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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O que é positividade tóxica e como isso pode ser prejudicial

Muita gente sofre pressão para repelir os chamados sentimentos negativos e, assim, esconder o que sente de verdade.

Muitas pessoas sofrem por não saberem lidar com a vida tal como ela é, cheia de percalços e tropeços nossos mesmos e também das demais pessoas ao nosso redor, que nem sempre querem dar o seu melhor para nós.

CULTURA DA POSITIVIDADE TÓXICA

Será que realmente essa cultura da positividade tóxica mostra quem somos de verdade? Certamente, não.

Tentar ter só conversas e pensamentos positivos pode ser uma das piores torturas que se pode cometer consigo mesmo e com os demais ao seu redor.

Isso porque se cria a crença (falsa) de que, ao sermos positivos, podemos construir uma realidade só de situações boas e com pessoa boas, mas, de fato, o que pode ser bom para você pode não ser bom para o outro, certo?

Já dessa diferença, temos maneiras distintas de experienciar o que é viver.

O que é muito incoerente na positividade tóxica é a atitude excludente do que é considerado ruim, que se associa à ideia que temos do que é nocivo e danoso.

Ter pensamentos de que algo parece que não vai dar certo não pode ser recriminado, ou visto como uma condição em que você cria uma situação para que ela dê errado.

Ser uma pessoa positiva requer até mesmo evitar determinadas palavras que são consideradas feias e atrativas de energias negativas, como palavrões.

TODOS NÓS TEMOS DIAS RUINS

Dias, momentos, horas, minutos, meses, anos… Enfim, cada um de nós pode enfrentar fases difíceis, períodos menos ou mais longos…

Depende de cada um de nós e, principalmente, depende de como cada um de nós escolhe passar por esses momentos.

Entender que fingir ser perfeito, repleto de positividade e cobrar que o outro também atue assim só estraga as relações.

Ninguém precisa ser igual a ninguém, certo? Então, repensar sua maneira de viver e sentir a vida pode deixar de ser tão cinza, mas também nem tão colorida como você quer pintá-la.

Aceitar bem a realidade faz com que nós possamos reinventá-la de uma maneira mais leve, mais em paz conosco e com os demais ao nosso redor.

Então, por que não buscar ajuda para aprender a lidar com suas questões, com seus nós e dificuldades que te impedem de seguir na realização dos seus sonhos?

Trechos do texto de Bruna Rafaele, psicanalista, especialista em Saúde Mental.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O acolhimento à religiosidade das pessoas pelas instituições religiosas

"O sal é bom, mas, se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros." Marcos 9:50

RELIGIÃO: Conjunto compartilhado de crenças, dogmas, rituais e práticas para o estabelecimento de uma relação com Deus.

RELIGIOSIDADE: Processo pessoal de busca de contato com a dimensão espiritual.  
Somos seres religiosos, e buscamos nos integrar com os afins com os quais dividimos o mesmo credo de Fé. 

Entretanto, nem sempre nos sentimos integrados à Instituição religiosa, não digo enquanto à Fé em si, mas enquanto às pessoas que abraçam o mesmo credo de Fé. Essa experiência inesperada poderá nos desorganizar emocionalmente e sentimentalmente, a ponto de sairmos em busca de outras religiões.

Acontece que passamos a ver o credo através das pessoas, e se as pessoas não nos envolvem, o credo é que não é envolvente.

Recentemente recebi um desabafo de uma amiga, a qual veio para a Doutrina Espírita advinda da Igreja Evangélica, e, não se sentindo acolhida, voltou para a crença de origem. Entretanto, talvez não obtendo as respostas aos seus questionamentos filosóficos, voltou     à Casa Espírita ( outra ), até que um dia ela me confiou o seguinte desabafo “Tenho lido livros da Igreja Adventista, porque são os únicos que vêm em minha casa, que me dão atenção. O pessoal de Casa Espírita nem lembra de mim”. 

Diante desse desabafo, voltei no tempo, quando da observação de uma sobrinha- hoje trabalhadora espírita- quando adolescente me expôs em relação à Casa Espírita “Não sei exatamente o que é, mas falta algo aqui, sinto falta de alguma coisa...”.

A comunidade religiosa constitui, sem dúvida alguma, um espaço onde as pessoas buscam se unir em clima de solidariedade. É de tal forma importante como agente de integração, a ponto de interferir na religiosidade das pessoas, impactando-as emocionalmente quando estas não se sentem acolhidas verdadeiramente, e entram num sentimento de exclusão por parte de alguns. 

Fato é que as pessoas, por não se sentirem acolhidas pela comunidade religiosa muitas vezes mudam sua religião.

O que é o ACOLHIMENTO nesse contexto? 

ACOLHIMENTO é a maneira de receber ou ser recebido por alguém; é o jeito de como nos aproximamos ou nos deixamos aproximar por alguém, quando teremos a oportunidade demonstrar gentileza, generosidade, carinho, afeto e respeito, sendo esses caracteres da bondade de coração. 

Não se trata apenas de demonstrações físicas, muitas vezes exaltadas e fora do contexto, em expressão puramente exterior, e por isso mesmo fugazes, superficiais. Trata-se de sentir e integrar a atmosfera psíquica de ambas as partes, buscando sincera vontade de conhecer para integrar, com movimentos interiores de grandes vibrações e exteriorizações físicas muitas vezes sutis. Mais do que oferecer sorrisos e abraços, significa oferecer escuta com atenção, e demonstrações do quanto se está feliz pelo fato da pessoa existir e permitir que a comunidade tenha oportunidade de conviver com ela. O verdadeiro acolhimento encanta, aceita, aprende, compreende, alegra-se, comove-se, cuida e retribui. O acolhimento aproxima as pessoas, cria laços, e trata-se da prática da caridade que devemos ter uns para com os outros. Como em Hebreus 13:1 “Conserve-se entre vós a caridade fraterna”.

Tratando-se da Doutrina Espírita, temos como recomendação “Amai-vos, eis o primeiro mandamento; instrui-vos, eis o segundo”.

Espiritismo é fé raciocinada, ou FÉ=CONHECER+CONFIAR. Ao conhecimento adicionamos a necessidade da entrega incondicional, a qual só é possível quando há confiança total. Ora, como confiar, sem conviver; como se entregar à convivência se não sentirmos acolhimento por parte dos companheiros? 

Quando apreendermos que a Fé é raciocinada, passaremos a apreender a encantar com o coração. 

Rosária Soares, Coordenadora de Estudo e Doutrina do LEAE