Mostrando postagens com marcador espíritos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espíritos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Trailer de gameplay destaca mundo dos espíritos

Mundo dos jogos aborda temática espírita. O que acha disso? Veja a matéria:

Trailer de gameplay destaca mundo dos espíritos

A Bloober Team, conhecida por Layers of Fear e The Blair Witch, divulgou nesta quinta (22) um novo trailer de The Medium, que mostra trechos de gameplay. Confira logo abaixo (desculpem, não achei legendado).

O vídeo destaca o sistema de troca entre mundos: o real e o dos espíritos. O jogador controla uma médium que está ligada aos dois mundos e, para desvendar um mistério, precisa explorá-los. Vale destacar que há momentos em que é preciso explorar ambos ao mesmo tempo.

O jogo é focado na história de Marianne, uma médium que está ligada ao plano real e ao plano espírita, sendo assombrada por uma tragédia que aconteceu anos atrás. O objetivo é desvendar o mistério por trás dessas visões assustadoras.

The Medium será lançado para PC e Xbox Series X no dia 10 de dezembro de 2020.



Jovem Nerd

terça-feira, 7 de abril de 2020

Os animais têm alma?

Os animais possuem um princípio inteligente, diferente daquele que anima o homem. Mas não pensam, nem possuem o livre arbítrio, apenas instinto. Quando desencarnam (morrem), o princípio espiritual que os animou é reaproveitado em outro animal que vai nascer quase que imediatamente. Os estudos nos dizem que somos todos filhos do mesmo Pai e os animais são, portanto nossos irmãos de jornada planetária. Estão numa escala evolutiva bem inferior e distante de nós numa proporção equivalente a que estamos para o Criador. 


Temos, portanto uma grande obrigação de proporcionar a eles o meio de evoluírem, ajudando-os, já que eles ainda não possuem a inteligência, mas apenas o instinto. Eles não têm a necessidade de permanecerem no plano espiritual por ocasião da morte, podendo retornar até de imediato, pois nada tem a resgatar, mesmo porque não possuem mediunidade. 

Todo mal que fizermos aos animais estaremos gerando uma dívida que deverá ser paga em próximas existências, pois é assim a Lei Divina, temos de reparar nossos erros mesmo que seja esse débito contraído em relação aos animais. Infelizmente no homem ainda não despertou um sentimento capaz de atender os animais devidamente, até porque ainda não conseguimos nem dar o devido tratamento ao ser humano. 

Chico Xavier tinha uma cachorra de nome Boneca, que sempre esperava por ele, fazendo grande festa ao avistá-lo. Pulava em seu colo, lambia-lhe o rosto como se o beijasse. O Chico então dizia: – Ah Boneca, estou com muitas pulgas! Imediatamente ela começava a coçar o peito dele com o focinho. Boneca morreu velha e doente. Chico sentiu muito a sua partida. Envolveu-a no mais belo xale que ganhara e enterrou-a no fundo do quintal, não sem antes derramar muitas lágrimas. 

Um casal de amigos, que a tudo assistiu, na primeira visita de Chico a São Paulo, ofertou-lhe uma cachorrinha idêntica à sua saudosa Boneca. A filhotinha, muito nova ainda, estava envolta num cobertor e os presentes a pegavam no colo, sem, contudo desalinhá-la de sua manta. A cachorrinha recebia afagos de cada um. A conversa corria quando Chico entrou na sala e alguém colocou em seus braços a pequena cachorra. 

Ela, sentindo-se no colo de Chico, começou a se agitar e a lambê-lo. – Ah Boneca, estou cheio de pulgas! disse Chico. A filhotinha começou então a coçar-lhe as pulgas e parte dos presentes, que conheceram a Boneca, exclamaram: “Chico, a Boneca está aqui, é a Boneca, Chico!” Emocionados, perguntamos como isso poderia acontecer. O Chico respondeu: – Quando nós amamos o nosso animal e dedicamos a ele sentimentos sinceros, ao partir, os espíritos amigos o trazem de volta para que não sintamos sua falta. É Boneca está aqui, sim e ela está ensinando a esta filhota os hábitos que me eram agradáveis. 

Nós seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar. 

Por isso, quem maltrata um animal é alguém que ainda não aprendeu a amar. 

Nilton Cardoso, publicado no Blog Espiritismo na Rede

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Arthur Conan Doyle: O propagador do Espiritismo

O pai de Sherlock Holmes tinha profunda ligação com os espíritos.

Há 160 anos nascia o escritor escocês Arthur Conan Doyle. Há quem não o reconheça pelo nome, mas é bem difícil encontrar alguém que jamais tenha ouvido falar do personagem mais famoso inventado por ele: Sherlock Holmes.

Os romances policiais estrelados pelo detetive garantiram ao seu criador um lugar de destaque na história da literatura. O que pouca gente sabe, no entanto, é que Conan Doyle, além de brilhante romancista, também foi um dos mais aguerridos divulgadores do espiritismo.

Oriundo de uma família católica e educado por jesuítas, Conan Doyle nada tinha de espírita até os 28 anos de idade. Pelo contrário. Depois de se formar médico, em 1882, revelou-se um tremendo materialista. Renunciou não apenas ao catolicismo mas a toda e qualquer religião, passando a se autodenominar agnóstico - aquele que se julga incapaz de afirmar se Deus existe ou não.

Tudo mudou em 1887. Após visitar o amigo Alfred Wilkes Drayson, um importante astrônomo convertido ao kardecismo, Doyle voltou para casa quase convicto da existência de vida após a morte. "Ele não era homem de aceitar facilmente as coisas", afirma a pesquisadora Maria Aparecida Romano, em artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo. "Mas, diante dos seguros argumentos apresentados por Drayson, foi levado a meditar e ler algumas obras espíritas. Em pouco tempo, estava familiarizado com as verdades da nova doutrina."

O mergulho profundo na doutrina também foi causado pelo falecimento de muitos familiares.  Após as mortes de sua esposa Louisa (1906), do seu filho Kingsley (1912), do seu irmão Innes (1919) e de dois cunhados e dois netos após a Primeira Guerra Mundial, Doyle entrou em depressão, encontrando apoio nas sessões espíritas.

