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terça-feira, 7 de maio de 2019

Ainda e sempre a gentileza

Ainda e sempre a gentileza

A Terra, em sua transição de um mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração, apresenta, todos os dias, grandes tragédias.

São aquelas provocadas pela natureza em fúria, que se traduzem em terremotos, ciclones, furacões, chuvas intensas.

São aqueloutras, provocadas pelo ser humano, em sua forma ainda familiarizada com a maldade e que produzem muitas lágrimas.

Também tragédias provocadas pelo ceticismo e pelo fanatismo que crescem desequilibrando mentes e corações, afastando pessoas queridas...

Por isso, em meio à indiferença que gera frieza, amargura e até revolta, tentemos cultivar o que é básico, essencial, primordial mesmo para uma vida mais leve e feliz: a gentileza!

Encontremos espaço e tempo para cultivá-la em nossas relações, exercitando-a em atitudes simples e possíveis.

Poderão parecer sem maior importância. No entanto, são preciosos momentos que podemos ofertar de nós, sem esforço algum.

Por exemplo, um olhar compreensivo ante o equívoco de alguém. Um abraço festivo. Um sorriso de contentamento.

A gentileza de permitir a pessoa atravessar a rua, enquanto aguardamos com nosso carro.

No ceder um lugar no transporte público. Pode ser a um idoso, uma senhora grávida, alguém com uma criança ao colo ou com muitas compras.

Na gratidão a um garçom, um frentista, um caixa de banco ou supermercado.

Pensemos em quantas horas eles devem permanecer em seus postos, atendendo e atendendo. Como se sentirão gratificados pela gentileza do nosso Muito obrigado.

Exercitemos a gentileza também no pedido de desculpas sincero. Afinal, quem não comete erros e faltas neste mundo?

No respeito a uma fila que já existia antes da nossa chegada, mesmo que estejamos com pressa pelo compromisso de logo mais.

Na paciência com alguém lento ou apressado.

Na mensagem otimista que compartilhamos sem excessos e neuroses.

Na ligação apenas para saber como o outro tem passado. Numa informação que damos, detendo o passo, atenciosos.

Numa qualidade que reconhecemos em alguém e com prazer verbalizamos para a própria pessoa.

Numa lágrima que discretamente enxugamos no rosto alheio. Num enxoval que silenciosamente providenciamos.

Numa planta que sem alarde regamos.

Numa alegria que dividimos.

Num café que oferecemos.

Numa oração por quem precisa.

No pão que podemos providenciar a quem tem fome.

No respeito a quem pensa e vive de um jeito diferente do nosso.

Na gratidão a quem nos beneficia.

No relevar a falta de um amigo.

No cuidado com um animal.

Tudo isso está ao nosso alcance fazer sem prejuízo para os nossos compromissos, investimentos, compras, viagens, tratamentos e redes sociais.

Basta que tenhamos vontade e julguemos importante o cultivo desse cuidado.

Não esperemos por governos, autoridades, líderes religiosos, guias, anjos, todos importantes em seus respectivos papéis entre nós.

Façamos antes a nossa parte e encontraremos a alegria e a paz que tanto desejamos, que não vêm por atacado. Elas chegam como a chuva fina, mansa e discreta, no grande varejo da nossa existência.

Redação do Momento Espírita, com base no texto Gentileza, de Cezar Braga Said. Em 7.5.2019.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Gentileza é instinto natural do ser humano

A gentileza é intuitiva e ser egoísta é uma escolha. A afirmação está em um artigo publicado pela Revista Galileu, no qual os pesquisadores dizem que a gentileza é um instinto natural do homem e que, quando paramos para pensar antes de tomar uma atitude, rechaçamos muitas vezes este instinto natural e escolhemos atitudes egoístas e não solidárias… talvez por isso tanta violência ao redor! 

Um outro estudo realizado na universidade americana de Yale aponta que o primeiro instinto das pessoas é cuidar e salvar os outros. A reportagem faz lembrar  o psicólogo humanista Carl Rogers, que nos fala que cada organismo, não importa em que nível, apresenta um fluxo implícito de movimento em direção à realização construtiva de possibilidades que lhe são inerentes. Chama esse processo de “tendência realizadora”.

Quer falemos de uma flor ou de uma árvore, de uma minhoca ou de um pássaro, de uma fruta ou de uma pessoa, há algo que pulsa para a sua manutenção, seu crescimento e sua reprodução… Esse algo é a própria natureza do processo a que chamamos vida, que está em ação em todas as ocasiões.

Claro que essa “tendência”, esse “instinto” pode ser frustrado ou desvirtuado, mas não pode ser destruído. Carl Rogers narra um episódio de sua infância: 

“A caixa em que armazenávamos nosso suprimento de batatas para o inverno era guardada no porão, vários pés abaixo de uma pequena janela. As condições eram desfavoráveis, mas as batatas começaram a germinar: eram brotos pálidos e brancos, tão diferentes dos rebentos verdes e sadios que as batatas produziam quando plantadas na terra, durante a primavera. Mas esses brotos tristes e esguios cresceram dois ou três pés em busca da luz distante da janela. Em seu crescimento bizarro e vão, esses brotos eram uma expressão desesperada da tendência…”

Da mesma forma que a gentileza é algo inato em nós, a tendência realizadora está presente em nosso ser, e mesmo quando as circunstâncias são desfavoráveis, algo nos impulsiona para crescer e ser. Que, a partir dos ensinamentos de Rogers, possamos conseguir ser a terra e não o porão escuro tentando abafar a busca pela luz que está em nós. Sejamos gentis finalmente.

Texto escrito por Flávio (CVV Brasília - DF), publicado no site da CVV

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ser gentil consigo mesmo

Muitas pessoas, diante de um erro por elas cometido, xingam a si mesmas, seja mental ou verbalmente. “Como sou burro/idiota/fraco”, costumam pensar ou dizer. Não raro, conferem a si próprias tratamento mais rígido do que teriam com familiares, amigos ou mesmo desconhecidos, cujas falhas até minimizam.

Para estas pessoas, qualquer desvio daquilo que pretendem realizar pode ser encarado com frustração. Não conseguem ser complacentes com metas não cumpridas em um dia ruim, têm dificuldade de aceitarem justificativas como cansaço físico ou mental ou de conhecer seus limites e identificar sua humanidade, que determinam que é impossível acertar e vencer obstáculos sempre.

Diante desta dinâmica, cada novo erro pode significar um novo ciclo de autoagressão e até desencadear a percepção de que se está sempre falhando, o que pode ter algumas consequências óbvias: a queda da autoestima e o desestímulo. Às vezes, se esquecem que para cada dia em que não seja possível cumprir as tarefas pode se seguir um outro para se recuperar da decepção e da punição autoimposta, em que pode haver uma perda enorme de energia e tempo.

Enquanto isso, quem acredita que é natural errar, que é comum a produtividade cair, que é humano ter cansaço, desmotivação ou até a pura preguiça, tende a encarar o dia seguinte com mais leveza, proporcionando-se uma nova oportunidade de acertar, sem o peso de débitos imaginários ou de prejuízos a serem recuperados de situações que não foram encerradas como se previa.

Para quem costuma ser muito autoexigente, mas compreensivo com o erro dos outros, pode ser necessário inverter o ditado do senso comum: tratar a si como trata aos outros e exercitar ser gentil consigo mesmo, para, afinal, adquirir o hábito de perdoar-se diariamente por ser falível e, assim, poder seguir em frente em novas tentativas.

Por Luiza - CVV Belém/PA postado no site do CVV.