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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Como entender o mundo do outro? Isso é possível?

Entender o mundo do outro é tentar se colocar no lugar do outro. Diante da situação o criticamos, mesmo que internamente. Mas é possível, com a prática da compaixão, sermos empáticos sem julgamentos.

Entretanto nem sempre isso acontece ao mesmo tempo para todo mundo. É preciso exercitar pelo nosso próprio bem evolutivo. Pela nossa própria felicidade.

‘Escutarás muita gente a falar de compreensão e talvez que, sob reflexo condicionando, repetirás os belos conceitos que ouviste, através de preleções que te angariarão simpatia e respeito. Entretanto, se não colocares o assunto nas entranhas da alma, situando-te no lugar daqueles que precisam de entendimento, quase nada saberás de compreensão, além da certeza de que temos nela preciosa virtude’. (André Luiz/Chico Xavier)

Portanto, colocar em prática essa ação de compaixão, se colocando no lugar do próximo, é essencial para nosso bem-estar da alma, muitas vezes impaciente pelo externo que não controlamos.

Cada um é um mundo por si só

O outro tem um tempo diferente do nosso. Passou por situações diferentes da nossa. Nos comparar. Exigir. Tudo isso é desonesto com o outro e nós mesmos. Cada um é um mundo por si só.

Mesmo quando o outro claramente parece não se esforçar por uma questão que nos envolve, é necessário exercer a compaixão.

Manter o diálogo, mas compreender que esse momento que pode ser internamente considero como atraso, trata-se de um aprendizado evolutivo.

Se aprendermos com cada momento…

… estaríamos bem à frente do que onde estamos. Mas buscamos lamentar e perder um tempo significativo dizendo o quanto o externo nos atrapalha, sem afirmar o quanto poderia aprender com a situação.

Portanto, aprenda diante da situação e não lamente a situação como se fosse ‘contemplado com um azar divino’. Era para acontecer, era para essa pessoa estar em seu e falta nós aprendermos com tudo isso.

Chico de Minas Xavier

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Sensibilidade, a palavra esquecida

Muitas vezes, ficamos com algum fato na cabeça, algo que não sai dela. Você tenta dormir e  não consegue, pois as imagens vistas, ouvidas ou sentidas teimam em se fixar. Quando, finalmente, cai no sono, sonha com aquilo. Sensibilidade, sentimento profundo de amor fraternal por alguém. Do dicionário Houaiss, faculdade de sentir compaixão pela humanidade; piedade; empatia.

É cada vez mais comum ver que muitos perderam a sensibilidade para tratar seus semelhantes. Perderam o tato, o afeto. Temos dificuldade de compreender como alguns jovens privilegiados podem espancar, assaltar e violar pessoas em situação de vulnerabilidade, mas muitos deles conviveram desde a infância com a violência verbal e gestual, fazia parte da rotina, por isso a importância de os pais saberem como agir na frente das crianças, sem falar grosserias, destratar ou xingar os outros.

Os adultos têm muita influência no comportamento dos pequenos. Certos apelidos ou palavras são pejorativos, fazem com que, aos poucos, a menina ou menino se sinta humilhado. Todos os atos são registrados no inconsciente e é aí que convém exercitar a sensibilidade. É necessário saber falar, saber explicar para elas o que queremos e o que a vida lhes reserva, mas de uma forma que não agrida o moral, os ouvidos, a inocência. Pode ser prejudicial ao desenvolvimento das crianças expô-las a situações para as quais não estão preparadas, como as que envolvem violência e sexo, ainda que em obras de ficção.

A falta de sensibilidade dos adultos com as necessidades infantis costuma resultar em pedidos de ajuda, expressos através de frases como “olhe pra mim”, “não tenho com quem conversar”, “meus pais não me olham, não me ouvem, não me veem”, além de um crescimento alarmante de casos de depressão, ansiedade e outros transtornos de humor e comportamento, ainda no início da vida.

Fato é que a ausência de atenção e cuidado com o outro, em todas as fases da vida, tende a gerar violência e agressividade.

