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sexta-feira, 13 de março de 2020

Escrever à mão é um direito da criança


Educar não é ensinar respostas, educar é ensinar a pensar. 
Rubem Alves


No mundo contemporâneo, tomado pela pressa e a tecnologia, a caligrafia parece obsoleta. Há, por isso, uma tendência ao desprezo da escrita à mão, embora a neurociência afirme que aprender a escrever à mão é uma habilidade fundamental ao ser humano. Diversos estudos apontam, por exemplo, uma relação estreita entre boa caligrafia e bom desempenho acadêmico.

Mas, em casa, na escola, estimulamos realmente as crianças para escreverem e com habitualidade?

A ideia de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora está equivocada. Neurocientistas defendem atualmente que o processo cognitivo de ler está conectado com o processo motor de formar letras e, por isso, para as crianças pequenas digitar palavras não gera a mesma ativação do cérebro que aprender a escrever à mão...

Crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de fôrma, depois alguns anos de aprendizado e prática de letra cursiva. Ou seja, letra de fôrma primeiro para a leitura, depois a cursiva para a ortografia e a composição. Portanto, a digitação só faz sentido a partir do quinto ano do ensino fundamental.

É preciso tomar cuidar para que a atração do mundo digital não prive a criança  de experiências significativas com o lápis e o caderno e que terão impacto real no seu desenvolvimento.

Dominar a caligrafia é uma maneira assertiva de se apropriar da escrita  e do pensamento; mais tarde, da condição de intérprete de si mesmo e do mundo.

Notinhas

Escrever à mão gera vários benefícios: ajuda na memorização dos conteúdos para uma pessoa poder elaborá-los melhor e/ou para reformulá-los; incentiva a criatividade; ajuda a ortografia, pois é mais fácil cometer erros e, com eles, aprender e melhorar; otimiza a aprendizagem, porque o corpo e a mente elaboram conceitos mentais que facilitam a compreensão; estimula a capacidade cognitiva do cérebro. Quando escrevemos, obrigamos o cérebro a reduzir a velocidade de suas funções, de modo que a mão possa escrever fisicamente o conceito em um papel. O cérebro ativa as funções relacionadas com a revisão e reorganização dos pensamentos; auxilia a autorregulação das emoções, impelindo a pessoa a colocar em prática a paciência, administrando melhor a raiva e as chateações. Por estas e outras razões, é fundamental fomentar a caligrafia nas escolas e em casa, a fim de estimular nas crianças o desenvolvimento de habilidades importantes para o viver e o conviver.

Site de O Consolador, por Eugênia Pickina

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Aprender a conviver

Os quatro pilares para a educação são conceitos de fundamento dessa arte, baseados no relatório elaborado para a UNESCO pela Comissão Internacional para o século XXI, coordenada por Jacques Delors.

A equipe, composta por mais de quatorze especialistas de renome, provenientes de várias regiões do mundo, atuantes em diferentes campos culturais e profissionais, teve a incumbência de refletir sobre a educação e a aprendizagem no século XXI.

Em 1993, o documento foi apresentado e pode ser resumido em quatro grandes propostas: Aprender a fazer, Aprender a conhecer, Aprender a conviver e Aprender a ser.

Tomamos, então, como centro de nossas reflexões momentâneas a proposição do Aprender a conviver.

Esse domínio de aprendizagem consiste num dos maiores desafios para os educadores, pois atua no campo das atitudes e valores.

O documento se utiliza de um termo bastante inspirador: a descoberta progressiva do outro.

Podemos estranhar, num primeiro instante, falar em descoberta do outro, se o outro sempre esteve em cena, isto é, desde o princípio da Criação, lidamos com a presença de um próximo.

No entanto, o termo descoberta vai mais fundo do que a simples constatação de que há alguém no mundo além de nós mesmos.

Descobrir o outro significa partilhar com ele o mundo, a vida, as oportunidades.

Descobrir o outro é perceber a importância do próximo em nosso contexto de existência. Saber que não fazemos nada sozinhos e que a vida precisa ser muito mais colaborativa do que competitiva.

A competição ainda é força motivadora, sem dúvida, no estado de Humanidade em que nos encontramos.

Porém, com o tempo e maturidade, perceberemos que a colaboração é potência mais grandiosa ainda.

Assim, descobrir o outro significa pensar em comunidade e não apenas em unidade. O mundo não gira ao nosso redor, mas todos giramos juntos com o mundo.

Essa sempre foi a proposta cristã. Estava no Amai-vos uns aos outros como eu vos amei; e também no Não vos chamo mais servos, mas vos chamo irmãos.

Jesus amou as diferenças. Conviveu com os diferentes e valorizou a função de cada um no todo.

As diferenças nos educam, o diferente nos faz abrir a mente e o coração, enquanto o igual pode nos acomodar.

Conviver com quem pensa como nós, com quem tem os mesmos valores, pode parecer atrativo e suficiente. Engano nosso.

Conviver com o pensamento oposto, com a ideia que se choca é construir em nós um senso de igualdade, a verdadeira igualdade.

*   *   *

Estamos na Terra para aprender a conviver.

Há virtudes que só desenvolvemos no contato com o outro. A maioria delas, em verdade.

Na convivência nos burilamos, na convivência nos fortalecemos.

Por mais decepcionantes que certas companhias por vezes possam ser, elas estão em nosso viver por razões muito valiosas e precisas. Observemos, convivamos, conheçamos e nos autoconheçamos.

Aprender a conviver é mecanismo fundamental da nossa educação como Espíritos em desenvolvimento.

Redação do Momento Espírita.
Em 2.8.2019.