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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Comunicação assertiva

Um pré-requisito para a empatia é simplesmente prestar atenção às emoções dos demais. (Daniel Goleman)

Os filhos não podem ter medo dos pais. Monólogos verticalizados nunca educam e, na verdade, geram receios e ressentimentos. Diálogo sim, e baseados no respeito e na tolerância, pois o filho é um ser humano que precisa crescer seguro e confiante.

O focar na comunicação diária, e buscando aspectos para melhorá-la, os pais o responsável podem/devem dizer repetidamente à criança:

Não

Palavra simples e que deve ser dita com naturalidade à criança, pois há situações cotidianas que não são negociáveis - comer bolo na hora do almoço - e determinados comportamentos que simplesmente são inaceitáveis - bater no gato etc.

Não sei

Ninguém sabe tudo. Os pais também não sabem tudo. Há perguntas elaboradas pelas crianças e para as quais os pais não têm resposta. Dizer “não sei” é algo recorrente na vida. Dessa forma, a própria criança crescerá consciente de que o aprender é uma constante na vida.

Errar faz parte da vida

Somos falíveis. Os acertos são conquistados por meio dos erros. Equivocar-se faz parte da jornada humana. Por isso, ninguém vive somente de vitórias e acertos. A criança, desse modo, desde cedo, precisa assimilar que cometer erros é próprio da natureza humana.

Você me desculpa?

Não basta ensinar a criança pedir desculpas ao irmão mais novo, ao primo, ao colega de classe, à professora… Se o objetivo é ensinar a importância de respeitar o outro e sem banalizar o pedido de desculpas, pais ou responsáveis, quando erram, devem/podem, com naturalidade, pedir desculpas à criança. Ora, se você notar que exagerou na reprimenda, peça desculpas, conte que se descontrolou. Afinal, o mundo precisa de pessoas que não tenham vergonha de se desculpar, de perdoar, de recomeçar. Essas atitudes estimulam empatia, solidariedade, altruísmo.

Você me ajuda?

Somos seres gregários, dependemos do outro e é a convivência que alavanca alegria, crescimento. Todo mundo precisa de ajuda, e, por isso, desde cedo é interesse se habituar a solicitar a colaboração das crianças na organização da vida doméstica: regar as plantas, colocar a mesa na hora do almoço, brincar em silêncio. Na verdade, esses pedidos de ajuda revela aos filhos que colaboração e parceria são vitais para a felicidade das pessoas.

Texto escrito por Eugênia Pickina para O Consolador, Ano 14 - N° 679 - 19 de Julho de 2020

sexta-feira, 13 de março de 2020

Escrever à mão é um direito da criança


Educar não é ensinar respostas, educar é ensinar a pensar. 
Rubem Alves


No mundo contemporâneo, tomado pela pressa e a tecnologia, a caligrafia parece obsoleta. Há, por isso, uma tendência ao desprezo da escrita à mão, embora a neurociência afirme que aprender a escrever à mão é uma habilidade fundamental ao ser humano. Diversos estudos apontam, por exemplo, uma relação estreita entre boa caligrafia e bom desempenho acadêmico.

Mas, em casa, na escola, estimulamos realmente as crianças para escreverem e com habitualidade?

A ideia de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora está equivocada. Neurocientistas defendem atualmente que o processo cognitivo de ler está conectado com o processo motor de formar letras e, por isso, para as crianças pequenas digitar palavras não gera a mesma ativação do cérebro que aprender a escrever à mão...

Crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de fôrma, depois alguns anos de aprendizado e prática de letra cursiva. Ou seja, letra de fôrma primeiro para a leitura, depois a cursiva para a ortografia e a composição. Portanto, a digitação só faz sentido a partir do quinto ano do ensino fundamental.

É preciso tomar cuidar para que a atração do mundo digital não prive a criança  de experiências significativas com o lápis e o caderno e que terão impacto real no seu desenvolvimento.

Dominar a caligrafia é uma maneira assertiva de se apropriar da escrita  e do pensamento; mais tarde, da condição de intérprete de si mesmo e do mundo.