Semeador

Espiritismo, àquela altura, já não era novidade. O Livro dos Espíritos, no qual Allan Kardec estabelece os princípios da doutrina, já circulava havia 30 anos. Mas demonstrações de mediunidade, como as famosas sessões de mesas flutuantes, continuavam mobilizando corações e mentes. Doyle passou a frequentá-las.

Numa dessas reuniões, ainda desconfiado de que tudo não passava de trambique, perguntou às entidades que ali se manifestavam: "Quantas moedas tenho no bolso?" Ouviu como resposta uma desconcertante reprimenda: "Estamos aqui para instruir e elevar as almas, não para fazer adivinhações". Dali em diante, Doyle se entregaria ao estudo de fenômenos supostamente espirituais. E não apenas se converteria ao espiritismo. Ele se transformaria numa espécie de soldado da doutrina.

Nas décadas seguintes, o escritor alcançaria fama mundial com as aventuras de Sherlock Holmes. E colocaria todo o prestígio amealhado com elas a serviço de sua nova crença. Doyle atraiu multidões à dezenas de palestras doutrinárias. De 1915 em diante, praticamente abandonou a ficção - passou a escrever apenas obras espíritas.

A mais conhecida, História do Espiritismo (Pensamento), é um clássico — até hoje considerada um dos mais completos relatos sobre a origem e o desenvolvimento da doutrina. "Dada a projeção de seu nome", diz a pesquisadora Maria Aparecida, "deve-se a Arthur Conan Doyle parte da penetração do espiritismo em muitos países, notadamente aqueles de língua inglesa."

Elementar, meu caro Doyle

O envolvimento de Arthur Conan Doyle com o espiritismo rendeu problemas para quem não tinha nada a ver com isso: o detetive Holmes. Em 1929, a série de contos intitulada As Aventuras de Sherlock Holmes foi proibida na União Soviética, que acabava de comemorar os primeiros dez anos de revolução comunista.

Tudo porque em outra obra, História do Espiritismo, Doyle louvava fenômenos supostamente espirituais produzidos por médiuns como Eusapia Palladino. O escritor acabou acusado por Stálin de fazer propaganda do ocultismo, algo incompatível com o ateísmo de Estado que vigorava naquele país.

Site: UOL - Aventuras na História

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Cartilha Em defesa da Vida contra o aborto

Há mais de 20 anos a FEB divulga a campanha permanente “Em Defesa da Vida” com material que traz orientações dos Espíritos sobre muitos temas importantes em nosso contexto social. A temática aborto torna-se cada vez mais relevante de ser refletida, diante de debates atuais sobre a sua descriminalização no Brasil. 

Para possibilitar ainda mais a divulgação da Campanha Em defesa da vida contra o aborto, a FEB lançou uma Cartilha que apresenta fundamentos obtidos das principais fontes espíritas, contendo ainda diversos argumentos e embasamentos jurídicos sobre a proteção da vida humana e o respeito dos direitos naturais do homem, como o de viver.

Baixe aqui a cartilha para conhecer seu conteúdo. Contamos com a sua divulgação.

FEB

domingo, 7 de abril de 2019

Telas dos cinemas: novidades para a divulgação espírita e espiritualista

O ano de 2019 trará boas novas no campo do cinema em se tratando de divulgação espírita e espiritualista. Iniciamos com o filme Los Silencios, com direção de Beatriz Seigner, produzido pela Vitrine Filmes, que entrará em cartaz no dia 11 de abril, simultaneamente no Brasil, França e Alemanha. 

Em seguida teremos Kardec, o filme, com direção de Wagner de Assis e produção da Conspiração filmes, que chega aos cinemas em 16 de maio, no ano em que se rememoram os 150 anos de desencarnação do codificador. 

E em agosto, o médium Divaldo Franco terá sua vida contada no longa que leva seu nome, com direção de Clóvis Mello e coprodução entre os estúdios Fox, as produtoras CINE e Estação Luz Filmes. Fiquem atentos. 

Filme Los Silencios

Núria (12) e Fábio (9) chegam de madrugada com sua mãe Amparo (40) a uma ilha desconhecida, na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Estão fugindo dos conflitos armados na Colômbia e, ali, descobrem que seu pai, supostamente morto num deslizamento de terra de uma mineradora, se esconde em uma das casas de palafitas da ilha, onde passam a morar.

Com medo de trair esse segredo de família, Núria emudece, enquanto Fábio parece conviver com isso sem problema algum. Em meio a esse processo, a família tenta receber uma indenização pela morte do pai e obter um visto para fugirem para o Brasil.

Ao encobrir essa história, descobrem mais sobre o passado da família, intrincados nos conflitos armados que já duram mais de meio século na Colômbia. Aos poucos, descobrem que a ilha onde estão é povoada por fantasmas, que se unem para interferir no destino dos vivos.

Refletindo sobre o que  o filme pode nos passar, o que de fato se verifica é que quando a verdade se manifesta estará na ressignificação de tudo aquilo visto até aquele momento a grande chave para uma compreensão maior, de problemas tanto da terra, como, também, do espírito. Afinal, independente do plano em que se encontrem, mais do que falar, é preciso saber ouvir.

Ficha Técnica do filme Los Silencios
Título no Brasil
Los Silencios

Título original
Los Silencios

Gênero(s)
Drama

País
Brasil, Colômbia, França

Idioma
Espanhol

Diretor e Roreitista
Beatriz Seigner

Elenco : Doña Albina Yerson Castellanos Enrique Diaz Astrid Fernanda López MartÍnez Alida Pandurro Leidy Prieto Echeverry Heider Sanchez Adolfo Savinvino Marleyda Soto María Paula Tabares Peña


Kardec, o filme

A história do educador francês Hypolite Leon Denizard Rivail, reconhecido mais tarde como Allan Kardec. Além de tradutor e escritor, Kardec é conhecido por ter decodificado o espiritismo, uma das religiões mais praticadas no Brasil. Ele escreveu os cinco livros que compõem a Codificação da Doutrina Espírita, entre eles "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e "O Livro dos Espíritos".

