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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Diferença entre Dor e Sofrimento

O que eu vou dizer agora é sobre a diferença entre dor interna, emocional, incômodo psicológico. Eu não estou falando de dor física, da diferença entre dor e sofrimento. Sofrimento é algo arrastado, prolongado, que se amplia, que corrói. Dor é algo momentâneo, passageiro, ocorre pelo impacto do acontecimento. Agora o que faz com que uma dor possa ser passageira ou possa se transformar em sofrimento? O que faz com que a dor se transforme em sofrimento são os pensamentos que eu agrego à dor.

Está vendo a importância de pegar em flagrante? Algo acontece na minha vida. Por exemplo: eu perco o emprego, pode ser qualquer exemplo de algo de que você não gostaria, talvez você até gostasse de perder o emprego, mas vamos supor que você não queria perder esse emprego, aí você pode começar a lamuriar, resistir, se lamentar, começar a imaginar cenários negativos. Isso é agregar pensamentos a um acontecimento. Aí a dor… que tinha um incômodo delimitado… agora esse incômodo ampliou, aumentou, porque eu agreguei pensamentos, já não é mais dor, é sofrimento.

O sofrimento é opcional. Ele depende de eu colocar ou não pensamentos sobre aquilo. Aí esse treino, eu pego em flagrante os pensamentos que ocorrem e fico no silêncio. Aconteceu. A realidade é essa. Não é boa, não é ruim, é a realidade tal qual ela é. Apesar da insistência de a mente querer classificar como ruim, pego em flagrante essa insistência, é como o porteiro pegando em flagrante aquele cara que invadiu o condomínio e fala para ele não entrar. Fica na presença, apenas sente a realidade. A distinção entre sofrimento e dor é algo que os grandes mestres já conheciam. Buda tinha a metáfora da flecha: a dor é como se fosse uma flechada que o cara leva, o sofrimento é como se fossem segunda flecha, terceira flecha, quarta flecha, que a pessoa recebe, só que da segunda, inclusive, em diante, quem dispara a flecha é a própria vítima da primeira flecha por meio de seus pensamentos, isso se for entendido e vivenciado tem um potencial de transformação da nossa vida imenso.

As circunstâncias não são responsáveis pelo nosso sofrimento, é a nossa própria atitude que é responsável pelo sofrimento. Eu posso manter um luto por décadas. O luto não dura décadas se eu não agregar pensamentos que reforçam algum motivo, por algum motivo eu estou agregando pensamentos àquele luto. Então eu estou sendo responsável pelo meu próprio sofrimento, isso vale para qualquer coisa.

Por Anand Nisargan para o site Eu Sem Fronteiras

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Antes de condenar...

Conta o escritor Stephen Covey um fato ocorrido com ele numa manhã de domingo, no metrô de Nova York.

As pessoas estavam lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma e tranquila.

Então, um homem entrou no vagão com os filhos. As crianças faziam algazarra e se comportavam mal. O clima mudou de repente.

O homem se sentou ao lado de Stephen e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação.

As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam objetos, puxavam os jornais dos passageiros, incomodando a todos.

Mesmo assim o pai não fazia nada.

Para Stephen era quase impossível evitar a irritação. Ele não conseguia acreditar que aquele homem pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomodassem os outros daquele jeito, sem tomar uma atitude.

Ele podia perceber facilmente que as pessoas estavam irritadas.

A certa altura, enquanto ainda conseguia manter o controle, Stephen virou-se para o homem e disse:

Senhor, seus filhos estão perturbando demais. Será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para Stephen, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:

Creio que o senhor tem razão. Acho que eu deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora...

Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não sabem como lidar com isso.

* * *

Quantas vezes nós vemos, sentimos e agimos de maneira oposta à que deveríamos, por não perceber a realidade que está por trás da cena.

No mundo conturbado em que vivemos, pensando quase exclusivamente em nós próprios, muitas dores e gemidos ocultos passam despercebidos, e perdemos a oportunidade de ajudar, de estender a mão.