Notinhas

Escrever à mão gera vários benefícios: ajuda na memorização dos conteúdos para uma pessoa poder elaborá-los melhor e/ou para reformulá-los; incentiva a criatividade; ajuda a ortografia, pois é mais fácil cometer erros e, com eles, aprender e melhorar; otimiza a aprendizagem, porque o corpo e a mente elaboram conceitos mentais que facilitam a compreensão; estimula a capacidade cognitiva do cérebro. Quando escrevemos, obrigamos o cérebro a reduzir a velocidade de suas funções, de modo que a mão possa escrever fisicamente o conceito em um papel. O cérebro ativa as funções relacionadas com a revisão e reorganização dos pensamentos; auxilia a autorregulação das emoções, impelindo a pessoa a colocar em prática a paciência, administrando melhor a raiva e as chateações. Por estas e outras razões, é fundamental fomentar a caligrafia nas escolas e em casa, a fim de estimular nas crianças o desenvolvimento de habilidades importantes para o viver e o conviver.

Site de O Consolador, por Eugênia Pickina

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Ensinar empatia às crianças

Todo indivíduo faz diferença.
 Jane Goodall

Aspiramos a que uma criança cresça empática?

Ainda que a empatia seja uma inclinação natural do ser humano, ela depende na infância de estímulo para desenvolver-se. Como em qualquer situação, o primeiro passo é o exemplo. Porque as crianças absorvem tudo – as atitudes positivas e os comportamentos negativos. Logo, se queremos crianças empáticas, devemos também ser pessoas empáticas – em casa, na rua, no dia a dia, deixando que percebam, observem e absorvam de modo repetido nosso cuidado e atenção com os outros e, ainda, as consequências de nossas atitudes gentis, atentas, compassivas.

A habilidade de se colocar no lugar do outro pode também ser estimulada na primeira infância por meio da literatura infantil, que é um pilar importante no desenvolvimento da criança.

Quando a criança tem contato com os cenários diversos da literatura, ela tem a oportunidade de viver diferentes experiências, abrindo-se a emoções distintas – medo, raiva, tristeza, alegria –, integrando-se a contextos que abordam perspectivas plurais da humanidade, o que contribui para que ela cresça  com mais compreensão, mais empatia.

Contar histórias para as crianças pequenas e permitir que  cresçam com acesso fácil a livros contribuem de modo bastante eficaz com o fortalecimento das habilidades emocionais, portanto da empatia, porque a identificação com personagens dão o caldo  imaginário necessário para a criança se reconhecer e se colocar no lugar dos personagens, entender diferenças e conhecer novas formas de resoluções de conflitos que poderão, por exemplo, ser reproduzidas nas situações reais.

Por permitir a diversidade, despertando na criança seu potencial reflexivo e crítico, a literatura, sem mencionar outros aspectos, é um recurso que, na infância, favorece o desenvolvimento da empatia.

Notinhas

A empatia – habilidade de se colocar no lugar do outro – não é uma característica individual que depende somente de fatores genéticos. Aliás, é sabido hoje que os fatores ambientais têm influência expressiva para o desenvolvimento da empatia.

É na primeira infância (período entre os 0 e 6 anos) que o nosso cérebro passa pelo maior número de conexões neuronais (sinapses), criando uma janela de oportunidade para o aprendizado. Assim, se área do cérebro responsável por habilidades emocionais como a empatia não é devidamente estimulada na infância, fica mais difícil  desenvolvê-la na vida adulta.

É possível observar, desde o nascimento, comportamentos que são uma espécie de precursores da empatia, como o choro reativo de um bebê ao ouvir outra criança chorando. Mas é a partir do primeiro/segundo ano de vida que os fatores ambientais – como a interação com os pais – começam a preponderar no desenvolvimento da empatia.

Por Eugênia Pickina para O Consolador

domingo, 14 de julho de 2019

A tal da empatia

Diz-se, geralmente, da capacidade de nos colocarmos no lugar do próximo. A exemplo do que nos ensinou Jesus, de um prisma mais espiritualizado, acima de tudo do ponto de vista da doutrina espírita que nos diz que somos Espíritos imortais, estagiando temporariamente na carne para nos elevarmos na ciência do amor, temos que ter muito cuidado para não colocarmos o outro no nosso lugar e exigir que ele aja bem.

Não há empatia, mas apenas arrogância e, portanto, não há aprendizado quando, a título de exemplo, falamos: "É melhor ser feliz do que ter razão". Porque, na verdade, para fugir do confronto nós deixamos para lá. Mas se não é um grupo tão numeroso que está disposto a deixar para lá, ainda tem o grupo dos que se analisam diante de uma situação dessas, sabendo que podem ter falhado também.

