segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Cuide da 'energia' de sua casa

O padrão vibratório de uma casa tem relação direta com a energia e o estado de espírito de seus moradores. Tudo o que pensamos e fazemos, as escolhas, os sentimentos, sejam bons ou ruins, são energias. O resultado reflete nos ambientes, pessoas e situações.

O corpo é nossa primeira morada e nossa casa, sua extensão. É ela que nos acolhe, protege e guarda nossa história. Da mesma forma que limpamos, nutrimos e cuidamos da vibração de nosso corpo, devemos estender esses cuidados e carinhos ao lar.

Mais que escolher o imóvel e enfeitá-lo com móveis e objetos - muitas vezes guiados apenas por modismos ou pura praticidade -, a elaboração da atmosfera de um ambiente é importante porque reflete a personalidade de seu dono, dando pistas sobre seus gostos, estilo de vida, história e sonhos.

Evite brigas e discussões desnecessárias. Observe seu tom de voz: nada de gritos e formas agressivas de expressão. Não bata portas e tente assumir gestos harmoniosos, cuidando de seus objetos e entes queridos com carinho.

Não pense mal dos outros. Pragas, nem pensar! Selecione muito bem as pessoas que vão frequentar sua casa.

Festas, brindes e comemorações alegres são bem-vindas porque trazem alegria e muita energia, mas cuidado com os excessos. Nada de bebedeiras e muito menos uso de drogas, que atraem más energias.

Se você nutre uma mágoa profunda ou mesmo um ódio forte por alguém, procure ajuda para limpar essas energias densas de seu coração.

Lembre-se que sua casa também pode estar contaminada. Aprenda a fazer escolhas e determine o que quer para sua vida e ambiente onde mora.

Reflita sobre como você vive em sua casa, no que pensa, como anda seu humor e reclamações do seu dia-a-dia.

Repost do Perfil Instagram Aquele Jovem Espírita

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Dá pra falar de Espiritismo com Humor?

Essa é a proposta da Cia Amigos da Luz, que desde 2008 (primeiro no Teatro e depois também nos Vídeos) une Comédia e Filosofia Espírita na tentativa de causar uma reflexão leve, mais ainda assim profunda, sobre nossas tantas e tantas caminhadas na Terra.

De tempos em tempos postaremos vídeos desta turma, muito interessantes e engraçados!

Veja um deles:

RECÉM-DESENCARNADOS (Humor e Espiritismo)

Ao desencarnar muitos de nós fica ainda por algum tempo sob forte influência da matéria, e as vezes, dependendo do nosso grau evolutivo, temos dificuldades em aceitar as diferenças do mundo físico e do espiritual.


Escolhas e resultados

É pouco provável que planejemos algo para que o resultado saia errado. Mas é perfeitamente possível que tenhamos resultados diferentes do que imaginávamos ou mesmo desejávamos. Nosso instinto de sobrevivência nos leva sempre a procurar o que achamos ser melhor, aquilo que nos fará sentir bem, crescer e melhorar. Mas nem sempre nossos planos e desejos se concretizam, muitas coisas podem influenciar o resultado.

As escolhas que fazemos diariamente, por exemplo, são determinantes para o resultado final do “projeto”. Tomamos como base as opções que conseguimos enxergar no momento da decisão. Como nos sentimos naquele exato momento pode influenciar diretamente na forma como enxergamos as opções e também nas escolhas.

Além disto, o meio em que vivemos, ambiente de trabalho, família e relacionamentos, para citar alguns, podem alterar o que sentimos e como vamos optar por este ou aquele caminho. Não é incomum decidirmos algo no calor da emoção, num momento de explosão e, depois, quando o turbilhão passa, nos arrependermos pela decisão tomada.

São inúmeras as possibilidades de fatores que influenciam nossa vida, nossas escolhas e decisões. Muitas vezes, vemos que o plano inicial não atingiu seu objetivo. Às vezes, o resultado é diferente do que esperávamos,  melhor ou até pior.

Quando tudo passa bem longe do desejado, podemos nos sentir frustrados, desanimados, com a sensação de que fizemos algo errado ou não agimos no processo adequadamente. Podemos entrar num processo de culpabilizar alguém ou a nós mesmos e isto pode ser bastante prejudicial à saúde emocional.

Fato é que não há receitas para agir e vivenciar a experiência. Nossas  habilidades, capacidades e desejos de melhorar é que podem fazer com que aprendamos a lidar com as derrotas e vitórias do dia a dia. Aristóteles nos deixa a reflexão: “É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer”.

Escrito por Adriana - CVV Araraquara (SP), publicado no site do CVV.

A importância da Comunicação Não-Violenta

Boa parte dos conflitos que temos com outras pessoas podem ser causados mais pela forma como expomos nossas ideias do que propriamente pelas diferenças de opinião. Baseado nesta crença, o psicólogo Marshall Rosenberg desenvolveu o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV), que seria capaz de estimular a compaixão e a empatia (também por isso chamada de Comunicação Empática).

A CNV, nas palavras do psicólogo, “começa por assumir que somos todos compassivos por natureza e que estratégias violentas – se verbais ou físicas – são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante”. Ou seja, em um ambiente que estimule a competitividade, a dominação e a agressividade, tendemos a nos comportar violentamente. Ao contrário, tendemos a agir com generosidade em ambientes acolhedores e cooperativos.

Desse modo, cada pessoa que esteja disposta a atentar para a sua forma de comunicação pode promover mudanças ao seu redor, em seu círculo familiar, profissional ou social, através de atos de acolhimento das necessidades do outro, da percepção do que ele está comunicando com a agressividade, o cinismo, a indiferença. Ninguém gosta de estar em constante atrito com os outros. É comum que por traz destes comportamentos haja uma dor muito grande, que a pessoa tenta mascarar.