Por isso, é importante que cultivemos a sensibilidade para perceber a dor oculta e amenizar a aridez da vida ao nosso redor.

Geralmente o que fazemos é condenar, sem a mínima análise da realidade de quem está passando por árduas dificuldades.

No entanto, é tão bom quando alguém percebe nossas dores e sofrimentos que não ousamos expressar...

É tão agradável quando alguém nota que estamos atravessando momentos difíceis e nos oferece apoio...

É tão confortador encontrar alguém que leia em nossos olhos a tristeza que levamos na alma dilacerada, e nos acene com palavras de otimismo e esperança...

As pessoas têm maneiras diferentes de enfrentar o sofrimento. Umas se desesperam, outras ficam apáticas, muitas se tornam agressivas, algumas fogem...

Por tudo isso, não devemos julgar a situação pelas aparências, porque podemos nos enganar.

No caso relatado, após saber o que realmente estava acontecendo com aquele pai e seus filhos, o coração de Stephen se encheu de compaixão.

Sinto muito, disse ele. Gostaria de falar sobre isso? Posso ajudar?

Seus sentimentos mudaram. E mudaram porque ele soube da verdade que a aparente indiferença de um pai ocultava. Simplesmente porque não sabia como lidar com o próprio sofrimento e o dos seus filhos.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, com base no item De dentro para fora, do livro Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, de Stephen Covey, ed. Best Seller. Em 4.6.2019.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O sofrimento pode ser um obstáculo ou uma oportunidade

O sofrimento cria raízes no mais profundo do nosso ser. É como um desconhecido que entra em nosso corpo sem permissão para tomar o controle e causar desgaste em todos os níveis. No entanto, podemos vencê-lo se nos propusermos a isso.

Mesmo que muitas pessoas pensem que dor e sofrimento são a mesma coisa, a verdade é que são dois fenômenos muito diferentes. A dor é parte da existência, é natural e surge quando perdemos aquilo que amamos ou quando o nosso corpo nos avisa que sofremos algum machucado, ou seja, é uma reação natural provocada por um evento negativo.

Por exemplo, se batermos o joelho, vamos sentir uma dor aguda nele, e se o nosso parceiro terminar conosco, a dor também vai aparecer, só que de forma emocional. Isso acontece de maneira automática, sem que a nossa mente tenha que intervir.

Por sua vez, o sofrimento é originado pela não aceitação do que acontece. É uma escolha que nos faz desejar que as coisas fossem diferentes, ou seja, provém dos julgamentos que fazemos e, portanto, é fruto da nossa mente. Assim, para que exista sofrimento, temos que fazer uma interpretação negativa da situação.

O jogo duplo do sofrimento

O sofrimento se instala em nosso interior quando nos encontramos em situações que causam ansiedade, frustração, tristeza ou impotência. Aparece quando sentimos que não podemos fazer nada, quando não existem opções ou não vemos saídas, o que não quer dizer que seja verdade. Simplesmente, em nossa mente, não conseguimos ver uma saída e escolhemos permanecer assim, sem fazer nada.

Assim, apesar de ninguém ser imune ao sofrimento, é essencial saber lidar com ele e enfrentá-lo, pois ele pode se tornar crônico e nos prender em sua “jaula”. De fato, sofrer pode ser viciante para muitas pessoas, já que às vezes isso é mais confortável do que sair, pois sair representa uma mudança e isso é visto como uma ameaça.

Algumas pessoas pensam que a vida é extremamente dura e que o sofrimento é inerente ao ser vivo. Outros percebem o sofrimento como um sinal de esforço para alcançar as metas pessoais, e outros simplesmente consideram que é questão de sorte sofrer na vida ou não. Independentemente das crenças, o sofrimento é uma sensação que todos nós conhecemos e que não é nem um pouco agradável. 

