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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A evangelização infantil

Somos, de certa forma, responsáveis um pelo outro, eis que na irmandade terrestre e na filiação divina todos navegamos da mesma nau, cientes de que Jesus está no leme, mas o trabalho individual é intransferível, sobretudo quanto à educação religiosa.

Todas as religiões sérias merecem nosso respeito, principalmente quando cumprem a missão primordial de ligar a criatura ao Criador. Todavia, para muitas pessoas a religião é representada por sistemas teológicos esdrúxulos, criados por pessoas muito criativas para implantar o medo, a exploração dos fiéis, podendo causar a loucura, e, não raro, pregando uma vitória que se consubstancia apenas em aquisições de bens materiais ou na obtenção de vantagens em relação ao seu próximo.


Na visão kardequiana, “a religião deve produzir o maior número possível de homens de bem”. O Espírito Camilo, por meio da psicografia de Raul Teixeira, no livro Educação e Vivências, afirma que “a religião deve embelezar as almas, iluminar vidas, nortear com segurança, sem ameaças e promessas de valor”. Por essa razão, engana-se quem mede o valor de uma doutrina pelo seu número de adeptos ou pela sua participação nos governos do mundo, o que nos remete à advertência de Jesus, segundo a qual “nem todos os que dizem: ‘Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus’(...)”, pois é fácil falar, trabalhoso é se aprofundar nas lições e vivenciá-las.

Por isso é fundamental a evangelização infantil, posto que as crianças que recebem tal benefício estão muito mais bem equipadas para o constante processo de educação chamado vida, com conquistas e reveses naturais e inevitáveis, pois possuem mais resistências, como comprovam neurocientistas, no tocante à confiança e coragem, e os cardiologistas, quanto à melhoria mais fácil e rápida de pessoas que sofreram algum mal do coração, mas praticam a fé, com obras, é claro.

Todo esforço e criatividade possíveis devem ser levados a cabo, portanto, para transmitir aos nossos pequenos tutelados a segurança do Evangelho de Jesus, porquanto as lições (assim como as deseducações) recebidas na infância ficam marcadas na consciência do ser humano por toda a existência, valendo considerar que o período infantil na espécie humana é a maior dentre todos os seres, justamente para que seja possível moldar o caráter neste período de maior maleabilidade, segundo os exemplos dos pais e demais responsáveis, cientes de que a educar é a arte de formar caracteres. Neste sentido, é importante ter em mente a observação de Santo Agostinho, contida na obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”: "lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: ‘que fizestes do filho confiado à vossa guarda?’ Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso."

Ora, sabemos que os encrenqueiros das festas, as crianças revoltadas, drogadas, são aqueles seres confiados a nossa guarda que são, ou foram, criados sem amor e religião, mas com autoritarismo, barganha, ou excesso de liberdade. Quer nos parecer que muitos pais somente fazem propaganda de seus filhos, os fantasiando de lutadores orientais ou bailarinas e desfilando com os pequenos pelas ruas, deixando, porém, de transmitir valores cristãos imperecíveis. Aliás, vemos como um grave erro, ou desculpismo, deixar a criança crescer para escolher, justamente pelo grande marketing religioso arrebatador dos menos avisados, que ao invés de libertar consciências, escraviza e torna a pessoa mais materialista.

Enfim, a evangelização começa na convivência, no exemplo, na família, razão pela qual é necessário um constante trabalho de autoevangelização em qualquer idade. Quando Jesus diz “deixai vir a mim as criancinhas”, está se referindo a nós, filhos de Deus, que para o Pai somos crianças espirituais, com tantos maus hábitos por serem transmutados, más tendências por serem domadas e transformadas em virtudes por meio do Amor e da compreensão da Caridade.

Por Nestor Fernandes Fidelis
Publicado no site da FEEMT

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