Prestemos atenção no tipo de sensibilidade que estamos desenvolvendo ou se estamos realmente dando as atenções devidas.

Artigo de Liziane para o site da CVV (Porto Alegre - RS)

A semente da raiva

No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa.⠀
Você culpa esta pessoa por todo o seu sofrimento. Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento.⠀
Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica. Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixar afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece com tanta facilidade?⠀
Talvez isso aconteça porque a semente da raiva é muito forte, a semente dela pode ter sido regada no passado com excessiva frequência. Todos temos uma semente da raiva nas profundezas da nossa consciência. No entanto, em alguns de nós, esta semente é maior do que nossas outras sementes, como a do amor e a da compaixão.⠀
Quando começamos a cultivar a energia da plena consciência, a primeira coisa que percebemos com clareza é que a principal causa do nosso sofrimento, da nossa aflição, não é a outra pessoa, e sim a semente da raiva que existe em nós.⠀
Nesse momento, paramos de considerar a outra pessoa culpada do nosso sofrimento. Compreendemos que ela é apenas uma causa secundária.⠀
Você sente um enorme alívio ao descobrir isso e começa a se sentir muito melhor. Mas a outra pessoa pode ainda estar sofrendo porque não aprendeu a cuidar da própria raiva. Quando isso acontece, está na hora de ajudar o outro.⠀
Quando não sabemos lidar com o nosso sofrimento, deixamos que ele se derrame sobre as pessoas que estão em volta. Quando você sofre, faz com que as pessoas ao seu redor também sofram. Isso é bastante natural.⠀
É por esse motivo que temos que aprender a lidar com o nosso sofrimento, para não o espalharmos em torno de nós.”

Perfil do Instagram Mensageiros de Luz

terça-feira, 28 de maio de 2019

Permita-se não julgar


“Uma das mais belas lições que tenho aprendido com o sofrimento: não julgar, definitivamente não julgar a quem quer que seja”.

O não julgamento tem sido uma lição passada por quase todos os grandes mestres que passaram pela Terra e podemos dizer que é uma premissa básica da espiritualidade. A frase acima, no caso, é do grande espiritualista Chico Xavier, que contribuiu muito para a evolução da consciência brasileira e também mundial.

O pensar exige que façamos algum julgamento sobre as coisas, no sentido de analisar e questionar. Sem um certo nível de generalização e avaliação é impossível conceituar o que quer que seja. Isso posto, é importante ressaltar a diferença entre pensar e questionar do julgamento negativo que fazemos sobre as pessoas e suas decisões e atitudes.

O julgamento não saudável é aquele que aponta o dedo, que critica de maneira destrutiva e sem empatia ou compaixão. Ele se baseia em noções parciais sobre a realidade do mundo e do outro, assumindo como verdade a nossa própria experiência. Assim, o não julgamento é uma das atitudes mais espirituais que podemos ter, que nos traz qualidade de vida, tranquilidade emocional e crescimento. O não julgamento é uma dupla oportunidade de aprendizado: exercitamos nosso amor e empatia e podemos receber ensinamentos através dos enganos daqueles que nos rodeiam.

Não devemos perder tempo apontando o dedo para os outros e sim aproveitar cada oportunidade para nos avaliar. Também é preciso considerar que, quando perdoamos alguém, também estamos perdoando a nós mesmos. Nos libertamos da dor, das emoções tóxicas e dos sentimentos negativos que o ressentimento e a mágoa plantam em nossa alma e nos tornamos mais livres e próximos da sabedoria e amor divino.

A RELATIVIDADE DO ATO DE JULGAR

Podemos com toda a certeza afirmar que todo julgamento que somos capazes de fazer é parcial, mesmo quando são análises que visam a evolução e não a crítica e destruição do outro. Para nós, não é difícil olhar um psicopata e pensar “eu jamais faria isso” ou “como é possível que ele tenha cometido esse ato tão terrível?”, entretanto, será que conseguimos ter a capacidade de identificar em nós mesmos o que fazemos e que em termos espirituais pode ser completamente contra os preceitos divinos?