Um dos mandamentos mais importantes da CNV é exercitar a capacidade de se expressar sem julgamentos e sem classificações de “certo” e “errado”, que buscam “vencer” um debate com o interlocutor e provar um ponto de vista. Muitas vezes, não ouvimos a opinião do outro para compreendê-la, mas apenas para podermos contra-argumentar, em um duelo sem fim.

Uma ideia da comunicação não-violenta é, ao invés de acusar o outro por atos com os quais não concordamos, dizer como nos sentimos diante deles. Ao ser chamado de violento, egoísta ou agressivo, o outro tende a se defender, justificar-se ou culpar fatos/agentes externos. Mas, se dissermos que ficamos tristes, angustiados ou nos sentimos desrespeitados diante da certa atitude, mostramos para o outro a nossa humanidade e as consequências de suas ações, possibilitando uma aproximação. Ao explicarmos o que sentimos, possibilitamos ao outro rever suas atitudes para não nos magoar, além de oportunizamos que ele fale sobre as emoções que o levaram a praticar certas condutas.

Pode parecer, à primeira vista, que a CNV nos leve a nos calar diante de ofensas ou agressões, mas é justamente o contrário: ela é totalmente fundada na comunicação honesta e transparente, que não se limita aos fatos analisados sob a nossa ótica (ex.: “você me deixou esperando por horas!”), mas foca nos sentimentos (ex.: “me senti abandonado quando você não apareceu”). Trata-se de uma comunicação mais eficaz do que a acusatória, que devolve ao outro todo o nosso ressentimento, e também do que aquela que se cala passivamente, que nos sufoca nos nossos próprios rancores.


Usar o principio da comunicação não violenta por vezes não é uma tarefa fácil, depende de vontade, disposição e de um desejo de melhorar a si mesmo e as relações que desenvolvemos em nossa vida diariamente. É um exercício, um aprendizado consigo mesmo e com os outros.

Artigo escrito por Luiza - CVV Belém, publicado no site da CVV

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O poder da vontade

A vontade pode não ser garantia absoluta de que conquistaremos nossas metas mas, sem sombra de dúvidas, ela é o combustível essencial sem o qual jamais daremos qualquer passo.

Toda conquista tem início por uma ânsia profunda que brota do coração, a morada da alma. É ela quem nos motiva a seguir em frente, ainda que os obstáculos sejam muitos e pareçam querer nos fazer desistir, a todo momento.

A diferença fundamental entre os chamados vencedores e aqueles que se sentem derrotados pela vida é que os primeiros são movidos inquebrantável otimismo.

Estes refarão a rota inicial e buscarão outras alternativas, diferentes caminhos para chegar onde desejam, e neles o desânimo não tem lugar.

Ao contrário, sempre que se vêem desafiados, renovam a vontade com a certeza de que, em algum momento, a vida reconhecerá seus esforços. Esse modo de agir, que para alguns é incompreensível, tem sua raiz numa força misteriosa que nos habita.

Embora muitos não reconheçam sua existência, o fato é que ela está disponível para qualquer ser humano.A questão é que, ao longo da vida, a mente nos leva a acreditar que não temos a capacidade de realização.

Mas, no momento em que vivenciamos o contato com essa poderosa força, nada mais impedirá que ela desperte e se torne indestrutível.


"Vontade consciente é simplesmente a própria força da vida que quer se afirmar  em sua plenitude, em sua totalidade, para trazer todas as flores que estão escondidas em você..." Osho.

Fonte: Escrito por Elisabeth Cavalcante, publicado no site Somos Todos Um, com modificações da Equipe de Comunicação do LEAE. 

As religiões múltiplas da sociedade cuiabana

ESPECIAL CUIABÁ 300 ANOS

Capital congrega católicos, espíritas e crenças de matrizes africanas em busca da espiritualidade

Fonte: Prefeitura de Cuiabá
A cena era um tanto incomum para pessoas que passavam pela igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no sábado 24 de junho de 2017. Pessoas de vestidos, calças e camisas brancos, de turbantes e colores característicos da religião umbanda lavavam o pátio da tradicional igreja católica São Benedito. Havia dezenas delas com vassoura e balde de água limpando as escadarias o do templo ao mesmo tempo em que entoavam cantos na língua africana.

Era um evento que carregava matizes político e religioso.  Uns dez anos antes, o mesmo ritual havia sido tentado por líderes umbandistas, mas a resistência interna e a de líderes católicos frustrou a lavagem das escadarias. “Faltou comunicação. A intenção não foi bem articulada e houve resistência interna”, comenta o babalorixá Paulo de Oxumare.

Hoje, centenas de pessoas participam do evento que acontece sempre no meado de cada ano. Além de umbandistas, ele reúne católicos, candomblecistas, espíritas e muçulmanos. “A lavagem só é possível pelo respeito que se tem a outras pessoas”, diz Paulo de Oxumare.

O padre Felisberto Samoel da Cruz, dirigente do Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho, explica que a escolha pela igreja São Benedito não é alheia. “Eles estando frequentando a igreja que foi criada pelos negros, é algo natural se aproximar da cultura. Não vejo problema nisso”.

O padre diz que o santo que deu nome ao templo demonstra o fato histórico sobre sua construção. Os negros escravos impedidos de participar das cerimônias na Basílica do Senhor Bom Jesus, nos primeiros anos de fundação de Cuiabá, ergueram seu próprio templo para celebração religiosa.

“Eles dão nome a seus santos na língua africana, mas têm seu correspondente na Igreja Católica. Não podiam falar manifestar sua crença senão eram mortos, oravam para os santos, mas tendo em sua mente as suas próprias divindades”.

