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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

'Nunca campanha de prevenção ao suicídio se tornou tão necessária', diz profissional da saúde

Estamos no 'Setembro Amarelo', e nunca na história este tema se tornou tão relevante como no momento de pandemia que vivemos. A campanha iniciada em 2015 no Brasil escolheu o mês de setembro para conscientizar e ajudar com a prevenção e evitar que a depressão leve ao suicídio.

Após relatos de suicídios relacionados com o coronavírus e o confinamento a ele associado, o neurocientista, psicanalista  e especialista em estudos da mente humana, Fabiano de Abreu, foi contactado. Depois de ter confirmado que o número de casos de depressão se acentuou com esta crise psicológica da pandemia, o pesquisador logo concentrou-se em pesquisas e análises para avaliar o que ele já previa ocorrer.

“Eu já temia a possibilidade de que pessoas com depressão e/ou ansiedade potencializada, no confinamento, sendo bombardeadas com notícias ruins e a má utilização da ansiedade, poderiam piorar o quadro depressivo ou chegar nele; e ter um aumento no número de suicídios. Tomando ciência do ocorrido, reuni o meu grupo de pesquisa para tentarmos contribuir de alguma maneira para que isso não eleve mais ainda o número de mortos por causa do coronavírus, seja diretamente ou indiretamente".

Pessoas com uma ansiedade potencializada e contínua podem entrar em depressão e pessoas em depressão têm maior risco de suicídio. O risco é maior na vigência da doença e de comorbidades. "Estamos imersos num cenário de incertezas e elas geram medos e angústias. É importante cuidar do equilíbrio emocional a fim de evitar ações definitivas para problemas transitórios. O suicídio não é solução e sim mais um problema de saúde pública a ser tratado", enfatiza o médico.

Confira algumas dicas para as pessoas que estão passando por problemas como depressão e transtorno de ansiedade

1. Mantenha o tratamento psicoterápico on-line, a maioria dos profissionais trabalham nessa modalidade.


2. Se faz uso de medicação, siga corretamente a prescrição médica. Não aumente a dosagem, nem faça desmame por conta própria.



3. Se a sua medicação está no fim, entre em contato com o seu psiquiatra, todos estão a trabalhar sob novos protocolos.


4. Mantenha-se informado somente por vias sérias e éticas de notícias. Evite “fake news”.

5. Trabalhe a sua respiração através da meditação. A respiração consciente e ritmada, mantém a homeostase do corpo.

6. Durma bem, o sono fisiológico possibilita uma “psicoprofilaxia”, filtragem e limpeza de metabólitos cerebrais.

7. Mantenha uma alimentação equilibrada. Alimentos funcionais, menos processados e coloridos. “Descasque mais e desembrulhe menos”

8. Beba água, mantenha-se hidratado para o melhor funcionamento de todo o sistema de filtragem e eliminação, mantendo o organismo em bom funcionamento.

9. Use a criatividade e o espaço possível para uma atividade física que goste.

10. Evite excesso de álcool, evite drogas. Mantenha-se lúcido.

11. Mantenha a rotina, isso faz com que você continue orientado no tempo.

12. Desenvolva um plano, e faça um planejamento para realizar uma “comemoração” quando tudo isso passar. 

13. Traga para sua mente bons pensamentos e boas emoções. O que nós pensamos nós sentimos.

14. Sinta-se pertencendo a um grupo, o sentimento de pertença traz-nos importância.

15. Faça chamadas de vídeo ou mesmo videoconferência para reunir os amigos.

16. Não falta tempo, por isso organize a casa, os armários, leia os livros que guardou na estante, assista aos filmes e as séries que queria e não tinha “tempo”. Descubra algum talento oculto e use como terapia ocupacional.


