segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Arthur Conan Doyle: O propagador do Espiritismo

O pai de Sherlock Holmes tinha profunda ligação com os espíritos.

Há 160 anos nascia o escritor escocês Arthur Conan Doyle. Há quem não o reconheça pelo nome, mas é bem difícil encontrar alguém que jamais tenha ouvido falar do personagem mais famoso inventado por ele: Sherlock Holmes.

Os romances policiais estrelados pelo detetive garantiram ao seu criador um lugar de destaque na história da literatura. O que pouca gente sabe, no entanto, é que Conan Doyle, além de brilhante romancista, também foi um dos mais aguerridos divulgadores do espiritismo.

Oriundo de uma família católica e educado por jesuítas, Conan Doyle nada tinha de espírita até os 28 anos de idade. Pelo contrário. Depois de se formar médico, em 1882, revelou-se um tremendo materialista. Renunciou não apenas ao catolicismo mas a toda e qualquer religião, passando a se autodenominar agnóstico - aquele que se julga incapaz de afirmar se Deus existe ou não.

Tudo mudou em 1887. Após visitar o amigo Alfred Wilkes Drayson, um importante astrônomo convertido ao kardecismo, Doyle voltou para casa quase convicto da existência de vida após a morte. "Ele não era homem de aceitar facilmente as coisas", afirma a pesquisadora Maria Aparecida Romano, em artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo. "Mas, diante dos seguros argumentos apresentados por Drayson, foi levado a meditar e ler algumas obras espíritas. Em pouco tempo, estava familiarizado com as verdades da nova doutrina."

O mergulho profundo na doutrina também foi causado pelo falecimento de muitos familiares.  Após as mortes de sua esposa Louisa (1906), do seu filho Kingsley (1912), do seu irmão Innes (1919) e de dois cunhados e dois netos após a Primeira Guerra Mundial, Doyle entrou em depressão, encontrando apoio nas sessões espíritas.

Semeador

Espiritismo, àquela altura, já não era novidade. O Livro dos Espíritos, no qual Allan Kardec estabelece os princípios da doutrina, já circulava havia 30 anos. Mas demonstrações de mediunidade, como as famosas sessões de mesas flutuantes, continuavam mobilizando corações e mentes. Doyle passou a frequentá-las.

Numa dessas reuniões, ainda desconfiado de que tudo não passava de trambique, perguntou às entidades que ali se manifestavam: "Quantas moedas tenho no bolso?" Ouviu como resposta uma desconcertante reprimenda: "Estamos aqui para instruir e elevar as almas, não para fazer adivinhações". Dali em diante, Doyle se entregaria ao estudo de fenômenos supostamente espirituais. E não apenas se converteria ao espiritismo. Ele se transformaria numa espécie de soldado da doutrina.

Nas décadas seguintes, o escritor alcançaria fama mundial com as aventuras de Sherlock Holmes. E colocaria todo o prestígio amealhado com elas a serviço de sua nova crença. Doyle atraiu multidões à dezenas de palestras doutrinárias. De 1915 em diante, praticamente abandonou a ficção - passou a escrever apenas obras espíritas.

A mais conhecida, História do Espiritismo (Pensamento), é um clássico — até hoje considerada um dos mais completos relatos sobre a origem e o desenvolvimento da doutrina. "Dada a projeção de seu nome", diz a pesquisadora Maria Aparecida, "deve-se a Arthur Conan Doyle parte da penetração do espiritismo em muitos países, notadamente aqueles de língua inglesa."

Elementar, meu caro Doyle

O envolvimento de Arthur Conan Doyle com o espiritismo rendeu problemas para quem não tinha nada a ver com isso: o detetive Holmes. Em 1929, a série de contos intitulada As Aventuras de Sherlock Holmes foi proibida na União Soviética, que acabava de comemorar os primeiros dez anos de revolução comunista.

Tudo porque em outra obra, História do Espiritismo, Doyle louvava fenômenos supostamente espirituais produzidos por médiuns como Eusapia Palladino. O escritor acabou acusado por Stálin de fazer propaganda do ocultismo, algo incompatível com o ateísmo de Estado que vigorava naquele país.

Site: UOL - Aventuras na História

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Em vez de cobrar, que tal motivar?

