Mostrando postagens com marcador Redação Momento Espírita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Redação Momento Espírita. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Certezas da vida

Possivelmente já tenhamos ouvido a expressão: A única certeza que temos na vida é que vamos morrer. Esta frase nos fala da naturalidade do fenômeno da desencarnação, que acontecerá com todos, cedo ou tarde.

Ela carrega um sentido de inevitabilidade pessimista, isto é, de que a única certeza que teríamos na existência terrestre seria de algo terrível.

Precisamos rever esses conceitos.

Primeiramente retirar da morte do corpo esse peso tão grande, esse fardo de fim definitivo que ela carrega. Não há fim de tudo. Somente fim de uma etapa, de um capítulo do grande livro da existência de cada Espírito.

Em segundo lugar, o que também é preocupante na expressão, é essa visão de que não temos certezas na vida. Essa mentalidade gera insegurança, medo, causadores de muitos dos transtornos psicológicos que jorram aos borbotões pelos consultórios especializados.

Não, essa não é a única certeza que temos.

Quando passamos a enxergar a existência e a nós mesmos, sob o ponto de vista espiritual, além da casca material, ganhamos muitas outras certezas.

A certeza de que a encarnação é uma oportunidade sem igual de crescer, de aprender, de amadurecer a alma. A certeza de que o amor que cultivamos será colhido em algum momento, seja no hoje ou no amanhã. A certeza de que os laços de amor que criamos ou fortificamos permanecem conosco para sempre. Nada se perde. A certeza de que não há injustiçados nesse mundo, embora ainda haja tanta injustiça. A certeza de que há uma inteligência maior no leme, no comando de tudo e que não precisamos nos desesperar quando as coisas saem do nosso controle. A certeza da vida, antes da certeza da morte. A certeza de que cada minuto importa, de que cada dia é um tesouro inestimável.

*  *   *

Ante a fragilidade da vida material, da vida do corpo, percebamos a resistência e a exuberância da vida da alma.

Um vírus imperceptível pode nos fazer adoecer e pode nos levar a passar pelo umbral da morte a qualquer instante.

No entanto, que isso não revele nossa fraqueza e sim nossa grandiosidade.

Somos Espíritos e temos um corpo, lembrando de que esse temos não traduz posse, pois não há propriedade absoluta no campo da materialidade.

Somos Espíritos e essa essência só avança, não retrograda e não tem fim. Estamos aqui de passagem. A Terra é escola, é hospital, é campo de semeadura.

Que possamos usar o tempo que temos para nos educar, para nos curar e para trabalhar sempre pelo bem.

Não nos deixemos desanimar perante as crises, perante os momentos de sofrimento. São as provas escolares apenas, que se realizam a cada término de período letivo.

Passemos bem pelas avaliações, sejamos alunos aplicados neste mundo de provas e expiações e logo poderemos merecer fazer parte de uma escola melhor, da escola da regeneração.

Esta é mais uma certeza que temos: de que a dor não dura para sempre e de que podemos ser hoje melhores do que fomos ontem.

Redação do Momento Espírita. Em 17.8.2020.

sábado, 4 de abril de 2020

E se a vida não fosse um só livro?

Comparam a existência humana a muitas coisas.

Já a igualaram a uma estrada. Outros a mostraram similar a uma grande viagem. Alguns a fizeram parecer a escalada de uma montanha exuberante.

Há aqueles que dizem que a vida é um grande livro, uma autobiografia que vamos escrevendo desde o momento em que nascemos.

Curiosa comparação. Imaginemos mesmo se a vida pudesse ser igualada a uma obra literária, dessas bem espessas. Nas primeiras páginas os primeiros anos e nas últimas os derradeiros.

Páginas de dor, páginas de alegria. Páginas de conquistas, páginas de frustrações. Páginas de sacrifício, páginas de recompensa. Todas estariam registrando ipsis literis o que vivemos, sentimos e fizemos.

Um único livro. Uma única existência.

Ampliemos um pouco mais essa visão, pensando fora da caixa: E se a vida não fosse apenas um livro? E se a existência do Espírito fosse uma biblioteca inteira?

Sim, se nossa história fosse contada por dezenas, centenas de livros que vão sendo armazenados num grande salão repleto de estantes majestosas.