Quando sofremos, de algum modo nos encontramos presos a um estado de isolamento com todos os aspectos negativos que nos cercam. É como se não pudéssemos ver além disso. No entanto, sempre podemos agir para melhorar a forma como nos encontramos. 

O segredo está em redirigir o foco de atenção, em se abrir para o presente, observar todas as possibilidades e, acima de tudo, parar de julgar e renegar o acontecimento que levou ao sofrimento. A autorreflexão sem culpa, mas com responsabilidade, vai facilitar o caminho para sair dessa situação. Dessa forma, daremos mais atenção aos aspectos em que podemos nos responsabilizar.

O sofrimento pode ser opcional

Diante de situações de mudança que sejam ameaçadoras, é provável que o sofrimento surja como um obstáculo, que nos impeça de enfrentar o medo e modificar aqueles elementos da nossa vida dos quais não gostamos. Por isso, escolher se manter em sofrimento, frustrados em desacordo com o ocorrido, é o verdadeiro obstáculo. 

Toda mudança assusta, é normal. Isso acontece porque enfrentamos a incerteza e a sensação de falta de controle. No entanto, não podemos renunciar à mudança simplesmente por medo do desconhecido. Nestes casos, nosso foco deve estar sobre o que temos controle. Por exemplo, nas nossas emoções e nos pensamentos sobre como interpretamos o que acontece e como isso nos afeta.

Só nós podemos decidir como vamos enfrentar as circunstâncias e o que podemos fazer em cada uma delas. Ao adotar esse ponto de vista, transformamos o sofrimento em algo opcional. Dessa forma, podemos decidir se ficamos presos a essa sensação ou se tomamos a decisão de enfrentar as situações de outras formas possíveis.

O que podemos fazer com o sofrimento?

Como vimos antes, quando estamos em situações difíceis, não costumamos nos permitir focar em outros assuntos ou circunstâncias, nem perceber outros aspectos valiosos das nossas vidas. Inclusive, às vezes preferimos nos manter neste estado de sofrimento que nos afeta física e mentalmente e que, além de tudo, repercute negativamente a nossa volta.

O fato das coisas não saírem como desejamos ou de acordo com as nossas crenças gera sentimentos de vulnerabilidade e frustração, antecedentes ao sofrimento. O bom é que só nós podemos decidir acabar com o sofrimento causado pelo ato de lutar contra o que queremos mudar.

Entretanto, diante desse tipo de situações, podemos decidir aprender e extrair uma lição para crescer soltando o que precisamos soltar e mudando a nossa perspectiva.

Se assumirmos o sofrimento como uma possível fonte de aprendizado e não como um peso com o qual estamos destinados a viver, poderemos ter uma experiência realmente enriquecedora. Isso pode ser muito difícil no começo, mas vai ajudar a fazer com que a dor não se alongue além do estritamente necessário.

O sofrimento surge quando nos sentimos vítimas de uma situação sobre a qual não temos nenhum poder. Se você focar em algo que pode controlar e em suas próprias forças, vai perceber que esta emoção tão negativa vai deixar de estar presente em sua vida.

Afinal de contas, todos nós sabemos que não podemos controlar as circunstâncias, mas podemos escolher a atitude com a qual enfrentamos as mesmas. Nem sempre é necessário compreender completamente o sofrimento para poder aceitá-lo ou pelo menos lutar contra ele. Adotando essa forma de pensar, vamos conseguir tornar a nossa vida um pouco mais fácil.

Fonte: Site A Mente é Brilhante

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Dica de filme: A Cabana

Um filme que aborda sobre a perda de esperanças, fé e sobre o desejo de alcançar uma redenção. Estes são os sentimentos do protagonista em A Cabana, filme dirigido por Stuart Hazeldine e com atuações de Sam Worthington, Octavia Spencer, Alice Braga e Tim McGraw.