Veja nossa publicação sobre o filme aqui.

Ficha Técnica do filme Kardec
Título no Brasil
Kardec

Título original
Kardec (2019)

Gênero(s)
Biografia Drama Religioso

Estreia no Brasil
16 de Maio de 2019

Classificação indicativa
10 - NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS

País
Brasil

Idioma
Português

Diretor
Gustavo Baldoni Leonardo M. Barros Wagner de Assis

Roteirista
L.G. Bayão Wagner de Assis

Elenco: Leonardo Medeiros Guilherme Piva Genézio de Barros Charles Fricks Sandra Corveloni Guida Vianna Julia Konrad Letícia Braga Jullia Svacinna Dalton Vigh

Filme sobre Divaldo Franco

O longa-metragem será uma adaptação do livro "Divaldo Franco: A Trajetória de Um dos Maiores Médiuns de Todos os Tempos", da escritora Ana Landi – que também atua como consultora do filme -, e já tem nomes como Bruno Garcia, Marcos Veras, Laila Garin e Regiane Alves (como Joanna de Ângelis) confirmados no elenco

O filme é uma coprodução entre os estúdios Fox, as produtoras CINE e Estação Luz Filmes, é dirigido por Clovis Melo e contará a vida do médium desde a juventude até a fundação da Mansão do Caminho, obra social do Centro Espírita Caminho da Redenção, criado por Divaldo em 1947.

Veja o trailer oficial:


Fonte FEB, Cabine Cultural e Cinema Pop

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Reflexões sobre a casa espírita

A casa espírita é um local abençoado que serve de escola, hospital e pronto-socorro espiritual no plano terrestre. As casas espíritas que atuam de forma séria e seguem os preceitos de cristãos representam reduto da espiritualidade amiga no intuito de ajudar os encarnados.

A casa espírita é cercada por forte proteção magnética e por Espíritos protetores que permitem a entrada somente de Espíritos que possam aproveitar o ambiente para sua elevação. Desta forma, mesmo os Espíritos que acompanham alguns irmãos encarnados são barrados por não possuírem condições de aproveitar o ambiente. Ainda neste sentido, o ambiente espiritual dentro de uma casa espírita é purificado e preparado por incansáveis irmãos espirituais que eliminam formas-pensamento perniciosas e vibriões de energias negativas. Portanto, o ambiente de harmonia criado é propício para abrir canais de comunicação com a espiritualidade e possibilitar a transferência de energias salutares do plano espiritual e dos médiuns para os irmãos encarnados.

Esse ambiente privilegiado em termos de harmonia e equilíbrio energético, bem como protegido de certas influências espirituais negativas, deve ser plenamente aproveitado pelos frequentadores encarnados para reflexões, amadurecimento de pensamentos positivos, busca de ânimo para prosseguir na jornada terrena, bem como recebimento de boas energias para equilíbrio da saúde do corpo físico.

Esse local apresenta condições propícias para que os Espíritos protetores atuem de forma mais ativa para aconselhar e influenciar positivamente os pensamentos dos encarnados. Para tanto, utilizam a transmissão de pensamento e também reforçam os elementos expostos nas palestras públicas; assim, a sintonia em pensamentos positivos, o ato de orar e a atitude de gratidão facilitam a atuação desses abnegados irmãos.

É importante salientar que neste mundo de provas e expiações as casas espíritas têm objetivo de fornecer amparo, conforto e fortalecimento de ânimo para que os encarnados continuem na jornada terrena no rumo evolutivo traçado antes da encarnação. Especificamente no momento de transmissão de energias, propiciada pelo passe magnético, as melhores energias são direcionadas para cada encarnado, de acordo com a fé, o merecimento e os propósitos da encarnação. Mas não se pode negar que a Providência Divina está constantemente avaliando o proceder de cada encarnado para poder ajudar da melhor maneira possível, sempre lembrando que a atuação da misericórdia divina é belíssima na vida de todos e qualquer bem realizado conta de forma positiva no balanço da justiça divina. 

Em resumo, estar na casa espírita é um privilégio que deve ser aproveitado, tendo uma atitude de gratidão pelo ambiente e pelo esforço dos irmãos desencarnados que muito se dedicam pela manutenção das boas condições energéticas do local. A atitude de prece colabora para o equilíbrio da casa, facilitando a atuação dos Espíritos protetores e a transmissão de energias salutares que atuam no perispírito e podem refletir-se no corpo físico.

Devemos ter em mente que todos têm um fardo para carregar e na casa espírita encontra-se o bom ânimo para seguir na jornada com fé, paciência e resignação, no intuito de alcançar a evolução prevista para esta encarnação.

Artigo de por Fábio Durand publicado no site O Consolador

Como Allan Kardec popularizou o espiritismo no Brasil, o maior país católico do mundo

Professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, de 53 anos,
usou pseudônimo Allan Kardec para assinar 'O Livro dos Espíritos'
Paris, 1857. O professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, de 53 anos, estava prestes a colocar um ponto final em seu mais novo livro quando se viu tomado por uma dúvida: usar seu nome de batismo ou recorrer a um pseudônimo?

Sua mais nova publicação, O Livro dos Espíritos, nada tinha a ver com os mais de 20 livros didáticos, de física, química e matemática, que ele já tinha escrito e eram adotados em escolas e universidades. Foi quando Rivail se lembrou de que, em uma das muitas sessões mediúnicas de que participou, um "amigo espiritual de vidas passadas" de nome Zéfiro havia dito que, na época do imperador Júlio César, entre 58 e 44 antes de Cristo, ele tinha sido um líder druida na sociedade celta. Seu nome? Allan Kardec.

"O recurso do pseudônimo tinha a vantagem de não expor Rivail numa época em que, embora a heterodoxia religiosa fosse tolerada, sempre se corria riscos", explica Mary Del Priore, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e autora de Do Outro Lado - A História do Sobrenatural e do Espiritismo (Planeta, 2014). "Era também uma forma de proteger sua carreira editorial, sem dar chance de retaliação por parte de instituições de ensino religioso que tivessem adotado seus manuais".