Religiões do povo

O padre Felisberto Samoel diz que os bandeirantes que adentraram a mata em direção ao centro país, a partir do século XVIII, traziam com eles filhos nascidos do cruzamento das raças indígenas, negras e europeias. No comboio de excursão não havia bandeiras representantes da religião, mas o sentimento religioso estava presente nas pessoas.

“Mato Grosso é totalmente distinto de outros Estados do Brasil.  O catolicismo veio do povo. Não foi a igreja, instituição religiosa, que chefiou a entrada dos bandeirantes. Não havia nenhum representante oficial da igreja junto deles. A religiosidade saída do povo, eles eram filhos negros, indígenas e portugueses que estavam no Brasil há algum tempo”.

O sentimento religioso foi percebido e usado pelos líderes bandeirantes para fins econômicos e políticos – a trajetória deles foi motivada pela decadência das capitanias hereditárias no litoral brasileiro; o objetivo inicial era a mão de obra escrava.

Os indígenas encontram por aqui tinham sua própria expressão religiosa, voltada para a natureza. Eles lutaram para mantê-la no processo de invasão de outras culturas.

“Os índios têm forma de comunhão própria, de respeito, de valores, de defender a vida, de oferecer tudo aquilo que eles têm para se partilhado entre todos. Consagram a vida e têm suas maneiras de sepultar os mortos”.

Thiago de Freitas Toledo, da Federação Espírita de MT (Reprodução).
O espiritismo, uma variante do cristianismo, também tem suas raízes no período colonial de Cuiabá. O membro da Federação Espírita de Mato Grosso (FEEMT),Thiago de Freitas Toledo diz que já no século XIX, os escritos de Allan Kardec, teorizador da religião, já eram lidos no original francês por cultivadores da mediunidade.

“O Centro Espírita Cuiabá data de 1911, mas, antes disso o espiritismo já tinha adeptos em Cuiabá, inclusive obras de Allan Kardec eram lidas no original. Isso mostra que Cuiabá era bem avançada na área religiosa do espiritismo”.

“Por aquele tempo já havia a identificação da ligação do rio Cuiabá com as bacias brasileiras que mostram a interconexão entre os espíritos num plano espiritual e os espíritos encarnados. Uma ideia central nos ensinamentos do espiritismo sobre a preservação daquilo que não é nosso”.

A busca pela convivência

“A igreja precisa respeitar a religiosidade popular. Se inserir no contexto da realidade do povo para poder purificar alguma coisa de não correto”, diz o padre Felisberto Samoel da Cruz.

Para ele, o papel da igreja deve representar, primeiramente, a saúde espiritual, com a pregação do amor do respeito ao próximo.  As contendas geradas entre as matizes as matrizes religiosas são produto da experiência puramente humana.

“Existe um problema muito grande de as pessoas quererem julgar como certo aquilo que é dela, parecido com ela. O papel da religião é orientar as pessoas com o princípio do amor, do respeito, de Deus em última instância. O que diverge disso é puramente do homem”.

O problema reflete na avaliação do babalorixá Paulo de Oxumaré ao responder a perguntas sobre o conflito entre a religião candomblé e a católica.

“Esse preconceito existe quando, basicamente, se fala de outras religiões. Nós não podemos reagir por o que as pessoas fizeram no passado. Há católicos que frequentam as reuniões da umbanda e umbandistas que frequentam a igreja católica. Não há problema nisso”.

Fonte: Site do Circuito Mato Grosso

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

'O Juízo': Conheça o filme espírita estrelado por Fernanda Montenegro

A Paris Filmes divulgou a data de estreia de um dos filmes de terror nacional mais aguardados do ano.

Trata-se 'O Juízo', terror estrelado por Fernanda Montenegro e dirigido por seu genro, Andrucha Waddington.

A estreia foi marcada para 2 de Maio de 2019.

O terror sobrenatural se passa no universo kardecista/espírita, e narra a história de um acerto de contas que leva mais de duzentos anos para se concretizar. Augusto Menezes muda-se com a mulher, Tereza, e o filho, Marinho, para uma fazenda abandonada, herdada do avô, na esperança de colocar a vida nos trilhos.

Ele perdeu o emprego na cidade e sofre de alcoolismo. A propriedade, no entanto, carrega o carma da traição a um escravo, Couraça, traficante de diamantes, que foi assassinado numa emboscada, junto com a filha, Ana, armada por um antepassado dos Menezes. Augusto, Tereza e Marinho serão alvo da vingança de Couraça e Ana, que buscam, ao longo dos séculos, uma reparação pela vida que perderam.

Confira as primeiras imagens:




Fonte: CinePop

Por que o espiritismo pegou tanto no Brasil

Na maior parte do mundo, o espiritismo é visto como uma moda do século 19. No Brasil a história é bem diferente: nossos 3,8 milhões de seguidores da doutrina de Allan Kardec fazem do Brasil a maior nação espírita do planeta. Entenda como isso aconteceu

Em volta da mesa de madeira, iluminados pelas chamas dos lampiões, homens compenetrados invocavam a presença dos mortos. Era a primeira vez que o grupo de intelectuais baianos comandava uma sessão mediúnica. Acreditavam que podiam fazer contato com espíritos e estavam atentos a ruídos e movimentos fora do comum. Naquela mesma noite de 17 de setembro de 1865, os escritores, professores, militares e magistrados ali reunidos haviam fundado o primeiro centro espírita brasileiro. Seguindo rituais propostos por Allan Kardec, tentavam atrair alguma alma desencarnada. Sem nenhum aviso, a mão de um dos homens começou a rabiscar um papel. Todos os olhares se voltaram para as letras que, uma a uma, surgiam na folha, agrupadas em palavras que comoveram os presentes antes mesmo de serem conhecidas. Quando a mão finalmente parou de escrever, a mensagem psicografada anunciava que um espírito chamado Anjo de Deus estava entre eles.

