quarta-feira, 3 de abril de 2019

Análise de palestras espíritas

Participo de um grupo de estudos do Espiritismo pela internet, grupo, aliás, muito instrutivo. Costumo aprender com os comentários dos estudiosos e, dia desses, vi algo num comentário, que me chamou atenção.

Um componente do grupo pediu a outro participante para analisar determinada palestra espírita que havia sido proferida em sua cidade. Então, após o pedido, a análise foi feita de forma muito tranquila, com argumentos e sem qualquer ofensa à referida palestra ou ao orador.

Mas eis que uma outra participante do grupo, ao se deparar com a análise da palestra, resolve pedir mais caridade.

Fiquei, então, sem entender. A análise, como disse acima, havia sido feita da forma mais respeitável possível, sem ofensas ou adjetivações.

Onde estaria a falta de caridade?

Aquilo me levou a refletir na compreensão que temos da palavra caridade. Será que entendemos, realmente, o que é caridade? Caridade seria calar-se? Caridade seria não realizar críticas? Por qual razão alguém entende uma análise como falta de caridade?

Entender análise como falta de caridade, aliás, é algo bem comum na cultura brasileira, e isto, infelizmente, empobrece o debate e a troca de ideias.

Quando digo que alguém que fez uma análise respeitosa e com bons argumentos faltou com a caridade, gero um clima de constrangimento que tende a trazer o silêncio ou o confronto e não o debate sadio.

A fuga de uma análise, seja de mensagens mediúnicas, livros, textos e palestras é a técnica utilizada por Espíritos que fascinam: a ideia deles é privar os indivíduos do senso crítico, transformando em inimigos e desafetos todos aqueles que oferecem um ponto discordante ou de melhoria em suas opiniões.

Penso que mudar o foco de como se vê a questão é fundamental para o crescimento. Ao enxergar quem faz análise como alguém que me dá, gratuitamente, um feedback, um retorno sobre o meu trabalho, automaticamente, elimino a ideia de faltar caridade, de modo que poderei aproveitar todos os seus apontamentos sobre minha explanação, mensagem, livro, texto ou coisas do gênero, logo, crescer com sua análise.

Mas para isto é preciso humildade; para bem receber uma análise é necessário sair da redoma da infalibilidade para conectar-se com sua dimensão humana, pois os humanos erram.

E nós, infelizmente, parece que estamos ainda imaturos para admitir que erramos.

Eis um tema para pensarmos com carinho.

Artigo de por Wellington Balbo publicado no site de O Consolador

Eu te amo

O que é o amor? Os poetas o definem em versos, os compositores tecem canções.

Os filósofos têm sua própria definição. Também as pessoas comuns, cada qual à sua maneira.

Nenhum de nós ama de forma idêntica ao outro porque o amor vem da intimidade da criatura e cada um de nós é um ser único na face da Terra.

Exatamente porque o Criador não se repete e, ainda, porque cada um de nós edifica a própria personalidade, a partir das suas experiências, das suas vivências.

Contudo, em se falando de amor, algo muito importante é sabermos que somos amados por alguém: um pai, um filho, um esposo, um amigo.

Por isso mesmo esperamos, em algum momento, ouvir as palavras: Eu te amo.

Nem sempre nos damos conta disso, acreditando que a outra pessoa sabe que a amamos.

Pode até saber, mas precisa dessas palavras poderosas, que alimentam a chama do sentimento: Eu te amo.

Lembramos daquele homem que internou a esposa em uma clínica. Joana estava em estágio final de um câncer dilacerador.

Nos primeiros dias, ele ficava no quarto, assistindo aos programas de que ela gostava.

Joana era uma romântica. Gostava de novelas, de histórias e filmes com sabor de romance, de finais felizes.

Certo dia, confidenciou à enfermeira que faria qualquer coisa para que o marido lhe dissesse Eu te amo.

Sei que ele me ama – falou - mas nunca foi do seu feitio mandar cartões ou fazer declarações de amor.

Depois de algum tempo, Joana passou a ficar menos tempo acordada, por conta das altas doses de medicamento que lhe ministravam.

Então, o marido passeava pelo jardim da clínica, ia à lanchonete, triste, amargurado.

Numa dessas vezes, a enfermeira se aproximou.

Ele agarrava, com força, a xícara de café, com suas mãos calosas de carpinteiro. Notava-se-lhe a angústia que lhe tomava a alma.

A moça então lhe falou de como as mulheres precisam de romance em suas vidas, como gostam de receber cartões, cartas de amor, ouvir declarações.

Minha mulher sabe que a amo, foi a resposta imediata.

Sim, reforçou a enfermeira, mas precisa ouvir isso.

Dois dias depois, Joana partiu.

Na mesa de cabeceira estava um grande cartão de Dia dos Namorados que o marido lhe dera. Estava escrito: Para minha esposa maravilhosa... Eu te amo!

Quando a enfermeira entrou no quarto, entre lágrimas, ele lhe disse:

Tenho que lhe contar. Quero que saiba como me sinto bem em ter dito a ela.

