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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

O problema de você se queixar por aquilo que não tem

Ficar obcecado com o que você não tem pode cegá-lo

O dia em que terminei a faculdade foi um dos mais difíceis da minha vida. Eu tinha cumprido tudo, mas não sabia o que fazer. Tinha alcançado meu objetivo, mas não sabia como desfrutá-lo. Então eu não simplesmente não comemorei. Claro que me arrependo disso. E ainda me pergunto hoje, como foi possível?

Muitos psicólogos explicam isso como a insatisfação por alcançar um objetivo: se você o tiver alcançado, já não tem mais valor. Precisamos do desafio seguinte, porque o que alcançamos já não nos satisfaz.

Nós só olhamos para o que não temos. Não valorizamos o que temos. Agora eu quero um carro melhor, um emprego onde receba mais; quero viajar mais a cada ano; quero uma casa melhor, um marido mais arrumado, mais bonito, um filho que tira notas melhores; quero parecer mais jovem…

A obsessão pelo que não temos nos cega para aquilo que já temos. Não apenas não vemos, mas subestimamos. E isso nos torna infelizes. E acabamos invejando quem tem mais.

A insatisfação constante, que coloca o foco no que não tenho, é tão problemática que só cria frustração. Você já parou para pensar no que você tem? Sua vida, sua família, seu trabalho, seja o que for, é muito positivo.

É claro que precisamos ter uma ambição natural de melhorar em todas as áreas da vida, mas também temos que melhorar nossa conformidade.

Estar feliz com o que você tem é positivo. É um dom. É por isso que comemorar é tão importante: a formatura, o aniversário, as grandes datas.

A sociedade nos leva a olhar atentamente para o que não temos. Claro, isso é a base da venda. É a base do consumismo: você ainda não tem tudo o que deseja.

Na psicologia, isso é conhecido como “viés negativo”, e nos leva a ficar obcecados com o que não temos. Eu não tenho o celular que gostaria, nem a bicicleta, nem o carro… e isso fica martelando na nossa cabeça.

Reclame menos (e valorize mais)

Pense nas suas conversas diárias: muitas vezes nos concentramos mais em reclamações.

Estranhamente, parece que conversar sobre o bem e o positivo é algo presunçoso.

Mas fale sobre o quão bom é seu pai, seu filho, seu marido, sua esposa, em vez de reclamar deles. A propósito, é algo que fazemos quando crianças, certo? Quando se tira boas notas, é algo maravilhoso, não é?

Aplique isso a outros membros da família, a seus colegas de trabalho. Em vez de criticá-los, lembre-se de algo bom. Não se concentre na reclamação, em algo que um dia tal pessoa fez de errado.

Se é difícil, tente se colocar no lugar do outro: às vezes não entendemos certos comportamentos devido à falta de comunicação ou porque não paramos para refletir bem.

E depois, nessa mesma linha, pense no bem do seu trabalho, do sua casa, do seu jeans favorito…

E não seja tão perfeccionista

Oh, perfeição! Se existisse, não teríamos mais objetivos, certo? Essa perfeição que a publicidade vende não existe. Essa perfeição que as celebridades exibem nas redes sociais é ilusória.

O perfeccionista extremo vive na insatisfação absoluta.

Site Aletéia

terça-feira, 21 de maio de 2019

Você já se sentiu acolhido?

Acolhimento pode ser descrito como a maneira de receber ou de ser recebido; como recepção, consideração. Estas são apenas algumas das várias definições que encontramos nos dicionários. Mas o que de fato significa acolher?

O acolhimento acontece espontaneamente em nosso posicionamento, no comportamento pessoal frente às relações. Trata-se de uma postura que expressa uma crença a respeito do valor e dos direitos do ser humano.

O acolhimento acontece, entra em ação, na forma que me coloco presente para uma outra pessoa. Se acredito no valor e no potencial, irei naturalmente adotar uma postura de respeito frente a elas. Esta atitude será comunicada pela atenção que dedico ou pelas posturas mentais e corporais diante dos outros.

A maioria de nós, em algum momento da vida, já se sentiu ignorado, desvalorizado ou desconsiderado por alguém ou por um grupo. Por outro lado, podemos nos lembrar também de como nos sentimos quando fomos respeitados e valorizados, seja recebendo atenção, sendo ouvido ou percebendo na pessoa uma postura física que nos comunicasse que havia uma consideração pelos nossos pensamentos e ações.

A consideração é companheira do acolhimento, ela ajuda a sentirmos, a percebermos a valorização que alguém nos dedica, mesmo que não dita.

Outra atitude companheira de quem acolhe é a empatia. A atitude empática é aquela que demonstra nosso desejo de compreender o outro: suas dores, seus sentimentos e o significado daquilo que está passando, como está se sentindo, compreendendo todo o contexto.

Faz parte da empatia também um cuidado para reconhecer o outro naquilo em que ele é diferente. Pois damos sentidos diferentes para aquilo que vivemos. Assim, a empatia se mostra no olhar, na postura corporal e na comunicação diante daquilo que o outro nos mostra.

Este conjunto de coisas – consideração, atenção e empatia – pode facilitar a comunicação entre pessoas, grupos e relações que temos, duradouras ou não. A prática e o exercício dessas atitudes são a base do acolhimento.

Acolher de forma sincera é trazer o outro para perto de nós. Receber o diferente com consideração, com atenção, lembrando que, apesar das diferenças, carregamos algo em comum que nos une: a nossa humanidade.

Adriana – CVV Araraquara – SP