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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Escutar sentimentos, uma nova forma de ouvir

Uma das necessidades básicas dos seres humanos e que jamais deve ser esquecida é a necessidade de ser visto e tratado como pessoa, de ser escutado e compreendido. Diante dessa demanda, uma jovem estudante de medicina da PUC São Paulo, Júlia Santos do Cabo, levou para a universidade a escuta compreensiva, por meio do CVV Comunidade. 

Voluntários facilitaram o Seminário “A Arte de Ouvir – Escutar sentimentos, uma nova forma de ouvir”. O resultado da parceria  virou um artigo escrito pela estudante, que foi publicado no periódico europeu The European Sting, que busca divulgar naquele continente o que está acontecendo no mundo, mas que é pouco propagado.

As premissas mencionadas no artigo são as mesmas da Proposta de Vida do CVV: acolher, aceitar, não julgar, compreender, respeitar! A jovem autora da publicação ressalta a importância da escuta compreensiva aprendida pelos estudantes através do curso, afirmando que é uma ferramenta para melhorar o trabalho médico,  fazendo  com que o paciente se sinta seguro, diminuindo a ansiedade e isso faz uma imensa diferença no tratamento, especialmente para aqueles mais complexos. “Às vezes, o médico poderá identificar certos problemas do paciente apenas pela forma como ele se apresenta emocionalmente, mesmo quando os exames não são suficiente para o diagnóstico”, escreve Júlia

“A fala simples, causa uma sensação de alívio imediato”, diz o texto. É preciso “escutar” aquilo que “ouvimos”, porque para ouvir basta que não sejamos surdos, mas para escutar é preciso abrir o coração quando os ouvidos estão disponíveis. Estar atento aos sentimentos da pessoa que escutamos, é oferecer  a  ela uma oportunidade de olhar para si mesma, com alguém que no momento de dor está  ao seu lado, para não seguir sozinha pelos caminhos que escolheu e agora estão difíceis de trilhar.

Quem escuta o que ouve, oferece naquele momento da escuta, as mãos para que juntos  possam sair do buraco escuro e solitário da dor emocional. O textos original, em inglês, está disponível neste link, valendo a pena ler e se encantar com a arte de saber escutar!

Jô - CVV Sorocaba (SP)

domingo, 14 de julho de 2019

A tal da empatia

Diz-se, geralmente, da capacidade de nos colocarmos no lugar do próximo. A exemplo do que nos ensinou Jesus, de um prisma mais espiritualizado, acima de tudo do ponto de vista da doutrina espírita que nos diz que somos Espíritos imortais, estagiando temporariamente na carne para nos elevarmos na ciência do amor, temos que ter muito cuidado para não colocarmos o outro no nosso lugar e exigir que ele aja bem.

Não há empatia, mas apenas arrogância e, portanto, não há aprendizado quando, a título de exemplo, falamos: "É melhor ser feliz do que ter razão". Porque, na verdade, para fugir do confronto nós deixamos para lá. Mas se não é um grupo tão numeroso que está disposto a deixar para lá, ainda tem o grupo dos que se analisam diante de uma situação dessas, sabendo que podem ter falhado também.

A nossa capacidade de enxergar o mundo está intimamente ligada à nossa bagagem espiritual. Tudo aquilo que nós vivenciamos por nossas reencarnações pretéritas moldou a nossa maneira de ser, como nos esclarece André Luiz, no Livro "No Mundo Maior", capítulo A Casa Mental. Isso tudo fica arquivado em nosso subconsciente.

Aliás, o mentor espiritual de André Luiz nesse trabalho, Calderaro, comparou o nosso cérebro a um castelo de três andares. No primeiro, o sistema nervoso propriamente dito, o qual ele chamou de subconsciente, estão arquivadas todas as nossas experiências das reencarnações passadas. Por isso mesmo ele denominou esse lugar de a sede do automatismo, porão da individualidade, já que essas experiências moldam nossa personalidade, o que nos remete a um pensamento do filósofo Aristóteles: "Somos aquilo que fazemos repetidamente, repetidas vezes. Por isso mesmo a excelência não está no ato, mas no hábito".