Cada nova vida, cada nova encarnação, um novo livro. Os livros mais recentes terão sempre relação com os antigos. Quando iniciamos um novo, teremos impressão que se trata do primeiro, porém será apenas mais um.

Isso explicaria muitas coisas, como por exemplo nossas habilidades inatas, nossas tendências, as dificuldades que temos, o fato de alguns nascerem em meio a facilidades e outros com tantas carências.

Isso porque o que escrevemos nos livros anteriores foi uma espécie de semeadura, um prefácio para essa nova obra. Os livros antigos guardarão sempre relação com os novos.

Falemos claramente: somos seres imortais e de muitas encarnações, muitas experiências.

Provavelmente, não nos recordemos disso, talvez não tenhamos acesso a tais lembranças neste momento, pois a Providência Divina é muito sábia e quis que cada novo livro tivesse esse frescor de renovação, de nova oportunidade.

Quando precisar lembrar ou ter acesso a essas lembranças, recordaremos.

Importante é saber que nossa vida é muito maior do que apenas a história que estamos escrevendo agora. Que no momento estamos colhendo o que plantamos, e que estamos, diariamente, semeando o futuro.

Pensemos nisso quando estivermos diante de qualquer decisão, das nossas escolhas importantes, daquilo que queremos para nós, de agora em diante.

Interessante é saber que todos estamos nesse mesmo processo. Tanto nossos amores como nossos adversários.

Assim, amemos. Amemos cada vez mais e melhor, pois o amor jamais será perdido e nunca perdemos ninguém.

Também perdoemos, nos reconciliemos o quanto antes, pois se não for agora, será no próximo volume de nossa coleção de encarnações.

Continuemos escrevendo uma bela história, repleta de alegria e de amor ao próximo.

Que ela tenha muitos personagens e que possamos ser luz na vida de todos eles.

Que mesmo nos parágrafos de dificuldades possamos nos lembrar que logo mais chegarão novas páginas, novos capítulos e também novos livros.

Redação do Momento Espírita. Em 3.4.2020.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Repensando a educação

Educação de filhos é algo um tanto complexo. Isso porque não existe um manual sem falhas que estabeleça a forma precisa de educá-los.

Exatamente porque cada ser humano é único e, assim, o que alguns sugerem em tantos livros pode ser válido para uns. Não para todos.

Por isso, pais e educadores se servem de várias orientações, de Rousseau, Pestalozzi, Piaget aos mais atuais pedagogos.

Existem pais, no entanto, que resolvem se abster de qualquer orientação que catalogam como moderna e dizem que irão educar seus filhos exatamente como foram educados.

Se deu certo para com eles, há de dar certo para seus filhos. A respeito dessa atitude, importante considerar que cada um tem os pais que precisa para seu próprio crescimento.

Nós tivemos os pais que precisávamos. Nossos filhos nos têm. Somos os pais que eles necessitam para a sua condução na vida e crescimento individual.

Dessa forma, o que foi válido para nós, em tempos passados, pode não ter o mesmo peso, a mesma validade para os pequenos de hoje.

Cada criança é um Espírito imortal, que traz sua própria bagagem de conhecimento, de conquistas. Assim, as necessidades dos nossos filhos poderão não ser exatamente as que foram as nossas.

As carências que tivemos poderão não ser as mesmas das crianças de hoje. Da mesma maneira, as virtudes ou os vícios que eles trazem, podem ser totalmente diferentes dos apresentados por nós.

Uma outra forma equivocada de pensar é de que deveremos dar aos nossos filhos tudo aquilo que não tivemos. Convenhamos que não tivemos tantas coisas e elas não nos fizeram realmente falta.

A prova é que nos encontramos hoje no mundo, tendo crescido, formado a própria família, nos realizado profissionalmente. Ou seja, encontramos nosso caminho.

Alguns mais felizes, mais prósperos. Outros, tendo atravessado penúrias, dificuldades mas que nos garantiram enfibratura moral e nobreza de caráter.

O que devemos exaltar em nossos antepassados é exatamente isto: a firmeza de conduta que demonstraram, a sua lucidez de vistas, a noção de limites, a honestidade.

Enfim, valores imperecíveis que devemos repassar aos nossos filhos. Valores de todos os tempos: a honra, a verdade, o trabalho, o servir ao próximo.