Essa ideia é simples de compreender. Será que se Buda estivesse nos olhando gritar com nossos filhos também não se chocaria? Será que se Jesus nos observasse de fato, não ficaria admirado a cada vez que viramos as costas à pobreza e fechamos a janela do carro na cara de uma criança faminta? Gandhi se entristeceria com o simples ato de mantermos presos em gaiolas pássaros que foram feitos para a liberdade? Ou quando arrancamos uma flor de seu jardim, só porque a achamos muito bonita e queremos um pouco daquela beleza para nós?

A parcialidade do julgamento está diretamente ligada ao nível de evolução da consciência que temos. Somos tão embrutecidos que matamos mesmo sabendo que é totalmente inaceitável, apesar de termos esse valor em nosso horizonte. E com certeza cometemos atos que nem sequer nos damos conta e que ferem os princípios espirituais, tanto quanto tirar a vida de outra pessoa.

Sempre julgamos com base em nós mesmos e de acordo com nossa consciência e, saber disso, deveria ser o motivo principal para adotarmos o não julgamento em nossas vidas e a aceitação de tudo aquilo que se apresenta para nós com amor, compreensão, compaixão e empatia.

OLHAR PARA SI MESMO E A PROJEÇÃO QUE FAZEMOS NO OUTRO

O julgamento tem como objeto alguém, mas cada vez que apontamos o dedo para alguém há mais três dedos apontados para nós. Quando acusamos o outro ou algo no outro nos incomoda a ponto de fazermos criticas destrutivas, é porque esse “algo” encontrou um eco em nós, ou seja, a crítica revela as nossas dores. A psicanálise freudiana também sugere a mesma ideia, sintetizada na frase de Freud: “O homem é escravo do que fala e dono do que cala. Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Um outro exemplo que encontramos na psicanálise é a homofobia, que seria segundo essa abordagem teórica um choque entre dois homossexuais: aquele que aceita sua orientação sexual e aquele que a rejeita.

Quando julgamos de forma ferrenha ao outro, estamos não só expondo nossa alma, nosso valores e dores, como exercitando o egoísmo e mesquinhez. O exercício da empatia seria, talvez, o movimento contrário mais próximo do não julgamento, onde a compaixão faz com que a reflexão sobre a situação do outro possa ser possível. Será que, naquela mesma situação, não agiríamos nós mesmos daquela mesma maneira? Se, ao invés de julgar, tentássemos entender qual parte de nós se incomoda e porque, sem dúvida teríamos relações mais saudáveis.

Importante também é compreender que não somos os nosso erros, assim como o outro também não se resume aos enganos que comete. Sendo a Terra uma escola, almas em diferentes estágios evolutivos vivenciam experiências aqui e não há distinção de valor entre elas. O momento da jornada no qual nos encontramos não encerra em si nossa luz divina e, sem os erros, jamais teríamos oportunidades de crescimento e evolução.

Texto do site WeMystic com modificações da Equipe de Comunicação do LEAE.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A força do elogio

É muito comum e natural criticarmos quando algo sai diferente do que esperávamos. Criticamos às vezes com tanta força um deslize e, na maioria das vezes, não damos atenção e nem gastamos um pequeno elogio para as várias coisas boas e sucessos que conseguimos.

A falta de elogio e ou o excesso de críticas pode causar uma catástrofe emocional na vida das pessoas. Esta ausência pode provocar, dentre outras coisas, desestímulo, baixa autoestima e dificuldade de tomar decisões por conta própria, afinal, os erros são tão mais valorizados que os acertos que as pessoas tendem a se sentir enfraquecidas.

E por que temos tanta facilidade em criticar e dificuldade em elogiar?

Vários autores dizem que é preciso ter coragem para elogiar. O elogio é um ato de desprendimento e de confiança em si mesmo e no outro que o recebe. Elogiar implica em lançar uma pessoa para cima e ela pode ficar acima de você, mais notada e importante.Por isto é difícil elogiar, pois precisamos abrir mão de nosso orgulho e reconhecer que, muitas vezes, outros fazem coisas de forma melhor que nós. 

