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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Obra que 'defende' a prevenção de suicídios é lançada em Vitória

'Viver é a melhor opção' é de autoria do jornalista André Trigueiro. Obra será lançada nesta segunda-feira (27) em Vitória.

Diferente do suicídio em si, que geralmente causa espanto, questionamentos e curiosidade, o caminho percorrido pela mente de um suicida até a tomada da decisão final costuma ser misterioso e pouco explorado. Defendendo a ideia de que o amplo debate sobre o tema pode ajudar a reverter os altos índices de suicídio, o jornalista André Trigueiro expõe suas ideias no livro “Viver é a melhor opção – a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo”. A obra será lançada nesta segunda-feira (27) em Vitória.

O autor falou ao G1 sobre um pouco do livro e os desdobramentos que envolvem o assunto.


Por que você decidiu abordar esse tema?

Eu resolvi escrever porque, como jornalista, sempre me causou perplexidade o fato de a gente ter um tabu na área da comunicação fortíssimo, que é a ausência de qualquer assunto relacionado a suicídio. Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, reporta que no Brasil e no mundo o suicídio é caso de saúde pública e, principalmente, em 90% dos casos, o suicídio pode ser prevenido, porque está relacionado a casos de psicopatologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis. Enquanto esse assunto for um tabu, enquanto permanecer invisível, fora do radar da sociedade, não é possível imaginar que os casos sejam reduzidos. Qualquer doença é tratada com informação, como dengue, haseníase, câncer de mama. Então esse livro abre caminhos para informações que ajudam a gente a se posicionar.

Então a sua intenção, com este livro, é expor esses dados? Trazer à tona números que não são tão divulgados?


Olha, eu estou fazendo a minha parte. A OMS, que é a  autoridade máxima de saúde no mundo, deixou muito clara a importância da informação para prevenir casos de suicídio. Sou jornalista, sou comunicador. A minha parte estou fazendo. Tenho muitos elementos de convicção para dizer que eu sei que de fato a informação faz a diferença.


Então você acha que o suicídio deve ser um assunto tratado com mais facilidade e recorrência na mídia?

Vou falar sobre Vitória. Eu soube que há relativamente pouco tempo, reportou-se casos de suicídio na Terceira Ponte. Sim, é necessário haver cuidado na abordagem do tema suicídio no jornalismo, na literatura, peças de teatro ou cinema. Precisa haver cautela, pois  dependendo da forma como se fala, pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente podem registrar a informação como uma sugestão. Então, quando falamos de quebrar o tabu, não é pra sair falando de suicídio o tempo todo, e sim nos termos que interessam a  prevenção e a promoção da saúde pública.

Como é falar de um tema polêmico? Pra você, ele é polêmico?

Eu tento emprestar naturalidade a esse assunto. O livro é resultado de um trabalho que começou há algum tempo, de pesquisa. Eu não estou muito preocupado com o lado polêmico, a minha preocupação é desmistificar o assunto e colocá-lo noseu  devido lugar. Tabu não interessa, porque agrava um problema de saúde publica. Falar com discernimento, seriedade e baseado na boa ciência é o que eu procuro fazer.

No livro, você diz que “na maioria absoluta dos casos os suicídios são preveníveis”. Então como as pessoas podem ajudar a prevenir um suicídio?

O ser humano não é um ciência exata. A gente não vai ter aqui a pretensão de dizer que é possível prevenir o suicídio em todas as situações. Mas é muito importante prestar atenção aos sinais que as pessoas emitem. Como quando a gente percebe uma mudança de comportamento, a pessoa fica isolada, não interage, já não demonstra uma alegria espontânea, não parece motivada, entusiasmada… A gente precisa estar atento a um comportamento que seja de retração, de isolamento, porque em boa parte dos casos, a pessoa vai desistindo da vida, como se a criatura fosse aos poucos construindo a ideia de que não há motivos para continuar vivendo. Um grande problema que as pessoas que têm ideia suicida enfrentam é pensar que não há  luz no fim do túnel, não há saída. Sem esperança, você não levanta da cama, não tem motivação. A gente não sabe o que é isso. As pessoas não têm ideia da dor que está por trás da ideia de desaparecer. O que eu aprendi com as pessoas que tem notório saber nessa área é como a gente precisa respeitar e acolher a pessoa portadora dessa dor, tem que ter respeito por essa dor. A informação é o caminho para a prevenção. A  gente precisa falar desse assunto.

Pelo que eu vi, você usa o espiritismo pra embasar algumas questões ligadas ao suicídio. Em que sentido o espiritismo pode ajudar a prevenir suicídios?

É um capitulo no final do livro, desconectado do resto. Usei o espiritismo porque sou espírita. Então é um capítulo que avança, para quem quiser ler.  As doutrinas religiosas divergem em vários aspectos, mas todas convergem na mesma direção ao afirmarem que o suicídio, em nenhuma hipótese, significa alívio ou solução para os problemas. Há uma profusão de informações interessantes da doutrina espirita, mas não faço um discurso proselitista. Eu quis disponibilizar informações sobre a transcedência. Se a morte não existe, o que acontece quando o tema é suicídio? Eu compartilhei informações da doutrina espirita sobre assunto e quem é espírita,  simpatizante ou curioso, ou não acredita em nada disso, vai encontrar um material bem fundamentado.

Serviço:

Autor: ANDRÉ TRIGUEIRO
Editora: CORREIO FRATERNO
Gênero:ESPIRITISMO
Formato:16×23
Páginas:190
Preço médio: R$ 23,90

*Notícia extraída do site G1

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