Para casos mais graves em que tenha ocorrido uma tentativa ou pensamentos de suicídio, trabalhe na “redução de danos”, seguindo orientações básicas:



1. Seja presente de forma integral na vida do sujeito portador do transtorno - depressão.


2. Aproxime-se de pessoas que estão em sofrimento emocional/psicológico.


3. Ofereça conversa com escuta de qualidade.

4. Conduza a conversa até perceber que a pessoa está segura e confiando em si.


5. Pergunte abertamente se ela já pensou na própria morte.

6. Com o terreno preparado, pergunte se ela já pensou em tirar a própria vida.

7. Pergunte que método ela escolheria e por que seria assim?

8. Deixe-a falar, chorar, contar todo o seu plano.

9. Após tomar conhecimento da idealização e do planeamento, mostra-se solidário.

10. Compreenda “sem julgar”, a partir daí ofereça um “pacto ou um contrato de preservação” à vida.

11. O desafio e a confissão trazem alívio. Deixando a pessoa com o recurso de procurar ajuda naquele confidente ou num grupo de ajuda.

12. Quando nos esvaziamos desse sentimento de angústia e desesperança, começamos a valorizar a vida.

13. Ter alguém que guarda o nosso segredo conecta-nos a um outro ser. Esse sentimento de confiança forma um elo e traz motivação para superar o momento.

14. Ter ciência do plano e do planeamento para a execução, podendo tirar da pessoa a ferramenta que ela utilizaria.

15. Recolha a medicação, retire o que puder ser feito de corda, lâminas cortantes, e não deixe a pessoa sozinha. 

16. A presença traz a companhia e inibe a tentativa de atentar contra a própria vida

Site Gazeta Digital

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Com mensagem, voluntários tentam reduzir casos de suicídio

Além de uma faixa, grupo também deixou no local exemplares de livros sobre o espiritismo

Um grupo de voluntários realizou na quinta-feira (16) uma ação para tentar reduzir o número de suicídios no Portão do Inferno, ponto de visitação na Rodovia MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

A ação consiste na colocação, no parapeito do mirante, de uma faixa com os seguintes dizeres: “Você é precioso, não desista”.

Além disso, também sobre o parapeito, eles deixaram livros sobre o espiritismo, de autoria de Allan Kardec, o grande propagador da doutrina.

“Vamos falar disso...Vamos falar da ilusão do espírito que sofre, que acredita que mergulhando aqui, encontrará liberdade para seu cativeiro de provas”, diz um texto publicado pela voluntária Luciana Portela no Facebook.

Até a manhã desta sexta-feira (17) a publicação já havia sido compartilhada por 2,6 mil internautas.

“Vamos falar da necessidade de orar neste local, que já foi e ainda é palco para tantas mortes, a maioria através do suicídio”, diz a publicação. “Todos numa corrente vamos mudar a energia deste local, e rogando a Deus que as almas que sofrem, que encontrem a resignação nas suas palavras e não na morte física”.

Casos

Os suicídios são comuns no Portão do Inferno. O último caso envolveu o jovem Nicolas Ribeiro, de 25 anos, no dia 9 de janeiro.

Ajuda

O CVV atende todos os dias da semana, 24 horas por dia, pelo telefone 188, por e-mail, chat ou serviço voip com total sigilo e de forma gratuita. O CVV Cuiabá realiza ainda diversas ações presenciais através do Programa CVV Comunidade, que leva palestras de orientação, cursos e rodas de conversa para as comunidades, escolas e instituições.

Além disso, o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (CVV GASS) fornece apoio emocional aos sobreviventes e familiares. As reuniões ocorrem todas as quintas-feiras a partir das 19h30 na sede do CVV Cuiabá.

Mais informações no www.cvv.org.br.

Fonte: Site MidiaNews

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

O esgotamento emocional e os conselhos espirituais

Nossa saúde emocional precisa ser tratada com responsabilidade.

A mente humana é extremamente complexa. Apesar de termos nos desenvolvido tanto em diversas áreas, pouco sabemos sobre nossa mente, desdenhamos daquilo que deveríamos ter maior atenção.

Por conta disso, nossa saúde mental está fragilizada e as consequências são terríveis. Nunca na história houve tantos casos de pessoas sofrendo com doenças psicossomáticas, levando inclusive a tentarem contra a própria vida.

Escrevi recentemente a respeito do suicídio, que considero ser a busca desesperada para fugir de uma dor intensa e incompreendida. Quando alguém pensa em dar fim a própria vida, já perdeu o sentido existencial.

Isso acontece por ter, em algum momento, negligenciado o cuidado consigo mesmo. Deixou de prestar atenção ao seu “coração”, permitindo que sua saúde mental ficasse debilitada.