A nossa capacidade de enxergar o mundo está intimamente ligada à nossa bagagem espiritual. Tudo aquilo que nós vivenciamos por nossas reencarnações pretéritas moldou a nossa maneira de ser, como nos esclarece André Luiz, no Livro "No Mundo Maior", capítulo A Casa Mental. Isso tudo fica arquivado em nosso subconsciente.

Aliás, o mentor espiritual de André Luiz nesse trabalho, Calderaro, comparou o nosso cérebro a um castelo de três andares. No primeiro, o sistema nervoso propriamente dito, o qual ele chamou de subconsciente, estão arquivadas todas as nossas experiências das reencarnações passadas. Por isso mesmo ele denominou esse lugar de a sede do automatismo, porão da individualidade, já que essas experiências moldam nossa personalidade, o que nos remete a um pensamento do filósofo Aristóteles: "Somos aquilo que fazemos repetidamente, repetidas vezes. Por isso mesmo a excelência não está no ato, mas no hábito".

O nobre mentor advertiu sobre a importância do Consciente, que reside no córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos. Ali reside a vontade, da qual dependerão a mudança de direção ou a persistência nos caminhos já trilhados. Nos lobos frontais ficaria ainda a região mais sublime de nosso ser, o superconsciente. O superego de Freud, mas não limitado apenas a esta existência, como afirmou o pai da psicanálise.

E como somos individualidades muito singulares, como reencarnamos mais ou menos vezes e aproveitamos essas experiências de formas distintas, não temos a mesma bagagem espiritual e, portanto, não temos a mesma visão de mundo. É verdade, também, que o fato de habitarmos o mesmo mundo-escola significa que estamos mais ou menos no mesmo grau de evolução, o que nos permite, aliás, com boa vontade e dedicação, o entendimento mútuo.

Mas é preciso considerar que este difícil exercício, o da empatia, somente será profícuo quando realmente buscarmos entender as motivações alheias. O que não significa conivência com os erros. Mas não somos juízes da vida alheia, somos companheiros de jornada e nosso exemplo que encanta deve ser mais valorizado por nós, mesmo a palavra que muitas vezes fere.

O exercício da empatia, portanto, seria realmente vestir os sapatos alheios e entender, da melhor ou pior maneira, que somos tão falíveis quanto qualquer outro Espírito que estagia conosco neste mundo. São tão capazes de fazer coisas maravilhosas, mas também de errar. E por isso mesmo precisamos não apenas abrir mão de ter razão, mas também analisar quando e como erramos, para que possamos crescer através dessas escolhas equivocadas.

Um salve à tal da empatia!

Por Rodnei Moura publicado no site de O Consolador

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Infância e adolescência é foco da mais recente obra do selo AME Brasil Editora

Como inserir um olhar espírita para as principais dúvidas pertinentes a esta fase da vida norteou a realização deste manual

A chegada de mais um espírito para a educação em um lar é um fator de preocupação e dúvidas para muitos familiares incumbidos dessa tarefa.

Como educar seguindo as orientações espíritas?

Não existem regras ou fórmulas, apenas sugestões de quem estuda o assunto e passou pelos mesmos desafios.

Um grupo de pediatras e psicólogos espíritas reuniu neste manual seus saberes vivenciados, traduzidos em dicas e orientações práticas, acompanhadas de reflexões profundas pautadas na Doutrina Espírita.

Assim nasceu a obra Infância & Adolescência - Manual para pais e Evangelizadores, 
cuja organizadora é a pediatra Ana Paula Vecchi, da Associação Médico-Espírita de Goiânia e membro atuante do Departamento de Família da AME-Brasil. 

Ela nos fala na entrevista abaixo sobre o conteúdo e o objetivo do Manual.

Como surgiu a ideia de escrever este manual? Quem faz parte da equipe de elaboração?

Bem, na verdade, a ideia é da Dra. Marlene Nobre, mérito exclusivo dela. Ela tinha um projeto para a AME Brasil com várias frentes de trabalho através de seus departamentos e um deles era a família. Ela apresentou o projeto no MEDNESP 2013 e uma das tarefas deste departamento, particularmente do núcleo da infância, era escrever a “cartilha da infância”. Eu fui tomada por um encantamento e imediatamente me ofereci para desenvolvê-la. Ora, como pediatra e espírita, coordenava naquela época o departamento de família do centro que frequento e desenvolvia um projeto com gestantes carentes e trabalhadoras espíritas, além da “sala de pais” com discussão semanal sobre as dificuldades e maravilhas do educar um filho, mas também do conviver em família. Então a cartilha era um sonho meu também. Corajosamente me levantei e assumi a tarefa; só depois me dei conta da ousadia.