Esta manhã falei o quanto a amava. Disse-lhe como era maravilhoso estar casado com ela. Devia ter visto o sorriso dela!

*   *   *

Alguns poderão pensar que são supérfluas as palavras, que os atos valem mais.

Naturalmente, demonstrações de afeto são marcantes. Também as declarações de amor. O som da voz do amor é inesquecível.

Pensemos nisso. E não detenhamos a vontade de dizer uma, duas, muitas vezes, à pessoa que está ao nosso lado, o quanto ela é importante para nós, o quanto a amamos.

Como sua presença nos faz bem. Pode ser a esposa, a filha, um dos pais, um amigo. Um amor.

Não deixemos de nos assegurar que eles saibam que os amamos.

Façamos isso, agora, enquanto podem nos ouvir, sorrir e ficar felizes, imensamente felizes.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Palavras do coração, do livro Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Heather McNamara, ed. Sextante. Em 3.4.2019.

E-books de quadrinhos ajudam na divulgação da doutrina de forma divertida

Crianças e adolescentes já nasceram no mundo digital e para eles a internet é uma realidade incontestável e um mundo natural, eles lidam com tablets, celulares e computadores como uma extensão de seus corpos e pular da leitura de um blog para a leitura de um e-book é algo natural e não requer grandes esforços. 

E por que não utilizar tal ferramente como mais um meio de divulgação da doutrina espírita? E digo mais, por que não focar nas crianças e jovens com histórias divertidas e didáticas em forma de quadrinhos? Sim, há diversas opções de histórias em quadrinhos sobre o espiritismo e todos muito acessíveis.

São personagens muito conhecidos: Turma da Mônica, Moranguinho, Scooby-doo, Manda-chuva e, claro, Allan Kardec e Chico Xavier em forma de desenhos.

Uma das histórias de Luis Hu Rivas (designer gráfico, há dezessete anos dedica-se ao estudo e divulgação do Espiritismo), intitulado 'Kardec em quadrinhos' virou inclusive um vídeo disponibilizado no YouTube, vejam abaixo:


As historinhas são diversas, confiram algumas, encontradas em sites como Amazon:













Turma da Mônica espirita – Repensar

No livro “Allan Kardec – Princípios e Valores”, a turma da Mônica faz uma viagem a Paris, e conhece mensagens e ensinamentos que podem ser colocadas em prática em situações do cotidiano. Com André, primo do Cascão, as crianças aprendem princípios do educador francês que ensinou que o fazemos hoje vai refletir em nossa vida amanhã e por isso devemos nos esforçar para sermos pessoas melhores sempre a cada oportunidade de reencarnação. 

Quer saber mais sobre esses ensinamentos? Como ensinar espiritismo as crianças? 

Confira aqui: 








Qual o Dever da Sociedade com as Crianças?

As crianças representam símbolos expressivos na história da humanidade. A estabilidade política e a esperança de nações foram depositadas sob a infância de muitos. Herdeiros de grandes impérios, ou a seguridade da continuação de um povo e sua cultura.

Algumas são lembradas e seus nomes perpetuam, porém outras se tornam apenas a massa; número de trabalho e força. Por séculos a infância foi violada; crianças tiveram que ir para guerras.

Hoje, com uma disparidade na divisão de riquezas, há uma disputa pela equidade, na qual muitas crianças e adolescentes perdem para o materialismo selvagem e a manutenção de políticas que ferem as novas gerações sucateando direitos básicos, como a educação.

Assim, quando Jesus disse “Deixem que venham a mim as criancinhas”, ele fazia um apelo para que os inocentes e imaturos, em relação as inteligências moral e intelectual, se chegassem até o caminho do bem. A infância representa esse período para o espírito, aprendizagem e cuidado.

Na fase de transição de nível planetário, podemos perceber uma nova geração que nos traz a esperança de um mundo melhor. Além disso, conhecimentos avançados, novas tecnologias, aperfeiçoamento das ciências e pensamentos pelo coletivo.

A renovação dos espíritos na Terra é um fator de tempo e é dever de todos zelar por cada novo encarnado e lutar por políticas públicas efetivas para crianças e adolescentes.

Segundo o Artigo 227, da constituição de 1988, “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”

Assim, cabe a todos dentro da sociedade assegurar os direitos e conduzir as crianças ao futuro. A regeneração da Terra será construída por estes que encarnam todos os dias com uma papel grandioso. Em síntese, não são mais esses os inocentes que devem ir a Jesus. Portanto, a partir de agora as crianças são mensageiros de Jesus para ensinar seus ensinamentos e contribuir para a evolução de nosso planeta.

TV Mundo Maior

terça-feira, 2 de abril de 2019

Curso em Cuiabá: O Trabalhador da Casa Espírita

A Diretoria do Centro Espírita Laços da Eternidade (Cele) convida a todos para participarem de um curso com o tema "O Trabalhador da Casa Espírita".

