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quinta-feira, 26 de março de 2020

Correr macio

“Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei pra você correr macio…”, diz o inicio da letra da música Tempo, do grupo Pato Fu. Estes dias de isolamento social  e com trabalhos feitos em casa, acaba nos forçando a rever o conceito de uso e aproveitamento do tempo.

Há vinte dias, antes de 25 de fevereiro de 2020, provavelmente se fossemos convidados para alguma atividade menos prazerosa, poderíamos dizer, como uma desculpa elegante, que os tempos estão corridos, não conseguirei estar lá em tempo. Os dias se passaram, a pandemia chegou e se estabeleceu uma nova rotina: ficarmos em casa, sem gastar nosso tempo com trânsito, compras, atividades físicas… Vemos parte do tempo sobrando e podendo ser gasto com atividades que num período tão curto, antes talvez não pudéssemos  praticar.

Podemos agora dar tempo à saúde, à casa, à família, aos pets, à natureza, à leitura, à musica, e muitas outras atividades simples de convivência um pouco esquecidas pela usual correria. Criamos o hábito e a sensação de que momentos livres precisam ser ocupados com alguma atividade. Um conceito de que precisamos ser úteis, eficientes. Muitos cultivam a necessidade de ocupar sempre o tempo com tarefas habituais ou novas descobertas, o que pode passar  a impressão de dias cada vez mais curtos para tantas atividades.

Reuniões infindáveis, chefes, clientes e colegas de trabalho que não têm o mesmo ritmo e objetivo e, por vezes,  provocam discussões que podem tomar horas preciosas na vida de alguns. É muito comum quem vive essa situação pensar que está  perdendo tempo. Por outro lado, quando se está  imerso em atividades que dão prazer, costuma-se achar que o tempo passou muito rápido. Quem nunca pensou na expressão popular “o que é bom dura pouco” e acabou por concordar com ela quando acabou o fim de semana, aquela viajem maravilhosa, o encontro com as pessoas que gostamos, o prato elaborado que adoramos saborear.

Como então balancear o tempo, como deixá-lo correr macio e usá-lo em nosso favor? Cada um de nós vai ter a sua resposta, muitos especialistas sugerem que o segredo  não envolve  coisas grandiosas e, sim, a auto permissão de olhar para o nosso dia com mais leveza e menos cobranças. Observar e preservar  momentos de alegria. Lançar um olhar novo para a rotina, buscando ver detalhes ou novidades naquilo que nos cerca.

Quando fazemos isto forçamos nosso cérebro a deixar sua zona de conforto e isso, por si só, já muda a percepção do tempo e permite refletir sobre o que realmente é importante. Permitir-se se dar tempo para conhecer pessoas, lugares, tomar caminhos diferentes ao voltar para casa, agir de maneira espontânea, envolver-se em atividades ajuda no auto conhecimento. Em tempos de confinamento, a criatividade precisa ser ainda maior.

Todos esses pequenos detalhes, aparentemente até bobos, podem nos dar o poder de mudar a forma de sentir e agir diante do passar das horas. Por isto é comum os que chamam o tempo de amigo, mano velho, pois ele permite o olhar da autenticidade, pois tem a capacidade de mostrar o que não significa tanto quanto pensávamos,  e nos dizer o que, de fato, é precioso.

Adriana – CVV

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A importância das pequenas coisas

Quem determinou que as pequenas gentilezas, os pequenos gestos estão fora da moda?

As pequenas coisas normalmente são as grandes coisas que nos fazem bem. Somos mais afetados pelas coisas que estão próximas de nós. Somos afetados pelas atitudes, pelas gentilezas, pelas palavras, pelas pessoas… 

O planeta pode estar passando por uma crise econômica, mas nós só percebemos isso quando aumenta o preço do pão na padaria da esquina, o preço do barril do petróleo no oriente médio… e essa influência é sentida por nós apenas na hora de abastecer o carro. O mundo é grande, é imenso, os problemas são gigantescos, há milhares de pessoas à nossa volta, mas as situações somente são percebidas por nós nos detalhes que nos circundam, na proximidade, no que é ou parece pequeno.

As pequenas coisas nos afetam. O que nos incomoda, afeta, alegra, estimula são os pequeninos detalhes que pontuam o nosso cotidiano. E assim também ocorre nas relações humanas. Elas se avolumam e se intensificam a partir dos pequenos gestos, das pequenas atitudes. Um sorriso, um beijo, um abraço, uma carta, uma flor, um gesto. Quem não se encanta quando vê uma criança falando muito obrigada ou por favor? Quem não fica surpreso de uma forma agradável quando vê alguém pedir desculpas ao outro? Não é especial ouvir pessoas dizendo “eu te amo” com olhar de sinceridade em qualquer data e em qualquer momento?

Quem disse que não é preciso agir assim todos os dias, quem determinou que as pequenas gentilezas, os pequenos gestos estão fora da moda? Como é que o outro vai perceber que somos educados e agradecidos se não o demonstrarmos por esses pequeninos gestos de amor que fazem tanta diferença? 

Caro leitor, os pequenos gestos fazem uma grande diferença na nossa vida. Experimente, faça a experiência e verás quanta coisa poderá mudar na tua vida com as pequenas coisas.

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