O episódio ocorrido em Salvador é considerado o marco inicial do espiritismo no Brasil. A ideia de que é possível falar com os mortos, no entanto, não era estranha em um país onde crenças africanas e indígenas sempre figuraram em meio ao catolicismo oficial e dominante. O caldeirão cultural brasileiro é só um dos fatores que explicam a acolhida que o espiritismo teve no país a partir da metade do século 19, quando a doutrina de Kardec chegou da França com explicações para casos extraordinários e assustadores que agitavam o mundo. Um desses acontecimentos se passou em 1848, em uma casa de madeira no vilarejo de Hydesville, no estado americano de Nova York. O casal Fox já tinha ouvido batidas e ruídos vindos das paredes da residência onde viviam com as filhas Margaret e Kate, de 14 e 11 anos. Um dia as pancadas ficaram fortes, camas começaram a tremer e objetos começaram a sair do lugar. Os Fox estavam aterrorizados.

Foi quando a menina mais nova estalou os dedos e ouviu batidas na parede como resposta. Ela repetiu o gesto com os dedos, dessa vez sem som de estalos, e percebeu novamente as batidas, o que significava que era observada. Em poucas horas, na presença de dezenas de testemunhas, a conversa foi aprimorada: perguntas eram feitas em voz alta, respostas de sim e não chegavam com toques combinados. Descobriram que o visitante batedor era um homem morto e enterrado na casa. As notícias sobre a conversa com o espírito correram o mundo, e as irmãs Fox ganharam fama apresentando em público seus poderes mediúnicos. Anos mais tarde, elas disseram que tudo havia sido armado. Depois, voltaram atrás e falaram que tinham negado a história em troca de dinheiro.

O escritor Arthur Conan Doyle era um dos interessados nas irmãs Fox. Ao longo de 40 anos, o inglês estudou diversos casos de manifestações de espíritos – a ponto de publicar mais tarde, em 1926, o clássico A História do Espiritualismo, em que relata alguns episódios e afirma que “uma invasão organizada” de seres de outros planos estava em andamento. Com o interesse de figuras famosas, como o criador das histórias de Sherlock Holmes, em espaço de poucos anos, surgiram centenas de figuras alegando poderes que a ciência não sabia explicar. Diziam contar com a ajuda de espíritos para prever o futuro, saber do passado, transmitir pensamentos, curar doenças e até levitar.

Eles e seus seguidores não tinham dúvidas: estava em curso uma ação dos espíritos para despertar curiosidade e fazer contato com os vivos.

Uma moda espírita

Em 1850, o fenômeno das “mesas girantes” divertia nobres e burgueses em salões da alta sociedade europeia, sobretudo em Paris. Ao redor de uma mesa, os participantes da brincadeira apoiavam as mãos espalmadas no tampo e, unidos pelas pontas dos dedos, viam o móvel se movimentar sem uma explicação física aparente, geralmente girando. O que se dizia era que o poder de concentração do grupo fazia a mesa se mexer.

Estudiosos logo se interessaram: parte deles suspeitou de truques, outros associaram os giros a magnetismo ou ação involuntária e inconsciente dos envolvidos. Em 1855, o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, professor e autor de livros educacionais, ouviu de um amigo dono de restaurante que o movimento das mesas tinha a participação dos mortos. O amigo disse ainda que as mesas eram inteligentes e batiam no chão em resposta a perguntas. Curioso, embora incrédulo, Rivail aceitou o convite para ver uma das sessões.

Às 8 horas da noite de uma terça-feira de maio, Rivail chegou ao número 18 da rua Grange-Batelière, em Paris. Entrou na casa de uma senhora chamada Plainemaison e ficou aturdido com as experiências que para sempre mudariam a sua vida. Diante de seus olhos, como ele mesmo escreveria anos mais tarde, “mesas pulavam e corriam” pelo cômodo da mansão, em movimentos que não deixavam nenhuma dúvida de que estava frente a forças ocultas. Na mesma noite, viu ainda uma tentativa de escrita mediúnica e teve a certeza de que espíritos queriam se comunicar. Deixou a casa decidido a voltar e investigar a fundo os fatos absurdos, que ainda não conseguia compreender.

Os meses seguintes transformariam definitivamente a vida do professor. Ele presenciou muitas outras vezes os fenômenos tanto na casa da senhora Plainemaison como em outros lares de Paris. Na mansão da família Boudin, passou a contar com a ajuda de duas médiuns adolescentes, que psicografavam mensagens enviadas pelos espíritos. Rivail perguntava em voz alta o que gostaria de saber sobre o mundo dos mortos e recebia as respostas em psicografias. Contou com a ajuda de outros médiuns para revisar as informações. As supostas revelações sobre o que eram, de onde vinham e para onde iam os espíritos foram reunidos na forma de uma nova doutrina, batizada de espiritismo – para diferenciar do abrangente termo espiritualismo, já consagrado na época para descrever a relação entre vivos e mortos. Aconselhado por um espírito que já o conhecia de outra vida, Rivail mudou seu nome para Allan Kardec.

Em 18 de abril de 1857 foi lançado em Paris o Livro dos Espíritos, com 501 perguntas e respostas, resultado das revelações que Kardec dizia obter do mundo espiritual. Três anos depois, uma segunda edição, revista e ampliada para 1.019 questões, veio a público. A doutrina defendia a existência de Deus, a imortalidade da alma, a reencarnação, a evolução dos seres, a pluralidade de mundos e a possibilidade de comunicação com os espíritos por meio da mediunidade e a caridade.