No restante, não podemos esquecer que os tempos mudaram, a tecnologia avançou, o mundo está diferente.

Perigos que hoje se fazem presentes, para os pequenos, não existiam nessa dimensão, em nosso tempo.

Divertimentos, brincadeiras – algumas persistem, mas ainda assim, com modificações.

Pensemos nisso e exerçamos nosso sagrado papel de orientadores dessas almas que Deus nos confia para que as auxiliemos a crescer para Ele.

A se transformarem, no mundo, em homens de bem, cidadãos que fazem a diferença onde se encontrem.

Seres interessados no estudo, no trabalho, no pensar um futuro melhor para todos.

Tenhamos a certeza de que não acertaremos o tempo todo, que cometeremos enganos na conduta educacional dos nossos filhos.

Mas guardemos a consciência tranquila de que buscamos lhes ensinar o melhor do bom, do belo, dos valores de um homem integral.

Redação do Momento Espírita, inspirado no seminário
Educação e violência, de Raul Teixeira, de 27.4.2003,
do VI Simpósio Paranaense de Espiritismo.
Em 17.10.2019.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A visão de cada um

Dois homens muito doentes ocupavam uma mesma enfermaria em um grande hospital.

Sua única comunicação com o mundo de fora era uma janela. Um deles tinha a sua cama perto da janela e, todos os dias, tinha permissão para se sentar em sua cama, por algumas horas. Tudo como parte do tratamento dos pulmões.

O outro, cuja cama ficava no lado oposto do pequeno cômodo, ficava o dia todo deitado de barriga para cima.

Todas as tardes, quando o homem, cuja cama ficava perto da janela, era colocado sentado, ele passava a descrever para o companheiro de quarto o que havia lá fora.

Falava do grande parque, cheio de grama verde, de árvores frondosas e flores mais além, em canteiros bem cuidados.

Descrevia o lago, onde havia patos e cisnes. Falava das crianças que jogavam migalhas de pão para as aves e dos barcos de brinquedo que coloriam as tardes de verão.

Falava dos casais de namorados que passeavam de mãos dadas entre as árvores, dos jogos de bola muito disputados entre a criançada.

Dizia que, bem além da linha das árvores, ele podia ver um pouco da cidade, o contorno dos altos prédios contra o azul do céu.

O homem deitado somente escutava e escutava. Houve um dia em que ouviu, preocupado, o caso de uma criança que quase caiu no lago, sendo salva a tempo por sua mãe.

Num outro dia, a descrição minuciosa foi a respeito dos lindos vestidos das moças que saudavam a primavera em flor.

O homem deitado quase podia ver o que o outro descrevia, tantos eram os detalhes e a emoção do companheiro sentado. E, aos poucos, foi se tomando de inveja.

Por que somente o outro, que ficava perto da janela, podia ter aquele prazer? Por que ele também não podia ter aquela mesma oportunidade?

Enquanto assim pensava, mais se envergonhava e, no entanto, não conseguia evitar que tais pensamentos o atormentassem.

Certa noite, enquanto estava ali olhando para o teto, como sempre, percebeu que o outro começou a passar mal. Acordou tossindo, parecendo sufocar.

Com desespero, o botão de emergência foi acionado. As enfermeiras correram. O médico veio. Nova aparelhagem respiratória foi providenciada. Mas, tudo em vão. O homem morreu.

Pela manhã, seu corpo sem vida foi retirado dali. Então, o homem que permanecia sempre deitado, pediu para que o colocassem na cama do outro, próximo da janela.

Logo que assim foi feito e a enfermeira saiu do quarto, ele fez um grande esforço, apoiou-se sobre o cotovelo, na tentativa de se erguer no leito.

A dor era intensa mas ele insistiu. Com muita dificuldade, ele olhou pela janela e viu... apenas um enorme, alto e feio muro de pedras nuas.

*   *   *

A vida tem o colorido que a pessoa lhe dá. A paisagem se torna cinzenta ou plena de luz de acordo com as lentes de que se serve a pessoa para olhá-la.

Sofrer a enfermidade e se fechar na dor ou enfeitar de vivas cores o quadro que vive, é opção individual.

Há os que sofrem pouco e se desesperam, aumentando sua carga de dissabores, com as lentes escuras e sombrias de que se servem para contemplar tudo e todos.