Localizada no Bairro Boa Esperança, a Casa se propôs a disponibilizar o curso no dia 06 de abril, próximo sábado, das 14hs às 19hs. Teremos como facilitador Benedito Borges



Para quem se interessar a inscrição é feita por este fomulário. Mais informações podem acessar o site do Centro: http://www.celemt.org.br/







Cele

O Centro Espírita Laços da Eternidade foi fundado no dia 27 de setembro de 1988. 

As reuniões do Grupo, que teve sua origem no Bairro CPA III, eram realizadas nas casas de pessoas que cediam suas residências para as reuniões mediúnicas e de estudos. Desse modo tornaram-se frequentes as reuniões no Bairro Boa Esperança.

A inauguração oficial ocorreu no dia 18 de agosto de 1991, com abertura oficial ao público das novas atividades a serem desenvolvidas pela casa. O Centro Espírita Laços da Eternidade teve como seu primeiro lema: fé, justiça e caridade. 

Nos três primeiros anos, o CELE realizava os seguintes trabalhos: sessões mediúnicas de desobsessão, curas espirituais, aconselhamento fraterno e psicografia. 

Foi somente em dezembro de 1995, sob a direção da 5ª Diretoria do CELE, que ficaram definidas, a elaboração de novo estatuto, conforme diretrizes da Federação Espírita Brasileira. Na reunião ocorrida no dia 02/12/95 foi decidida a filiação do Centro à Federação Espírita do Estado de Mato Grosso. 

O ano de 1996 iniciou-se com as seguintes atividades sendo desenvolvidas no Centro: reuniões públicas (domingos), estudos sobre a mediunidade (segundas feiras), distribuição de sopa no bairro residencial Coxipó (domingos), evangelização (domingos), curso de pintura e massoterapia (domingos). Em agosto, teve início a venda de livros, em consignação com uma livraria da Federação.

O primeiro curso de passe, em consonância com a FEEMT foi realizado em 12/10/96 a 09/11/96. No ano de 1997 o delineamento dos trabalhos de acordo com as orientações da FEB se aprofundaram.

A biblioteca da Casa foi criada em 01 de outubro de 1997 e em novembro foram criados os grupos de trabalhadores manuais e a evangelização infantil. O Centro Espírita Laços da Eternidade teve seu certificado de adesão à FEEMT aprovado em 31 de agosto de 1997.

Quem quiser conhecer a casa o endereço é: Rua Governador Arnaldo Figueiredo (Rua 51), s/n – Boa Esperança Cuiabá - MT.

A Lei do Perdão

Todas as religiões e caminhos espirituais que conhecemos falam em perdão. Mas será que sabemos, de fato, perdoar?

Perdoar requer atitude de sobriedade e aceitação; o perdão deve brotar da consciência de si e dos limites de cada um. O exercício do perdão deve ser, primeiramente, praticado através do auto perdão, que muitas vezes é o mais difícil.

Perdoar nossos erros do passado, nossas falhas e faltas, aceitar nossos limites, nossa ignorância, nossa condição de aprendizes, é fundamental para encontrarmos um pouco de paz interior.

O orgulho e a arrogância devem ser deixados de lado e nosso coração e consciência devem se abrir ao auto perdão. A culpa é um sentimento que devemos reavaliar; que tal trocarmos a palavra culpa pela palavra responsabilidade? Não somos culpados enquanto inconscientes, mas responsáveis por cada atitude, cada palavra, cada comportamento. Assumindo a responsabilidade por cada movimento que fazemos, assumimos a consequência de todo ato praticado por nós. Assumindo a responsabilidade e a consequência, amadurecemos como seres humanos que somos e continuamos a percorrer o caminho do crescimento e evolução. Dessa forma, os erros são compreendidos e o perdão acontece naturalmente. Assumir responsabilidades por nós e nossas vidas, redimensionar nossos erros e faltas, procurar corrigi-los e, fundamentalmente, descer da cruz que nos foi imposta, é fundamental para nosso crescimento.

É natural, dentro das leis deste planeta, que passemos por graves problemas, perdemos o chão firme que sempre caminhamos com segurança, a razão, a consciência e nos vemos repetindo padrões antigos.

É preciso aprender a perdoar a nós mesmos, à nossa ancestralidade, nossa origem, nossos limites e quando fazemos isso, passamos a nos aceitar mais plenamente, aceitar nossa ancestralidade e origem, além dos nossos limites humanos.

Precisamos deixar de lado os conceitos, os rituais e toda manifestação externa da prática do perdão. Como disse, perdoar deve ser um ato de consciência e por isso deve brotar da experiência interna, de um processo de interiorização. Deve-se deixar de lado as raivas, a revolta e abraçar a entrega e a aceitação. 

Quando conseguimos alcançar esse lugar em nós, experimentamos a expansão, sentimos nossos corações se aquecerem e a sensação é de libertação. Há, certamente, uma tendência a repetirmos padrões que estão muito cristalizados pelo tempo e pela repetição, portanto, deve-se manter a consciência alerta e nunca desistir. É como um duro nó que precisa ser desatado, com amor e paciência.

Perdoar é um exercício de humildade, é preciso acreditar que existe algo maior e mais poderoso do que nós. 