Kardec levou quase dois anos para concluir O Livro dos Espíritos. Em momento algum, se considerou o "autor" da obra. Na melhor das hipóteses, era apenas seu organizador. Não por acaso, a folha de rosto da primeira edição estampava a frase: "Escrito e publicado conforme o ditado e a ordem de espíritos superiores". Para realizar as "entrevistas com o além", Kardec conheceu e fez amizade com mais de dez médiuns - termo criado por ele para designar os "intermediários" entre os vivos e os mortos. Suas mais assíduas "colaboradoras" eram as irmãs Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, e Ruth Japhet, de 19.

Ator em cenário de filme sobre Allan Kardec; pedagogo
francês levou quase dois anos para concluir 'O Livro dos Espíritos'
Quanto aos "amigos invisíveis", eram incontáveis: o filósofo grego Sócrates, o apóstolo e evangelista João, o cientista americano Benjamin Franklin... "Por ser inaugural, considero O Livro dos Espíritos, no formato de perguntas e respostas, a mais importante obra de Kardec. As perguntas correspondem ao papel dele na publicação. Já as respostas são atribuídas a 'espíritos superiores'.

Para os adeptos de Kardec, o livro é, literalmente, 'dos espíritos'", explica Emerson Giumbelli, doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Núcleo de Estudos da Religião (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Livro dos Espíritos foi lançado no dia 18 de abril de 1857 e, em apenas dois meses, vendeu todos os 1.500 exemplares da primeira tiragem. Três anos depois, uma segunda edição, revista e ampliada de 501 perguntas e respostas para 1.019, chegou às livrarias. Logo, a doutrina espírita despertou a ira da Igreja Católica que considerava a necromancia, a suposta arte de adivinhar o futuro por intermédio dos mortos, um pecado mortal.

Cena de filme sobre Kardec; em 1861, o bispo de Barcelona
ordenou que 300 volumes do livro dele fossem queimados em praça pública
Por essa e outras razões, jovens médiuns eram internadas em hospícios e adeptos do espiritismo ameaçados de excomunhão. No dia 9 de outubro de 1861, a intolerância chegou ao ponto de o bispo de Barcelona, Antônio Palau y Termens, ordenar que 300 exemplares da obra fossem queimados em praça pública.

Mas, apesar dos pesares, Kardec procurava não se abater. Encontrava consolo no relato de leitores do mundo inteiro que atribuíam a seu trabalho o fato de não terem tirado suas vidas em momentos de desespero. "Afirmavam que só desistiram do suicídio por terem lido O Livro dos Espíritos e entendido que a vida continua através dos tempos.

E mais: que cada existência seria uma chance de evolução. Uma chance que não deveríamos desperdiçar", afirma o jornalista Marcel Souto Maior, autor de Kardec - A Biografia (Record, 2013), que deu origem ao filme homônimo, escrito por L.G. Bayão e dirigido por Wagner de Assis. Com Leonardo Medeiros no papel-título, Kardec tem estreia confirmada no dia 16 de maio.

Espiritismo à brasileira

Filho de pais católicos – o juiz Jean-Baptiste e a dona de casa Jeanne –, Rivail começou a se interessar pelo assunto por acaso. Ouviu falar do fenômeno das mesas girantes e, movido por curiosidade e desconfiança, resolveu investigar. Estava convencido de que, por trás das mesas que se erguiam do chão e se moviam em todas as direções, encontraria fios, ímãs ou roldanas. "Só acreditarei se me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar e nervos para sentir", fez troça.

Em maio de 1855, Rivail saiu da casa de uma senhora chamada De Plainemaison completamente atordoado. Não conseguira desvendar, por meio de truques secretos ou traquitanas escondidas, o sobe e desce das mesas. Mesmo assim, não desistiu. Passou a investigar outro fenômeno, ainda mais intrigante: os cestos escreventes. Encaixado no fundo do cesto, com a ponta virada para baixo, um lápis "respondia" às perguntas formuladas pelos convidados em folhas de papel.

"Numa dessas sessões, em 30 de abril de 1856, a cesta se voltou para Rivail e, como se apontasse o dedo para ele, o lápis escreveu uma mensagem enigmática: 'És o obreiro que reconstrói o que foi demolido'", relata Marcel. Era a deixa para Rivail começar a organizar o que viria a ser O Livro dos Espíritos.

Não demorou muito para o espiritismo kardecista cruzar o Atlântico e desembarcar no Brasil. Por aqui, Kardec conquistou inúmeros "aliados". Dois dos mais importantes são o educador francês Casimir Lieutaud, que traduziu para a língua portuguesa, em 1860, Os Tempos São Chegados, a primeira obra espírita impressa no Brasil, e o jornalista brasileiro Teles de Menezes, que fundou, em Salvador, o primeiro centro espírita do Brasil, o Grupo Familiar do Espiritismo, em 17 de setembro de 1865, e o primeiro periódico espírita do país, o Eco do Além Túmulo, em 8 de março de 1869.

Até 2002, quando morreu aos 92 anos, Chico Xavier psicografou
459 títulos - e doou os direitos autorais de todos eles,
com registro em cartório, para obras assistenciais
"Por sua inteligência aguda, bom senso extraordinário e alma caridosa, quem merece o título de 'Allan Kardec brasileiro' é o Bezerra de Menezes", aponta Marta Antunes Moura, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), referindo-se ao "médico dos pobres" que, reza a lenda, teria doado seu anel de formatura a uma mãe para ela comprar remédios para o filho adoentado.

Outro nome de destaque na consolidação do espiritismo no Brasil é Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Em 1932, aos 22 anos, lançou seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, antologia de 259 poemas assinados por nomes como Castro Alves, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. Até 2002, quando morreu aos 92 anos, psicografou 459 títulos - e doou os direitos autorais de todos eles, com registro em cartório, para obras assistenciais - e 10 mil cartas - algumas delas chegaram a ser aceitas como prova em tribunais.

"Inspirado na noção de santidade católica, Chico Xavier adotou votos monásticos como modelo de conduta e espiritualidade. Assim, ele se tornou referência moral não só para médiuns, como também para os demais adeptos da doutrina. Essa construção do estilo brasileiro de ser espírita, marcadamente católico, é o que chamo de espiritismo à brasileira", explica Sandra Stoll, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).