Para Kardec, as revelações contidas na obra não eram simples religião, mas uma filosofia com base científica voltada para o aperfeiçoamento moral do homem. O livro foi criticado por céticos, que viram na obra não mais que uma bem elaborada trama mística. A Igreja foi além das críticas contra a doutrina, que pregava a reencarnação e feria dogmas católicos. Em 1861, Kardec enviou 300 exemplares de obras espíritas para um livreiro de Barcelona. A encomenda foi apreendida pelo bispo local, que ordenou a queima dos livros em praça pública. Em 9 de outubro, orientado por um padre que segurava uma cruz e uma tocha nas mãos, um carrasco comandou a queima das obras diante de uma pequena multidão. Em 1864, o Livro dos Espíritos foi incluído no Index Librorum Prohibitorum, lista de obras que não podiam ser lidas pelos fiéis católicos.

Até sua morte, em 1869, Kardec publicou mais quatro obras: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, que, junto com O Livro dos Espíritos, reúne a base da doutrina. Na Revista Espírita, que fundou em 1858, o francês divulgou por 10 anos textos complementares, mensagens psicografadas e notícias da onda espírita pelo mundo.

Terreno fértil

Embora tenha repercutido em dezenas de países, a verdade é que o espiritismo não achou muito espaço para prosperar. Espiritualistas britânicos e americanos não aceitaram a tese de reencarnação e fizeram ressalvas à religiosidade da doutrina. Em Portugal, Espanha e Itália, as ideias foram combatidas pela Igreja Católica e não puderam circular livremente. Até mesmo na França, berço do espiritismo, o interesse ficou restrito a alguns círculos de intelectuais e arrefeceu depois de alguns anos, sobretudo quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial.

No Brasil, entretanto, o avanço do espiritismo foi notável desde os primeiros anos, como o próprio Kardec festejou em uma edição de 1864 da Revista Espírita, quando afirma com satisfação “que a ideia espírita faz progressos sensíveis no Rio de Janeiro, onde ela conta com numerosos representantes, fervorosos e devotados”. O fenômeno das “mesas girantes” era visto com curiosidade no Brasil imperial do século 19. Os periódicos Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e O Cearense, por exemplo, noticiaram a febre que colocava toda a sociedade parisiense “em torno de uma mesa redonda”. Antes da doutrina kardecista, falar de espiritualismo já era comum entre homeopatas e homens atentos a casos extraordinários, como o das irmãs Fox.

Com a publicação de O Livro dos Espíritos, o tema despertou interesse em muito mais gente. A pequena redação do Courrier du Brésil, por exemplo, era o principal ponto de encontro no Rio de Janeiro de franceses exilados e opositores do regime de Napoleão III, bem como de brasileiros atentos às teorias políticas e filosóficas que agitavam a Europa. A elite carioca dos anos 1850 tinha os olhos voltados para Paris. Quando a doutrina de Kardec veio a público, foi bem recebida pelos leitores do jornal impresso em francês e apreciado por prestigiados cidadãos da corte de dom Pedro II. Além de fascinantes, as revelações dos espíritos estavam livres do conservadorismo católico e alinhadas com ideias modernas. O espiritismo logo virou uma opção mística estimulante para intelectuais que desprezavam o controle moral exercido pela Igreja. Com o apoio de figuras respeitadas da sociedade brasileira, o espiritismo ganhou legitimidade.

No Rio de Janeiro, nem mesmo a Igreja fez ressalvas quando, em 1860, Casimir Lieutaud, diretor do presitigiado Colégio Francês, publicou Os Tempos São Chegados, primeiro livro espírita em português. Dois anos mais tarde, textos de Kardec traduzidos já estavam nas livrarias. A reação da Igreja ao espiritismo na cidade só viria com força 20 anos depois, quando o movimento andava a passos largos nas principais cidades brasileiras.

Em Salvador, o Conservatório Dramático da Bahia, fundado por Luiz Olímpio Teles de Menezes em 1857, era espaço de debate da intelectualidade baiana. Lá, as ideias espíritas também causaram impacto. Alguns homens cultos desse grupo estavam ao redor da mesa 8 anos mais tarde, na primeira sessão espírita do país, quando a entidade Anjo de Deus anunciava sua presença.

A reação da Igreja ao espiritismo na Bahia foi mais dura, a ponto de uma carta com o título Erros Perniciosos do Espiritismo ter sido escrita pelo arcebispo em julho de 1867. Teles de Menezes respondeu com outra carta aberta, mas as hostilidades não cessaram. O grupo baiano incomodava não só a Igreja mas também famílias donas de escravos, contrariadas com a postura abolicionista dos espíritas. No auge do conflito, espíritas eram alvo de charges e chacotas em jornais de Salvador.

Sem recuar, Teles de Menezes fundou em 8 de março de 1869 o primeiro periódico espírita do Brasil, O Eco d’Além-Túmulo, publicação bimestral, que escancarou a posição contrária à escravidão e virou uma importante ferramenta de divulgação do espiritismo. No discurso de lançamento do jornal, Teles de Menezes destacou a “missão espinhosa” de fazer a crença “chegar indistintamente a todos os homens”. A exemplo de O Eco d’Além-Túmulo, muitos outros jornais e revistas espíritas foram lançados. Eram os principais canais de divulgação do espiritismo e, vendidos em bancas populares, fizeram com que a novidade chegasse a todos os lugares. Em 1875, surgiu no Rio de Janeiro a Revista Espírita. Naquele ano, o jornal O Espírita era criado no Rio Grande do Norte. Em 1881, a Sociedade Acadêmica Deus Cristo e Caridade fundou a sua própria revista na capital fluminense.

