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quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Livro dos Médiuns em seus 150 anos

Na mais recente edição da revista Reformador, Ano 129, nº2.189, referente a maio deste ano, há uma matéria sobre os 150 anos de "O Livro dos Médiuns", completados na verdade em janeiro.

No mês de aniversário da publicação, o Reformador também homenageou a segunda obra de Allan Kardec. A revista espírita brasileira teve uma ideia feliz: transcreveu trechos da citada obra sob a forma de uma entrevista ao Codificador. Começou assim: "Em 15 de Janeiro de 1861, Allan Kardec lançava 'O Livro dos Médiuns', que ele considerou “Guia dos Médiuns e dos Evocadores”. Por ocasião do Sesquicentenário dessa efeméride, transcrevemos trechos do citado livro, em forma de entrevista com o Codificador, sobre temas sempre oportunos." Veja ao lado a capa publicada em janeiro deste ano.


Além da homenagem prestada de forma bastante criativa, ao longo do ano de 2011 a revista espírita usará em suas capas mensais o selo alusivo aos 150 anos de "O Livro dos Médiuns".

Leia a matéria de Vinícius Lousada publicada neste mês no Reformador.

"Na atualidade, não há com pêndio de Espiritismo experimental mais oportuno que O Livro dos Médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores, de autoria do mestre Allan Kardec. Vindo a lume nos dias iniciais de janeiro de 1861 e editado pelo Sr. Didier, essa obra, segundo o Codificador, consistia no complemento de O Livro dos Espíritos, com o seu cará ter científico. Mais tarde, Kardec vai considerá-la no rol das obras fundamentais do Espiritismo.

A seu tempo, podia ser adquiri da na Livraria do Sr. Didier, tanto quanto no escritório da Revista Espírita, na passagem SaintAnne, em Paris, em grande volume in18, de 500 páginas. Em poucos meses do mesmo ano, o livro teve uma segunda edição, com nova formata ção e inteiramente revisada pelos Espíritos com numerosas observações valorosas de sua lavra, de tal forma que as palavras de Kardec manifestam que a obra era tanto deles quanto de seu autor.

Fico a imaginar a emoção, em 1861, de médiuns e dirigentes de grupos espíritas sérios ao encontrarem na produção kardequiana orientação segura para o desenvolvimento e direcionamento feliz da mediunidade, a serviço de uma compreensão mais profunda do mundo invisível porque iluminada pelos saberes produzidos na cola boração interexistencial entre o mestre lionês e os Espíritos superiores, por sua vez, comandados pelo Espírito de Verdade.

Um guia seguro para lidar com a mediunidade

Não se trata somente de mais um livro, é uma obra indispensável no campo de estudos e meditações em torno da mediunidade para que o seu exercício se torne serviço ao semelhante, seja pela constatação veraz da imortalidade da alma e a identificação de nossa natureza es piritual, seja pelo diálogo criativo e moralizante com os sempre vivos e, ainda, pelo esclarecimento que se pode dar aos sofredores desencar nados, cuja infelicidade a que se atre laram aguarda a terapêutica do Evan gelho de Jesus no verbo fraterno dos reencarnados, sob os auspícios dos benfeitores espirituais.

Esse trabalho levado a bom ter mo por Allan Kardec é resultado de uma longa pesquisa experimental com Espíritos e médiuns, na qual o cientista, ao estabelecer um méto do de experimentação em conso nância com o objeto pesquisado – o mundo dos Espíritos e a filosofia ensinada pelos imortais –, considera seus informadores espirituais não como reveladores predestinados, mas como parceiros de estudos, cada qual contribuindo relativamente em seu patamar evolutivo.

Em O Livro dos Médiuns, o Codificador exitosamente esclarece tudo que era referente às manifestações espíritas físicas e intelectuais, em seu contexto histórico, de acordo com os Espíritos superiores afim de desenvolver uma teoria espírita explicativa dos fenômenos, os mais variados, produzidos pelos habitantes do Mais Além; como também, das condições de sua reprodução e controle metodológico.