Já parou para pensar o quanto a cobrança nos aprisiona?

Esse texto gira em torno da palavra cobrar; e quando vou ao dicionário para ver o significado desse verbete, eu me assusto: “Receber ou tentar receber (dívida ou aquilo a que se tem direito)”. Até aí, beleza, mas quando continuo minha caça de significados, encontro este que me deixa pasmo: “Exigir de outrem (obrigação, cumprimento de palavra etc.)”.
Fico pensando no quanto de energia gastamos quando cobramos. Quando trazemos para nosso interior esse “cobrar” (receber, exigir, obrigar), temos de trabalhar com um monte de expectativas que tendem a nos levar a uma multidão de frustrações. Nessa hora, temos de parar e pensar: o certo seria mesmo “cobrar”?

Acredito que seria mais interessante “motivar”. Às vezes, a cobrança vem sem motivos, sem causas justificadas, sem destino certo. Outras vezes, encharcada por uma gama de sentimentos de inferioridade, insegurança, medo e carência. Ao passo que, quando motivo alguém, trabalho com expectativas. Nessa hora, parto do motivo, do real, e isso não agride. A motivação visa o bem; a cobrança, o interesse de alguém.

O ato de cobrar é interesseiro

Já parou para pensar o quanto a cobrança nos aprisiona? Tantas pessoas se cobram para ter um alto rendimento, mas, por se aprisionarem em tal situação, têm o mais baixo rendimento. Já vi pessoas se cobrarem tanto para tirar um “10” na prova – por isso, vivem uma angústia ao extremo –, mas acabam tirando uma nota 4, pois ficam presas à “expectativa de um 10”.

Pior é quando colocamos essa cobrança no outro, exigimos, colocamos metas e até obrigamos a pessoa a corresponder ao nosso “ego”, tornando-o prisioneiro de nossos desejos. Relacionamentos assim tendem mais à “explosão” que à verdadeira paixão.

A motivação visa o bem; a cobrança visa o interesse de alguém. Incentivar e entusiasmar não são tarefas fáceis, mas é possível as realizar. Todos nós trazemos certa dose de cobrança em nós. Já nascemos assim. Quando éramos crianças, chorávamos para “cobrar” o peito da mãe, o colo do pai, o brinquedo do irmão. Temos essa tendência, ela está em nós.

Quando surgir o impulso de cobrança, que tal escolher o caminho da motivação, do incentivo e do entusiasmo? O resultado será mil vezes mais satisfatório e livre. Pense: em vez de cobrar uma visita do seu namorado nos fins de semana, por que não o incentivar a estar mais com aqueles que moram com você? Em vez de cobrá-lo para conversar mais com sua mãe (a sogra!), por que não o motivar a descobrir nela virtudes até então escondidas?

A maneira com que levamos a vida pode fazer de nós e dos outros mais leves ou pesados. Fica a dica!

Em vez de cobrar, que tal motivar? A maneira como nos colocamos no mundo determina o lugar que ocupamos no coração de quem amamos!

Por Adriano Gonçalves, via Canção Nova. Texto publicado no site Aleteia.

05 de Novembro - Dia Nacional da Língua Portuguesa

Atualmente, a língua portuguesa é o 5º (quinto) idioma mais falado do planeta.

Origem do Dia Nacional da Língua Portuguesa

No Brasil, o Dia Nacional da Língua Portuguesa foi criado a partir do decreto de lei nº 11.310, de 12 de junho de 2006, estipulando a celebração para o dia 5 de novembro.

A escolha desta data é uma homenagem ao escritor e político brasileiro Ruy Barbosa, que nasceu em 5 de novembro de 1849, e é considerado um grande estudioso da língua portuguesa.

Ao todo, nove países têm o português como língua oficial ou dominante. São eles Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial. A língua portuguesa é o quarto idioma mais falado no mundo, atrás do mandarim, do espanhol e do inglês. 

A língua é utilizada por 261 milhões de pessoas. "O Dia Nacional da Língua Portuguesa e Cultura recorda a existência de uma herança histórica, cultural e linguística que une países com culturas bastante diversas. É importante celebrar e reafirmar a importância da língua portuguesa como meio de difusão da criação cultural entre os povos que falam português e de projeção internacional dos seus valores culturais”, afirma Rosângela Gomes (presidente da Rede de Mulheres Parlamentares da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)).