Até a virada do século, não menos do que 50 publicações tinham aparecido nas bancas. Foi também no Rio de Janeiro que o português Augusto Elias da Silva fez espaço em seu ateliê fotográfico para montar uma pequena redação. Incentivado pela mulher, usou dinheiro do próprio salário para lançar em 21 de janeiro de 1883 o jornal O Reformador, veículo espírita mais antigo ainda em circulação no país.

As publicações também eram importantes para rebater as críticas que a Igreja começava a fazer com maior ênfase. O bispo do Rio de Janeiro, dom Pedro Maria de Lacerda, publicou em 1881 um texto em que chamava os espíritas de “possessos, dementes e alucinados”. No ano seguinte, subiu o tom dos ataques e disse que era preciso odiar espíritas “por dever de consciência”. Naqueles tempos, os grupos espíritas precisavam disfarçar o lado religioso e dizer que a doutrina era de estudos científicos para evitar a perseguição. Os grupos proliferavam, mas seguiam caminhos próprios. Era preciso unir forças para o movimento continuar forte.

Um dos primeiros a perceber isso foi o próprio fotógrafo Augusto Elias da Silva, que convocou algumas lideranças para um encontro em sua casa. Ele defendeu a criação de uma nova e ampla federação, que integrasse todos os grupos espíritas existentes. Com o apoio dos convidados, que também viam a necessidade de união, propôs a elaboração de um plano de divulgação do espiritismo, que seria feito por meio do seu jornal – agora oficial – e de livros. No primeiro dia de 1884, era criada a Federação Espírita Brasileira.

Frente unida

A atuação da organização, desde seu início até hoje, também explica o êxito do espiritismo no Brasil. É ela que define como deve funcionar um centro espírita, como devem ser feitos os atendimentos e quais são as estratégias para que o movimento não pare de crescer. Com a publicação de diversos textos teóricos, é uma referência doutrinária de qualquer organização espírita. Oferece ainda cursos para a formação de médiuns e dá palestras a seguidores. No final do século 19, os centros espíritas passaram a oferecer tratamento homeopático e espiritual a pobres e escravos que não conseguiam outro tipo de atendimento.

Mesmo com a elite espírita voltada para o estudo e a defesa da doutrina, os seguidores não deixaram de aprofundar o trabalho social, virtude que Kardec apontava como fundamental para a evolução da alma e que a população ligava a pessoas de bom coração. Para quem tem um filho doente, afinal, pouco importa se a ajuda parte de católicos, espíritas ou ateus. Foi a dinâmica de funcionamento dos centros a principal responsável pelo espiritismo ter atingido as classes populares. Famílias pobres passaram a confiar nos espíritas, a quem pediam apoio e de quem recebiam remédios naturais, passes espirituais, roupa, comida e conforto. “A popularidade do espiritismo vem dessa ação de caridade da elite em relação aos necessitados. As pessoas procuravam o espiritismo em busca de tratamento”, afirma Bernardo Lewgoy, professor da pós-graduação em antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador do CNPq.

Também encontravam refúgio nos centros espíritas pessoas tratadas como loucas, que viam na ideia de mediunidade uma possível explicação para supostas visões e vozes. Com palestras, cursos e leituras, eram incentivadas a acreditar que podiam encarnar espíritos. O espiritismo brasileiro se afastava do elitistismo europeu, berço da doutrina, e abria espaço para a entrada de pessoas simples.

Apesar de festejada, a criação da Federação Espírita Brasileira não conseguia superar uma divisão que parecia definitiva. Os trabalhos de caridade eram incentivados com base na faceta mais religiosa das ideias de Kardec, o que incluía passes e sessões de contato com os mortos. Muitos espíritas, no entanto, estavam mais interessados nos aspectos científicos do trabalho de Kardec e defendiam a ênfase do espiritismo na pesquisa do sobrenatural. Além disso, havia divergências sobre a validade de outros autores, como Jean-Baptiste Roustaing, cuja obra continha trechos conflitantes com partes de O Livro dos Espíritos. O responsável por acalmar os ânimos e unir os espíritas em um movimento mais coeso foi Bezerra de Menezes, o “médico dos pobres”, que aderiu ao espiritismo em 1886, em cerimônia pública que atraiu quase 2 mil pessoas. O médico, com 30 anos de vida política, tinha perdido a mulher e dois filhos. Sem apego material, passou a atender os necessitados sem cobrar pelo serviço e logo estava ele mesmo pobre.

Era uma figura carismática e agregadora, um homem de moral elevado, visto como a melhor opção para assumir a presidência da Federação Espírita, o que fez em 1889, no auge da disputa entre místicos e científicos. Bezerra encontrou um movimento problemático. Nos centros que visitava, encontrava diretores ignorantes e ríspidos. Muitos distorciam a doutrina e praticavam um espiritismo fanático e nocivo. “Eram pessoas bem intencionadas, mas que não conheciam bem a obra de Kardec. Foi um processo lento até acabar com opiniões pessoais e realizar seriamente os trabalhos de mediunidade”, diz Antonio Cesar Perri de Carvalho, atual presidente da Federação Espírita Brasileira.

Bezerra de Menezes batalhou para acabar com as divergências. Estudioso do kardecismo, publicou traduções e escreveu inúmeros textos e livros, sempre enfatizando que a ajuda aos pobres e aos necessitados era o maior dever espírita. A dedicação fez com que fosse chamado de “o Kardec brasileiro”. Superou as disputas internas e definiu que o espiritismo no Brasil seria uma doutrina religiosa e dedicada a causas sociais, orientação válida até hoje.

A principal batalha de Bezerra de Menezes, entretanto, começou com o fim do Império, quando a religião católica era a oficial. Depois de passar para a República, em 1889, o Brasil se tornaria um Estado laico. A nova Constituição, em 1891, viria a garantir liberdade de culto, mas o Código Penal aprovado antes dela, em 1890, criminalizou a prática do espiritismo, incluído em artigo que condenava rituais de magia e cartomancia. Homeopatia, cura magnética e qualquer tipo de curandeirismo também estavam proibidos, o que impedia a atuação dos médiuns. Vários espíritas foram presos.