Somos arremessados a um estado de bênção divina que nos permite continuar nossa jornada na direção de uma nova vida. Mas só conseguimos nos banhar nessas águas, quando aprendemos, a partir da consciência de nossos limites e faltas a praticar a lei do perdão. 

Fonte site Terra, com modificações da Equipe de Comunicação do LEAE.

Pela primeira vez, parte de acervo raro sobre Chico Xavier e a doutrina espírita será exibida ao público em Uberaba

Chico Xavier é considerado referência da doutrina
espírita em Uberaba e região — Foto: Reprodução/TV Integração
Entre jornais e manuscritos datilografados, um dos materiais mais importantes que serão exibidos é a planta de um "museu" carimbada com o nome do arquiteto Oscar Niemeyer.

Pela primeira vez será exibida ao público parte do acervo raro com vários jornais, revistas, fotos, livros e manuscritos datilografados sobre o médium Chico Xavier e a doutrina espírita.

O material, com cerca de 30 itens, ficará na exposição “Memórias Vivas Uberaba – 60 anos de Chico Xavier”, no Shopping Uberaba, a partir desta terça-feira (2), dia em que o médium completaria 109 anos. A exposição, que vai até o dia 15 de abril, é uma das ações em comemoração ao aniversário de Chico.

Os documentos que serão exibidos foram encontrados em um cômodo da Comunhão Espírita Cristã, que foi o primeiro Centro Espírita fundado pelo médium em 1959, quando ele se mudou para Uberaba.

Um dos materiais mais importantes que será exposto é a planta de um “museu” que está carimbada com o nome do arquiteto Oscar Niemeyer.

A surpresa para os pesquisadores em relação a este projeto foi descobrir que, na época, Chico Xavier e outros adeptos da doutrina já pensavam em construir algo bem parecido com o atual Memorial Chico Xavier, e que seria chamado de “Exposição Espírita Permanente”.

"Vai ter toda uma narrativa em torno desse projeto, explicando sobre o que se tratava. Um dos objetivos de expor esse trabalho é descobrir o porquê de o projeto do Niemeyer não ter ido para frente, já que o material tinha sido comprado e o terreno estava pronto. Mostrando isso ao público dá a oportunidade de as pessoas contribuírem com informações que nos ajude nessa descoberta", afirmou o museólogo Carlos Vitor Souza, coordenador do Memorial Chico Xavier.

Projeto previa a construção da "Exposição Espírita
Permanente". — Foto: Ruth Gobbo/Fundação Cultural de Uberaba

Planta foi assinada pelo arquiteto renomado Oscar
Niemeyer. — Foto: Ruth Gobbo/Fundação Cultural de Uberaba

Esta é a primeira vez que o Memorial Chico Xavier fará uma exposição fora do museu. O objetivo, segundo Souza, é aproximar a comunidade do Memorial, levando informações que contribuam com a história de Uberaba e do Espiritismo.

"A expectativa é de que um grande número de pessoas vai conferir esse material e ter contato com o Memorial em um momento de lazer. O Memorial é espaço que está sendo construído aos poucos e a gente quer a comunidade ao nosso lado, participando e interagindo", comentou o museólogo.

Ainda de acordo com ele, durante a exposição, o público interessado também poderá doar livros para ajudar a compor a biblioteca do Memorial.

Importância do acervo

Para os responsáveis pelo trabalho de conservação do material e pela descoberta, o achado já pode ser considerado um patrimônio para o município e para a doutrina espírita, já que guarda informações de todos os tipos, não só da década de 1960, como também do início do século 20.

Por isso, a expectativa da equipe do Memorial é de que esse acervo inédito seja uma fonte de informação e de pesquisa.

"Entre os materiais há uma quantidade imensa de jornais mostrando como a imprensa abordava as questões espíritas naquela época; são mais de 100 tipos de jornais catalogados, cada um com uma visão diferente. Já estamos recebendo ligações de pesquisadores que querem fazer dissertações e teses sobre esse material. Além do público visitante, a gente quer atrair o público pesquisador", acrescentou Souza.

Depois de ser exibido no shopping, o material ficará exposto em caráter permanente no “Centro de Pesquisa e Documentação do Patrimônio Cultural do Espiritismo”, que foi montado dentro do Memorial Chico Xavier.

"A importância desse material reforça a atuação de uma doutrina que teve um impacto social, econômico e cultural. Além disso, Chico é o maior brasileiro de todos os tempos, é o mineiro do século, foi um dos cidadãos que mais projetaram Uberaba no cenário nacional e, até mesmo, internacional. Chico escolheu Uberaba para viver, desencarnou e deixou uma memória. Essa memória precisa ser preservada", afirmou o museólogo.

Livro dos Médiuns, por Allan Kardec, é um dos materiais
raros encontrados que será exibido na exposição. —
Foto: Ruth Gobbo/Fundação Cultural de Uberaba

A descoberta

O tesouro foi descoberto por acaso, em setembro de 2017, pelo pedreiro Lourencildo Gonçalves, que foi fazer um serviço no Centro Comunhão Espírita a pedido de um amigo. Em seguida, o acervo foi entregue por comodato ao Memorial Chico Xavier que, em parceria com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), deu início aos trabalhos de conservação.