O nobre mentor advertiu sobre a importância do Consciente, que reside no córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos. Ali reside a vontade, da qual dependerão a mudança de direção ou a persistência nos caminhos já trilhados. Nos lobos frontais ficaria ainda a região mais sublime de nosso ser, o superconsciente. O superego de Freud, mas não limitado apenas a esta existência, como afirmou o pai da psicanálise.

E como somos individualidades muito singulares, como reencarnamos mais ou menos vezes e aproveitamos essas experiências de formas distintas, não temos a mesma bagagem espiritual e, portanto, não temos a mesma visão de mundo. É verdade, também, que o fato de habitarmos o mesmo mundo-escola significa que estamos mais ou menos no mesmo grau de evolução, o que nos permite, aliás, com boa vontade e dedicação, o entendimento mútuo.

Mas é preciso considerar que este difícil exercício, o da empatia, somente será profícuo quando realmente buscarmos entender as motivações alheias. O que não significa conivência com os erros. Mas não somos juízes da vida alheia, somos companheiros de jornada e nosso exemplo que encanta deve ser mais valorizado por nós, mesmo a palavra que muitas vezes fere.

O exercício da empatia, portanto, seria realmente vestir os sapatos alheios e entender, da melhor ou pior maneira, que somos tão falíveis quanto qualquer outro Espírito que estagia conosco neste mundo. São tão capazes de fazer coisas maravilhosas, mas também de errar. E por isso mesmo precisamos não apenas abrir mão de ter razão, mas também analisar quando e como erramos, para que possamos crescer através dessas escolhas equivocadas.

Um salve à tal da empatia!

Por Rodnei Moura publicado no site de O Consolador

sexta-feira, 21 de junho de 2019

A essência do cuidado

Segundo o dicionário de filosofia, cuidado, do latim, significa cura, usado num contexto de relações de amor, amizade, zelo, atenção, solicitude e bom trato. O cuidado é, na verdade, o suporte real da criatividade intelectual, da liberdade, da inteligência, da segurança e uso racional da tecnologia.

Quem cuida? Todos. A mãe, a mulher, o filho, o namorado, o pai, o benzedor, o psicólogo, o pastor, o massagista, a manicure e todos que se querem bem.

O cuidado não deve ser imposto, marcado, determinado com leis, regras ou ordenamentos. O cuidado deve ser vivenciado, sentido, degustado, sutil, meigo, e que faz crescer em todos os sentidos.

Importante então colocar cuidado em tudo: primeiramente em mim, me aceitando e me compreendendo para que possa mudar, caminhar, indiferente de onde estiver, de modo mais humano, participando da construção efetiva do meu ser.

Depois desse mergulho em mim, cabe o auto-questionamento: será que estou pronta para cuidar?

Muitas vezes a correria em nosso cotidiano, nos impede de tomar decisões, de fazer escolhas acertadas às vezes faz com que deixemos a rotina tomar conta de nossa rotina, o corre-corre do dia a dia nos entorpece, ligamos o automático e vamos em frente sem prensar muito sobre para onde, com quem e o que estamos fazendo.

Toda essa reflexão nos chama a atenção para o cuidado na transformação de gente, ser biológico, em pessoa humana mais integrada com o cosmo, com o compromisso do cuidado.

A ajuda que prestamos ao outro, acolhendo-o, nos faz humanos, como quem nos procura. Precisamos acolher nossos defeitos e limitações para poder aceitar o outro. Reconhecendo nossas dores, vazios e falhas, poderemos reconhecer também a humanidade do outro e daí surge a empatia, o carinho e a responsabilidade com aqueles que nos rodeiam.

Artigo escrito por Anízia publicado no site da CVV (Belo Horizonte - MG)