No anúncio que faz da obra, na Revue Spirite, destaca que “sobre tudo a matéria relativa ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade mereceu de nossa parte uma atenção toda especial”.

Desse modo, já nessa consideração do autor, somos convidados a levar em conta que, sobretudo os espíritas, podemos recolher em seu conteúdo um norte para o desenvolvimento seguro da mediunidade (no sentido kardequiano é um processo educativo do médium), e para o uso saudável dessa predisposição orgânica, natural e radicada no Espírito em sua capacidade comunicativa, quando manifesta de forma ostensiva.

O leitor estudioso dessa obra nela encontra condições de compreender a fenomenologia que cerca a mediunidade, de que possa ser portador, os recursos teóricos para lidar com sucesso na vereda da convivência lúcida com os Espíritos e para o enfrentamento adequado de seus desafios e obstáculos que, ao serem encarados sem o devido conhecimento, geram decepções e tristes resultados como a obsessão ou o uso indevido da mediunidade.

Por outro lado, na formação do dirigente e/ou do “doutrinador” (evocador, como Kardec designava o responsável por dialogar com os Espíritos nas reuniões mediúnicas), a obra é igualmente de sumo valor para que levemos com retidão os diálogos sempre instrutivos que se pode obter com os desencarnados, sendo possível apresentarlhes ques tões em prol do esclarecimento moral e intelectual de todos nós, para o que nos orienta Kardec.

Enfim, o espiritista convicto encontra nesse livro subsídio para entender melhor o Espiritismo, em sua complexidade,na medida em que a obra revela aspectos essenciais do caráter experimental da Doutrina dos Espíritos, não raramente desconsiderados.

Em prol da Moral e da Filosofia Espírita

Com o advento de O Livro dos Espíritos, o Espiritismo abandonava seu período de curiosidade, caracterizado pela especulação nem sempre séria, em nível de entretenimento em que eram colocados os fenômenos espíritas por muita gente, na Europa do século XIX, e adentrava em seu período de obser vação ou filosófico no qual “o Espiritismo é aprofundado e se depura, tendendo à unidade de doutrina e constituindose em Ciência”.

Kardec via o Espiritismo como uma Ciência Moral 6 e, ao escre ver O Livro dos Médiuns, deixa um legado inolvidável, prevendo de antemão as críticas ciumentas ou personalistas que queriam fazer valer sistemas particulares para a condução das lides mediúnicas, ou ainda, na explicação exclusivista destas, sem a chancela do ensino coletivo dos Espíritos.

Ainda, o cientista do invisível dá uma razão de ser grave à fenomenologia mediúnica para que se reco lham com os Espíritos ensinamentos sérios e úteis à nossa felicidade na vida espiritual, evitandose o desvio do fim providencial da me diunidade nas práticas espíritas.

Respondendo aos seus críticos, que talvez supusessem desneces sária a severidade de princípios e conselhos obtidos nessa obra, sem querer fundar escola, mas propa gar o direcionamento dado pelos Espíritos superiores à mediunida de no Espiritismo, Kardec coloca na fachada principal dessa pro posta o seu caráter moral e filosó fico, sobretudo em prol dos que se percebem necessitados das espe ranças e consolações que podem haurir na Doutrina e nos resultados da atividade mediúnica sob a orien tação maior de Jesus.

Neste ano de comemorações do Sesquicentenário de O Livro dos Médiuns procuremos estudar com profunda gratidão, no plano individual e coletivo, este obra essencial no campo da mediunidade com Jesus e Kardec.

Estudando Kardec

“[...] Nós mesmos pudemos constatar, em nossas excursões, a influência salutar que esta obra exerceu sobre a direção dos estudos espíritas práticos; assim, as decepções e mistificações são muito menos numerosas do que outrora, porque ela ensinou os meios de frustrar as artimanhas dos Espíritos enganadores.”

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