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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Amar a si mesmo

Estava em reunião com um gestor de uma grande organização e sobre sua mesa havia três óculos. Quando fiz uma referência a eles, me disse que tinha oito, cinco haviam “sumido”, em tom de que “roubaram”.
 
Falou-me que há muito precisava voltar a seu oftalmologista e que não tinha tempo. Perguntado quanto tempo ele estimaria levar entre a consulta e o ir à uma ótica respondeu-me que no máximo levaria duas horas.
 
Quem não se permite tirar duas horas para se cuidar e de algo tão importante como a própria visão, tem uma autoestima muito baixa, além de uma grande improdutividade em seus esforços de trabalho. 
 
Fiz com ele uma reflexão sobre o não se permitir o cuidado pessoal.
 
Muitos acreditam que colocar-se em primeiro plano é ter uma atitude egoísta frente a vida, é ser um narcisista e olhar apenas para si. Isso é um engano. Quando estou de olhos fechados eu me vejo, embora não veja os demais. Quando vou me movimentar eu me sinto, percebo meu corpo e os sinais que ele me esta passando. Dar atenção a eles não tem nada de egoísmo, mas sim de cuidado.
 
A dificuldade maior é a distinção da linha que separa o cuidado pessoal da manipulação para com os outros, pois é uma linha tênue e só identificada à luz da humildade. Há uma indicação clara de quando a pessoa está cuidando de si mesma ou dando desculpas pelo isentar-se de suas atribuições e responsabilidades: é o não procrastina-las. Faz o que precisa para si mesma e em seguida cumpre com seus afazeres. 
 
Quando você se respeita verdadeiramente, você respeita aos demais. Alias só respeita o outro quem se respeita. 
 
“Amai ao próximo como a si mesmo”. Eis uma máxima pregada em todos os púlpitos, em todas as religiões, e quando se está preservando de algo que possa feri-lo, é taxado de egoísta e insensível. A manipulação da sociedade para que as pessoas façam o que é de interesse de alguns, gera um desencontro e alimenta uma distorção na interpretação de conceitos. Isso alimenta uma grande confusão e que propicia ai sim, comportamentos desestabilizados e até egoístas.
 
Não é possível amar ao próximo se a pessoa não se ama. Quando falamos em alguém mal amado, falamos que a pessoa não tem amor por si mesmo, e não que não tem pessoas que a amem. É comum dizermos ou ouvirmos: “Você não sabe cuidar nem de si mesmo e quer cuidar dos outros?” Grande verdade. Vemos pessoas intrometendo-se na vida alheia como as salvadoras da pátria e suas próprias vidas estão um caos. Vemos pessoas em locais religiosos dando orientações de paz, harmonia, paciência e amor enquanto em sua própria casa o conflito, a incompreensão e a discórdia permeiam os relacionamentos.
 
Aquele que se ama verdadeiramente se aceita como é e se esforça diuturnamente para melhorar seus pontos fracos, pois os reconhece e não busca justificativa, não joga para outros. Sabe que depende apenas de si mesmo e principalmente, por estar adequadamente centrado em si mesmo, não se permite manifestar-se em relação aos demais, portanto, não julga. Isso significa respeitar o outro como o outro é.
 
Muitos confundem o não julgar como o ter que submeter-se à vontade alheia. Nada mais distorcido do que isso. O respeito à escolha do outro não nega o direito de discordar dessa escolha para sua vida. Pois então que cada um siga seu caminho. Se isso fosse respeitado, muitos casais nem teriam iniciado seus relacionamentos.
 
Ame a si mesmo. Respeite a si mesmo. Verá que não é um artifício para isentar-se de suas atribuições e mais que isso, verá o amor sincero e desinteressado pelos demais surgir naturalmente, possibilitando o respeito aos outros tais qual são.
 
Perceberá que se tornará muito mais querido e respeitado pelos que o cercam.
 
*Autor: PAULO ANTOLINI, no site A Folha de São Pedro.

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