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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A empatia em tempos de crises

A vivência da empatia é de fundamental importância nestes tempos de crises
, pelos quais estamos passando, quando urge a necessidade de buscarmos respostas que justifiquem o porquê e o para quê dos acontecimentos atuais e do nosso envolvimento neste contexto, não apenas no tocante às crises existenciais e à pandemia da covid-19, mas também aos preconceitos alusivos à desigualdade social, ao gênero, à sexualidade, à etnia etc.

Embora para muitos de nós, à primeira vista, se trate de tempos de dores e de sofrimentos, na verdade o fundo da questão nos remete às oportunidades de aprendizagem moral, chamando-nos para que, através da força do autoconhecimento, do resultado dos momentos de reflexão e da vivência de maneira resignada, nos libertemos das amarras que nos impedem do avanço na senda evolutiva, e que possamos, através desses exercícios, promover a nossa transformação moral.

Como já sabemos, a empatia é a palavra-chave para o momento em que estamos vivendo e convivendo, como se estivéssemos nos abarcando no mesmo barco, em plena tempestade, unindo forças para o enfrentamento de desafios, a fim de vencermos estes tempos de pandemia e demais tipos de crises que envolvem a sociedade como um todo.

O mestre Jesus, através dos evangelhos, nos ensina a empatia, que se praticada em tempos de normalidade, na aprendizagem das lições, na lida do dia a dia, servirá de base para a aplicação em tempos de crises, assim vejamos o seguinte exemplo:

“Fazei ao outro somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito”. (Mateus 7:12)

Dessa recomendação do mestre Jesus, podemos extrair para todos nós o ensinamento de que se trata do maior senso de justiça, equilíbrio das relações interpessoais.

Fazer ao outro somente o que gostaríamos que nos fosse feito é nos colocarmos no lugar do outro, fazendo ao outro as coisas que desejamos que o outro faça por nós.

Esse ensinamento é, também, ministrado pelo Espírito de Verdade, na questão 876 de O Livro dos Espíritos, sendo a sua aplicação a base da justiça, segundo a lei natural.

Portanto, temos no mestre Jesus, o exemplo maior da empatia, sendo Ele o tipo mais perfeito oferecido por Deus à Humanidade, para lhe servir de guia e modelo, conforme nos ensina a questão 625 de O Livro dos Espíritos.

Que nestes tempos de crises diversas, possamos nos colocar no lugar do outro, fazendo-lhe somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito, a fim de auxiliá-lo nestes momentos difíceis pelos quais todos estamos vivenciando, quando passamos a desenvolver a virtude da misericórdia, externando a pureza do coração em favor um do outro.

Dessa forma, juntos entenderemos o porquê e o para quê destes tempos de crises, e venceremos o mundo, ou seja, começando, cada qual, pelo seu próprio “mundinho” íntimo.

Yé Gonçalves, publicado no site Espiritismo na Rede em 11 de janeiro 2021

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Na empatia, o outro é o outro

Talvez seja a parte mais difícil, ou o desafio maior, no campo da empatia, a compreensão de que para sermos empáticos devamos entender que o outro é o outro.

Mas como assim? Se ao exercitar a empatia eu deva me colocar no lugar do outro, estender-lhe as mãos, oferecer-lhe o ombro amigo, aconchegá-lo nas minhas vibrações de paz e de carinho, ajudá-lo a resolver os problemas pelos quais está passando e mostrar-lhe um caminho de possibilidades a percorrer? Como assim, na empatia, o outro é o outro?

Pois bem! Diante desses questionamentos, possamos entender e compreender que ao nos colocarmos no lugar do outro não significa substituir o outro, nem ser o outro. É termos a consciência de que devemos fazer ao outro somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito, conforme nos ensina o mestre Jesus, no evangelho de Mateus, capítulo 7, versículo 12. É estarmos com o outro, praticando a virtude da misericórdia, colocando o coração a serviço do outro, a fim de auxiliá-lo nas resoluções dos conflitos. É assisti-lo na parte que nos cabe, dando-lhe suporte para que ele (o outro) possa tirar as próprias conclusões e decidir por si mesmo, fazendo o uso do seu poder de escolhas, caso tenha condições para isso.