Há os que sofrem muito e se dizem tranquilos, padecendo serenos.

Redação do Momento Espírita, com base no texto A visão de cada um, de autoria desconhecida. Disponível no livro Momento Espírita, v. 1, ed. FEP. Em 15.8.2019.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Aprender a conviver

Os quatro pilares para a educação são conceitos de fundamento dessa arte, baseados no relatório elaborado para a UNESCO pela Comissão Internacional para o século XXI, coordenada por Jacques Delors.

A equipe, composta por mais de quatorze especialistas de renome, provenientes de várias regiões do mundo, atuantes em diferentes campos culturais e profissionais, teve a incumbência de refletir sobre a educação e a aprendizagem no século XXI.

Em 1993, o documento foi apresentado e pode ser resumido em quatro grandes propostas: Aprender a fazer, Aprender a conhecer, Aprender a conviver e Aprender a ser.

Tomamos, então, como centro de nossas reflexões momentâneas a proposição do Aprender a conviver.

Esse domínio de aprendizagem consiste num dos maiores desafios para os educadores, pois atua no campo das atitudes e valores.

O documento se utiliza de um termo bastante inspirador: a descoberta progressiva do outro.

Podemos estranhar, num primeiro instante, falar em descoberta do outro, se o outro sempre esteve em cena, isto é, desde o princípio da Criação, lidamos com a presença de um próximo.

No entanto, o termo descoberta vai mais fundo do que a simples constatação de que há alguém no mundo além de nós mesmos.

Descobrir o outro significa partilhar com ele o mundo, a vida, as oportunidades.

Descobrir o outro é perceber a importância do próximo em nosso contexto de existência. Saber que não fazemos nada sozinhos e que a vida precisa ser muito mais colaborativa do que competitiva.

A competição ainda é força motivadora, sem dúvida, no estado de Humanidade em que nos encontramos.

Porém, com o tempo e maturidade, perceberemos que a colaboração é potência mais grandiosa ainda.

Assim, descobrir o outro significa pensar em comunidade e não apenas em unidade. O mundo não gira ao nosso redor, mas todos giramos juntos com o mundo.

Essa sempre foi a proposta cristã. Estava no Amai-vos uns aos outros como eu vos amei; e também no Não vos chamo mais servos, mas vos chamo irmãos.

Jesus amou as diferenças. Conviveu com os diferentes e valorizou a função de cada um no todo.

As diferenças nos educam, o diferente nos faz abrir a mente e o coração, enquanto o igual pode nos acomodar.

Conviver com quem pensa como nós, com quem tem os mesmos valores, pode parecer atrativo e suficiente. Engano nosso.

Conviver com o pensamento oposto, com a ideia que se choca é construir em nós um senso de igualdade, a verdadeira igualdade.

*   *   *

Estamos na Terra para aprender a conviver.

Há virtudes que só desenvolvemos no contato com o outro. A maioria delas, em verdade.

Na convivência nos burilamos, na convivência nos fortalecemos.

Por mais decepcionantes que certas companhias por vezes possam ser, elas estão em nosso viver por razões muito valiosas e precisas. Observemos, convivamos, conheçamos e nos autoconheçamos.

Aprender a conviver é mecanismo fundamental da nossa educação como Espíritos em desenvolvimento.

Redação do Momento Espírita.
Em 2.8.2019.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Antes de condenar...

Conta o escritor Stephen Covey um fato ocorrido com ele numa manhã de domingo, no metrô de Nova York.

As pessoas estavam lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma e tranquila.

Então, um homem entrou no vagão com os filhos. As crianças faziam algazarra e se comportavam mal. O clima mudou de repente.

O homem se sentou ao lado de Stephen e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação.

As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam objetos, puxavam os jornais dos passageiros, incomodando a todos.

Mesmo assim o pai não fazia nada.

Para Stephen era quase impossível evitar a irritação. Ele não conseguia acreditar que aquele homem pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomodassem os outros daquele jeito, sem tomar uma atitude.

Ele podia perceber facilmente que as pessoas estavam irritadas.

A certa altura, enquanto ainda conseguia manter o controle, Stephen virou-se para o homem e disse:

Senhor, seus filhos estão perturbando demais. Será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para Stephen, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:

Creio que o senhor tem razão. Acho que eu deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora...

Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não sabem como lidar com isso.

* * *

Quantas vezes nós vemos, sentimos e agimos de maneira oposta à que deveríamos, por não perceber a realidade que está por trás da cena.

No mundo conturbado em que vivemos, pensando quase exclusivamente em nós próprios, muitas dores e gemidos ocultos passam despercebidos, e perdemos a oportunidade de ajudar, de estender a mão.

Por isso, é importante que cultivemos a sensibilidade para perceber a dor oculta e amenizar a aridez da vida ao nosso redor.

Geralmente o que fazemos é condenar, sem a mínima análise da realidade de quem está passando por árduas dificuldades.

No entanto, é tão bom quando alguém percebe nossas dores e sofrimentos que não ousamos expressar...

É tão agradável quando alguém nota que estamos atravessando momentos difíceis e nos oferece apoio...

É tão confortador encontrar alguém que leia em nossos olhos a tristeza que levamos na alma dilacerada, e nos acene com palavras de otimismo e esperança...

As pessoas têm maneiras diferentes de enfrentar o sofrimento. Umas se desesperam, outras ficam apáticas, muitas se tornam agressivas, algumas fogem...

Por tudo isso, não devemos julgar a situação pelas aparências, porque podemos nos enganar.

No caso relatado, após saber o que realmente estava acontecendo com aquele pai e seus filhos, o coração de Stephen se encheu de compaixão.

Sinto muito, disse ele. Gostaria de falar sobre isso? Posso ajudar?

Seus sentimentos mudaram. E mudaram porque ele soube da verdade que a aparente indiferença de um pai ocultava. Simplesmente porque não sabia como lidar com o próprio sofrimento e o dos seus filhos.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, com base no item De dentro para fora, do livro Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, de Stephen Covey, ed. Best Seller. Em 4.6.2019.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

15 de Maio - Dia da Família!

No dia 15 de maio, comemora-se o Dia Internacional das Famílias ou, simplesmente, o Dia Internacional da Família. 

Esse dia foi definido em 20 de setembro de 1993, em deliberação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Desde então, no dia 15 de maio sempre há, em várias partes do mundo, conferências e celebrações para discutir e traçar projetos para o futuro da instituição familiar.

A Federação Espírita Brasileira (FEB) há 25 anos planeja e implementa a campanha Viver em Família. A Campanha foi elaborada por meio de proposta apresentada ao Conselho Federativo Nacional da FEB para que, no ano de 1994, fosse implantada em todo o Brasil por ser considerado o Ano Internacional da Família pela ONU. 

Após o período de construção que passou pelas Comissões Regionais de todo país, no ano de 1993 o CFN aprovou a campanha “Viver em família” com o título “O melhor é viver em família: aperte mais esse laço”.

Este ano a Campanha “Viver em Família” faz 25 anos e recebe atualização e adequação às necessidades humanas atuais para levar a mensagem espírita a todos os corações.

A Redação Momento Espírita elaborou um texto sobre a família e sua importância.

Por que existe a família?

Você já pensou sobre qual é o objetivo da família, na Terra?

Afinal de contas, por que existe a família?

Se Deus, que é o Criador de todas as coisas, criou a necessidade da vida em família, é porque ela tem uma finalidade importante para o progresso do Espírito.

Vamos encontrar a resposta para essa questão, nos ensinamentos do maior Sábio de todos os tempos.

Jesus recomendou que devemos amar o próximo como a nós mesmos.

Assim, a família é essa escola onde podemos aprender a amar umas poucas pessoas para um dia amar a Humanidade inteira.

Deus, que é a Inteligência Suprema, sabe que no estágio evolutivo em que se encontra, o homem é incapaz de amar todos os seres humanos como a si mesmo.

Por essa razão Ele distribui as pessoas nessas pequenas escolas chamadas lares, para que aprendam o amor ao próximo mais próximo.

É assim que em nossas múltiplas existências vamos aprendendo o amor, nas suas diversas facetas: amor de mãe para filho, de filho para mãe, de irmão para irmão, de avô para neto, de neto para avô, de tio para sobrinho, de sobrinho para tio, de esposo para esposa e assim por diante.

E, quando conseguimos amar verdadeiramente um filho, por exemplo, nosso coração se enternece também pelos filhos alheios.