Quais os temas abordados e como foram escolhidos?

Os temas são muito interessantes e abordam desde a vida intrauterina até o final da adolescência. Procuramos enfocar as principais dúvidas e questionamentos de pais atendidos nos consultórios, mas também daqueles que frequentavam a “sala de pais” da casa espírita. Por exemplo: quando tirar a fralda? O bebê dentro do útero pode sentir alguma coisa? O que pensar das dores recorrentes? Como lidar com a criança especial? Qual a minha missão enquanto pais?

O interessante é que os temas me vieram de forma rápida e intuitiva durante o voo de volta daquele MEDNESP 2013 e anotei-os em uma folha e então fomos atrás dos pediatras das AMEs. Entrei em contato com todos e para a nossa alegria contamos com a colaboração irrestrita dos colegas Adriana Kátia Oliveira Lima, Alexandre Serafim, Denise Barcelos Alves, José Fernando de Souza, Márcia Léon, Miriam Leal, Norma Noriko Yamamura Honda. E nos envolvemos tanto que de cartilha virou um livro.

Quando finalmente surgiu a liberação da AME Brasil para a edição, vimos que precisávamos abordar a automutilação e o suicídio na infância e adolescência e convidamos os amigos Arismar Leon e Wesley Assis, ambos com experiência no tema. Pronto, nossa “cartilha” estava completa!

Qual o desafio de inserir o olhar médico-espírita nestes assuntos abordados nesta obra?

Um desafio natural e fascinante de entender a criança e o adolescente como Espíritos imortais, que trazem suas histórias, seus temperamentos e que pais e educadores devem estar atentos para melhor orientá-los. O profissional da área da saúde, médico, psicólogo, fisioterapeuta ou enfermeiro, deve atender as necessidades deste Espírito de forma integral, não vendo somente o corpo, mas vendo a criança no seu contexto familiar, social e espiritual e apoiar os pais amorosamente nessa gratificante tarefa.

Quando e onde será o lançamento?

Infância & Adolescência - Manual para pais e Evangelizadores será lançado no MEDNESP2019, nos dias 20 a 22 de junho, em Teresina, Piauí.

Entrevista publicada no site de O Consolador, por Giovana Campos, Ano 13 - N° 622 - 9 de Junho de 2019.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Infância implica rotina

A melhor coisa do mundo é saber ser você mesmo. M. Montaigne

Criança precisa de rotina: depois da soneca tem a fruta; antes de dormir, há a história; no almoço, não só feijão, mas também ovo e saladinha; no período da tarde, jogar bola no quintal, correr, brincar de casinha…

Por promover vínculo e ordem na convivência, desde cedo é importante que as crianças contem com horários para acordar, realizar as tarefas, brincar em contato com a natureza, fazer as refeições, ir à escola, tomar banho, dormir…

Filhos cujos pais não se preocupam em planejar a vida familiar tendem a crescer inseguros, ansiosos ou, pior, fadados à tirania ou a uma série de transtornos. Já as casas que têm regras claras para o dia a dia familiar oferecem às crianças estabilidade, segurança. Porque, na infância, experienciar com confiança as coisas e o mundo depende de um contexto doméstico permeado por ordem e hábitos saudáveis – depois de brincar, guardar os brinquedos; depois de comer, escovar os dentes; celular não tem razão de ser antes da adolescência...

Da família a criança espera amor, respeito e educação. No começo da vida, os filhos necessitam de um ambiente familiar estável e organizado a fim de crescerem conscientes do seu papel na família, na escola, de suas próprias habilidades, porque é isso que promoverá pouco a pouco independência e autonomia.

Como a falta da rotina, o excesso é também um equívoco e, por isso, não vale transformar a casa em um quartel! É preciso saber ser flexível para que o dia a dia da criança não se torne opressor. Nos finais de semana, por exemplo, a criança, sobretudo depois do primeiro setênio, pode dormir umas horinhas a mais ou almoçar mais tarde, por exemplo. O importante é estabelecer horários e criar hábitos saudáveis que tornem a dinâmica familiar mais organizada e confortável para todos – adultos e crianças.

