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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vivência e ação espírita em Mato Grosso

Entrevista com Luiza Leontina Andrade Ribeiro.
Goiana de nascimento, mato-grossense de coração. Presidente da FEEMT fala sobre as ações desenvolvidas no estado
 
Espírita desde a infância, médica graduada na Universidade Federal de Goiás, radiologista, membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia, atualmente responsável pelo serviço de Ressonância Magnética do Instituto Médico de diagnóstico por imagem de Cuiabá e médica perita do INSS, a goiana Luiza Leontina Andrade Ribeiro, nascida em Itumbiara, adotou o estado de Mato Grosso como lar para trabalhar também em favor da divulgação espírita. Presidente da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso desde 2008, ela fala sobre a história e o momento atual do movimento espírita no estado, as ações federativas e a repercussão do 5o Congresso Espírita do Mato Grosso, realizado entre os dias 1 e 4 de agosto.


RIE – Conte-nos um pouco da história do Espiritismo no estado do Mato Grosso.

Luiza Leontina Andrade Ribeiro – Como sabemos, Mato Grosso está localizado na região central do Brasil, distante dos grandes centros econômicos nacionais: Rio de Janeiro e São Paulo. No período da codificação espírita não tínhamos estradas e o meio de transporte pelos rios Cuiabá e Paraguai era o mais utilizado e viável, através da bacia do Prata. Assim, as novidades literárias, filosóficas e científicas vinham do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Europa por via fluvial. Logo depois do lançamento de O Livro dos Espíritos em Paris, em 1857, a obra chegou a Mato Grosso e as pessoas passaram a se reunir para estudar as obras espíritas e realizar sessões mediúnicas. Estes fatos aconteceram em duas cidades: Cuiabá e Cáceres, respectivamente localizadas às margens dos rios Cuiabá e Paraguai, por cujas águas chegaram as primeiras luzes do Espiritismo no Coração do Brasil, lembrando que não havia uma estrada que ligasse estas duas cidades. Formam-se, assim, os primeiros grupos de estudo no estado, que deram origem mais tarde a duas importantes casas espíritas: o Centro Espírita Mateus, hoje com 116 anos, localizado na região central de Cáceres, e o Centro Espírita Cuiabá, com 102 anos, localizado na região central da Capital, ambos com importantes atividades doutrinárias até os dias atuais.

RIE – Quando foi fundada a federação estadual e quais foram suas primeiras ações?

Luiza – A Federação Espírita de Mato Grosso foi fundada na convenção espírita do estado que aconteceu em Campo Grande, em 14 de dezembro de 1956, antes da divisão do estado em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tendo como presidente o Sr. Aristotelino Alves Praeiro e como vice-presidente, Manoel Miraglia. Destacam-se na fundação da FEEMT dois centros espíritas: Fraternidade Espírita Educandária, em Campo Grande, e Centro Espírita Cuiabá, que abrigou a sede da Federação até 1995, quando a FEEMT construiu sua sede própria. Entre as primeiras ações estava a tarefa de agregar os centros espíritas que já existiam no estado, com o objetivo de fortalecer a cooperação mútua, a fraternidade e a unificação do movimento espírita em Mato Grosso.

RIE – Qual o panorama atual?

Luiza – Temos centros espíritas nas cidades mais distantes da Capital, como São Felix do Araguaia, a 1250 km, e Querência, a 1000 km. São 156 centros espíritas cadastrados na Federação Espírita do Estado do Mato Grosso (FEEMT). Desses, 83 são vinculados à federação. Nos encontros regionais, que acontecem uma vez por ano – o último foi em junho de 2013 –, tivemos notícias que vários grupos de estudo estão sendo formados nas cidades mais interioranas, e que, com certeza darão origem a novos centros espíritas. Desta forma o movimento espírita em nosso estado está em crescimento.

RIE – Atualmente, quais ações são promovidas pela federação a fim de integrar todo o movimento espírita estadual?

Luiza – Ao longo de cada ano realizamos várias ações de integração com o movimento espírita estadual. Realizamos o encontro de dirigentes de centros espíritas e a assembleia geral, que é formada pelos presidentes de centros espíritas do estado, e que acontece todo mês de março. Também promovemos as Reuniões do Conselho Federativo Estadual, formado pelos coordenadores gerais de Feemts regionais, que acontecem duas vezes por ano, uma em julho e a outra em dezembro, para delinear as ações do movimento espírita do estado. Também são promovidas seis caravanas federativas, ocasiões em que a equipe federativa vai ao interior. São momentos valiosos de integração, em que o nosso colaborador do interior toma ciência do que está acontecendo no movimento espírita nacional, como por exemplo, o Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2013-2017), elaborado pelo CFN da FEB. A Federação Espírita de Mato Grosso está em sintonia com a proposta da mentora Joanna de Ângelis, através de Divaldo Franco, que solicita ao movimento espírita trabalhar a tríade “Qualificar, Humanizar e Espiritizar”; também estamos em sintonia com o Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro, que em sua diretriz 2 orienta a preservação da unidade de princípios da Doutrina Espírita, desenvolvendo o Projeto Espiritizar, tendo referência nas obras básicas de Allan Kardec, como instrumento para nortear as ações do movimento espírita no estado.