Quando desenvolvemos profundo amor por uma avó ou pelos pais, toda vez que uma velhinha ou velhinho cruzar nosso caminho, sentiremos algum carinho, porque nos lembraremos dos nossos queridos velhos.

Assim, os laços de afeto vão se formando, aos poucos, para que um dia possam se estender por toda a grande família humana.

Considerando-se, ainda, a lei da reencarnação, ou seja, das várias existências no corpo físico, vamos solidificando esses laços de afetividade com um maior número de Espíritos, que nascem sob o mesmo teto que nós.

Dessa forma, nossa família espiritual se amplia e os laços de bem-querer se solidificam a cada nova possibilidade de convívio.

Podemos constatar essa realidade no amor que nutrimos pelos amigos, que não fazem parte da parentela corporal, mas com os quais temos laços sólidos de afeição.

Se o amor ao próximo é lei da vida, teremos, mais cedo ou mais tarde, que aprender esse amor. E nada mais lógico do que começar pelos familiares, que a sabedoria das Leis Divinas reuniu no mesmo lar.

Portanto, viver em família é um grande desafio e, ao mesmo tempo, um importante aprendizado, pois o convívio diário nos dá oportunidade de limar as arestas com aqueles que por ventura tenhamos alguma diferença.

Nascendo no mesmo reduto familiar é mais fácil superar as desafeições, pois os laços de sangue ainda se constituem num ponto forte a favor da tolerância e da convivência pacíficas.

É por essa razão que existe a família: para que aprendamos a nos amar como verdadeiros irmãos, filhos do mesmo Criador.

*   *   *

Olhando a Humanidade como uma grande família, todas as barreiras que separam os povos caem por terra, pois num outro país, numa outra raça, numa outra religião, pode estar alguém que já foi nosso parente consanguíneo ou nosso grande amigo numa existência física passada.

Assim, se você entender que isso tudo faz sentido, comece a ver as pessoas que cruzam seu caminho com outros olhos. Com olhos de quem entende e atende a recomendação do Cristo: Ame o próximo como a si mesmo.

Pense nisso!


Redação do Momento Espírita, com base em palestra de Raul Teixeira Em 22.08.2011.

Falta amar

Um vídeo circulou pelas redes sociais. Mostrava algo bastante singelo e valioso: filhos adolescentes, jovens, ligando para seus pais para dizer simplesmente: Eu te amo.

Eram ligações de celular, inesperadas, a qualquer hora do dia. O pai ou a mãe atendiam, ouviam um Olá e logo depois: Pai, mãe, eu queria dizer que te amo. Só liguei para dizer isso.

As reações foram belíssimas. Pais dizendo: Puxa, como é bom ouvir isso. Eu também te amo, meu filho.

E do lado de cá, de quem estava fazendo as chamadas, da mesma forma: lágrimas de emoção de jovens que, raramente, ou nunca haviam proferido tais palavras.

Como se o simples contato com essas palavras mágicas, quando verdadeiramente sentidas, já provocasse neles algum tipo de transformação.

Muitos podem dizer que o amor está subentendido, está nos gestos, na companhia diária, não exige provas. E que talvez não precise ser declarado.

Muitos temem ser pieguismo expressar-se dessa forma. Será?

Banalizamos o Eu te amo, é certo, recitando-o da boca para fora muitas vezes, automaticamente.

As paixões avassaladoras e efêmeras se apropriaram dele, tornando-o menor, pois da mesma forma que o amor nasce, voraz, também morre, triste, pouco tempo depois em relações vazias.

O Eu te amo dos altares enfeitados, das grandes festas, não sobrevive às primeiras intempéries de muitos casamentos.

Esse amor das infinitas canções, das belas obras, mas também das puramente sentimentalistas, que nada acrescentam para a verdadeira arte.

Curioso. O Eu te amo foi dito tantas vezes que parece ter enfraquecido pelo mundo afora, praticamente caindo no esquecimento.

* * *

Não falta amor nos poemas, nas músicas, nas bocas. Falta, sim, amar.

Não falta amor nos lares, nas famílias: falta amar.

Não falta amor nos pensamentos, nas ideias: falta amar.

Não falta amor nas potências de nossa alma. Falta, sim, o movimento do amar.

