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quinta-feira, 7 de março de 2013

Divaldo é o sucessor de Chico Xavier

Pai adotivo de mais de 600 órfãos, Divaldo Pereira Franco é considerado o maior médium do país

Por Ana Landi
Especial para o Diário de S. Paulo on line

        Especialistas creem que total
de simpatizantes do
espiritismo supere 30 milhões
O Brasil é a nação com o maior número de seguidores do espiritismo, doutrina criada no século 19 por Allan Kardec, que teve em Chico Xavier sua maior expressão no país. Segundo o Censo 2010 do IBGE, cerca de quatro milhões de pessoas são espíritas. O número é considerado subestimado, pois o instituto considera apenas quem se afirma especificamente kardecista.

Especialistas acreditam que o total de simpatizantes do espiritismo supere os 30 milhões. O cenário, no entanto, era muito diferente no início da década de 1930, quando, em uma Feira de Santana (BA) provinciana e predominantemente católica, as primeiras visões começaram a amedrontar o pequeno Divaldo Pereira Franco.


Algumas visões eram terríveis. Por vezes tão cruéis, que o menino só conseguia dormir se refugiando na cama dos pais, de mãos dadas com a mãe, dona Ana. Outras, mais amorosas, tentavam consolá-lo ou enviar recados. Uma das primeiras a se identificar foi a avó dele, Maria Senhorinha. O espírito apareceu para o menino de 4 anos, pedindo que chamasse a filha.
Divaldo não sabia o significado da palavra avó ou avô. Todos haviam morrido antes de seu nascimento. Dona Ana também não conheceu a mãe, morta por complicações no parto. Mas o filho insistiu e ela o levou correndo à casa de uma irmã mais velha, Edwirges. Lá, a tia pediu a descrição da mulher que apareceu para Divaldo e ele a descreveu com detalhes.
 
Desse momento em diante, Divaldo ganhou o apoio irrestrito da mãe. Com o pai, as coisas não foram fáceis. Durante anos, o homem simples, comerciante de fumo, teve um único aliado para fazer o filho parar de falar com os mortos: um chicote feito de cipó de goiabeira.
Como tudo começou
O primeiro contato de Divaldo com o espiritismo foi em 1944. Mal tinha se recuperado de uma tragédia familiar envolvendo o suicídio da irmã Nair, ele enfrentou novo golpe. Um de seus irmãos, José, morreu vítima de um aneurisma. Em poucas horas, Divaldo deixou de andar e uma paralisia o deixou preso à cama por mais de seis meses. Quem o curou foi uma famosa médium de Salvador, Ana Ribeiro Borges. Assim que o visitou, ela viu que o problema era espiritual. Seria reflexo da presença perturbadora de José. Aturdido pela morte inesperada, o moço estaria preso ao único na casa portador de mediunidade ostensiva. No mesmo dia, Divaldo voltou a andar.
A partir daí, Divaldo iniciou suas atividades como espírita e não parou mais. Mudou-se para Salvador (BA) e abraçou em tempo integral a doutrina e as ações de caridade por ela pregadas. Em maio, ao completar 86 anos, celebra também mais de 65 anos ininterruptos dedicados à população carente e à atividade mediúnica.
O médium já fez quase 15 mil palestras no Brasil e em 64 países lá fora. Psicografou mais de 250 livros que, juntos, venderam 10 milhões de exemplares. Nunca ficou com um único centavo das vendas. A renda é doada, em cartório, à sua maior obra: a Mansão do Caminho, entidade beneficente fundada há 60 anos, em Salvador.
O complexo, obra social do Centro Espírita Caminho da Redenção, fundado em 1947, tem 83 mil metros quadrados, mais de 50 prédios e atende diariamente a quase 5 mil crianças e jovens de famílias de baixa renda do bairro Pau da Lima, um dos mais carentes e violentos da capital baiana.Tem creche, escolas de ensino fundamental e médio e cursos complementares. Mantém ainda moderno centro de parto normal e laboratório de análises clínicas. Toda essa estrutura emprega mais de 300 funcionários e 400 voluntários em caráter permanente.
 
Acolhimento de órfãos
O trabalho assistencial de Divaldo começou no centro da cidade, com o recolhimento de órfãos. Centenas foram chegando, jogados às portas da instituição. Com o tempo, a casa ficou pequena. Com a ajuda de colaboradores, Divaldo e Nilson de Souza Pereira, seu braço direito, compraram o terreno de Pau da Lima, à época um grande aterro sanitário. Ali, construíram tudo praticamente com as próprias mãos. As crianças continuaram chegando. Divaldo adotou, em seu nome, mais de 600. E elas continuam chegando.

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