Uma mente inquieta, que não consegue desacelerar e admirar as coisas belas da vida, terá como resultado o esgotamento emocional. Esse esgotamento pode ser confundido com cansaço físico.

Estresse, dores musculares e de cabeça, fadiga, baixa perspectiva e problemas para lidar com as emoções podem ser sinal de esgotamento emocional.


(...)


É preciso aprender a proteger a emoção, lidar com estímulos estressantes e impedir que sentimentos negativos venham a prejudicar nossa qualidade de vida.

Nossa saúde emocional precisa ser tratada com responsabilidade, administrando as tensões e pressões diárias, além de uma boa gestão de sensações negativas.

Como diz a Palavra de Deus: “A boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6.45). Por isso é bom evitar o ódio, as contendas e discussões. Nossa emoção é afetada por essas coisas, que consequentemente prejudicam nossa saúde emocional.

As consequências do esgotamento emocional são:

Insônia ou o sono não é reparador;
Baixa produtividade no trabalho;
Pouco prazer nas atividades;
Dores de cabeça e musculares;
Descontrole emocional;
Pessimismo e baixa perspectiva;

Atenção ao emocional e espiritual. O corpo é uma tríade: corpo, mente e espírito. Cuidemos de todos!

Trechos do texto de Abner Ferreira para o site Gospel Prime

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Lançado guia de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes

Foi lançado, no fim de agosto, o Guia Intersetorial de Prevenção do Comportamento Suicida em Crianças e Adolescentes. A publicação é da Secretaria da Saúde em parceria com outras secretarias do Estado e entidades que fazem parte do Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio. 

O lançamento ocorreu durante o seminário “Autolesão e Comportamento Suicida na Infância e Adolescência: Prevenção e Pósvenção”, que é uma das atividades que marcam a programação do Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

O guia visa orientar profissionais da saúde, educação, assistência social segurança pública e conselho tutelar sobre o tema. O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que pode afetar indivíduos de diferentes origens, faixas etárias, condições socioeconômicas, orientações sexuais e identidades de gênero. Contudo, ele pode ser prevenido, e saber reconhecer os sinais de alerta é o primeiro passo. No caso de crianças e adolescentes, a sua situação peculiar de desenvolvimento exige ações que possam apoiá-los nesta fase e que contribuam para a prevenção da violência interpessoal e da violência autoprovocada.

O material está disponível em formato digital aqui.

Sinais de alerta e fatores de risco

O médico da família e comunidade André Luís Bendl descreve alguns sinais de alerta do comportamento suicida, entre eles:

- Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança;

- Expressão de ideias ou intenções suicidas;

- Diminuição ou ausência de autocuidado;

- Mudanças na alimentação e/ou hábitos de sono;

- Uso abusivo de drogas/álcool;

- Alterações nos níveis de atividade ou de humor;

- Crescente isolamento de amigos e família;

- Diminuição do rendimento escolar;

- Autoagressão;

- Mudanças no vestuário para cobrir partes do corpo (por exemplo, vestindo blusas de manga comprida) e

- Relutância em participar de atividades físicas que antes eram apreciadas, particularmente aquelas que envolvem o uso de shorts ou roupas de banho, por exemplo.

Também são fatores de risco:

- Histórico de tentativas de suicídio ou autoagressão;

- Histórico de transtorno mental;

- Bullying (e/ou cyberbullying);

- Violência intra ou extrafamiliar;

- História de abuso sexual;

- Suicídio(s) na família;

- Baixa autoestima;

- Uso de álcool e outras drogas;

- Populações vulneráveis a pressões sociais e discriminação (LGBTI+, indígenas, negros/as, situação de rua, entre outros).

 André também aponta importantes ações de prevenção que podem ser usadas no cuidado a essas pessoas, como a redução do acesso a métodos de suicídio, treinamento e atualizações das equipes de saúde, melhora da rede de atendimento e controle de bebidas alcoólicas. Por outro lado, o médico também ressaltou que há ações de prevenção com efeito contrário, sendo na verdade prejudiciais.