Oferecer um elogio talvez seja um ato de maior força que alguém pode ter com o próximo, pois exige que estejamos bem com a gente mesmo para poder elogiar de forma sincera alguma atitude, trabalho e outras situações que são merecedoras de destaque.

É recomendável o exercício constante de elogiar para fortalecer relações e para nos fortalecermos.

Muitas pessoas relatam se sentirem desvalorizados, julgados e diminuídos. Talvez tenham ouvido poucos elogios em sua vida. Talvez não tenham contado com este pequeno gesto que faz enorme benefícios na vida de todos.

Todos merecem elogios em algum momento da vida. Elogiar verdadeiramente alguém desperta nesta pessoa a sensação de pertencimento, de reconhecimento por ser quem ela é, e esta sensação proporciona bem estar.

Que tal fazer um elogio hoje?

Por Adriana - CVV Araraquara

segunda-feira, 18 de março de 2019

A arte de ouvir

Quando acordo e vou lentamente entrando no mundo real, escuto meus pensamentos e os sentidos vão se ajeitando para um novo dia. A primeira voz que escuto é a minha, às vezes a me animar, outras com um pedido de volta, e ficar mais um pouco onde estou…mas estaremos sempre ouvindo nossos pensamentos ou a voz de uma outra pessoa.

A audição é o sentido do acolhimento, da ternura, ou de tantos outros sentimentos oriundos desta arte.

O que sinto quando alguém está disponível para ouvir minhas dúvidas e me dá um tempo precioso de escuta? Quantas vezes me sinto apto para escutar e compartilhar sentimentos? O bem-estar de esvaziar um baú cheio, a gratidão ou o alívio decorrentes desta possibilidade?

Atualmente, muitos se sentem desconectados, sem equilíbrio entre o interpessoal e o virtual. Onde o cultivo do diálogo e da proximidade se perdeu?

É um treino diário. Muitas vezes, em nossa vida, podemos lembrar de atropelar diálogos sem prestar atenção no outro, sem solidariedade e sem perceber o ato. Como todo hábito, são necessárias a prática e a disponibilidade. Ouvir o outro com a alma livre, sem julgamentos ou preconceitos. Estar livre e permitir a liberdade do outro.

Quantas vezes ouvimos nossos amigos próximos precisando de uma “escuta”? No dia a dia, as oportunidades aparecem na esquina de casa, no trabalho, no lazer, no nosso lar. Sempre com respeito ao outro. Até que a outra pessoa termine e se sinta confortável. Como posso ouvir da melhor forma? Talvez seja necessário acalmar nossa mente, e deixar um espaço em branco para acolher outras vivências.

Sandra – CVV Santos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Como conviver com os conflitos do dia a dia? - por Chico Xavier

Comumente referimo-nos à compaixão em termos que se reportem à semelhante bênção de nós para com os outros, entretanto, a fim de que o orgulho não se nos infiltre no coração sob o nome de virtude, vale recordar a compaixão que tantas vezes procede dos outros em socorro de nós.

De quando em quando, pelo menos, rememoremos as demonstrações de paciência e bondade dos irmãos que nos suportaram sem queixa a teimosia e a inconsequência, nos dias de imaturidade ou irritação:

– o apoio das criaturas que prosseguiram trabalhando em nosso favor, mesmo cientes de que as combatíamos sem apreender-lhes os elevados intuitos;

– o amparo de benfeitores que continuaram a servir-nos ainda quando depois de se conscientizarem quanto aos gestos de frieza ou ingratidão com que lhes ferimos o espírito;

– a tolerância dos companheiros que, mesmo em nos sabendo desequilibrados nos dias de erro, não nos sonegaram a bênção da amizade e da confiança, aguardando-nos os reajustes espirituais;

– e o auxílio dos irmãos que nos perdoaram ofensas e agravos, auxiliando-nos sem pausa, além das dificuldades e empecilhos com que lhes espancamos o carinho e a abnegação para conosco.