O rastro de perseguição que a doutrina de Kardec sofrera na Europa logo chegou ao Brasil. Já em 1874, o Jornal do Comércio acusava o espiritismo de produzir loucos: "Uma epidemia pior que a febre amarela", dizia um artigo da época. Em 1881, o bispo do Rio de Janeiro, Pedro Maria de Lacerda, publicou um manifesto em que chamava os seguidores de Kardec de "possessos, dementes e alucinados".

"Naquela época, o Brasil vivia sob os ditames do Império, que tinha o catolicismo como religião oficial. Mas, mesmo com o advento da República, a partir de 1889, a perseguição não cessou", relata o sociólogo e advogado Maury Rodrigues da Cruz, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE). "Os ataques sofridos não arrefeceram o movimento espírita brasileiro. Pelo contrário. Fortaleceram a união de seus membros em torno da defesa da liberdade de culto e da consolidação do espiritismo no país".

Mais vivo que nunca

No mês em que espíritas comemoram os 150 anos da morte, ou melhor, do "desencarne" de Allan Kardec, sua doutrina tem hoje, segundo dados do Pew Research Center de 2015, 13 milhões de adeptos no mundo inteiro. Só no Brasil, são 3,8 milhões. Isso significa que, a cada três seguidores de Kardec, um é brasileiro. Com isso, o maior país católico do mundo, com 123,4 milhões de fiéis, segundo o Censo de 2010, passou a ostentar outro título: o de maior nação espírita do planeta.

"O túmulo do Kardec no Père-Lachaise, em Paris, é, sem dúvida, dos mais visitados. A qualquer dia e horário, há sempre um brasileiro acendendo velas ou depositando flores no mausoléu", afirma Reginaldo Prandi, doutor em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os Mortos e Os Vivos (Três Estrelas, 2012), referindo-se ao cemitério francês onde estão sepultados, entre outras celebridades, o escritor Oscar Wilde, o músico Frédéric Chopin e o roqueiro Jim Morrison. "A prática da caridade ajudou o espiritismo a ganhar força no Brasil. Ainda hoje, centros espíritas organizam bazares, recebem doações de alimentos e distribuem agasalhos no inverno".

Obra de Allan Kardec enfureceu Igreja Católica à época, mas se espalhou
O sucesso do espiritismo no Brasil, onde tem mais seguidores do que na França, pode ser explicado, ainda, pelo processo de "religiosificação" da doutrina no país. Essa é a opinião de Célia Arribas, doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Se, na terra natal de Kardec, o espiritismo tinha caráter majoritariamente científico ou filosófico; no Brasil, ganhou status de religião.

"Ao reforçar o caráter religioso do espiritismo, seus primeiros adeptos, oriundos de grupos socialmente privilegiados, como médicos, políticos e advogados, viram nisso uma forma de legitimar sua existência em solo brasileiro e escapar do Código Penal de 1890, que estabelecia punições, como multa e detenção, para quem praticasse o espiritismo", explica a socióloga.

Dados do último Censo apontam que, entre 2000 e 2010, o número de espíritas no Brasil cresceu 65%, passando de 2,3 milhões, algo em torno de 1,3% da população, para 3,8 milhões, cerca de 2%. Mas, se o número de fiéis é de 3,8 milhões, o de simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira (FEB), pode chegar a 30 milhões. "Muitos não se assumem como espíritas porque são católicos ou porque não enxergam o espiritismo como religião", explica Célia Arribas, da UFJF.

"Há também aqueles que vão aos centros atrás de alívio para alguma aflição pontual. É o que chamamos na sociologia de 'religião de clientela', um tipo de religiosidade de serviço que não cria vínculos".

Mesmo tendo crescido tanto, o espiritismo continua a ser uma confissão minoritária no país. Em número de adeptos, está atrás de católicos (64%) e evangélicos (22%). "São a maioria da minoria", define o sociólogo Reginaldo Prandi, da USP. "A doutrina espírita não está preocupada em fazer proselitismo ou converter ninguém. Está interessada apenas em fazer o bem e praticar a caridade".

Por André Bernardo para o site BBC News - Brasil

quinta-feira, 21 de março de 2019

Palestrante convidado do LEAE abordará sobre a Reconciliação, em abril

Como já é sabido, o Lar Espírita Aprendizes do Evangelho (LEAE) costuma trazer palestrantes convidados para as exposições de segunda-feira, dia determinado para as palestras da Casa.

Ora deixando os convidados à vontade em relação aos temas, ora sugerindo assuntos de acordo com as obras básicas, a variedade do que nos é exposto é incrível.

Tão incrível e atemporal é o conteúdo escolhido para ser exposto por Thiago de Freitas Toledo, palestrante convidado para o dia 08 de abril: "Reconciliação - A Arte de Desenvolver a Compaixão".

A ideia é partir da proposta de Jesus para que nos conciliemos depressa com nossos adversários (Mateus, 5:25-26). Thiago nos adianta que 'à luz do conhecimento espírita, verificaremos quais são esses adversários, internos e externos, e como, de forma prática e aplicável, operarmos essa conciliação'.

O jovem palestrante expõe que como instrumentos de trabalho para a realização da tarefa de reconciliação, podemos seguir as orientações do Espírito Joanna de Ângelis, pela mediunidade de Divaldo Franco, presentes em trechos de mensagens das obras Filho de Deus e Momentos de Harmonia. "Seremos convidados, dessa forma, a um olhar sensível para com as experiências pelas quais temos passado, de modo que encontremos nos variados desafios cotidianos a oportunidade de que necessitamos para produzir paz e saúde interior", ressalta.

Com grandes expectativas sobre o encontro do dia 08 de abril, Thiago lembra ainda que esta é uma oportunidade singela, mas de graves proporções. 'Acredito que será um encontro de fraternidade e valorosas reflexões aos corações conflituados como os que ainda trazemos.  Espero conseguir trazer ao público aquilo que, todos nós, necessitamos ouvir, uma vez que ainda estamos em evolução'.