O que evitar:

- Evite romantizar ou glorificar o suicídio;

- Não dê detalhes excessivos sobre como o evento ocorreu;

- Não descreva o ato como corajoso ou racional;

- Não criar espaços de homenagens ou dedicatórias a pessoa que morreu;

- Reconheça a perda e as dificuldades, mas evite mudar a rotina o máximo possível;

- Evite grandes reuniões em massa focando no caso.

Informações do site da Secretaria de Saúde do RS

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Ouvir uns aos outros

Em razão dos altos índices de suicídio, resolvemos, já há alguns anos, estudar mais profundamente o tema. Então, escrevemos, junto com dois amigos, Arlindo e Alfredo, o livro Evite a rota do suicídio, mas não paramos por aí no estudo que aborda a temática, e, após o livro, comecei a distribuir um questionário para que aqueles que pensam no autoextermínio respondam, e, então, a partir das respostas, elaborarmos estratégias para, quem sabe, diminuir a dor de quem pensa em suicídio e evitar a extrema atitude.

Uma das perguntas que faço é quanto ao tipo de problema que a pessoa mais tem dificuldade em lidar. Relacionamento amoroso, familiar, problema profissional, financeiro, de saúde ou outros? Qual seria o problema que mais apoquenta e gera intranquilidade à alma humana?

A esmagadora maioria das respostas aponta que o problema mais difícil de lidar é o familiar. Problemas financeiros aparecem atrás do familiar e relacionamento amoroso. Considero, ao menos curioso, o fato de problema de saúde ter sido pouco citado. Falemos, então, deste agente gerador de sofrimento que são os problemas familiares e que colaboram para que a ideia suicida se faça mais presente na sociedade.

A família é o ponto fundamental para nosso desenvolvimento como seres em evolução. É na família que experimentamos as primeiras noções de afeto, disciplina, organização, vivência e troca de experiências com o outro. A família prepara-nos para viver em sociedade. É na família, ou ao menos deveria ser na família, que descansamos nossa cabeça fatigada pelas lutas e embates do dia a dia, próprios de um mundo de expiação e provas.

Porém, quando na família encontramos rejeição, censura, falta de afeto, tendemos a deixar com que a amargura ganhe espaço em nossa existência. Ficamos ressentidos, e isto, ao longo dos anos, toma uma proporção tão grande que, claro, aliado a outros fatores, faz com que a ideia suicida comece a fazer morada em nossa casa mental.

Na questão 775 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga aos Espíritos que o assistiam sobre o resultado do relaxamento dos laços de família, ou seja, a perda desta referência familiar, e os Espíritos respondem que seria o aumento do egoísmo. O raciocínio pode ser aplicado da seguinte forma: ao apertar os laços de família aumentamos o nosso pensar no outro, proporcionando aos familiares aquilo que a família deve ser: local de aprender e reconforto diante das provas cotidianas.

Uma família atuante, que, como se diz no jargão popular, está “colada”, é um dos fatores que faz com que as pessoas se sintam amadas, queridas, tenham um ouvido amigo para desabafar e, este, naturalmente, é um fator que ajuda na prevenção ao suicídio.

Óbvio que não se pode colocar nas “costas” da família a responsabilidade pelos suicídios que abundam nos quatro cantos do mundo, mas é inegável que uma boa família, com problemas naturais, mas que aperta os laços de convivência e foca no amor de uns para com os outros, oferece mais condições para uma vida menos sofrida.

Talvez você que teve um familiar vitimado pelo suicídio se sinta chateado com este texto, todavia, peço que não o encare como uma forma de censura ou crítica, porque, como dito acima, há fatores e fatores que levam o indivíduo a cogitar do suicídio, tais como os transtornos mentais, problemas relacionados ao uso de drogas e uma gama de outras coisas.

A ideia aqui é, por meio deste estudo realizado, mostrar que o problema mais difícil que a maioria das pessoas enfrenta é o problema familiar, e que, segundo os Espíritos, nós podemos estreitar esses laços de família para que as pessoas se sintam agasalhadas pelo amor e escutadas em suas questões fundamentais.

Se uma vida sem problemas é impossível, que ao menos possamos estreitar os laços de família e “ouvir uns aos outros”, deixando a existência um pouco mais leve e saborosa de se levar.