Reflitamos a imensidão da piedade que nos sustenta a vida até agora e observaremos que sem isso provavelmente a maioria de nós outros teria mergulhado indefinidamente nas correntes da prova criadas por nós mesmos, com a nossa própria negligência.

Meditemos nisso e saibamos exercer a compaixão para com todos, particularmente para com aqueles que nos firam e reconheceremos que unicamente assim conseguiremos resgatar os nossos débitos de amor para com o próximo, e perceber, por fim, que todos nós para viver, conviver e sobreviver, precisamos, em qualquer parte e em qualquer circunstância, da bondade e da compaixão de Deus.

Fonte: Site Chico de Minas Xavier

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

A importância da Comunicação Não-Violenta

Boa parte dos conflitos que temos com outras pessoas podem ser causados mais pela forma como expomos nossas ideias do que propriamente pelas diferenças de opinião. Baseado nesta crença, o psicólogo Marshall Rosenberg desenvolveu o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV), que seria capaz de estimular a compaixão e a empatia (também por isso chamada de Comunicação Empática).

A CNV, nas palavras do psicólogo, “começa por assumir que somos todos compassivos por natureza e que estratégias violentas – se verbais ou físicas – são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante”. Ou seja, em um ambiente que estimule a competitividade, a dominação e a agressividade, tendemos a nos comportar violentamente. Ao contrário, tendemos a agir com generosidade em ambientes acolhedores e cooperativos.

Desse modo, cada pessoa que esteja disposta a atentar para a sua forma de comunicação pode promover mudanças ao seu redor, em seu círculo familiar, profissional ou social, através de atos de acolhimento das necessidades do outro, da percepção do que ele está comunicando com a agressividade, o cinismo, a indiferença. Ninguém gosta de estar em constante atrito com os outros. É comum que por traz destes comportamentos haja uma dor muito grande, que a pessoa tenta mascarar.

Um dos mandamentos mais importantes da CNV é exercitar a capacidade de se expressar sem julgamentos e sem classificações de “certo” e “errado”, que buscam “vencer” um debate com o interlocutor e provar um ponto de vista. Muitas vezes, não ouvimos a opinião do outro para compreendê-la, mas apenas para podermos contra-argumentar, em um duelo sem fim.

Uma ideia da comunicação não-violenta é, ao invés de acusar o outro por atos com os quais não concordamos, dizer como nos sentimos diante deles. Ao ser chamado de violento, egoísta ou agressivo, o outro tende a se defender, justificar-se ou culpar fatos/agentes externos. Mas, se dissermos que ficamos tristes, angustiados ou nos sentimos desrespeitados diante da certa atitude, mostramos para o outro a nossa humanidade e as consequências de suas ações, possibilitando uma aproximação. Ao explicarmos o que sentimos, possibilitamos ao outro rever suas atitudes para não nos magoar, além de oportunizamos que ele fale sobre as emoções que o levaram a praticar certas condutas.

Pode parecer, à primeira vista, que a CNV nos leve a nos calar diante de ofensas ou agressões, mas é justamente o contrário: ela é totalmente fundada na comunicação honesta e transparente, que não se limita aos fatos analisados sob a nossa ótica (ex.: “você me deixou esperando por horas!”), mas foca nos sentimentos (ex.: “me senti abandonado quando você não apareceu”). Trata-se de uma comunicação mais eficaz do que a acusatória, que devolve ao outro todo o nosso ressentimento, e também do que aquela que se cala passivamente, que nos sufoca nos nossos próprios rancores.


Usar o principio da comunicação não violenta por vezes não é uma tarefa fácil, depende de vontade, disposição e de um desejo de melhorar a si mesmo e as relações que desenvolvemos em nossa vida diariamente. É um exercício, um aprendizado consigo mesmo e com os outros.

Artigo escrito por Luiza - CVV Belém, publicado no site da CVV