Por Eugênia Pickina postado no site O Consolador

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dicas de lançamentos de livros - O Consolador

Na Luz da Vitória

Não há caminhos na vida sem obstáculos. Saiba como vencê-los e alcançar a vitória! Baseado nos ensinamentos da doutrina espírita e com reflexões em mensagens de Chico Xavier, o respeitado autor José Carlos De Lucca presenteia-nos com o “Na Luz da Vitória”, uma ferramenta de compreensão espiritual das crises que atravessamos e das atitudes capazes de superá-las. O caminho para alcançar a luz da vitória é apresentado nesta bela obra com projeto gráfico diferenciado e miolo ilustrado em duas cores, valorizando ainda mais o seu conteúdo. Você pode estar mergulhado na escuridão de muitos problemas. Mas a luz da vitória o aguarda em breve. Consciência espiritual para tempos de crise. Vitória!


Autor: José Carlos De LuccaEditora: InterVidas
Páginas: 272
Editora: InterVidas; Edição: 1ª (1 de janeiro de 2019)
Idioma: Português
Preço Médio: R$ 32,00

Te Encontrarei - O Futuro nos Pertence

História de Tadeu Muller, um bondoso médico que se empenhava em sua função para ascender diante de si a grandeza do amor que falava forte ao seu coração. Quando retorna à pátria espiritual, trabalha para vencer enfermidades e para garantir o bem-estar de todos os seus irmãos. Ao desenvolver esta nobre tarefa, Tadeu encontra dois Espíritos totalmente danificados pelo mal que cometeram na Terra, enquanto atuavam como médicos na Segunda Guerra Mundial, fazendo experiências cruéis com outros seres humanos, que envolviam práticas violentas de tortura. Como Tadeu poderá auxiliar estas almas tão carentes de auxílio e de instruções? Qual será a atitude do médico diante da história de seres tão atrasados moralmente?

De João Berbel
Espírito: Diana de Aguiar
Editora: Farol
Gênero: Romance
Páginas: 188
Preço médio: R$ 39,00

Véu do Passado

Kim, conhecido como o menino das adivinhações, vive uma vida tranquila em um sítio, cercado pelos familiares, além dos amigos da pacata cidadezinha. Contudo, ele cresce e as visões não param. Nem irmãos do convento da região conseguem “curá-lo” da vidência persistente. E há uma visão particular que o acompanha por toda a vida: a cena da própria morte. Sua existência, então, ganha um novo sentido. Ele descobre um passado longínquo, num mundo de magias e feitiçarias, em uma comunidade dominada por iniciados na arte do sobrenatural, nos caminhos do bem e do mal. Seus segredos serão agora revelados… Descubra-os!

De Vera Marinzeck
Espírito: Antonio Carlos
Páginas: 240
Editora: Infinda
Preço médio: R$ 28,00

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Análise de palestras espíritas

Participo de um grupo de estudos do Espiritismo pela internet, grupo, aliás, muito instrutivo. Costumo aprender com os comentários dos estudiosos e, dia desses, vi algo num comentário, que me chamou atenção.

Um componente do grupo pediu a outro participante para analisar determinada palestra espírita que havia sido proferida em sua cidade. Então, após o pedido, a análise foi feita de forma muito tranquila, com argumentos e sem qualquer ofensa à referida palestra ou ao orador.

Mas eis que uma outra participante do grupo, ao se deparar com a análise da palestra, resolve pedir mais caridade.

Fiquei, então, sem entender. A análise, como disse acima, havia sido feita da forma mais respeitável possível, sem ofensas ou adjetivações.

Onde estaria a falta de caridade?

Aquilo me levou a refletir na compreensão que temos da palavra caridade. Será que entendemos, realmente, o que é caridade? Caridade seria calar-se? Caridade seria não realizar críticas? Por qual razão alguém entende uma análise como falta de caridade?

Entender análise como falta de caridade, aliás, é algo bem comum na cultura brasileira, e isto, infelizmente, empobrece o debate e a troca de ideias.

Quando digo que alguém que fez uma análise respeitosa e com bons argumentos faltou com a caridade, gero um clima de constrangimento que tende a trazer o silêncio ou o confronto e não o debate sadio.

A fuga de uma análise, seja de mensagens mediúnicas, livros, textos e palestras é a técnica utilizada por Espíritos que fascinam: a ideia deles é privar os indivíduos do senso crítico, transformando em inimigos e desafetos todos aqueles que oferecem um ponto discordante ou de melhoria em suas opiniões.

Penso que mudar o foco de como se vê a questão é fundamental para o crescimento. Ao enxergar quem faz análise como alguém que me dá, gratuitamente, um feedback, um retorno sobre o meu trabalho, automaticamente, elimino a ideia de faltar caridade, de modo que poderei aproveitar todos os seus apontamentos sobre minha explanação, mensagem, livro, texto ou coisas do gênero, logo, crescer com sua análise.