Por Wellington Balbo publicado no site O Consolador.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Juventude, depressão e mocidade espírita

É primordial que as mocidades espíritas tratem desse assunto, para que os jovens se sintam acolhidos e vejam que ali é um lugar em que eles podem confiar e buscar ajuda quando precisarem

É comum conhecermos pessoas, amigos ou familiares, que já relataram ter um quadro de depressão, visto que os índices vêm aumentando nos últimos tempos. Algumas pesquisas apontam que 300 milhões de pessoas sofram dessa doença no mundo, e só no Brasil 5,8% da população têm depressão — algo em torno de 11,5 milhões de pessoas.

Quando analisados esses dados causam-nos até um choque, mas são reais e precisamos ficar atentos quanto a essa realidade. Alguns estudos vão além: dizem que 800 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, sendo que esse tipo de morte é a quarta que mais mata entre jovens de 19 a 29 anos, sendo, na maior parte dos casos, vinculada a sintomas depressivos.

Este cenário pede para nós, jovens e casas espíritas, uma atenção especial. Lá no livro Obras Póstumas veremos um pequeno parágrafo no item intitulado “Regeneração da Humanidade”, que fará referência a essa situação. Vou colocá-lo na íntegra.

“E, como se não se operasse com bastante rapidez a destruição, os suicídios se multiplicarão em proporções inauditas, até entre as crianças. A loucura jamais terá atingido tão grande quantidade de homens que, antes mesmo de morrerem, estarão riscados do número dos vivos. São esses os verdadeiros sinais dos tempos e tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, como já o dissemos, sem que haja a mais ligeira derrogação das leis da Natureza.”

Vemos aqui um alerta para Humanidade no que diz respeito ao período de transição por que estamos passando. Nele enfrentaremos problemas sociais e de saúde enormes. E por meio das pesquisas citadas podemos verificar que esse momento de regeneração chegou.

Mas, e aí? Qual a nossa postura? O que devemos fazer?

Acredito que devemos primeiramente conhecer e estudar sobre depressão nos adultos e nos jovens, porque apesar de apresentarem sintomas muito próximos, existem algumas peculiaridades de cada idade. Além disso, é fundamental saber quais terapêuticas existem para auxiliar nesse transtorno, a fim de que possamos indicá-las às pessoas que chegam na casa espírita com algum sintoma.

Isso tudo serve para que possamos melhor acolher aqueles corações que vão até os centros espíritas, porque, infelizmente, muitas pessoas não entendem que a depressão é uma doença real e que exige tratamento, e acabam por negligenciá-la.

O nosso preparo, com as alternativas que a medicina nos oferece de tratamento, aliado ao conhecimento e o tratamento espírita, podem evitar que esses suicídios venham a ocorrer. Por isso, é importante que esclareçamos as pessoas quanto a alguns pontos principais da Doutrina Espírita, como o conhecimento e entendimento de Deus, a nossa realidade espiritual e a Lei de Reencarnação, além de indicar passes, estudos e palestras, para que se construa uma conexão com os Espíritos amigos.

E no que diz respeito à juventude, é primordial que as mocidades espíritas tratem desse assunto, para que os jovens se sintam acolhidos e vejam que ali é um lugar em que eles podem confiar e buscar ajuda quando precisarem. Porque é no movimento jovem que são construídas amizades que nos dão sustento para os momentos difíceis e que podemos levar para a vida toda.

Portanto, o Espiritismo e o movimento espírita têm um papel importante nesse período de transição, pois esclarecem as pessoas quanto à realidade da vida e de Deus, consolando os corações nas horas de aflição.

Fonte: site da Revista O Clarim, por Frederico Sales da Silva (fredericosaless@gmail.com) em 01/05/2019

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Suicídio Inconsciente

É sempre muito difícil quando precisamos escrever sobre suicídio. 

As estatísticas em nosso país crescem vertiginosamente. Dados estatísticos apontam que do ano de 2000 ao ano de 2015, os suicídios cresceram 65% entre pessoas com idade entre 10 e 14 anos, e 45% em pessoas de 15 a 19 anos. 

Mais assustador ainda é falar em números reais. No nosso país, em média, 32 pessoas tiram a própria vida por dia, sendo essa a segunda maior causa de mortes entre jovens dos 15 aos 29 anos de idade, principalmente entre mulheres dos 15 aos 19 anos.