Com a supervisão do museólogo do Memorial, estudantes da UFTM fazem a higienização do acervo, além do arrolamento – que é o processo de identificação, numeração e pesquisas de informações básicas sobre o conteúdo de cada arquivo que são registradas em um programa de computador.

"Não só pra mim, mas pra toda equipe do Memorial, esse acervo passa a constituir a identidade do museu, que vê o Espiritismo e o Chico Xavier como fatores histórico-cultural. Então, trabalhamos na linha da informação que a gente transfere para o público em forma de conhecimento", ressaltou Souza.

Até agora, quase 50% do material passou pelo processo de conservação.


Trabalhos de conservação foram iniciados em
2018. — Foto: Ruth Gobbo/Fundação Cultural de Uberaba

Memorial Chico Xavier

A ideia do Memorial Chico Xavier foi concebida em 2003, um ano depois da morte do médium. O museu fica no Parque das Américas e foi inaugurado em 2016. A estrutura tem mais de 8 mil m², conta com obras escritas pelo médium, fitas e livros sobre a história de Chico Xavier.

Na opinião do museólogo, ter esse acervo raro é uma oportunidade de contar a história do espiritismo e de Chico Xavier de uma forma mais "palpável".

"É um sentimento único, porque logo no início do Memorial havia material suficiente para ser exibido. Mas aos poucos, fomos mostrando que o espaço estava funcionando. E a medida que a gente recebe esse acervo, é algo que deixa qualquer profissional do patrimônio muito feliz porque a gente passa a ter uma base para recontar a história", disse Souza.

"É um processo longo, é um caminho que está sendo construído, mas a gente espera que tão longo tudo isso se efetive de uma forma que o Memorial atinja o status de Centro Cultural para o Triângulo Mineiro"

Museólogo Carlos Vitor tem boas expectativas com a
exposição do material inédito. — Foto: Reprodução/TV Integração


Matéria por Mariana Dias, G1 Triângulo Mineiro

Dicas de Lançamentos de Livros

Chico Xavier - O homem, a obra e as repercussões

Em 224 páginas e com muitas ilustrações, Antonio Cesar Perri de Carvalho desenvolve o livro em duas partes. Na Parte 1 reúne registros sobre aspectos humanos do médium e sobre a obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier, com base nas visitas que fez durante mais de duas décadas ao médium em Uberaba. Na Parte 2, como profundo admirador da vida e da obra de Chico Xavier relata episódios históricos ocorridos nos 16 anos após sua desencarnação, inclusive sobre as comemorações do Centenário de seu nascimento. Nas duas partes há muitos fatos e casos com conotações doutrinárias, consoladoras e orientadoras. 

Autor:  Antonio Cesar Perri de Carvalho
Gênero:  Biografia
Editora:  Editora EME
Edição - Ano da Edição:  Ed1 –2019
Número de Páginas: 224
Preço Médio: R$ 25,00

Por Quem os anjos choram

História de Emily, que perdeu tudo e a todos, mas guardou a fé necessária para transformar sua estrada de espinhos em um belo caminho iluminado pela gratidão. para isso, contou com a ajuda de um anjo da guarda muito especial. Qual é a relação da jovem com este Espírito protetor? Podemos conhecer nosso anjo da guarda?

Autor:  Marcelo de Fazzio (autor)
Gênero:  Romance
Editora:  VINTAGE
Páginas:  192
Preço Médio: R$ 35,00



Caminhos da Alma

Esta página é meramente informativa. Nem todos os livros aqui divulgados seguem, com rigor, os princípios e ensinamentos da Doutrina Espírita.

As descrições, comentários ou críticas de cada livro foram obtidas nos sites das editoras responsáveis e, por isso, não refletem nossa opinião a respeito deles.

Esta revista não os referencia nem os desaconselha e deixa que o leitor atento os avalie com imparcialidade e espírito crítico.


Autor:  Adeilson Salles (autor)
Gênero:  Autoajuda
Editora:  FREI LUIZ
Páginas:  200
Preço Médio: R$ 15,00 (edição de bolso)

As Bem-aventuranças e Outras Belezas espirituais

Obra de beleza rara que emociona! Beleza e praticidade, delicadeza e profundidade, emoção e razão… e muito mais! A presença do Cristo é sentida de forma intensa na abordagem única do professor, médico, filósofo e psicólogo André Luiz Peixinho. O leitor terá a oportunidade de reconhecer a augusta figura do Cristo como luz do mundo, que nos atrai para a consciência divina e a felicidade do reino dos céus. Mais que o curador e o consolador dos dramas humanos, nEle identificamos o caminho, a verdade e a vida para se chegar à plena união com Deus.