RIE – Quais as principais características detectadas que diferenciam o trabalho nos centros espíritas da capital e do interior do estado?

Luiza – Em nosso estado não notamos muito esta diferença em função do trabalho de unificação realizado ao longo dos anos junto aos centros espíritas, tanto da Capital quanto do interior. Algumas vezes detectamos pequenas diferenças, em função do número de trabalhadores, que em alguns centros do interior são poucos; aqueles que estão presentes fazem um trabalho pioneiro, desdobrando-se, estando à frente de várias áreas de atuação do centro espírita.

RIE – Conte-nos um pouco sobre sua trajetória dentro do movimento espírita até assumir a presidência da FEEMT.

Luiza – Nasci em lar espírita. Frequentei aulas de evangelização – na época, aulas de moral cristã – no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Itumbiara, Goiás, até me mudar para a cidade de Goiânia, para estudar, onde fui trabalhadora no Posto de Auxílio Espírita (PAE). Posteriormente mudei com minha família para o interior de Rondônia, em Ji-Paraná, onde fui trabalhadora do Centro Espírita Semeador da Galileia, coordenando a evangelização infantojuvenil. Em 1988, mudamos para Cuiabá e me engajei como trabalhadora do Grupo Fraterno Sociedade Espírita Joanna de Ângelis; ao mesmo tempo, integrei-me à Federação Espírita, atuando por vários anos como coordenadora do Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita e, posteriormente, como coordenadora na área de Estudo e Doutrina. Em 2008 assumi a Presidência da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso.

RIE – Algum fato marcante neste período?

Luiza – Um fato marcante neste período em que estou na tarefa de presidente foi a implantação das Feemts Regionais. O estatuto da federação foi reformulado em 2009, e em 2010 iniciou-se estatutariamente a implantação das Feemts regionais, hoje em número de 20, instaladas nas diversas regiões, com o objetivo de ampliar as atividades do movimento espírita no estado. Queremos dizer da nossa enorme alegria e gratidão por ver a força da Doutrina Espírita, à luz dos seus conceitos, sendo espargida em todos os cantos do nosso querido Mato Grosso.

RIE – Fale-nos sobre a escolha do tema do 5o Congresso Estadual, “A era da vivência cristã”, e as impressões deixadas pelo evento.

Luiza – Nós espíritas temos o dever moral de revivermos o Cristianismo em Espírito e Verdade, tarefa que não podemos postergar, trazendo para o movimento espírita o Cristianismo puro e atuante. Trazer este tema para um congresso espírita é uma oportunidade para que, na condição de aprendizes das leis divinas, possamos seguir os exemplos de fé, de solidariedade e da verdadeira caridade, exemplificada no samaritano, que existia entre os primeiros cristãos. São valores que precisam estar presentes em nossos centros espíritas, para que verdadeiramente atendam o Espírito imortal que somos, ensejando a iluminação de consciências, contribuindo para a implantação da Era de Regeneração na Terra. Durante os quatro dias de evento, tivemos a oportunidade de fazer reflexões profundas em torno da vivência cristã, através de palestras e atividades culturais como teatro e músicas, com a participação da juventude espírita, que propiciou uma ambiência espiritual muito boa. A impressão deixada pelo congresso é que é possível, através do Espiritismo, reviver o Evangelho de Jesus, resgatando sua pureza e sua essência, equipando-nos como obreiros da luz, renovando-nos, entusiasmando-nos e tornando-nos verdadeiros cooperadores na construção da Era Nova.

RIE – Quais os benefícios de um evento como este para a integração do movimento estadual com participantes de outros estados?

Luiza – O espaço de convivência do V CEEMT tornou-se um grande laboratório de integração de colaboradores espíritas das diversas regiões de Mato Grosso e de outras regiões do país; os bate-papos, a facilidade de comunicação entre os participantes que acontecia nos intervalos, conhecendo-se, revendo-se, trocando experiências de trabalho na seara espírita e refletindo em torno das palestras ouvidas.

RIE – Algo mais que gostaria de acrescentar?

Luiza – Gostaria de expressar nossa gratidão à Revista Internacional de Espiritismo pela oportunidade de apresentar um pouco do trabalho que a FEEMT desenvolve em Mato Grosso. E que nesses momentos em que somos convidados a fazer parte da equipe de construtores de uma Nova Era, nossas mãos possam se tornar instrumentos hábeis de cooperação com Jesus, e que Ele possa nos abençoar, fortalecendo nossas parcas forças, dando-nos coragem, dedicação e perseverança no trabalho de divulgação da Doutrina Espírita.
 
*Entrevista por Cássio Leonardo Carrara, publicada nO Clarim.

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