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terça-feira, 19 de abril de 2011

Você sabe o que foi o episódio do Auto da Fé de Barcelona?

Auto da fé de Barcelona foi uma expressão notabilizada por Allan Kardec para se referir à queima, em praça pública, de trezentos livros espíritas, realizada no dia 9 de outubro de 1861, em Barcelona, Espanha. Foi utilizada pela primeira vez no subtítulo do artigo "O resto da Idade Média", publicado em novembro daquele ano na "Revue Spirite".

Maurice Lachâtre, editor francês, achava-se estabelecido em Barcelona com uma livraria. Solicitou a Kardec em setembro de 1861, em Paris, cerca de 300 volumes de obras espíritas, dentre as quais O Livro dos Espíritos, para vendê-los na Espanha.

Quando os livros chegaram ao país, foram apreendidos na alfândega, por ordem do Bispo de Sevilha, sob a alegação de que "A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países". O mesmo eclesiástico recusou-se a reexportar as obras apreendidas, condenando-as à destruição pelo fogo.

O "auto-de-fé" ocorreu na esplanada de Barcelona, às 10h30 da manhã. Conforme lista oficial transcrita na "Revue Spirite", foram queimados os seguintes títulos:

- Revista Espírita, dirigida por Allan Kardec;
- A Revista Espiritualista, dirigida por Piérard;
- O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec;
- O Livro dos Médiuns, por Allan Kardec;
- O que é o Espiritismo?, por Allan Kardec;
- Fragmento de sonata, atribuído ao Espírito de Mozart;
- Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo doutor Grand;
- A História de Jeanne d'Arc, atribuído a Joana D'arc pela médium Ermance Dufaux;
- A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, pelo barão de Guldenstubbé.

A mesma fonte informa terem assistido ao evento:

- um padre, com as roupas sacerdotais, trazendo a cruz numa mão e a tocha na outra;
- um notário encarregado de redigir a ata do auto de fé;
- o escrevente do notário;
- um funcionário superior da administração da alfândega;
- três serventes da alfândega, encarregados de manter o fogo;
- um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo; e
- uma multidão, que vaiava o religioso e seus auxiliares aos gritos de "Abaixo a inquisição!"

O evento causou viva impressão através da imprensa de todo o mundo à época, evocando as antigas fogueiras do Santo Ofício, chamando a atenção para as obras espíritas. A sentença de queima dos livros foi executada a 9 de outubro, data que marca a intolerância religiosa, reagindo contra a divulgação da Doutrina Espírita.

Kardec, em decorrência deste episódio, teria famosamente dito: "Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo, em Espanha, vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é; é tudo o que desejamos. Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as idéias; as chamas das fogueiras as super-excitam em lugar de abafá-las. As idéias, aliás, estão no ar, e não há Pireneus bastante altos para detê-las; e quando uma idéia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la"

Mais tarde, em 1 de maio de 1864 a Igreja Romana coloca a obra no Index Librorum Prohibitorum ("Índice dos Livros Proibidos" ou "Lista dos Livros Proibidos" em português) - o catálogo das obras cuja leitura é vedada aos seus fiéis.

*Wikipedia com modificações da Equipe de Comunicação do LEAE.

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