Fonte: Site Calendarr e Câmara dos Deputados.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

“O outro par” - curta inspirado na historia de Ghandi ganhou prêmio no Festival de Cinema

A diretora tem 20 anos de idade, Sara Rozik. O filme retrata a Lei do retorno. Faça pelo outro o que gostaria que fizesse por você. Mas sem esperar que o outro retribua.

O filme egípcio “O OUTRO PAR”, com apenas 2 minutos de duração, ganhou o prêmio de melhor curta no Festival de Luxor, em 2014.

A diretora tem 20 anos de idade,Sara Rozik. O filme retrata a Lei do retorno. Faça pelo outro o que gostaria que fizesse por você. Mas sem esperar que o outro retribua.

A obra de Sara Rozik foi inspirada por um verdadeiro incidente que envolveu Mahatma Gandhi.

Ghandi, nas suas memórias, lembra que certo dia, ao entrar num comboio na Índia, escorregou e perdeu um sapato . Para espanto dos seus companheiros, ele calmamente tirou o outro sapato e lançou-o para o cais de forma a cair perto do primeiro, enquanto o comboio se afastava da estação. Um passageiro perguntou-lhe porque fez isso. Gandhi sorriu e disse: – Se um homem pobre encontrar apenas um sapato de nada lhe servirá. Agora ele terá um par, que eu tive a honra de doar.

O curta-metragem desenvolve-se em torno de um menino pobre com um velho chinelo quebrado, mas ele tenta consertar, pois essa é a única forma pela qual ele conseguirá andar sem ferir o seu pé.

Cansado, o menino senta-se no fim de tentar consertá-lo, sem sucesso, quando algo inesperado acontece…


Fonte: Site Bem Mais Mulher

O Papel do Brasil no Acolhimento dos Povos

Apesar da grave crise política e econômica que abate o Brasil, o país é reconhecido por ter um povo receptivo e acolhedor.

Embora falte estrutura e política pública para tanto, em meio ao crescimento da crise dos refugiados, que tem atingido milhares de pessoas de diversas partes do mundo, como Síria, Afeganistão, e países do Oriente Médio e da África, em decorrência de conflitos, guerras, perseguições e grandes catástrofes, qual tem sido o papel do Brasil no acolhimentos dos povos?

Segundo dados das Nações Unidas para Refugiados, o Brasil tem se destacado pela generosidade que tem recebido esses povos, apesar de não estar na lista dos países que mais acolhem refugiados, até pela questão geográfica distante das zonas de conflitos.

Diante desse difícil momento que vive o planeta, cercado de sofrimentos de diversas ordens, buscamos compreender o papel do Brasil do ponto de vista espiritual. Destacada no livro

Coração do Mundo Pátria do Evangelho,  de Humberto de Campos por Chico Xavier, como uma nação pacífica que tem como capacidade acolher povos de diferentes nacionalidades.

A obra se refere ainda quanto a missão do Brasil em amar e amparar seus irmãos de jornada,  permitindo que o amor ao próximo e a solidariedade possam se sobressair além das fronteiras físicas: “As injunções políticas terão nela atividades secundárias, porque, acima de todas as coisas, em seu solo santificado e exuberante estará o sinal da fraternidade universal, unindo todos os espíritos”.

Descrita como a Pátria do Evangelho pelos espíritos de luz, somos convocados a missão de paz guiados por um comando invisível no limiar de um novo tempo. Vivemos um momento de grande transição entre combates coletivos e individuais, nos quais necessitamos nos direcionar pelos ensinamentos do Cristo para que sejamos capazes de vencer o egoísmo, que ainda nos separa, pois o flagelo da destruição reflete o desequilíbrio dos homens.

É preciso um olhar profundo para compreender de fato o significado dos momentos de crise como oportunidade de crescimento interior. Pela luz do Espiritismo compreendemos que por meio da Lei da Reencarnação, retornamos diversas vezes, vivenciando diferentes papeis, ou seja, um dia poderemos estar no lugar daqueles que hoje pedem socorro.