Mas para isto é preciso humildade; para bem receber uma análise é necessário sair da redoma da infalibilidade para conectar-se com sua dimensão humana, pois os humanos erram.

E nós, infelizmente, parece que estamos ainda imaturos para admitir que erramos.

Eis um tema para pensarmos com carinho.

Artigo de por Wellington Balbo publicado no site de O Consolador

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Reflexões sobre a casa espírita

A casa espírita é um local abençoado que serve de escola, hospital e pronto-socorro espiritual no plano terrestre. As casas espíritas que atuam de forma séria e seguem os preceitos de cristãos representam reduto da espiritualidade amiga no intuito de ajudar os encarnados.

A casa espírita é cercada por forte proteção magnética e por Espíritos protetores que permitem a entrada somente de Espíritos que possam aproveitar o ambiente para sua elevação. Desta forma, mesmo os Espíritos que acompanham alguns irmãos encarnados são barrados por não possuírem condições de aproveitar o ambiente. Ainda neste sentido, o ambiente espiritual dentro de uma casa espírita é purificado e preparado por incansáveis irmãos espirituais que eliminam formas-pensamento perniciosas e vibriões de energias negativas. Portanto, o ambiente de harmonia criado é propício para abrir canais de comunicação com a espiritualidade e possibilitar a transferência de energias salutares do plano espiritual e dos médiuns para os irmãos encarnados.

Esse ambiente privilegiado em termos de harmonia e equilíbrio energético, bem como protegido de certas influências espirituais negativas, deve ser plenamente aproveitado pelos frequentadores encarnados para reflexões, amadurecimento de pensamentos positivos, busca de ânimo para prosseguir na jornada terrena, bem como recebimento de boas energias para equilíbrio da saúde do corpo físico.

Esse local apresenta condições propícias para que os Espíritos protetores atuem de forma mais ativa para aconselhar e influenciar positivamente os pensamentos dos encarnados. Para tanto, utilizam a transmissão de pensamento e também reforçam os elementos expostos nas palestras públicas; assim, a sintonia em pensamentos positivos, o ato de orar e a atitude de gratidão facilitam a atuação desses abnegados irmãos.

É importante salientar que neste mundo de provas e expiações as casas espíritas têm objetivo de fornecer amparo, conforto e fortalecimento de ânimo para que os encarnados continuem na jornada terrena no rumo evolutivo traçado antes da encarnação. Especificamente no momento de transmissão de energias, propiciada pelo passe magnético, as melhores energias são direcionadas para cada encarnado, de acordo com a fé, o merecimento e os propósitos da encarnação. Mas não se pode negar que a Providência Divina está constantemente avaliando o proceder de cada encarnado para poder ajudar da melhor maneira possível, sempre lembrando que a atuação da misericórdia divina é belíssima na vida de todos e qualquer bem realizado conta de forma positiva no balanço da justiça divina. 

Em resumo, estar na casa espírita é um privilégio que deve ser aproveitado, tendo uma atitude de gratidão pelo ambiente e pelo esforço dos irmãos desencarnados que muito se dedicam pela manutenção das boas condições energéticas do local. A atitude de prece colabora para o equilíbrio da casa, facilitando a atuação dos Espíritos protetores e a transmissão de energias salutares que atuam no perispírito e podem refletir-se no corpo físico.

Devemos ter em mente que todos têm um fardo para carregar e na casa espírita encontra-se o bom ânimo para seguir na jornada com fé, paciência e resignação, no intuito de alcançar a evolução prevista para esta encarnação.

Artigo de por Fábio Durand publicado no site O Consolador

sexta-feira, 15 de março de 2019

É impossível ser feliz sozinho

Com muita razão dizia a canção, na época da Bossa Nova, e eternizada na linha do tempo, que "é impossível ser feliz sozinho".

O caro leitor pode encontrar algum autor de autoajuda que esteja dizendo que para você ser feliz só depende de você, pois a felicidade está dentro de você, e cabe somente a você o trabalho de despertá-la para o mundo exterior.

Só que precisamos entender e compreender que ninguém consegue viver sozinho. Em última hipótese, estaremos em nossa própria companhia, tendo a oportunidade da autoconvivência, a fim de resolvermos algumas pendências que ainda temos na consciência, ou seja, em relação a nós mesmos.