Sobre o palestrante

Thiago de Freitas Toledo, 23 anos, estudante de Comunicação Social - habilitação em Publicidade e Propaganda, chegou ao movimento espírita pelas vias do programa reencarnatório. 

Nascido em família espírita, participou ao longo de toda a infância e juventude das atividades de evangelização no Centro Espírita Cuiabá (localizado no Centro da Cidade) e de teatro no Grupo Espírita de Arte Cristã Juventude Ativa. 

Em 2011 participou da Caravana Federativa da Região Centro, em Cuiabá, onde teve um contato mais direto com o trabalho realizado pela Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (Feemt) e, logo na sequência, passou a integrar sua equipe de trabalhadores. 

Em 2014, ao participar de outro evento promovido pela mesma instituição é que pode aquilatar o sentido de nos encontrarmos enquanto espíritas na atual existência. Desde então, nosso trabalho tem tido outro significado.

Atualmente integra a Diretoria Executiva da Feemt e trabalha como colaborador no Centro Espírita Joana D'Arc e no Centro Espírita Lar de Amor.

Thiago é a 'carinha' que estampa os vídeos publicados pela Federação Espírita de MT em seu site e YouTube. 

Sobre o convite do LEAE em nos auxiliar com as exposições e divulgação dos ensinamentos da doutrina espírita, o jovem comunicador diz que 'é sempre uma alegria estar com os amigos do Lar Espírita Aprendizes do Evangelho pela importante contribuição que a instituição vem ofertado à humanidade junto aos corações necessitados do Parque Cuiabá. Foi com muita alegria que recebemos o novo convite, tanto pela oportunidade de confraternização, quanto pela possibilidade de refletirmos juntos, em torno da mensagem cristã, que tanto acolhimento nos oferece ao coração.'

Esperamos a presença de todos na sede do LEAE, dia 08 de abril, para apreciarmos a exposição do jovem palestrante. 

segunda-feira, 18 de março de 2019

Confira o cartaz oficial de Kardec, o filme

Ele colocou à prova o invisível. #KardecFilme, 16 de maio nos cinemas. 


Saiba mais em matéria já publicada aqui.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Filhos problemáticos - como o Espiritismo entende isso?

Como devem ser encarados os filhos problemáticos? Precisamos considerar, primeiramente, que cada filho que nasce é uma alma que já viveu diversas outras vidas e está reencarnando na Terra para continuar o seu progresso. Só o corpo é novo, criado graças à contribuição biológica dos pais; ele é simples instrumento do qual se vale o espírito para manifestar-se na matéria, como o mergulhador usa o escafandro para descer às profundezas dos mares.

Ao nascer, o Espírito perde temporariamente a lembrança do passado, para que os fatos e relacionamentos já vividos, em especial os dolorosos, não atrapalhem o objetivo a que ele se propõe na vida atual. Não obstante, traz consigo, mais ou menos afloradas, tendências e inclinações, as quais são indicadores da sua maior ou menor condição evolutiva, e a análise das mesmas pode contribuir para o crescimento pessoal.

Essas tendências, muitas vezes, já se manifestam desde a tenra idade e identificam caracteres dóceis ou rebeldes, egoístas ou generosos, malvados ou bondosos. Os pais zelosos devem observar atentamente as atitudes dos filhos. Aos que são bons é preciso proporcionar todos os recursos ao desenvolvimento de suas capacidades, sem o protecionismo ou a exaltação do ego que os possam perder. Aos revoltados, de outro lado, é necessário oferecer também a disciplina e a energia equilibradas pelo amor, a fim de que se corrijam, conquistando virtudes.

Por essa razão, certas peraltices da infância nem sempre são “coisas de criança”, passageiras, a serem aceitas com risos e incentivos. Podem ser a manifestação da personalidade deturpada da alma, a requisitar dos pais acompanhamento e medidas saneadoras, sugerindo-se diálogos francos e esclarecedores, restrição de benefícios pessoais, como forma de conscientização do erro, e encaminhamentos psicológicos ou psiquiátricos. Imprescindível, igualmente, que a criança seja levada a crer em Deus e nas suas leis, comungando com Ele pela religião e pelo pensamento.

Crescendo sem a efetiva presença e orientação dos pais, a criança-problema transforma-se, via de regra, em um jovem mais problemático ainda. A adolescência é a fase em que o espírito se assenhoreia por completo do corpo, manifestando-se tal como é no seu íntimo. As más inclinações ficam acentuadas e, agora com maior liberdade de ação, o jovem dá vazão aos seus desejos e pretensões, criando situações que fogem ao controle dos pais, que já não podem mais com a sua “criança”.

Desrespeito aos pais, inclusive com o uso de palavrões, total indisciplina dentro do lar, especialmente quanto ao cumprimento de horários, uso e abuso de cigarros, bebidas alcoólicas e até mesmo de drogas, desinteresse pelo estudo e pelo trabalho e iniciação precoce no sexo são os desvios de conduta mais comuns da juventude moderna.

Necessário, ante a adolescência conturbada, que os pais redobrem a paciência, participem mais intensamente da vida dos filhos, conversem com eles com sinceridade e firmeza, procurando demonstrar nas palavras e atitudes o amor que lhes devotam. Em não conseguindo sucesso, outro remédio não há senão o de orar por eles, deixando que aprendam com a vida, conquanto isso possa ferir de morte o coração.

Possível perceber, pois, que o bom encaminhamento dos filhos depende de um esforço contínuo dos pais desde a primeira infância, moldando-lhes a alma. Lembremos, porém, que o exemplo tem mais força que as palavras, razão pela qual é necessário que sejamos nós os primeiros a fazer aquilo que queremos que os nossos filhos façam.

