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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Por que Chico Xavier usava peruca?

Todos temos a obrigação de tratar bem o nosso corpo físico e de nos apresentar à vista alheia da melhor maneira possível. O Espiritismo ensina a cuidar bem do espírito e do corpo, demonstrando a necessidade de se dar a devida atenção também ao segundo que, conforme esteja sadio ou doente, influi de maneira muito importante sobre a alma. O Evangelho Segundo o Espiritismo recomenda: “Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma”, e faz a seguinte indagação: “Sereis, por acaso, mais perfeitos se, ao martirizar o vosso corpo, continuardes egoístas, orgulhosos e sem caridade para com o vosso próximo?”
 
Francisco Cândido Xavier, a propósito dessa realidade, colecionou aborrecimentos, na sua existência longeva, incompreendido e vítima de críticos mordazes. No livro Chico e Emmanuel, de Carlos A. Baccelli – um de seus principais biógrafos, que com ele conviveu três décadas e sobre quem já escreveu mais de uma dezena de obras, encontramos um desabafo de Chico. A primeira edição de Chico e Emmanuel saiu em 1996 e o médium só deixou este mundo em 2002, portanto seis anos depois, sem o haver negado ou feito alguma retificação no texto que lhe é atribuído. Aliás, o próprio Baccelli, na apresentação, afirma: “Este livro é uma coletânea de pronunciamentos diversos que, ao longo de quase duas décadas, anotamos dos lábios de Chico Xavier”.
 
“Se não comer carne, fico doente”
 
Dentre outros assuntos, Chico fala da sua necessidade de comer carne, porque usava peruca e apreciava vestir-se bem; da sua necessidade, como médium, de submeter-se a reuniões de desobsessão, e das homenagens recebidas de legislativos. Eis uma síntese de suas palavras, podendo o gentil leitor conhecê-las na íntegra consultando aquela publicação:
 
“Porque eu sou médium, porque recebo livros, muita gente acha que eu deveria estar num altar, ser carregado num andor, ter vida diferente dos outros. (...) Não! Eu sou uma criatura comum, como e bebo, procuro medicina, sou doente, tenho que tomar remédio todo dia. Mas amo a vida, quero viver, tenho muito gosto com as minhas afeições. Tenho uma honra enorme com os amigos que Deus me deu, que eu não os mereço e, por isso, não vou tratá-los com carranca. (...) Por que eu, por ser médium de livros, hei de viver como uma pessoa no alto de um monte, vestido de túnica século primeiro, quando eu preciso andar de automóvel, andar também de avião?
 
Se eu não comer carne, fico doente. Não vou comer carne como se fosse uma fera à mesa, mas devo me alimentar, o meu corpo exige esse tipo de alimento proteico. Agora, por eu ser assim, vou deixar de receber livros? Não! Se eu me considero uma pessoa muitíssimo imperfeita, é o caso de trabalhar ainda mais nos livros. Porque, se eu sou uma besta, é melhor que eu fique em serviço do que uma besta no pasto”.
 
Não queria parecer “ruína humana”
 
Continua o autor de mais de 460 obras psicografadas:
 
“Quero explicar isto porque corre o boato, depois dos programas de televisão, de que eu, hoje, sou uma pessoa que vive da vaidade, que pus cabelo na cabeça. E pus mesmo porque preciso, é implantação, é cobertura, tem o nome de peruca, seja lá o que for. (...) Eu não quero aparecer como uma ruína humana diante de meus amigos, todos bem postos, bem tratados. Por que é que eu vou aparecer como uma pessoa que morreu e que só falta enterrar? Não! Não morri, não! Eu quero viver e quero viver muito, se Deus quiser, conquanto esteja também com a alma resignada a receber a morte, hoje, se for possível. (...) Não há ponto algum na obra kardequeana que indique que o médium de psicografia é diferente dos outros. Eu sou igual aos médiuns que dão passe, aos médiuns que estão recebendo intuição, aos médiuns de incorporação que eu também sou. Muitos dizem que eu sou médium só de livros. Não! Há 40 e tantos anos eu frequento uma reunião de desobsessão uma vez por semana, em que os espíritos dos mais infelizes se comunicam por meu intermédio. Eu tenho essa alegria, que me honra muito. Agora, o fato de querer andar direitinho, com a roupa limpa e com cabelos na cabeça, me perdoe, mas eu quero. Não pedi nada a ninguém. Os espíritos escreveram os livros. Nunca pedi tostão dos livros, nunca vendi livros, não sei quantos livros venderam e também compro livros. (...) Eu agora vou andar vestido de balandrau do século primeiro? (...)”
 
Diz, ainda, Francisco Cândido Xavier:
 
“Vem a Câmara de Vereadores e vota um título para o Espiritismo, não para Chico Xavier. Eu sou o “cisco”, eu sei que sou o cisco, mas vota um título para o Espiritismo e diz que a besta chamada Chico Xavier deve ir receber o título. Eu posso ofender uma cidade, falando assim: muito obrigado, eu aí não vou por os pés? Eu não posso fazer isto.
 
Eu recebo cartas assim: “Só posso justificar a sua atitude atual, indo bem vestido à recepção desses títulos, para ser exibido na televisão. Só podemos aceitar isso de sua parte como um estado de senilidade. Você envelheceu e caducou”. Mas eu não incomodo, não. (...) Eu tenho que honrar essa Doutrina. Pois se a Doutrina é a maior alegria da nossa vida, nós vamos chegar lá imundos, pedindo esmola?”
 
*Texto extraído do site do Diário da Manhã por Javier Godinho.

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