Entretanto, esse tema já foi trabalhado em artigos anteriores e, por isso, hoje trabalharemos um assunto pouco abordado, mas não menos importante: o Suicídio Inconsciente.

Mas, em que consiste o suicídio inconsciente ou, como também é chamado, suicídio indireto? É o ato de aniquilarmos, lenta e progressivamente, nosso corpo material. Como? De diversas formas.

Viver irritado é uma de suas formas, haja vista que tal estado é causador de problemas circulatórios; fazer uso indiscriminado e não seguindo orientações médicas de calmantes, buscando uma tranquilidade artificial; usar alucinógenos através de drogas, lícitas ou ilícitas, buscando uma euforia de caráter ilusório; vícios mentais, que de tanto pensarem negativo, desenvolvem doenças psicossomáticas; os maledicentes que passam a vida se envenenando com a maldade que eles julgam erroneamente estar em seu próximo; aqueles que alimentam rebeldia e constante inconformidade com a vida e seus caminhos; os que são demasiadamente apegados à pessoas ou bens materiais, que passam a vida toda pensando em ter, cuidar, não perder, entre outros sentimentos e; por fim, os excessos de diversos tipos: alimentação pouco ou nada saudável, tabagismo, bebida alcoólica em excesso, sexo sem responsabilidade e desregrado. Aqui fica a exclamação. Muitos de nós fazemos uma ou mais dessas coisas que usei como exemplo.

O mais conhecido caso de suicídio inconsciente é do Espírito André Luiz, que descreveu suas experiências e sua surpresa por ser considerado suicida, no Livro Nosso Lar. Segue trecho do livro onde ele demonstra que assim o acusavam sem que ele tivesse consciência de que havia atentado contra sua própria vida:

- Que buscais, infeliz! Aonde vais, suicida?

Tais objurgatórias, incessantemente repetidas, perturbavam-me o coração. Infeliz, sim; mas, suicida? – nunca! Essas increpações, a meu ver, não eram procedentes. Eu havia deixado o corpo físico a contragosto. Recordava meu porfiado duelo com a morte. Ainda julgava ouvir os últimos pareceres médicos, enunciados na Casa de Saúde; lembrava a assistência desvelada que tivera, os curativos dolorosos que experimentara nos dias longos que se seguiram à delicada operação dos intestinos. Sentia, no curso dessas reminiscências, o contato com o termômetro, o pique desagradável da agulha de injeções e, por fim, a última cena que precedera o grande sono: minha esposa ainda jovem e os três filhos contemplando-me, no terror da eterna separação. Depois, o despertar na paisagem úmida e escura e a grande caminhada que parecia sem fim (LIVRO NOSSO LAR).

Olvidava-se André Luiz dos excessos alimentares e de bebidas alcoólicas que cometera ao longo de sua vida, levando-o a destruição de todo seu aparelho gástrico e levando-lhe à condição de suicida inconsciente.

Pois é, meus queridos leitores. Todos os dias nós cometemos os mais variados excessos. Todos os dias nós tomamos atitudes que vão minando a saúde de nosso corpo físico antes da hora. Principalmente nos dias atuais, onde nos estressamos demais, trabalhamos demais, queremos demais, fingimos demais, somos fúteis demais, nos preocupamos demais com o que os outros vão pensar, bebemos em excesso dando a desculpa de que trabalhamos demais na semana e merecemos, fumamos em excesso porque alivia nosso estresse. Para tudo temos desculpas... E em tudo, nos matamos um pouco.

Infelizmente, as consequências de tal “tipo” de suicídio está descrita no Livro dos Espíritos, das questões 943 a 957 e já foram abordadas oportunamente em artigo anterior.

Entretanto, o suicídio involuntário, sabendo-se de seus “instrumentos”, pode ser evitado por nós. Como? Reforma íntima, oração e vigília! Todos podemos nos tornar pessoas melhores, todos podemos cuidar mais de nosso corpo físico, todos podemos fazer mais por nós mesmos... Basta que tenhamos força de vontade!

Vamos tentar?

Rafaela Paes, texto publicado no site Espiritismo na Rede