Autor:   André Luiz Peixinho (autor)
Gênero: Bíblico
Editora: INTERVIDAS
Grupo: Espírita
Páginas: 176
Preço Médio: R$ 35,00

Dica publicada no site de O Consolador

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Reflexões sobre a casa espírita

A casa espírita é um local abençoado que serve de escola, hospital e pronto-socorro espiritual no plano terrestre. As casas espíritas que atuam de forma séria e seguem os preceitos de cristãos representam reduto da espiritualidade amiga no intuito de ajudar os encarnados.

A casa espírita é cercada por forte proteção magnética e por Espíritos protetores que permitem a entrada somente de Espíritos que possam aproveitar o ambiente para sua elevação. Desta forma, mesmo os Espíritos que acompanham alguns irmãos encarnados são barrados por não possuírem condições de aproveitar o ambiente. Ainda neste sentido, o ambiente espiritual dentro de uma casa espírita é purificado e preparado por incansáveis irmãos espirituais que eliminam formas-pensamento perniciosas e vibriões de energias negativas. Portanto, o ambiente de harmonia criado é propício para abrir canais de comunicação com a espiritualidade e possibilitar a transferência de energias salutares do plano espiritual e dos médiuns para os irmãos encarnados.

Esse ambiente privilegiado em termos de harmonia e equilíbrio energético, bem como protegido de certas influências espirituais negativas, deve ser plenamente aproveitado pelos frequentadores encarnados para reflexões, amadurecimento de pensamentos positivos, busca de ânimo para prosseguir na jornada terrena, bem como recebimento de boas energias para equilíbrio da saúde do corpo físico.

Esse local apresenta condições propícias para que os Espíritos protetores atuem de forma mais ativa para aconselhar e influenciar positivamente os pensamentos dos encarnados. Para tanto, utilizam a transmissão de pensamento e também reforçam os elementos expostos nas palestras públicas; assim, a sintonia em pensamentos positivos, o ato de orar e a atitude de gratidão facilitam a atuação desses abnegados irmãos.

É importante salientar que neste mundo de provas e expiações as casas espíritas têm objetivo de fornecer amparo, conforto e fortalecimento de ânimo para que os encarnados continuem na jornada terrena no rumo evolutivo traçado antes da encarnação. Especificamente no momento de transmissão de energias, propiciada pelo passe magnético, as melhores energias são direcionadas para cada encarnado, de acordo com a fé, o merecimento e os propósitos da encarnação. Mas não se pode negar que a Providência Divina está constantemente avaliando o proceder de cada encarnado para poder ajudar da melhor maneira possível, sempre lembrando que a atuação da misericórdia divina é belíssima na vida de todos e qualquer bem realizado conta de forma positiva no balanço da justiça divina. 

Em resumo, estar na casa espírita é um privilégio que deve ser aproveitado, tendo uma atitude de gratidão pelo ambiente e pelo esforço dos irmãos desencarnados que muito se dedicam pela manutenção das boas condições energéticas do local. A atitude de prece colabora para o equilíbrio da casa, facilitando a atuação dos Espíritos protetores e a transmissão de energias salutares que atuam no perispírito e podem refletir-se no corpo físico.

Devemos ter em mente que todos têm um fardo para carregar e na casa espírita encontra-se o bom ânimo para seguir na jornada com fé, paciência e resignação, no intuito de alcançar a evolução prevista para esta encarnação.

Artigo de por Fábio Durand publicado no site O Consolador

Como Allan Kardec popularizou o espiritismo no Brasil, o maior país católico do mundo

Professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, de 53 anos,
usou pseudônimo Allan Kardec para assinar 'O Livro dos Espíritos'
Paris, 1857. O professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, de 53 anos, estava prestes a colocar um ponto final em seu mais novo livro quando se viu tomado por uma dúvida: usar seu nome de batismo ou recorrer a um pseudônimo?

Sua mais nova publicação, O Livro dos Espíritos, nada tinha a ver com os mais de 20 livros didáticos, de física, química e matemática, que ele já tinha escrito e eram adotados em escolas e universidades. Foi quando Rivail se lembrou de que, em uma das muitas sessões mediúnicas de que participou, um "amigo espiritual de vidas passadas" de nome Zéfiro havia dito que, na época do imperador Júlio César, entre 58 e 44 antes de Cristo, ele tinha sido um líder druida na sociedade celta. Seu nome? Allan Kardec.

"O recurso do pseudônimo tinha a vantagem de não expor Rivail numa época em que, embora a heterodoxia religiosa fosse tolerada, sempre se corria riscos", explica Mary Del Priore, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e autora de Do Outro Lado - A História do Sobrenatural e do Espiritismo (Planeta, 2014). "Era também uma forma de proteger sua carreira editorial, sem dar chance de retaliação por parte de instituições de ensino religioso que tivessem adotado seus manuais".

Kardec levou quase dois anos para concluir O Livro dos Espíritos. Em momento algum, se considerou o "autor" da obra. Na melhor das hipóteses, era apenas seu organizador. Não por acaso, a folha de rosto da primeira edição estampava a frase: "Escrito e publicado conforme o ditado e a ordem de espíritos superiores". Para realizar as "entrevistas com o além", Kardec conheceu e fez amizade com mais de dez médiuns - termo criado por ele para designar os "intermediários" entre os vivos e os mortos. Suas mais assíduas "colaboradoras" eram as irmãs Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, e Ruth Japhet, de 19.