Voltando ao papel do Brasil no acolhimento dos povos,  a função histórica do Brasil no mundo, especialmente em relação à esperada nova civilização do Terceiro Milênio: “O Brasil pela bondade de seu povo, pela vastidão de seu território, por seu desenvolvimento agrícola e industrial é, no momento desta narrativa, a maior potência do mundo. Seu território está apto a receber inúmeras levas de emigrados, os quais, no contato com sua natureza prodigiosa, se recuperarão do traumatismo provocado pela guerra e integração o seu patrimônio humano”. (Livro Brasil de Amanhã)

Erika Silveira para o site Portal do Espírito

Prece fitness (humor e espiritismo)

Alberto resolveu começar a ser “fitness” logo na Páscoa, quando mais nos ronda aquele obsessor calórico: o chocolate… Por isso faz uma prece tentando convencer Deus a dar-lhe uma mãozinha nessa nova empreitada.

O Corpo Físico é uma ferramenta incrível que nos é concedida em cada encarnação para utilizarmos em nossa evolução espiritual, e para que possamos aproveitá-lo ao máximo, demonstrando assim nossa gratidão a Deus por essa dádiva, temos que cuidar dele muito bem. Praticando exercícios regularmente, mantendo uma alimentação saudável, evitando excessos. Ser gordinho não é um problema desde que a saúde esteja em dia.

Vídeo postado no Canal no Youtube Amigos da Luz


domingo, 3 de novembro de 2019

Desafios existenciais

O maior desafio da existência física é o bem viver.

A maioria das pessoas permanece sempre preocupada em viver bem, isto é: ser detentora de coisas, como uma residência confortável com piscina e espaço para recreação; um automóvel de preferência importado; um novo celular, equivale dizer, o mais recente; situação agradável na vida social; destaque e poder… Para consegui-lo, investe todos os esforços, mesmo aqueles que não são éticos, porque os seus são direitos inalienáveis, e quando algo acontece com características desagradáveis, logo, aborrecendo-se, interroga: Por que eu?

Nunca se preocupando em formular a pergunta em razão das ambiciosas situações de destaque, de imediato precipita-se no rumo do desgosto ou da revolta.

Seria o caso, entretanto, de inquirir de maneira quase igual, indagando-se: Por que não eu?

Todos fazemos parte do organismo social em processo de evolução, sujeitos às mesmas ocorrências nos mais diferentes estágios vivenciais.

A imaturidade psicológica e o egoísmo que predominam na coletividade humana são os responsáveis pelos comportamentos esdrúxulos e especiais que cada um deseja permitir-se, sem facultar aos demais as mesmas condições.

Manter a existência em clima de bem-estar constitui grave questão que exige esforço mental, moral e físico.

Vivemos em uma sociedade imediatista cuja formação espiritual é baseada em interesses do próprio indivíduo, que se não dá conta dos deveres para com o próximo e a Natureza. Em consequência, as suas são aspirações relativamente mesquinhas, porque destituídas de valores que engrandecem a vida.

Na atualidade, quando a violência toma corpo em cada atitude e as paixões de baixo nível são cultivadas com empenho, o ser humano perde o sentido existencial e desnorteia-se.

As aspirações do bom, do bem e do belo cedem lugar ao individualismo perverso, ao consumismo alucinado e ao exibicionismo que aliena.

Cada qual pensa em sobreviver de qualquer forma e o seu próximo é, sem dúvida, um inimigo em potencial.

O excesso de tecnologia desvaloriza o esforço pessoal nos relacionamentos e somente se pensa em aproveitar a oportunidade para fruir prazer, apesar da insegurança pessoal e do medo subsequente.

As várias expressões filosóficas, inclusive as pessimistas, abraçando o materialismo, reduziram o indivíduo à condição de fruto do acaso e ele somente deseja viver bem, mesmo que, momentaneamente.

É indispensável que se faça uma revolução espiritual urgente em busca de sentido moral e se terá como objetivo bem viver, isto é: respeitar a vida e torná-la ditosa sob a luz meridiana do amor conforme Jesus nos apresentou e viveu.

Divaldo Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 19 de setembro 2019 republicado no Blog Espiritismo na Rede.