A habilidade política de Bezerra triunfou quando ele enviou um ofício ao então presidente da República, Deodoro da Fonseca, em 1890. O médico pediu o fim das perseguições em respeito aos direitos e liberdades dos espíritas. Argumentou que não havia charlatanismo em centros espíritas, já que eles não tinham fins lucrativos. Por fim, destacou o atendimento que os espíritas prestavam a quem não tinha acesso a médicos e hospitais. O Código Penal não foi alterado, mas o apelo de Bezerra fez com que as perseguições rareassem, permitindo que médiuns e receitistas voltassem a trabalhar. Assim, os principais críticos do espiritismo se tornaram os psiquiatras, que, na virada do século 20, viam na doutrina em expansão uma herança de crenças africanas e classificavam o culto como uma doença contagiosa, capaz de levar adeptos à loucura.

Misturar espiritismo com ritos africanos e nativos fazia sentido para quem não conhecia a doutrina a fundo. De fato, contatos mediúnicos com espíritos eram comuns em curas e outros rituais dos indígenas e dos escravos, mas terminavam aí as semelhanças das religiões nativas e africanas com a palavra de Kardec. Se havia outro ponto em comum, era o timing: ao mesmo tempo que o espiritismo saía da elite para penetrar nas classes populares, o espiritualismo das senzalas se viu livre para circular pelas cidades a partir do fim da escravidão, em 1888. Uma coincidência propícia para uma fusão.

Dissidentes

Em 1908, Zélio Fernandino de Moraes teve uma súbita paralisia dias antes de prestar exames para a Escola Naval. A família buscou ajuda médica, mas o tratamento não teve efeito. O garoto, de 17 anos, passou então a ter visões e falar palavras desconexas. Outros médicos avaliaram o caso, mas não tinham um diagnóstico. Aconselhados por um vizinho, os pais levaram o jovem para um centro espírita em Niterói. Quando a sessão começou, Zélio incorporou o espírito de um caboclo, entidade que já era conhecida dos kardecistas, considerada alma atrasada e indesejada. Mandado embora, o espírito se embrabeceu e disse que, no dia seguinte, voltaria a falar através de Zélio para dar início a uma nova religião.

Às 20 horas do dia 16 de novembro, o Caboclo das Sete Encruzilhadas ressurgiu no corpo do garoto e falou que os espíritos dos velhos africanos e dos índios nativos iriam ajudar os vivos livres de preconceitos pela cor, raça e condição social em suas vidas passadas. Antes de partir, pediu que os adeptos vestissem branco e anunciou o nome da primeira grande dissidência do espiritismo: a umbanda. Em 1910, na cidade de Santos (SP), Luís de Matos fundou outra nova doutrina, batizada de Racionalismo Cristão, alegando que havia excesso de religiosidade no espiritismo, do qual havia sido adepto. Na obra fundamental, lançada em 1914, Matos fez nova interpretação das revelações dos espíritos e defendeu uma codificação racional e científica das mensagens, sem misticismos e cargas religiosas.

As religiões saídas do espiritismo não impediram que o movimento continuasse a crescer nos anos seguintes, marcado pela construção de hospitais, por programas no rádio e pelo reconhecimento do trabalho de grandes médiuns, entre eles Francisco de Paula Cândido, o Chico Xavier. Ao longo do século 20, o mineiro seria o principal personagem que ajudaria a consolidar o Brasil como o maior expoente mundial do espiritismo, atraindo milhões de adeptos para a doutrina.

Santo espírita

Chico ouvia vozes desde a infância. Nascido em família pobre, conheceu o espiritismo em 1927, ao buscar ajuda para uma irmã. Aos 17 anos, fundou um centro espírita simples, em um barracão de madeira, onde começou a psicografar textos ditados por espíritos. Depois de emplacar alguns escritos em jornais, publicou em 1932 o primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, antologia de poemas que teriam sido ditados por escritores portugueses e brasileiros mortos, entre eles Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, Casimiro de Abreu, Artur Azevedo e Olavo Bilac. A polêmica em torno da veracidade da obra não impediu Chico de continuar publicando psicografias, muitas com toques de nacionalismo e todas incentivando a caridade cristã. Em 1943, publicou o seu livro de maior sucesso, Nosso Lar, primeiro de uma série de romances em que conta, com base no relato de um espírito, como é a vida no mundo dos desencarnados.

Chico não era o único médium a ganhar projeção. Francisco Peixoto Lins, o Peixotinho, ficou famoso pela alegada capacidade de materializar espíritos e foi acusado de fraude após a divulgação de fotos em que está perto de entidades envoltas em material branco. Em Minas Gerais, o médium Zé Arigó dizia encarnar o espírito do médico alemão Doutor Fritz para realizar cirurgias mediúnicas em milhares de pessoas, usando facas e canivetes.

Mas Chico Xavier estava em outro patamar. Sua popularidade ajudou a consolidar uma tradição espírita genuinamente brasileira cujas origens, é claro, vinham desde Kardec e Bezerra de Menezes. Mas, nas suas palavras, o aspecto religioso da doutrina e o valor da caridade se tornaram a norma no Brasil, colocando em segundo plano a discussão científica, que tanto interessava aos intelectuais franceses e ingleses do século 19, afirma o professor Bernardo Lewgoy.

