja “curtível”.

Observando atentamente o nosso dia a dia, não nos resta dúvida que a celeridade dos acontecimentos é assustadora, e o que é novidade agora em menos de 24 horas já é ultrapassado. Muitas vezes só dedicamos atenção aos acontecimentos esdrúxulos da mídia que elege os valores ainda da maioria. A Mentora Joanna de Ângelis (O Despertar do Espírito) nos apresenta: “As questões nobres da existência têm sido substituídas pelas soluções simples apresentadas pelas máquinas devoradoras, que facultam mais tempo a todos, que não obstante, continuam com carência de espaço físico e mental para refazimento e renovação emocional”. O que estamos fazendo com as nossas horas livres? Aproveitamos esse tempo para o nosso crescimento pessoal? Ou esse tempo transformou-se em hora vazia?
Será que não estamos perdendo uma oportunidade importantíssima em nossa atual existência? Todo o progresso vivido no decorrer da história da humanidade tem por finalidade nosso crescimento, que passa pelo aprimoramento das emoções, pelo desenvolvimento intelecto-moral, autodescobrimento e consequente evolução espiritual, o que nessa ânsia desenfreada termina por ser negligenciada. Quantos excessos ainda teremos que acumular para encher o nosso vazio de amizades verdadeiras, ombros amigos, olhares de irmãos? Não estamos abrindo mão de um bem precioso? Lao-Tsé (sec. VI a.c.) profetizou essa realidade: “Quando as pessoas abandonam sua natureza essencial para seguir seus desejos, suas ações nunca são corretas”, enquanto o ego for o nosso carro chefe, todas as nossas boas intenções estarão contaminadas pelo egoísmo, pelo orgulho e pelo anseio de poder.
Buscamos felicidade, paz, saúde... Será? Será que essa busca pode ser compartilhada nas redes sociais? Se continuarmos a buscar fora o que só encontraremos dentro de nós estaremos enterrando o nosso talento, estaremos nos escondendo por trás da tela do nosso computador e/ou celular dissimulando a nossa verdadeira identidade, abrindo mão do Ser quem somos sendo o que não somos.
Joanna de Ângelis nos lembra: “O homem possui admiráveis recursos interiores não explorados, que lhe dormem em potencial, aguardando o desenvolvimento...” (O Homem Integral, Cap 3).
Pensemos nisso!
*Por Iris Sinoti para o site Correio Espirita.

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