O Ciclo das Emoções

As emoções básicas do ser humano devem ser canalizadas de forma saudável

Ter inteligência emocional pode ser considerado a habilidade do século, tanto na vida pessoal quanto profissional. Conhecer as emoções dos outros e as suas próprias pode lhe ajudar a canalizar e controlar seu desempenho em diversas situações.

“Saber como agir, mesmo que com base na emoção, também é algo que deve ser treinado e pode melhorar nosso humor e autoestima”, conta Leandro Cunha, Especialista em inteligência emocional e terapeuta comportamental.

Para entender melhor as emoções, é possível olhar o ciclo básico, constituído das cinco principais: medo, raiva, tristeza, alegria e amor. Hoje em dia, emoções como o medo estão presentes em excesso.

“O medo de errar, de se frustar, ainda é muito presente. A partir do momento em que não se consegue controlar esse medo, e sim o contrário, a raiva aparece”, relata.

A raiva também precisa ser canalizada, usada em situações que podem ser produtivas para você, como na academia, para extravasar a emoção. Caso isso não aconteça e a raiva continue acumulada interiormente, a próxima emoção do ciclo é a tristeza.

“Essa tristeza que vem após a raiva, derivada do medo em excesso, é perigosa. Nesse momento, é a hora de fazer um esforço para interiorizar o reverso disso, a alegria”, explica Leandro.

Trabalhar a alegria é trabalhar sua criança interior. “A criança é aquela que já viveu mais momentos de alegria, precisamos resgatá-la. Fazer com que ela caminhe com o adulto é o que traz alegria e, em seguida, a última emoção do ciclo”, comenta.

Ao estar cercado daqueles que sentem o amor e ter interação com essas pessoas, você se encaixa em um círculo estável e emocionalmente seguro.

“Todos passamos por esse ciclo várias vezes durante a vida, é imprescindível voltarmos sempre ao amor, para manter nossa saúde. Entender e saber como agir dentro do ciclo aumenta a autoestima e autoconfiança, reduz conflitos de relacionamento e melhora o seu autocontrole, para que as emoções fluam tranquilamente”, finaliza o especialista.

Leandro Cunha (treinador em Inteligência emocional e Espiritual e presidente da FBIE - Fundação Brasileira de inteligência emocional) 

Por Verônica Pacheco para o site SEGS.

Perdoar, para além das religiões, pode ser benéfico ao coração

Pesquisa evidencia relação entre a dificuldade de perdoar e ocorrências de infarto agudo do miocárdio

Perdoais-nos as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido. A frase repetida há milhares de anos durante a oração cristã traz, na verdade, um tema importante e recorrente dentro do ambiente religioso em geral: o perdão. O assunto, porém, tem transbordado dos templos ou igrejas para adentrar o mundo acadêmico.  

Tanto que estudos e pesquisas já mostram que o ato de perdoar pode garantir maior qualidade de vida e mais saúde para o coração. Uma pesquisa apresentada este ano no 40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) aponta relação entre a dificuldade de perdoar e ocorrências de infarto agudo do miocárdio.

Responsável pelo estudo, a psicanalista Suzana Avezum explica que separou dois grupos comparáveis. Um de infartados e outro de saudáveis. Eles passaram por testes e responderam a questionários e a conclusão foi que o grupo de pessoas que tinham sofrido infarto tinha uma menor disposição para perdoar. Enquanto os mais sadios tinham uma espiritualidade maior.  

Segundo Suzana, a espiritualidade interfere de maneira positiva em relação à disposição de perdoar. No entanto, a psicanalista alerta que o termo não deve ser confundido com religiosidade. Na espiritualidade, a pessoa busca um sentido para a vida e uma relação de harmonia consigo mesma e com os outros. Religiosidade tem a ver com dogmas, a pessoa segue uma religião, frequenta algum culto ou templo, explica ela.  

O mecanismo 

“Nosso cérebro está preparado para deixar nosso corpo pronto para se defender quando se sente ameaçado. Nos preparamos para atacar ou para fugir”, diz Suzana. Quando alguém nos faz algo ruim, ainda que não seja em nível físico, nosso cérebro interpreta como ataque e libera hormônios como adrenalina e cortisol para nos deixar em alerta. 

“O cérebro não tem calendário. Então, imagine você ao longo dos dias remoendo uma situação na qual você considera que alguém te fez mal, alimentando raiva e mágoa. E seu cérebro e corpo revivendo isso e liberando esses hormônios”, pondera Suzana. 