E muitas vezes, a expressão pura e simples desse amor já é grande parte desse amar.

Quando verdadeiramente sentimos dentro de nós essa afeição profunda, esse querer bem, essa consciência do quão importante é aquela pessoa, nada mais natural do que dizer, do que extravasar.

Bom para quem diz, pois se encharca de suas vibrações benfazejas e revigorantes.

Bom para quem ouve, pois recebe muito mais que palavras. Recebe o conforto, o aconchego e a gratidão que tal declaração guarda em si.

Ouvir um Eu te amo de verdade, é como ser levado pelas mãos a um passeio, uma viagem para um mundo melhor, de menos preocupações e sofrimentos, um refrigério para a alma em luta na Terra.

Voltamos renovados, dispostos a seguir adiante e mais, voltamos conhecendo o amor um pouco melhor.

Ainda sabemos pouco do amor em sua profundidade. Estamos dando os primeiros passos depois de deixar o primitivismo necessário.

Falta amar para encontrá-lo e permanecer nele por mais tempo.

Falta amar para podermos declará-lo sem medo de pieguismos empobrecedores.

Falta apenas amar, nada mais.

Fonte: Redação do Momento Espírita. Em 15.5.2019.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Ainda e sempre a gentileza

Ainda e sempre a gentileza

A Terra, em sua transição de um mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração, apresenta, todos os dias, grandes tragédias.

São aquelas provocadas pela natureza em fúria, que se traduzem em terremotos, ciclones, furacões, chuvas intensas.

São aqueloutras, provocadas pelo ser humano, em sua forma ainda familiarizada com a maldade e que produzem muitas lágrimas.

Também tragédias provocadas pelo ceticismo e pelo fanatismo que crescem desequilibrando mentes e corações, afastando pessoas queridas...

Por isso, em meio à indiferença que gera frieza, amargura e até revolta, tentemos cultivar o que é básico, essencial, primordial mesmo para uma vida mais leve e feliz: a gentileza!

Encontremos espaço e tempo para cultivá-la em nossas relações, exercitando-a em atitudes simples e possíveis.

Poderão parecer sem maior importância. No entanto, são preciosos momentos que podemos ofertar de nós, sem esforço algum.

Por exemplo, um olhar compreensivo ante o equívoco de alguém. Um abraço festivo. Um sorriso de contentamento.

A gentileza de permitir a pessoa atravessar a rua, enquanto aguardamos com nosso carro.

No ceder um lugar no transporte público. Pode ser a um idoso, uma senhora grávida, alguém com uma criança ao colo ou com muitas compras.

Na gratidão a um garçom, um frentista, um caixa de banco ou supermercado.

Pensemos em quantas horas eles devem permanecer em seus postos, atendendo e atendendo. Como se sentirão gratificados pela gentileza do nosso Muito obrigado.

Exercitemos a gentileza também no pedido de desculpas sincero. Afinal, quem não comete erros e faltas neste mundo?

No respeito a uma fila que já existia antes da nossa chegada, mesmo que estejamos com pressa pelo compromisso de logo mais.

Na paciência com alguém lento ou apressado.

Na mensagem otimista que compartilhamos sem excessos e neuroses.

Na ligação apenas para saber como o outro tem passado. Numa informação que damos, detendo o passo, atenciosos.

Numa qualidade que reconhecemos em alguém e com prazer verbalizamos para a própria pessoa.

Numa lágrima que discretamente enxugamos no rosto alheio. Num enxoval que silenciosamente providenciamos.

Numa planta que sem alarde regamos.

Numa alegria que dividimos.

Num café que oferecemos.

Numa oração por quem precisa.

No pão que podemos providenciar a quem tem fome.

No respeito a quem pensa e vive de um jeito diferente do nosso.

Na gratidão a quem nos beneficia.

No relevar a falta de um amigo.

No cuidado com um animal.

Tudo isso está ao nosso alcance fazer sem prejuízo para os nossos compromissos, investimentos, compras, viagens, tratamentos e redes sociais.

Basta que tenhamos vontade e julguemos importante o cultivo desse cuidado.

Não esperemos por governos, autoridades, líderes religiosos, guias, anjos, todos importantes em seus respectivos papéis entre nós.

Façamos antes a nossa parte e encontraremos a alegria e a paz que tanto desejamos, que não vêm por atacado. Elas chegam como a chuva fina, mansa e discreta, no grande varejo da nossa existência.