Ator em cenário de filme sobre Allan Kardec; pedagogo
francês levou quase dois anos para concluir 'O Livro dos Espíritos'
Quanto aos "amigos invisíveis", eram incontáveis: o filósofo grego Sócrates, o apóstolo e evangelista João, o cientista americano Benjamin Franklin... "Por ser inaugural, considero O Livro dos Espíritos, no formato de perguntas e respostas, a mais importante obra de Kardec. As perguntas correspondem ao papel dele na publicação. Já as respostas são atribuídas a 'espíritos superiores'.

Para os adeptos de Kardec, o livro é, literalmente, 'dos espíritos'", explica Emerson Giumbelli, doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Núcleo de Estudos da Religião (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Livro dos Espíritos foi lançado no dia 18 de abril de 1857 e, em apenas dois meses, vendeu todos os 1.500 exemplares da primeira tiragem. Três anos depois, uma segunda edição, revista e ampliada de 501 perguntas e respostas para 1.019, chegou às livrarias. Logo, a doutrina espírita despertou a ira da Igreja Católica que considerava a necromancia, a suposta arte de adivinhar o futuro por intermédio dos mortos, um pecado mortal.

Cena de filme sobre Kardec; em 1861, o bispo de Barcelona
ordenou que 300 volumes do livro dele fossem queimados em praça pública
Por essa e outras razões, jovens médiuns eram internadas em hospícios e adeptos do espiritismo ameaçados de excomunhão. No dia 9 de outubro de 1861, a intolerância chegou ao ponto de o bispo de Barcelona, Antônio Palau y Termens, ordenar que 300 exemplares da obra fossem queimados em praça pública.

Mas, apesar dos pesares, Kardec procurava não se abater. Encontrava consolo no relato de leitores do mundo inteiro que atribuíam a seu trabalho o fato de não terem tirado suas vidas em momentos de desespero. "Afirmavam que só desistiram do suicídio por terem lido O Livro dos Espíritos e entendido que a vida continua através dos tempos.

E mais: que cada existência seria uma chance de evolução. Uma chance que não deveríamos desperdiçar", afirma o jornalista Marcel Souto Maior, autor de Kardec - A Biografia (Record, 2013), que deu origem ao filme homônimo, escrito por L.G. Bayão e dirigido por Wagner de Assis. Com Leonardo Medeiros no papel-título, Kardec tem estreia confirmada no dia 16 de maio.

Espiritismo à brasileira

Filho de pais católicos – o juiz Jean-Baptiste e a dona de casa Jeanne –, Rivail começou a se interessar pelo assunto por acaso. Ouviu falar do fenômeno das mesas girantes e, movido por curiosidade e desconfiança, resolveu investigar. Estava convencido de que, por trás das mesas que se erguiam do chão e se moviam em todas as direções, encontraria fios, ímãs ou roldanas. "Só acreditarei se me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar e nervos para sentir", fez troça.

Em maio de 1855, Rivail saiu da casa de uma senhora chamada De Plainemaison completamente atordoado. Não conseguira desvendar, por meio de truques secretos ou traquitanas escondidas, o sobe e desce das mesas. Mesmo assim, não desistiu. Passou a investigar outro fenômeno, ainda mais intrigante: os cestos escreventes. Encaixado no fundo do cesto, com a ponta virada para baixo, um lápis "respondia" às perguntas formuladas pelos convidados em folhas de papel.

"Numa dessas sessões, em 30 de abril de 1856, a cesta se voltou para Rivail e, como se apontasse o dedo para ele, o lápis escreveu uma mensagem enigmática: 'És o obreiro que reconstrói o que foi demolido'", relata Marcel. Era a deixa para Rivail começar a organizar o que viria a ser O Livro dos Espíritos.

Não demorou muito para o espiritismo kardecista cruzar o Atlântico e desembarcar no Brasil. Por aqui, Kardec conquistou inúmeros "aliados". Dois dos mais importantes são o educador francês Casimir Lieutaud, que traduziu para a língua portuguesa, em 1860, Os Tempos São Chegados, a primeira obra espírita impressa no Brasil, e o jornalista brasileiro Teles de Menezes, que fundou, em Salvador, o primeiro centro espírita do Brasil, o Grupo Familiar do Espiritismo, em 17 de setembro de 1865, e o primeiro periódico espírita do país, o Eco do Além Túmulo, em 8 de março de 1869.

Até 2002, quando morreu aos 92 anos, Chico Xavier psicografou
459 títulos - e doou os direitos autorais de todos eles,
com registro em cartório, para obras assistenciais
"Por sua inteligência aguda, bom senso extraordinário e alma caridosa, quem merece o título de 'Allan Kardec brasileiro' é o Bezerra de Menezes", aponta Marta Antunes Moura, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), referindo-se ao "médico dos pobres" que, reza a lenda, teria doado seu anel de formatura a uma mãe para ela comprar remédios para o filho adoentado.