A título de ilustração, recordemos a passagem evangélica de João, capítulo 8, versículos 1 a 11, que trata do episódio intitulado “A mulher adúltera”, levada a julgamento (apedrejamento) em praça pública, sendo um dos exemplos de empatia vivenciados pelo mestre Jesus.

Durante o julgamento que se resultaria em apedrejamento, embora Jesus tenha se posicionado ao lado da referida mulher, passando-lhe vibrações positivas naquele momento difícil e correndo o risco de também ser apedrejado, não a substituiu na questão que cabia somente a ela resolver, justamente porque o outro é o outro.

Jesus, ao escrever no chão, e ordenando aos que não tivessem pecado que atirassem pedra sobre aquela mulher, a “ficha foi caindo” na consciência de cada um dos acusadores, pelo que foram saindo daquele local, um a um, começando pelos mais velhos até o mais novo de todos.

Ficando a sós na praça pública, Jesus disse àquela mulher que ele também não a condenaria, pelo que entendemos que naquele instante o mais importante para Jesus era praticar a empatia. Estar ao lado dela, dando-lhe força naquele momento de crise pelo qual ela passava.

Ao recomendar-lhe “vai e não voltes a errar”, o mestre Jesus estava liberando-a para que ela pudesse seguir o seu próprio caminho, levando consigo as lições na bagagem, para que ela mesma, no exercício do seu livre-arbítrio, fosse resolvendo as suas pendências pelo caminho.

Diante do exposto, fica a sugestão para todos nós, espíritas ou não, ao exercer a empatia, tenhamos o devido cuidado em não nos envolvermos no problema do outro a ponto de nos confundirmos com o outro nas complicações dos desafios que cabem ao outro resolver; em não nos tornarmos intrusos na vida do outro; em não impormos ao outro que siga à risca as nossas orientações.

O empático não está em posição superior ao outro e deve sempre respeitar as suas decisões, porque, na verdadeira empatia, o outro é o outro.

Yé Gonçalves para o site de O Consolador

segunda-feira, 23 de março de 2020

Como cuidar da saúde mental durante a pandemia do COVID-19

Risco de contaminação, incerteza, isolamento social, medo do desemprego e outros fatores, estão ligados a crise provocada pelo coronavírus que podem abalar a todos.  

Uma pesquisa publicada na revista científica “The Lancet”, mostra que os efeitos psicológicos da quarentena durante a epidemia de SARS, a síndrome respiratória aguda, foram semelhantes as apresentadas no estresse pós-traumático.

Preocupada com as questões que podem gerar ou agravar a saúde mental da população, a Organização Mundial da Saúde divulgou orientações para que todos saiam deste período sem danos ao psicológico. E o Clube Felicidade compartilha as principais com você:

1.      Pratique empatia. Este novo vírus atingiu diversos países e regiões, sem discriminação. As pessoas infectadas não fizeram nada de errado e merecem nosso apoio, compaixão e gentileza;

2.      Informe-se em fontes confiáveis e tenha ações práticas de proteção da sua família. Focar apenas em se atualizar sobre a pandemia pode gerar ansiedade ou estresse;

3.      O isolamento é uma medida para evitar o contato físico. Lembre-se que a união faz a diferença. Use as tecnologias para permanecer junto as pessoas que ama e oferecendo ajuda a quem precisa;

4.      Cuide de você. Tente utilizar métodos para lidar com a situação como fazer pausas e descansar entre os seus turnos de trabalho e até mesmo tirar um momento dentro do expediente. Tenha atenção ainda aos seus alimentos para manter uma dieta saudável, fazer algum exercício físico (vale até um alongamento na sala) e ficar em contato com a família e com os amigos;

5.      Evite formas errôneas de lidar com o estresse como o uso de tabaco, álcool ou outras drogas. A longo prazo, eles pioram o seu bem-estar físico e mental.