Donizete Pinheiro é divulgador do espiritismo. Artigo publicado no site Comércio do Jahu

Allan Kardec e o Espiritismo no Brasil

O professor francês Allan Kardec entrevistou espíritos para descobrir as leis que regem o mundo dos mortos. Mas foi no Brasil que um grupo de seguidores transformou seus escritos em uma nova religião, o espiritismo

Às 22h30 de 17 de setembro de 1865, apenas oito anos depois da fundação oficial do espiritismo na França, foi realizada em Salvador a primeira sessão da doutrina no Brasil, liderada por um jornalista, Luís Olímpio Teles de Menezes. No mesmo ano, surgiu o primeiro centro do país. Em pouco tempo, a visão científica, filosófica e religiosa de Allan Kardec se transformaria em uma religião tipicamente brasileira, divulgada por intelectuais nas nossas maiores cidades. Anos antes de ganhar as massas com Chico Xavier, os seguidores de Kardec já tinham uma nova capital, nos trópicos.

O trabalho iniciado por Kardec tem mais de 13 milhões de seguidores no mundo. A maioria, cerca de 3,8 milhões, está no Brasil. Nossos espíritas têm os melhores indicadores socioeducacionais dentre os fiéis de todas as religiões praticadas no país – 31,5% deles têm nível superior completo, segundo o IBGE. Entre 2000 e 2010, eles saltaram de 1,3% da população para 2%. O sucesso nos cinemas é resultado da boa imagem da religião: em 2010, Chico Xavier, a biografia do médium mais famoso do século 20, alcançou 3,4 milhões de espectadores e Nosso Lar, no mesmo ano, chegou a 4 milhões.

Mas o que explica essa adesão massiva a uma doutrina que se equilibra entre a religião e a ciência no maior país católico do mundo? “O Brasil tem uma tradição de religiosidade popular muito aberta ao contato com a vida após a morte e a comunicação com espíritos. As classes média e alta não podiam contar com as religiões de origem africana ou indígena como expressões formais de sua fé. O kadercismo, com seu berço francês, satisfez essa necessidade”, afirma John Monroe, historiador e professor da Universidade de Iowa.

Mesas que rodam

Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon em 3 de outubro de 1804 e encontrou sua vocação na Suíça. O pai, o juiz católico Jean-Baptiste-Antoine Rivail, e a mãe, a dona de casa Jeanne Duhamel, enviaram o menino Hippolyte, de apenas 10 anos, para estudar no Instituto de Yverdon, no castelo de Zahringenem, fundado e mantido pelo pedagogo Johan Heinrich Pestalozzi. Na volta, instalou-se em Paris em 1820 e, quatro anos depois, começou a dar aulas. Lecionava matemática, física, química, astronomia, anatomia e francês.

O professor convivia com problemas financeiros recorrentes. A partir da década de 1830, passou a reforçar a renda escrevendo gramáticas e aritméticas – e até mesmo uma peça, chamada Uma Paixão de Salão, levada aos palcos em 1843. Também começou a usar os conhecimentos de matemática para administrar a contabilidade de pequenas companhias, como o teatro Les Folies Marigny, nos Champs-Élysées. Ali eram realizados espetáculos muito em voga em meados do século 19 – com uma mistura de magnetismo e experiências elétricas e mecânicas.

Rivail assistia a alguns desses shows com prazer. Ele acompanhava com euforia a evolução das ciências, que pareciam prontas para explicar definitivamente o funcionamento do mundo, da vida e do além. Em 1834, em um de seus artigos defendendo as aulas de ciências para crianças, ele registrou: “Aquele que houver estudado as ciências rirá, então, da credulidade supersticiosa dos ignorantes. Não mais crerá em espectros e fantasmas. Não mais aceitará fogos-fátuos por espíritos”.

Quando as mesas rodantes ficaram famosas na França, na década de 1850, o pedagogo tinha uma explicação pronta para o fenômeno. Curioso sobre os mistérios da hipnose, do sonambulismo, do magnetismo e da eletricidade, ele dizia que os corpos reunidos geravam uma força eletromagnética extraordinariamente forte, capaz de movimentar objetos. Quando conheceu o fenômeno pessoalmente, em uma terça-feira de maio de 1855, percebeu que a explicação não era tão simples.

Foi na casa da senhora Plainemaison, na Rue Grange Batelière, número 18. Ali o professor ficou impressionado. As mensagens tinham linguagem diferente da que os médiuns usavam no dia a dia e com um grau de conhecimento da vida privada dos visitantes que não tinham como possuir. O pesquisador então elencou uma nova hipótese: a de que a realidade visível não é a única que existe. E que espíritos são tão reais quanto o mundo microscópico e as forças físicas invisíveis, como a lei da gravidade.

Leis dos espíritos

Por serem reais, apesar de invisíveis, os espíritos seguem leis, da mesma forma que os seres de carne e osso. “Entrevi naquelas aparentes futilidades qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim investigar a fundo”, ele relataria anos depois, para concluir que a força que movia aqueles móveis apresentava perguntas que mereciam resposta. “Há ou não uma força inteligente? Eis a questão. Se essa força existe, o que é? Qual será sua natureza e sua origem? Está além da humanidade?”

Durante 20 meses, o professor dedicou as horas vagas a entrevistar dez diferentes espíritos, principalmente por intermédio de três garotas, Ruth Japhet, de 20 anos (que havia enchido 50 cadernos com mensagens dos espíritos), e as irmãs Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos. Fazia a elas perguntas como “Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?” e “O que é espírito?” Na casa dos Boudin, na Rue Rochechouart, ele se apresentava todas as terças-feiras, com novas perguntas, ou as mesmas, para cruzar e checar as respostas. Ele não tinha mediunidade – aliás, foi o professor quem cunhou o termo “médium” para definir os intermediários entre os espíritos os seres humanos.

Rivail alega que teve a oportunidade de entrevistar os espíritos do filósofo Sócrates, do apóstolo de Jesus João Evangelista, do sacerdote Vicente de Paulo e do cientista e político Benjamin Franklin. Um dos interlocutores mais recorrentes era o espírito que se apresentava com o nome Zéfiro. Foi ele quem disse ao professor que o conhecia de outras encarnações, quando Rivail era um sacerdote druida chamado Allan Kardec e morador da Gália na época do imperador Júlio César, entre 58 e 44 a.C. Rivail não queria assumir a autoria da coleção de respostas – preferia se apresentar apenas como codificador e editor.