Redação do Momento Espírita, com base no texto Gentileza, de Cezar Braga Said. Em 7.5.2019.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dia da Coragem - 06 de maio

Esta data homenageia uma das virtudes mais nobres que alguém pode ter: a coragem!

Não são todos que têm a coragem para enfrentar os obstáculos que surgem em suas vidas. Ter coragem significa encarar momentos difíceis e de sofrimento, mas com a certeza de superar todos e se tornar um ser humano mais forte e experiente.

Coragem não é sinônimo de imprudência, mas sim de ousadia em assumir ou fazer algo que sabe ser o certo sem se preocupar com críticas maldosas, por exemplo.

Uma pessoa com coragem também pode ter medo, mas o que a torna corajosa é o fato de agir apesar deste sentimento. O corajoso consegue superar as barreiras do temor e da intimidação.

Uma mensagem de 2013, da Redação Momento Espírita, com base no cap. 2, do livro Ensinando valores a seus filhos, de Linda e Richard Eyre, aborda este tema com muita clareza:

Coragem é definida como a ousadia para tentar coisas boas mas difíceis. É força para não fazer simplesmente o que fazem os outros, mas, ao contrário, manter sua posição e até influenciar os demais.

É ser fiel às próprias ideias, seguir os bons impulsos mesmo que possam parecer, para a grande maioria, inconvenientes ou tolos.

É, enfim, a audácia de ser amigo, demonstrar seus sentimentos, ser expansivo.

Coragem é uma qualidade de caráter e pode ser ensinada aos nossos filhos. Por definição, sabe-se que coragem é uma coisa difícil.

Mas como disse uma criança a um grupo de colegas, quando insistiam com ela para que os seguisse em uma malvadeza: É preciso muita coragem para ser covarde, isto é, quando todos tentam obrigar você a fazer uma coisa que você acredita não seja certa, e eles o chamam de covarde, é preciso muita coragem para afirmar: “Sim, eu sou covarde".

Importante esclarecer aos filhos a diferença entre coragem e fanfarronice.

Coragem silenciosa é a que devemos procurar incutir em nossos pequenos. Coragem de dizer não ao que se tem certeza seja errado. Coragem de se aproximar de uma criança sem amigos e lhe dizer: Olá, como vai? Quer brincar comigo?

Como pais, devemos estar atentos às tentativas que as crianças realizam, para superar dificuldades e incentivá-las.

Se uma criança pequena está aprendendo a andar de bicicleta, somente o fato dela conseguir sentar-se nela, deve ser motivo de elogio. O importante é tentar, mesmo que não tenha sucesso. Toda tentativa deve ser incentivada, estimulando-a a tentar outra vez e outra e outra, enquanto vamos lhe afirmando que ela está cada vez melhor.

Quando o bebê consegue levar o alimento à boca com a colher, quando sobe no sofá, quando se mantém em pé, sozinho, pela primeira vez. São todos momentos de suma importância e que devem ser incentivados.

Caiu? Levante. Tente outra vez. Não conseguiu montar o brinquedo? Vamos tentar juntos, de novo.

Nossos filhos terão coragem se os prepararmos corretamente, se os ensinarmos a pensar sempre antes de agir, a dizer não com confiança e encorajando-os a praticar o que lhes pareça mais difícil.

Não há quem, frente a algo novo, não sinta o coração bater descompassado. É bom que nossos filhos saibam que nós, adultos, também temos coisas difíceis a realizar e que nos exigem coragem.

Incentivemos neles a coragem moral, aquela que se expressa em não ir atrás dos demais colegas ou amigos que estão fazendo alguma coisa errada.

A coragem moral de dizer a verdade quando seria bem mais oportuno pregar uma mentira.

Sejamos para os nossos filhos um modelo de coragem, pois as crianças aprendem aquilo que vivem. E todos os dias elas nos observam, veem e imitam.

*   *   *

Uma boa maneira para exercitar a coragem é incentivar as crianças a falar, olhando nos olhos do outro.

Ser corajoso significa também não ter o que ocultar do outro.

Quando olhamos uns nos olhos dos outros é como se estivéssemos dizendo em alto e bom som:  Confio em você e você pode confiar em mim.