Outro nome de destaque na consolidação do espiritismo no Brasil é Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Em 1932, aos 22 anos, lançou seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, antologia de 259 poemas assinados por nomes como Castro Alves, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. Até 2002, quando morreu aos 92 anos, psicografou 459 títulos - e doou os direitos autorais de todos eles, com registro em cartório, para obras assistenciais - e 10 mil cartas - algumas delas chegaram a ser aceitas como prova em tribunais.

"Inspirado na noção de santidade católica, Chico Xavier adotou votos monásticos como modelo de conduta e espiritualidade. Assim, ele se tornou referência moral não só para médiuns, como também para os demais adeptos da doutrina. Essa construção do estilo brasileiro de ser espírita, marcadamente católico, é o que chamo de espiritismo à brasileira", explica Sandra Stoll, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).

O rastro de perseguição que a doutrina de Kardec sofrera na Europa logo chegou ao Brasil. Já em 1874, o Jornal do Comércio acusava o espiritismo de produzir loucos: "Uma epidemia pior que a febre amarela", dizia um artigo da época. Em 1881, o bispo do Rio de Janeiro, Pedro Maria de Lacerda, publicou um manifesto em que chamava os seguidores de Kardec de "possessos, dementes e alucinados".

"Naquela época, o Brasil vivia sob os ditames do Império, que tinha o catolicismo como religião oficial. Mas, mesmo com o advento da República, a partir de 1889, a perseguição não cessou", relata o sociólogo e advogado Maury Rodrigues da Cruz, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE). "Os ataques sofridos não arrefeceram o movimento espírita brasileiro. Pelo contrário. Fortaleceram a união de seus membros em torno da defesa da liberdade de culto e da consolidação do espiritismo no país".

Mais vivo que nunca

No mês em que espíritas comemoram os 150 anos da morte, ou melhor, do "desencarne" de Allan Kardec, sua doutrina tem hoje, segundo dados do Pew Research Center de 2015, 13 milhões de adeptos no mundo inteiro. Só no Brasil, são 3,8 milhões. Isso significa que, a cada três seguidores de Kardec, um é brasileiro. Com isso, o maior país católico do mundo, com 123,4 milhões de fiéis, segundo o Censo de 2010, passou a ostentar outro título: o de maior nação espírita do planeta.

"O túmulo do Kardec no Père-Lachaise, em Paris, é, sem dúvida, dos mais visitados. A qualquer dia e horário, há sempre um brasileiro acendendo velas ou depositando flores no mausoléu", afirma Reginaldo Prandi, doutor em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os Mortos e Os Vivos (Três Estrelas, 2012), referindo-se ao cemitério francês onde estão sepultados, entre outras celebridades, o escritor Oscar Wilde, o músico Frédéric Chopin e o roqueiro Jim Morrison. "A prática da caridade ajudou o espiritismo a ganhar força no Brasil. Ainda hoje, centros espíritas organizam bazares, recebem doações de alimentos e distribuem agasalhos no inverno".

Obra de Allan Kardec enfureceu Igreja Católica à época, mas se espalhou
O sucesso do espiritismo no Brasil, onde tem mais seguidores do que na França, pode ser explicado, ainda, pelo processo de "religiosificação" da doutrina no país. Essa é a opinião de Célia Arribas, doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Se, na terra natal de Kardec, o espiritismo tinha caráter majoritariamente científico ou filosófico; no Brasil, ganhou status de religião.

"Ao reforçar o caráter religioso do espiritismo, seus primeiros adeptos, oriundos de grupos socialmente privilegiados, como médicos, políticos e advogados, viram nisso uma forma de legitimar sua existência em solo brasileiro e escapar do Código Penal de 1890, que estabelecia punições, como multa e detenção, para quem praticasse o espiritismo", explica a socióloga.

Dados do último Censo apontam que, entre 2000 e 2010, o número de espíritas no Brasil cresceu 65%, passando de 2,3 milhões, algo em torno de 1,3% da população, para 3,8 milhões, cerca de 2%. Mas, se o número de fiéis é de 3,8 milhões, o de simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira (FEB), pode chegar a 30 milhões. "Muitos não se assumem como espíritas porque são católicos ou porque não enxergam o espiritismo como religião", explica Célia Arribas, da UFJF.

"Há também aqueles que vão aos centros atrás de alívio para alguma aflição pontual. É o que chamamos na sociologia de 'religião de clientela', um tipo de religiosidade de serviço que não cria vínculos".

Mesmo tendo crescido tanto, o espiritismo continua a ser uma confissão minoritária no país. Em número de adeptos, está atrás de católicos (64%) e evangélicos (22%). "São a maioria da minoria", define o sociólogo Reginaldo Prandi, da USP. "A doutrina espírita não está preocupada em fazer proselitismo ou converter ninguém. Está interessada apenas em fazer o bem e praticar a caridade".

Por André Bernardo para o site BBC News - Brasil