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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Um pouco de história - primeiro jornal espírita do Brasil

O primeiro jornal espírita do Brasil

O pioneirismo da imprensa espírita no Brasil é um dos legados da imprensa baiana que também foi pioneira na imprensa, então, chamada de científica, com o lançamento em 1832 do Jornal da Sociedade da Agricultura, Industria e Comércio da Bahia e, antes, em 1812, da primeira revista editada no país, é verdade que de qualidade duvidosa: Variedades. Ou Ensaios de Literatura. Esta, redigida por Diogo Soares da Silva da Bivar, impressa na tipografia de Silva Serva.  
  
O nosso primeiro jornal espírita nasceu por iniciativa de Luiz Olímpio Telles de Menezes, militar de carreira, inspirada na Revue Spirite, que circulava na França desde 1858, dirigida por Allan Kardec e, no tempo em que Luiz Olímpio lançou o seu jornal, julho de 1869, dirigida por Pierre Leymarie. Surgiu com o sugestivo nome de O Echo De Além-Túmulo. Kardec tinha falecido justo naquele ano, em 31 de março, de modo que a iniciativa do jornalista baiano pode ser creditada como uma homenagem ao pai do espiritismo. O periódico circulou com 56 páginas, impresso na Tipografia do Diário da Bahia. Periodicidade trimestral.

  
* Baixe a primeira edição do jornal O Echo De Além-Túmulo aqui

“Há quatro anos que o espiritismo pronunciou na Bahia a sua primeira palavra”, destacava o editorial do Eco no seu número inaugural. “Nosso intuito é estudar os fenômenos que se nos apresentam por maneira tão extraordinária quanto admirável”, dizia Luiz Olympio, que prometia “registrar todos os fatos que tiveram lugar em nossas reuniões”. E assim o fez durante dois anos, através de uma seção com aludidas “manifestações dos espíritos”, repercutindo no impresso as mensagens de Santo Agostinho, Antônio Menandro, Cristovão Colombo, João Evangelista, Galileu, Sócrates, Luiz Offenbach…

A seção do manifesto dos espíritos era a mais importante, mas o Eco também reproduzia artigos traduzidos da Revue Spirite, relacionava e sugeria a leitura de obras espíritas e tinha até um folhetim, ou similar, a Aurora da Ressureição, publicado em sete capítulos. Luiz Olímpio destinava mil reis de cada assinatura vendida “para dar liberdade a escravos, de qualquer cor, do sexo feminino, de 4 a 7 anos de idade, nascidos no Brasil”. O dinheiro arrecadado pretendia comprar cartas de alforria.

Era um jornalista atuante, desde 1849, quando, junto com Constantino Gomes, fundou A Época Literária. O Eco D’Além-Túmulo mexeu com os brios da Igreja Católica que nesse mesmo ano de 1869 lançava A Crônica Religiosa, redigido pelo Cônego Juliano José de Miranda. O Eco D’Além-Túmulo deixou de existir em 1871 e só voltamos a ter imprensa espírita na Bahia vinte e quatro anos depois (1895), quando Silvino Moura lançou a Revista Spírita, órgão do Centro Espírita Amor e Caridade e, mais tarde, do Centro da União Espírita da Bahia. E logo mais (1900), A Paz, iniciativa de Manuel Maria da Boa Morte, do Centro Espírita Servos do Senhor. 

Sobre Luiz Olympio Telles de Menezes (1828 - 1893)

O GRANDE JORNALISTA ESPÍRITA, O CRIADOR DO PRIMEIRO JORNAL ESPÍRITA, O FUNDADOR DA PRIMEIRA CASA ESPÍRITA

Foi um dos maiores jornalista brasileiro. É considerado como um dos pioneiros do Espiritismo no país.

Foi professor primário, estenógrafo, funcionário da Assembléia Legislativa e Oficial da Biblioteca Pública da Bahia. Falava o Inglês, o Francês, o Castelhano e o Latim. Colaborou nos seguintes periódicos: "Diário da Bahia", "Jornal da Bahia", "A Época Literária" (onde ingressou como redator em 1849, tendo mais tarde passado a seu diretor) e autor do romance Os Dois Rivais.

Em Salvador, foi um dos fundadores do Conservatório Dramático da Bahia (agosto de 1857), do qual participavam, entre outros, personalidades como Rui Barbosa. Neste grupo Telles de Menezes travou contato com os fenômenos espíritas, vindo a corresponder-se com espíritas franceses. Posteriormente viria a tornar-se sócio-honorário da Sociedade Magnética da Itália, bem como a filiar-se a várias sociedades espíritas e espiritualistas da Europa à época. Correspondia-se com o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail e com o seu secretário.

Fundou a 17 de setembro de 1865 em Salvador, o Grupo Familiar do Espiritismo, primeira agremiação doutrinária no Brasil.

No ano seguinte (1866) publicou o opúsculo "O Espiritismo - Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita" (segundo outros, a Filosofia Espiritualista), uma seleção de trechos que traduziu de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Luiz Olympio Telles de Menezes detém igualmente o título de pioneiro da imprensa espírita no Brasil.

Em 8 de março de 1869 anunciou, através de discurso proferido no Grêmio dos Estudos Espiríticos da Bahia, o futuro aparecimento do Jornal O Écho D'Alêm-Túmulo - Monitor do Espiritismo no Brasil.

Em Julho de 1869 Luiz Olympio Telles de Menezes lançava o Primeiro Jornal Espírita do Brasil - O Écho D'Alêm-Túmulo 

O periódico, impresso na tipografia do Diário da Bahia, contava com 56 páginas e chegou a circular no exterior - em Londres, Madri, Nova Iorque e Paris.

Em breve se fez sentir a reação da Igreja Católica, que começou a pregar acerca dos malefícios da nova doutrina, vindo a lançar uma Carta Pastoral, datada de 16 de junho, mas apenas divulgada a 25 de julho de 1867.

Acredita-se que essa carta tenha se constituído na primeira obra espírita de autor brasileiro, publicada no Brasil. Sendo o ponto mais aceso a questão da reencarnação, a polêmica veio a encerrar-se depois de longo tempo, quando o padre Juliano José de Miranda, sabendo que Telles de Meneses era católico de nascimento, deu-a por encerrada afirmando que "Espiritismo e Catolicismo são a mesma Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo".

Luiz Olympio Telles de Menezes foi o primeiro presidente da Associação Espírita Brasileira, entidade que visava "ao desenvolvimento moral e intelectual do homem nas largas bases que cria a filosofia espirítica, e a exemplificação do sublime e celestial preceito da caridade cristã".

Considerando a sua missão cumprida na Bahia, Telles de Menezes transferiu-se para o Rio de Janeiro, vindo a trabalhar na corporação taquigráfica do Senado do Império, onde prestou relevantes serviços. Ali publicou, em 1885, o Manual de Estenografia Brasiliense, deixando, ainda, outros trabalhos inéditos.

Faleceu em extrema pobreza, na sua residência na rua Barão de São Félix, sendo sepultado no Cemitério São Francisco Xavier a expensas de colegas e amigos.

Como pioneiro do Espiritismo no Brasil, Telles de Meneses foi homenageado, por proposta da Federação Espírita Brasileira ao então Departamento de Correios e Telégrafos, que autorizou a utilização de um carimbo postal, no dia 17 de setembro de 1965 – comemorando um século da fundação do Grupo Familiar do Espiritismo que foi aplicado nas cidades de Salvador e do Rio de Janeiro.

*Texto extraído do site Correio 24 Horas, por Nelson Cadena com Equipe de Comunicação do LEAE e pesquisa no site Autores Espíritas Clássicos

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