Veja bem! Todos nós nascemos em um grupo familiar. Isso não é por acaso. E sim por uma causa. Estamos todos numa nave espacial denominada Terra, correndo os mesmos riscos.

Nascemos e percorremos pela infância, dependendo de cuidados da mãe e do pai, e de todo o grupo familiar, para o nosso sustento e construção do ser na base da educação.

Trabalhamos para produzir algo para alguém.

Se compomos e cantamos, se escrevemos, é necessário que alguém nos ouça e nos leia. Senão, toda a obra nasce em vão. Não atinge o objetivo.

Não haverá aprendizado se não houver o professor para ensinar.

Não praticaremos o amor sem que haja a pessoa a ser amada.

Não faria sentido cuidar de uma flor se ela não pudesse ser ofertada a quem amamos.

De que valeria o brilho do sol e o aconchego do luar, se não tivéssemos com quem compartilhar tanta beleza poética?

Como poderíamos saborear as vivências da saudade, se não houvesse a pessoa querida para ser lembrada?

Que sentido faria o curso das lágrimas e o frescor do alívio? E a leveza do sorriso? E o calor aconchegante do abraço e do beijo?

Logo, depende de cada um de nós a conquista da própria felicidade, através do esforço em despertá-la de dentro de cada um de nós em particular.

Entretanto, possamos entender e compreender que sem amarmos uns aos outros, sem aprendermos a caminhar juntos e a lidar com as diferenças, jamais conseguiremos ser felizes o tanto quanto é possível neste planeta Terra.

Portanto, ainda é necessário conviver e aprender uns com os outros, sentir as vibrações fraternais uns dos outros.

Ainda precisamos de uma palavra de incentivo que nos arranque da cama ou da poltrona, ou de uma rede, para que nos despertemos rumo aos horizontes de felicidades que nos aguardam.

É como dizia na canção: "É impossível ser feliz sozinho".

Artigo de Yé Gonçalves postado no site de O Consolador

segunda-feira, 4 de março de 2019

ENTREVISTA - O alvo da espiritualidade é estar aberto à dimensão transcendente da vida

A família dos dias atuais está evoluindo a largos passos na educação, acesso à tecnologia e saúde, mas e o componente espiritual? Como será que os núcleos familiares colocam esta porção tão fundamental para o alicerce moral e social? 

Conversamos com Denise Cardoso, psicóloga especialista em terapia de casal e família e membro da Associação Médico-Espírita de Santo Ângelo (RS), sobre o papel da espiritualidade na família contemporânea.

A religiosidade ou a frequência religiosa pode estimular a espiritualidade?

A espiritualidade é uma dimensão da experiência humana e da vida familiar. As crenças e práticas espirituais têm ancorado e nutrido as famílias por milênios e nas mais diversas culturas. Hoje, a grande maioria das famílias por todo o mundo adota alguma forma de expressão para suas necessidades espirituais, tanto dentro quanto fora da religião organizada. Conforme o exposto, sem dúvida, a frequência religiosa estimula a espiritualidade. Frequentar uma religião seria um investimento nosso em um conjunto de valores internos, sentido de vida que transcende a matéria, aquisição de conhecimento que vai nortear a fé de cada um, condições estas que adquirimos com a prática.

A espiritualidade flui e emerge em significância durante o curso da vida. Com ligações neurobiológicas, envolve a mais profunda e genuína conexão dentro do self (eu), considerado como nosso espírito interior, o centro do ser ou da alma. Inclui valores éticos e uma bússola moral, expandindo a consciência para a responsabilidade por si mesmo e além de si, com consciência da nossa interdependência. Dessa forma a espiritualidade transcende o self (eu): ela estimula uma noção de significado, plenitude, harmonia e conexão com todos os outros – desde os vínculos mais íntimos até a família estendida e as redes na comunidade até uma unidade com a vida, a natureza e o universo.

A maioria das pessoas diz que suas crenças religiosas as ajudam a resolver os problemas, a respeitarem a si mesmas e aos outros, a ajudarem os necessitados a se manterem afastados de coisas que eles sabem que não devem fazer. A partir disso, a religião pode ser a expressão de uma espiritualidade organizada, definida em suas estruturas podendo refletir na forma como a pessoa tem contato com a realidade, trazendo mais auxilio e compreensão às suas vidas.

Em que momento se devem introduzir assuntos sobre a temática espiritual?

