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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Centro espírita com nome de freira viva

Ocupando modesta função na Saneago, superadas mil e uma dificuldades, em 1991, Sílvio Miraldo Carvalho Neto realizava seu grande ideal, fundando uma casa espírita. O nome, Irmã Dulce, ele já tinha escolhido há muito tempo mesmo ouvindo comentários assim:
 
– Centro espírita com nome de religiosa católica! Se fosse uma santa, mas uma simples freira e ainda por cima viva (Irmã Dulce morreu no ano seguinte)...
 
Quem pensa assim não sabe de nada. O Centro Espírita de Francisco Cândido Xavier em Pedro Leopoldo, existente até hoje, se chama Luiz Gonzaga, santo católico. As obras básicas da doutrina estão repletas de mensagens de Santo Agostinho, grande doutor da Igreja Católica.
 
Mesmo sem conhecer pessoalmente, Sílvio admirava e queria homenagear Irmã Dulce, Beata Dulce dos Pobres, bem-aventurada Dulce dos Pobres, o anjo bom da Bahia. Sabia de cor muitas de suas histórias de extraordinário amor ao próximo e no espiritismo qualquer pessoa pode criar a sua casa espírita sem dar satisfações a ninguém. Basta o registro no cartório.
 
O Espiritismo não tem chefes. A Federação Espírita Brasileira nada exige, simplesmente normatiza e orienta os interessados desde 1884. É uma sociedade civil religiosa, educacional, cultural e filantrópica com personalidade jurídica e que tem por objeto e fim o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo, com base nas obras de Allan Kardec; a prática da caridade espiritual, moral e material por todos os meios ao seu alcance, contribuindo para a formação do homem de bem.
 
Cuspiu nas mãos de Irmã Dulce
 
Sobre Irmã Dulce, já escreveu Esse Capelli, do Centro Espírita Irmã Sheila, de Goiânia, autor de mais de 80 livros , 70 dos quais já publicados pela Editora Proluz Ltda:
 
“Encontramos nas tarefas caritativas os obreiros desprendidos, capazes de repartir seus haveres materiais e o tempo com os mais necessitados. Isso é de suprema valia.
 
Entretanto, de parelha, existem os trabalhadores do bem, que além dos valores materiais, doam de si ensinamentos que podem despertar o Espírito a reencontrar o verdadeiro caminho para alcançar o equilíbrio e a paz. Esses obreiros são aqueles que manejam o valor da palavra escrita ou falada, capazes de tocar a mente e despertá-la para a luz da verdade.
 
A propósito, é oportuno revivermos aqui a lição que nos legou a Irmã Dulce, quando entendeu as mãos ao milionário que a interpelava sobre suas obras assistenciais, rogando: – Dê-me alguma coisa para meus pobres.
 
Aquele senhor, endurecido pelos valores materiais, ao invés da doação, cuspiu em suas mãos. A doce Dulce, ao invés da revolta, limpou as mãos e voltou a estender-lhe, dizendo: – Você deu-me o que mereço, agora, reflita e dê o que puder aos meus pobres.
 
O homem, tocado pelo gesto da freira, sofreu uma verdadeira comoção e, pedindo perdão, fez uma valiosa doação destinada àquelas obras caridosas.
 
É o valor da palavra bem colocada, seja escrita ou falada, que se assemelha para nós à Caridade das Caridades”.
 
O Centro Espírita Irmã Dulce (Rua F 28, quadra 147, lote 5, fones 8466-3134 e 3289-8075) há 23 anos tem trabalhos de tratamento espiritual, orientação psicografada, estudo das obras básicas, sessão pública de psicografia às quintas-feiras, desenvolvimento mediúnico, escola de pais e sopa a carentes. São três suas unidades: o centro propriamente dito, o Lar Espírita Cristão Irmã Dulce (creche) e a Sopa Fraterna Irmã Dulce, no Bairro Independência das Mansões, Aparecida de Goiânia.
 
"Aqui, o doente jamais é rejeitado"
 
Ensinamentos de Irmã Dulce que encantam Sílvio:
 
‘O nosso hospital (Hospital Santo Antônio, que construiu na área do galinheiro do Convento Santo Antônio, em Salvador, hoje atendendo diariamente mais de cinco mil pessoas) é como um navio navegando na tempestade, mas que tem como comandante Deus. Por isso ele segue sereno. Aqui, não se diz ao doente para voltar dentro de oito dias. Aqui, o doente jamais é rejeitado. Sabemos que, se fecharmos a porta, ele morre. Se não tiver lugar, a gente aperta, coloca até embaixo das camas, mas dá um jeito. Vemos no doente apenas uma pessoa de Deus. Quando nenhum hospital quiser aceitar o paciente, nós o faremos”.
 
“Nosso corpo é um templo sagrado e a mente um altar. Devemos cuidar deles com o maior zelo. Corpo e mente são o reflexo da alma, a forma como nos apresentamos no mundo e um cartão de visitas para o nosso encontro com Deus. Habitue-se a ouvir a voz do seu coração. É através dele que Deus fala conosco e nos dá a força de que necessitamos para seguir em frente, vencendo os obstáculos na nossa estrada”.
 
“Muita gente acha que não devemos dar aos pobres a mesma atenção que damos às outras pessoas. Para mim o pobre, o doente, aquele que sofre, o abandonado, todos são a imagem de Cristo. Sempre recomendo às irmãs, aos funcionários, que vejam no doente que bate à nossa porta o próprio Jesus e, assim, façam a ele o que faríamos a Jesus em pessoa que viesse nos pedir socorro”.
 
*Texto por Jávier Godinho em Diário da Manhã.

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