Segundo ela, perdoar é uma atitude mental em que o indivíduo abre mão da vingança, da raiva e da mágoa de quem lhe fez mal. Livrar a mente desses sentimentos é uma maneira de proteger o coração. 

Em seu estudo, Suzana cita que outras pesquisas já vêm associando a falta de perdão e ruminação da mágoa com a ocorrência de afetividade negativa, como raiva, estresse e depressão. Tais sentimentos podem ter efeito adverso na circulação sanguínea no coração e provocar o aumento da pressão arterial. 

O corpo é um 

Para José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), cada vez mais a Medicina tem se relacionado com a espiritualidade. “Temos evidências de que a paz, a tranquilidade e a alegria fazem bem ao cérebro, coração. Ao corpo de forma geral. Afinal de contas, o corpo é um só”. 

De certa forma, as expressões populares que ligam o coração às emoções fazem sentido: explode coração, coração partido, o coração não vai aguentar. “De forma geral nosso corpo está interligado e nossos pensamentos e nossas emoções também influenciam na saúde física”. 

Fonte: Site A Tribuna, escrito por Tatiane Calixto

Religiões interpretam a morte para compreender a vida

Diferentes culturas traduzem os momentos finais da vida como novos ciclos. As religiões amenizam o sofrimento ao defender o entendimento da morte como um percurso natural da existência

Em vida, pouco tempo é dispensado em pensamentos sobre a morte. A ideia assume um tom mórbido. A finitude acaba sendo esquecida e distanciada da realidade, quando, de fato, é parte obrigatória da própria existência humana.

No Dia de Finados, a sociedade é confrontada com essa percepção, seja no desejo de homenagear entes queridos que se foram ou ao observar a movimentação na cidade, que ganha um fluxo diferente dos demais com as muitas visitas aos cemitérios. A data é marcada no calendário católico, mas seu simbolismo também reverbera por outras religiões. Dentre tantas, sete têm em comum a ressignificação da morte, e oferecem amparo aos fiéis em momentos de luto.

Ao invés de um motivo para tristeza, a morte pode ser uma oportunidade de celebrar o que foi feito de bom durante a vida. Essa é a interpretação budista, conforme explica Gislene Macêdo, que atua como facilitadora no Centro de Estudos Budistas Bodisatva (Cebb), no bairro Meireles.

Falar sobre a morte, na perspectiva budista, significa abordar também a forma como se vive. Ao viver de um modo bom - ou seja, trazer benefícios aos seres e não causar sofrimento - o momento da morte é acompanhado da sensação de dever cumprido, permitindo que as pessoas "se desprendam do corpo de forma mais suave". Os praticantes do budismo acreditam na possibilidade de renascer.

Gislene Macêdo considera que a morte nos coloca diante da "impermanência". A facilitadora recomenda refletir enquanto há tempo. "Não pensamos que vamos morrer, a gente tende a ignorar esse fato. Vivemos como se não houvesse amanhã. Aprendendo a morrer, a gente aprende também a viver", explica.

Reencarnação

O aprendizado marcou o processo de identificação de Fernando Bezerra com o espiritismo. O vice-presidente do Instituto de Cultura Espírita do Ceará (ICE) cita a prática do bem, da caridade ao outro, e entender o próximo como irmão, independentemente do pensamento religioso, como os fatores que mais o atraíram durante o primeiro contato com a religião.

"Foi a doutrina espírita que me deu uma ideia muito mais abrangente das religiões que existem no nosso planeta, e entender cada uma delas como fase nossa de aprendizado", diz. No espiritismo, não há um culto à morte ou desapego à vida. O objetivo, segundo Fernando, é entender o que representa a vida física para o seu processo de evolução como espírito. "A morte, para o espírita, é uma transformação. Ele sai da vida física e vai para a vida espiritual. A separação daqueles que se amam, no mundo das formas, faz parte de um processo natural".

Embora a saudade atinja o espírita como a qualquer outra pessoa, por compreender a doutrina, o praticante não se desespera, nem se sente "injustiçado perante as leis divinas". Entende que a morte é uma passagem de grande importância para o desenvolvimento espiritual.