A meu ver, abordar a temática espiritual dentro do lar deve acontecer desde sempre, onde os pais seriam o exemplo, a partir do Evangelho no lar, da frequência, pelo menos uma vez por semana, a uma casa espírita, igreja, templo de oração, construindo na família o entendimento da importância da fé em nossas vidas, e da crença no ser superior que é Deus.

Kardec, em O Livro dos Espíritos, nos fala, nas questões 659 e seguintes, sobre o valor e caráter da prece, sendo esta um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele, aproximar-se dele e colocar-se em comunicação com ele. Pela prece pode-se propor três coisas: louvar, pedir e agradecer. E ele ainda nos diz que o homem que ora torna-se melhor e mais forte ante as tentações do mal.

Mas não é sempre assim que acontece, porque muitos dos que procuram ajuda espiritual não só precisam resolver problemas imediatos, mas também anseiam por maior significado e propósito na vida, ou seja, são carentes de informações e conhecimentos. As fontes espirituais podem ser exploradas para oferecer uma visão mais ampla da humanidade e conexões significativas que inspirem seu melhor potencial. Os clínicos podem encorajar seus pacientes a identificar e utilizar uma ampla gama de recursos espirituais potenciais que se ajustem aos seus valores.

Há algum ponto negativo no que se refere à religiosidade?

O ponto negativo se apresenta a partir do momento em que aparecem os excessos, e o desequilíbrio na vida, isto é, achar que ter fé e crença em Deus é frequentar todos os dias o seu local de orações, deixar a família em casa em atendimento às questões religiosas, não priorizar filhos e cônjuge. E também quando a religião se torna tão rígida e inflexível que acaba sendo excessivamente restritiva e limitadora. “A fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Em assentada no erro, cedo ou tarde desmorona.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX item 6)

De acordo com o médico norte-americano Harold Koenig, a religião pode encorajar pensamentos mágicos, já que as pessoas rezam esperando uma cura como se Deus fosse um gênio gigante prestes a atender todo e qualquer desejo humano.

O acima relatado, muitas vezes, torna-se um entrave para que os aspectos religiosos sejam vistos como algo a somar e não a dificultar a vida dos indivíduos. Visando a minimizar ou evitar essas dificuldades faz-se necessário uma comunicação mais aberta entre profissionais da saúde e pacientes, sobre assuntos espirituais, entender o ponto de vista do paciente, compreendendo a lógica da sua decisão. E no contexto familiar não é muito diferente, pois o diálogo entre os membros da família é imprescindível à manutenção das relações equilibradas e saudáveis.

Na sua experiência, quais os benefícios que a espiritualidade traz à dinâmica de uma família?

Os indivíduos e suas famílias buscam, em suas crenças religiosas, principalmente, o consolo e a melhora para suas doenças físicas e da alma. As pessoas com conhecimentos religiosos são mobilizadas a reduzir a ansiedade, aumentar a esperança ou o senso de controle. Em relação à prática religiosa, as pessoas podem rezar, meditar, ler escrituras religiosas, comparecer a serviços religiosos, tomar parte em rituais religiosos, ou confiar no suporte religioso vindo do clero ou de outros membros da igreja, sinagoga, mesquita ou templo. As crenças religiosas e suas práticas são usadas para regular a emoção durante os tempos de doenças, mudanças e circunstâncias que estão fora do controle pessoal dos indivíduos.

Embora as diferenças de orientação religiosa, o alvo, o objetivo principal da espiritualidade, é estar aberto à dimensão transcendente da vida e de todas as relações, tanto na prática diária quanto na adversidade. Com um pluralismo espiritual e investigação apreciativa, os terapeutas podem respeitar a dignidade, o valor e o potencial de todos os membros da família e apoiar sua jornada espiritual na busca de maior significado, conexão e realização enquanto avançam em suas vidas.

Incentivar a prática religiosa de forma alguma concorre com qualquer tratamento, só vem a acrescentar mais recursos aos indivíduos, muitas vezes focados no materialismo e carentes de Deus.

A partir da retomada ou inserção de espiritualidade nos contextos familiares vejo a melhora, e/ou abertura ao diálogo, que muitas vezes é o ponto de maior de divergência, devido às dificuldades de respeitarmos o ponto de vista de cada um e nos desvencilharmos do orgulho, da vaidade e do egoísmo. Ao invés de medirmos forças uns com os outros (família), exercitamos o amor e a caridade, e só com Deus/espiritualidade no coração é possível.

Por Giovana Campos para a revista O Consolador