Inspirado no livro homônimo do escritor canadense William P. Young, A Cabana fala da "existência do mal" e como podemos (e devemos) procurar o amor e o perdão para nos livrarmos do ódio e da dor. Foi lançado em 2017.

Lições do filme

"Uma metáfora para investigar o problema da dor" - este é o tema central de A Cabana, livro de autoria do escritor canadense William P. Young e um sucesso de vendas em todo o mundo.

Ao mesmo tempo que é aclamado por milhões, este romance que respira e inspira ensinamentos religiosos, também é motivo de muita polêmica. Afinal de contas, por que Deus permite o sofrimento, já que é tão poderoso?

Saiba quais são as 3 principais mensagens que A Cabana transmite e que farão com que você reflita profundamente sobre o modo como encara a vida e a sua fé.

Estamos sempre "esbarrando" em Deus

Deus é o criador do Universo e de todas as coisas que nele habita, certo? Acho que (quase) todas as doutrinas religiosas concordam com este princípio. Logo, não é muito difícil imaginar que Ele esteja presente em TUDO aquilo que criou.

Em A Cabana somos expostos a esta ideia: Deus como a essência presente em todas as coisas maravilhosas que existem no nosso dia-a-dia. Deus está na brisa que nos refresca, nas belas flores que despertam na primavera, no sorriso, nas lágrimas e, principalmente, no AMOR. 

Se você quer estar na presença de Deus, então cultive o AMOR pelo próximo. Elimine os preconceitos, os julgamentos e o ódio do seu coração, pois caso contrário, por mais que reze, NUNCA estará na plena presença do Espírito Santo de Deus.

Sofrer faz parte da vida

Como dito, A Cabana deve ser interpretada como uma metáfora sobre a fé, o amor, o perdão e o sofrimento... Sim, o sofrimento. Ao se deparar com um momento de extrema dor, quem nunca se questionou: "Deus, por que não me ajuda a amenizar este sofrimento, já que És tão poderoso?". 

Bem, podemos dizer que A Cabana é um consolo para aqueles que sofrem, pois nos faz ver de modo claro que Deus estará sempre ao nosso lado, principalmente nos momentos de sofrimento. Sempre!

Não devemos culpar Deus pelos nossos sofrimentos. Sofrer faz parte da vida, assim como a dor, a decepção e várias outras coisas que somos obrigados a encarar desde o primeiro segundo que entramos "neste mundo".

Uma fé que não discrimina ou julga

Muitos dos debates sobre a mensagem que o autor transmite em A Cabana gira em torno da interpretação do que seria a "verdadeira fé". 

Não importa se você é cristão, espírita, umbandista ou budista, você tem uma fé que coloca o amor e a bondade como as bases para uma vida feliz e completa, certo?

Em A Cabana podemos ver uma fé que é livre de determinados dogmas ou convenções que são estabelecidos por algumas doutrinas que julgam e / ou discriminam as outras. A fé é muito mais ampla do que aquilo que a nossa religião afirma.

Calma, são significa que as suas crenças estão equivocadas, mas devemos aprender a respeitar e entender que o importante na fé é acreditar no AMOR e na BONDADE de Deus através das pessoas e fazer o máximo possível para disseminar esta mensagem.

Sinopse oficial

O filme aborda a questão recorrente da existência do mal através da história de Mackenzie Allen Phillips, um homem que vive sob o peso da experiência de ter sua filha Missy, de seis anos, raptada durante um acampamento de fim de semana. A menina nunca foi encontrada, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são achados em uma cabana perdida nas montanhas.

Vivendo desde então sob a "A Grande Tristeza", Mack, posteriormente, recebe um misterioso bilhete supostamente escrito por Deus, convidando-o para uma visita a essa mesma cabana. Ali, Mack terá um encontro inusitado com Deus, de quem tentará obter resposta para a inevitável pergunta: "Se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar nosso sofrimento?".

Veja o trailer e fotos do filme:







Fonte: O pensador com modificações da Equipe de Comunicação do LEAE