Quando apareceu no programa Pinga-Fogo, da TV Tupi, Chico Xavier estabeleceu a maior audiência da televisão brasileira até então. Alcançava ali o posto de maior figura religiosa em um país de maioria católica. “Chico era sinônimo de caridade, solidariedade e bondade. Valores que já estavam arraigados no povo brasileiro. Ele é uma espécie de santo espírita”, diz Renata de Castro Menezes, doutora em antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Até 2002, quando morreu, aos 92 anos, psicografou mais de 400 livros e cerca de 10 mil cartas.

Confrontado pelo midiático Padre Quevedo, fez das acusações uma ferramenta de divulgação do espiritismo. O jesuíta espanhol trouxe ao país conceitos da parapsicologia para interpretar o espiritismo e dizia que a mediunidade não envolvia espíritos, apenas criações do próprio médium. Quevedo desafiou Chico a falar a língua de espíritos estrangeiros, apontou inconsistências em obras psicografadas, viu farsa em fotos de espíritos e o chamou de “louco”. A mediunidade, de fato, não tem explicação científica. Mas pesquisas recentes mostram que o fenômeno não é sinônimo de doenças mentais, como a esquizofrenia, uma tese popular propagada pelos céticos.

O espiritismo nunca deixou de crescer no Brasil. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito em 2010 apontou 3,8 milhões de espíritas declarados no país. Estima-se que outros 40 milhões sejam simpáticos a ideias espíritas, sobretudo à reencarnação. Segundo a Federação Espírita Brasileira, mais de 14 mil entidades espíritas estão em funcionamento, entre hospitais, escolas e centros, números que não deixam dúvidas de que a doutrina de Allan Kardec encontrou no país um singular e fértil terreno para prosperar.

Por André Schröder, publicado em 3 jun 2016, 20h30, no site da revista Superinteressante.

Pensamentos e decisões

É impressionante a maneira como as pessoas estão alienadas em relação a elas próprias. Elas desconhecem, por completo, os potenciais que possuem. Sempre se veem como vítimas, sejam do destino, do azar ou do que for; sempre esperando alguém que as salvem. No entanto, a verdade é que o poder capaz de operar essa mudança em suas vidas não está fora, mas dentro delas mesmas. Na realidade, somos nós, conscientes ou não, que construímos o nosso destino. Por isso, precisamos entender que enquanto continuarmos ignorando nossos poderes internos, nossas vidas continuarão em desajuste.

Através do pensamento construímos ou destruímos e, acima de qualquer coisa, modificamos e transformamos, não só o nosso mundo interno e particular como, também, o universo que nos rodeia e no qual estamos inseridos. Podemos afirmar que é através do pensamento que escrevemos nosso destino. A tal respeito ensina-nos o espírito Hammed que: “A força do pensamento influencia o próprio destino humano. O ato de pensar é um dos mais poderosos recursos do indivíduo; é a própria capacidade da mente de transformar ondas energéticas, dando-lhes solidez, forma e sentido.”

Desta maneira, categoricamente, podemos afirmar: somos o que pensamos e tudo provém do pensamento, de modo que é hora de darmos mais atenção aos pensamentos que alimentamos, às crenças que nutrimos e aos juízos que fazemos, pois são eles que determinam tudo que estamos vivenciando. Se o que estamos vivenciando é resultado do que guardamos na alma, reciclar e substituir os pensamentos são as melhores maneiras de ajustarmos nossa vida.

Esclarece-nos novamente Hammed que: “(...) tudo o que está acontecendo em tua vida são produtos de tuas crenças e pensamentos, que se materializam por fora de ti mesmo; não são, pois, nem punições e nem recompensas, mas reações desencadeadas pelas tuas ações mentais.”

Não importa por quanto tempo alimentamos pensamentos negativos; podemos modificá-los. Somos nós quem os escolhemos, os mantemos e, consecutivamente, somos os únicos a poder alterá-los. Sobre isso, esclarece Luiz Gasparetto: “Somos o que fazemos de nós. Estamos onde nos colocamos. Somos o capitão do barco de nosso destino. Dirigimos nossa vida pelas nossas atitudes. Criamos atitudes com aquilo que escolhemos acreditar. E crenças, a gente muda quando quer.”

 Aprendizado

Renasceremos inúmeras vezes, entre outras razões, para aprendermos a usar os nossos potenciais internos, dentre eles, a habilidade de lidar com os pensamentos, ou seja, aprendermos a usar nossos potenciais mentais, sendo esse um dos principais focos de nossa aprendizagem atual. A evolução é um processo que parte do simples para o complexo, é uma trilha que gradualmente vai capacitando-nos para o uso de nossos atributos naturais. É imprescindível aproveitarmos cada experiência, cada oportunidade, compreendendo que quanto mais o aproveitamos, tanto mais evoluímos. É fundamental, portanto, para o nosso aperfeiçoamento, o uso da vontade na disciplina dos pensamentos.

O pensamento é criador. Não atua somente em roda de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura, conforme dizia Léon Denis.

Se, por um lado, somos detentores desses potenciais, por outro somos os únicos responsáveis pela felicidade ou infelicidade que estamos vivenciando. De forma que perguntamos: que pensamentos você alimenta? Que direção dar a seu poder de vontade? – Responda a si mesmo!

Escrito por Marco Tulio Michalick postado no site da Revista Cristã do Espiritismo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Nhoque ao sugo: LEAE iniciou as vendas

Periodicamente, nós, trabalhadores da Casa, realizamos campanhas beneficentes para arrecadação de recursos que apoiam nossas obras sociais e ajudam na manutenção do LEAE. 

A confecção e entrega do nosso prato, que desta vez será Nhoque ao Sugo, acontecerá no dia 10 de março, domingo.

Esta campanha é viabilizada pelos nossos trabalhadores voluntários, que se reúnem para preparar e distribuir o prato. O Nhoque ao Sugo já está com as vendas abertas, cada uma ao valor de R$ 25,00, em embalagens de 1kg.