Por fim, lembre-se: por mais difícil que este momento seja, vai passar.

Clube da Felicidade

domingo, 14 de julho de 2019

A tal da empatia

Diz-se, geralmente, da capacidade de nos colocarmos no lugar do próximo. A exemplo do que nos ensinou Jesus, de um prisma mais espiritualizado, acima de tudo do ponto de vista da doutrina espírita que nos diz que somos Espíritos imortais, estagiando temporariamente na carne para nos elevarmos na ciência do amor, temos que ter muito cuidado para não colocarmos o outro no nosso lugar e exigir que ele aja bem.

Não há empatia, mas apenas arrogância e, portanto, não há aprendizado quando, a título de exemplo, falamos: "É melhor ser feliz do que ter razão". Porque, na verdade, para fugir do confronto nós deixamos para lá. Mas se não é um grupo tão numeroso que está disposto a deixar para lá, ainda tem o grupo dos que se analisam diante de uma situação dessas, sabendo que podem ter falhado também.

A nossa capacidade de enxergar o mundo está intimamente ligada à nossa bagagem espiritual. Tudo aquilo que nós vivenciamos por nossas reencarnações pretéritas moldou a nossa maneira de ser, como nos esclarece André Luiz, no Livro "No Mundo Maior", capítulo A Casa Mental. Isso tudo fica arquivado em nosso subconsciente.

Aliás, o mentor espiritual de André Luiz nesse trabalho, Calderaro, comparou o nosso cérebro a um castelo de três andares. No primeiro, o sistema nervoso propriamente dito, o qual ele chamou de subconsciente, estão arquivadas todas as nossas experiências das reencarnações passadas. Por isso mesmo ele denominou esse lugar de a sede do automatismo, porão da individualidade, já que essas experiências moldam nossa personalidade, o que nos remete a um pensamento do filósofo Aristóteles: "Somos aquilo que fazemos repetidamente, repetidas vezes. Por isso mesmo a excelência não está no ato, mas no hábito".

O nobre mentor advertiu sobre a importância do Consciente, que reside no córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos. Ali reside a vontade, da qual dependerão a mudança de direção ou a persistência nos caminhos já trilhados. Nos lobos frontais ficaria ainda a região mais sublime de nosso ser, o superconsciente. O superego de Freud, mas não limitado apenas a esta existência, como afirmou o pai da psicanálise.

E como somos individualidades muito singulares, como reencarnamos mais ou menos vezes e aproveitamos essas experiências de formas distintas, não temos a mesma bagagem espiritual e, portanto, não temos a mesma visão de mundo. É verdade, também, que o fato de habitarmos o mesmo mundo-escola significa que estamos mais ou menos no mesmo grau de evolução, o que nos permite, aliás, com boa vontade e dedicação, o entendimento mútuo.

Mas é preciso considerar que este difícil exercício, o da empatia, somente será profícuo quando realmente buscarmos entender as motivações alheias. O que não significa conivência com os erros. Mas não somos juízes da vida alheia, somos companheiros de jornada e nosso exemplo que encanta deve ser mais valorizado por nós, mesmo a palavra que muitas vezes fere.

O exercício da empatia, portanto, seria realmente vestir os sapatos alheios e entender, da melhor ou pior maneira, que somos tão falíveis quanto qualquer outro Espírito que estagia conosco neste mundo. São tão capazes de fazer coisas maravilhosas, mas também de errar. E por isso mesmo precisamos não apenas abrir mão de ter razão, mas também analisar quando e como erramos, para que possamos crescer através dessas escolhas equivocadas.

Um salve à tal da empatia!

Por Rodnei Moura publicado no site de O Consolador