E também queria diferenciar seu trabalho pedagógico com essa nova vertente de pesquisa. Daí Rivail ter adotado o pseudônimo que se lê na capa da primeira edição de O Livro dos Espíritos: “Princípios da doutrina espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade – segundo os ensinos dados por Espíritos superiores com o concurso de diversos médiuns – recebidos e coordenados por Allan Kardec”.

Os primeiros exemplares do livro deixaram a Tipografia de Beau, na cidade de Saint-Germain-en-Laye, em 18 de abril de 1857 – a data oficial do nascimento do espiritismo, nome criado por Kardec, apresentado da seguinte maneira: “A crença espírita, ou o espiritismo, consiste em acreditar nas relações entre o mundo físico e os seres do mundo invisível, ou espíritos”. Rapidamente, Kardec suplantaria Rivail em fama e reconhecimento: a primeira edição da obra inaugural do espiritismo, vendida a 3 francos a unidade, foi esgotada em dois meses.

Em 1º de abril de 1858, reuniu as dezenas de seguidores que havia arregimentado com a publicação do livro e fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Enquanto recebia visitas de médiuns, mais ou menos sérios, cartas pedindo ajuda e textos psicografados, novas traduções e edições eram publicadas. Na Espanha, o bispo de Barcelona, Antônio Palau y Termens, mandou confiscar todos os exemplares de O Livro dos Espíritos e organizou um auto de fé: as obras foram empilhadas e queimadas em praça pública. Em 1864, a Igreja Católica inseriu a obra no Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos para seus fiéis.

Kardec melhorou sua situação financeira com a venda de seus livros e trocou de casa diversas vezes. A última mudança seria para um terreno que ele havia comprado na Avenida Ségur para construir seis pequenas casas para seu sucessor e seguidores espíritas de poucos recursos. A residência da família ficou pronta rapidamente, mas ele não chegou a morar lá.

Depois de publicar uma segunda edição de  O Livro dos Espíritos, bastante ampliada, e outros quatro livros, Kardec faleceu, aos 64 anos, por volta das 11h de 31 de março de 1869, quando um aneurisma se rompeu, um dia antes da mudança definitiva para a Avenida Ségur. Na época, ele trabalhava numa obras sobre as relações entre o magnetismo e o espiritismo. Os restos de Kardec estão no Cemitério Père-Lachaise. Na lápide, ficou gravado seu novo nome, e não Rivail, e seu lema: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Esta é a lei.”

Místicos x Cientistas

O fundador não deixou um sucessor definido – ele previa que o espiritismo fosse conduzido por um grupo com comandantes seguindo mandatos curtos. Sua morte acabou por lançar o espiritismo num debate ferrenho: ciência ou religião?

Na Europa, venceram os partidários da tese de que os estudos do professor tinham caráter científico. Eles tinham bons motivos para isso. “Kardec foi um dos pioneiros a propor uma investigação científica, racional e baseada em fatos observáveis, das experiências espirituais. Desenvolveu todo um programa de investigação dessas experiências, ao qual deu o nome de Espiritismo”, afirma Alexander Moreira-Almeida, professor da Escola de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF. “A proposta mais ousada de Kardec foi a de naturalizar a dimensão espiritual, tornando-a, assim, passível de investigação científica.”

“Hoje, entre os europeus, o kardecismo é visto como pseudorreligião. Na virada do século 20, fazia todo o sentido acreditar que os conceitos dele seriam incorporados às pesquisas do meio acadêmico”, afirma o historiador John Monroe, professor da Universidade de Iowa.

O Brasil viu a mesma divisão, e, num primeiro momento, parecia que o mesmo lado seria vencedor. Um dos mais importantes líderes do espiritismo do Brasil, o jornalista e professor italiano Afonso Angeli Torteroli, liderava os científicos e organizou o 1º Congresso Espírita Brasileiro, em 1881, no Rio de Janeiro. Foi lá que intelectuais defenderam a nova linha de pensamento – pessoas respeitáveis a ponto de terem sido recebidas pelo imperador dom Pedro II em 28 de agosto de 1881. Mas, bem de acordo com o pensamento progressista da época, os espíritas eram, em geral, republicanos e abolicionistas.

Mas foi o aspecto religioso do espiritismo que venceu. E por dois motivos. Em primeiro lugar, o lado religioso funcionava melhor para uma população ligada a um cristianismo que, em geral, convivia tranquilamente com curandeiros, benzedeiros e cartomantes. “A preocupação científica e filosófica não tem o mesmo appeal para nós como tem o lado religioso-ritualístico: tomar um passe, livrando-se das energias ruins se apresentaria como mais conveniente do que adotar uma doutrina complexas e cheia de princípios”, afirma o professor de sociologia da Universidade de Brasília Paulo César da Conceição Fernandes, em uma tese de mestrado sobre as origens da religião no Brasil.

Em segundo lugar, o mais importante líder entre os espíritas depois de Allan Kardec e antes de Chico Xavier, o ex-deputado Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, concordava com os místicos. Mas teve também o talento de não dispensar os científicos. A Federação Espírita do Brasil, criada em 1884 pelo fotógrafo português Augusto Elias da Silva, seria presidida duas vezes pelo doutor Bezerra e estimulou a publicação de livros e textos de cunho acadêmico. “O espiritismo oferece uma orientação para a prática da mediunidade, recomendando que ela seja praticada quando contribuir para o bem e para a educação espiritual do homem”, afirma Antonio Cesar Perri de Carvalho, presidente da Federação Espírita Brasileira.

Nomes famosos da literatura nacional aderiram rápido. Os poetas Castro Alves e Augusto dos Anjos, de um lado, se aproximaram da nova religião. Já José de Alencar e Machado de Assis a atacavam – mas só depois de se darem ao trabalho de conhecê-la. Augusto dos Anjos foi o mais empolgado: em sua cidade, Engenho do Pau D’Arco, Paraíba, ele conduzia sessões, recebia espíritos e psicografava. Quando Chico Xavier nasceu, em 1910, o hábito de receber romances do além já era disseminado e se tornaria uma das marcas da nova religião, que, para muitos, já tinha muito pouco a ver com o que Kardec havia imaginado.

Fonte Site UOL - Aventuras na História por Tiago Cordeiro