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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Dicas para manter a calma - para pais

Pais e Mães são seres humanos e, por mais que não desejem, cometem erros. Passamos por situações estressantes, temos nossas dificuldades e, uma hora ou outra, podemos perder o controle de como reagimos com as crianças.

Tudo bem.

O que precisamos fazer é aprender a identificar quando isso está acontecendo, quanto antes reconhecermos, melhor.

Primeiro, evite danos! Faça o que puder para não dizer palavras das quais depois se arrependerá. Fique em silêncio e segure suas mãos para proteger seu filho a qualquer custo.

Segundo, se afaste da situação e procure se recompor. Avise Que vai dar um tempo para se acalmar, assim seu filho não se sentirá rejeitado.

Respire, relaxe, mova-se. Pense em algo bom, lembre-se do seu amor, olhe para as fotos do seu filho.

Além de conseguir se regular, você estará ensinando da melhor maneira (modelo) sobre como seus filhos podem fazer isso.

Por fim, repare e reconecte-se.

Agora você poderá cuidar do dano emocional e relacional que tenha sido provocado. Pode ser preciso se desculpar e aceitar a responsabilidade dos seus atos.

Quanto antes for recuperada a conexão, mais cedo poderá ser recuperado o equilíbrio emocional e você é seu filho voltam a aproveitar o relacionamento.

Planejem soluções para os problemas e como evitar que se repitam.

Lembre-se: erros são oportunidades para aprender.

Trechos de "O Cérebro da Criança" (Daniel Siegel). Seleção postada no perfil do Instagram @positivamente_psi

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

08 de Setembro - Dia Mundial da Alfabetização

Com o propósito de fomentar a alfabetização nos vários países, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) instituíram esta data em 1967.

O processo da aprendizagem de ler e escrever (alfabetização) está diretamente relacionado com o desenvolvimento de um país, conforme indicam pesquisas na área. Quanto mais pessoas analfabetas, menor é o índice de desenvolvimento.

Por esse motivo, nas últimas décadas vários países têm assumido o compromisso de combater o analfabetismo. Atualmente, a alfabetização atinge cerca de 85% da população mundial, de acordo com dados da ONU.

No entanto, estima-se que ainda existem quase 800 milhões de adultos no mundo que não sabem ler, escrever ou contar, e aproximadamente 250 milhões de crianças consideradas analfabetas funcionais (não conseguem interpretar os textos).

O objetivo não é apenas alfabetizar, mas fazer com que os jovens e adultos saibam interpretar um texto criticamente e que desenvolvam prazer com a leitura.

Abaixo a lista de países com as maiores taxas de analfabetismo no mundo:

Sudão do Sul: 73%
Afeganistão: 71.9%
Burkina Faso: 71.3%
Níger: 71.3%
Mali: 66.6%
Chade: 64.4%
Somália: 62.2%
Etiópia: 61%
Guineia: 59%
Benin: 57.6%
Serra Leoa: 56.7%
Haiti: 51.3%
Senegal: 50.3%
Wallis e Futuna: 50%
Gâmbia: 48.9%

No Brasil, as taxas de analfabetismo têm diminuído nos últimos anos, mas ainda estão longe de serem ideais, conforme mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Educação (Pnad Educação), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na faixa entre 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo passou de 7,2% (2016) para 6,8% (2018). Já no que diz respeito às pessoas com 60 anos ou mais, a taxa caiu de 20,4% para 18,6%. Segundo o levantamento, o analfabetismo no Brasil está diretamente ligado à idade. Isso quer dizer que quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de analfabetos.

Educação como prioridade

A alfabetização de crianças e adultos pode mudar significativamente os rumos de um país, já que, quanto maior o acesso do indivíduo a tudo que a leitura oferece, seja por via cultural, seja de lazer ou até mesmo pela própria educação, maiores são as chances de conquistar melhores oportunidades no mercado de trabalho e, consequentemente, melhores ganhos salariais, o que proporcionará melhor qualidade de vida e acesso a novos caminhos.

Ainda temos um grande desafio, que é alfabetizar e disseminar o conhecimento de forma prioritária, já que com isso é possível diminuir injustiças sociais, mudando positivamente e de maneira decisiva a vida das pessoas.

Dominar a modalidade escrita de uma língua é a chave para abrir a cabeça e libertar homens e mulheres do desconhecimento e da desinformação. É o que permitirá serem sujeitos críticos, com liberdade para escrever (literalmente) suas próprias histórias. Por meio do conhecimento, podemos ter mais esperança de que é possível acabar com as desigualdades sociais. 

Fonte: Calendarr e Mundo Educação

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Travestilidade e transexualidade: uma reflexão espírita

Embora tenha a missão espiritual de ser o coração do mundo e a pátria do evangelho, o Brasil parece ainda ter muito a avançar em relação ao respeito e a valorização das diferenças. 

O tratamento dado pela sociedade brasileira a travestis e transexuais confirma isso: de acordo com a organização não governamental Transgender Europe, o Brasil é líder mundial em assassinatos de pessoas transexuais – ou apenas trans – e travestis. Ao mesmo tempo, conforme o site adulto Redtube, o Brasil lidera o número de acessos online a conteúdo pornográfico trans e travesti. Ou seja, se por um lado, nossa sociedade exercita diariamente o ódio contra pessoas trans e travestis, praticando crimes de ódio, por outro, busca realizar suas fantasias sexuais indo ao encontro desta mesma população. 

Entretanto, o que é uma pessoa travesti ou transexual? E como a Doutrina Espírita pode nos ajudar a amar e respeitar as diferenças de gênero e sexualidade?

Em nossa cultura, quando uma mulher está grávida, ela realiza uma série de exames médicos, entre eles a ultrassonografia, com o objetivo de saber o sexo do bebê. O resultado da ultrassom contribui decisivamente sobre como aquele ser, ainda em desenvolvimento no útero da mãe, será recebido pela família e pela sociedade, ao nascer: nome, vestuário, brincadeiras, enfim, toda a trajetória educacional é determinada, a partir de um procedimento médico. A maioria dos indivíduos se encaixa nesses padrões preestabelecidos pela cultura e os reproduzem no cotidiano, especialmente quando decidem constituir uma família. Nesses termos, os modelos culturais seguem uma cartografia quase única: atrelar o sexo de nascimento ao gênero determinado, em uma lógica pênis-homem, vagina-mulher.

Entretanto, algumas pessoas não se sentem contempladas com esses rumos. Elas podem nascer com um pênis, mas, sentir-se identificadas com o gênero oposto. Demonstrando a possibilidade de existência de mulheres com pênis e homens com vagina, estas pessoas transcendem às normas de gênero, algo que pode suscitar grande estranhamento e profunda discussão. Daí o termo transgênero se tornar adequado para descrever sua experiência. Esse termo amplifica as vivências de gênero para além dos conceitos de mulher e homem. Nesse ínterim, travesti e transexual são formulações que se abrigam em uma noção maior, expressa pelo vocábulo transgênero, concepção indicadora da transcendência das diretrizes ortodoxas de gênero. Na verdade, as limitações linguísticas ficam claras quando discutimos a temática das transgeneridades. Ainda há muito que se caminhar pelas palavras para que estas descrevam com exatidão o sentimento de pessoas que não veem a si mesmas representadas nas normas de gênero socialmente aceitas pela civilização.

A grosso modo, as2 travestis são pessoas que vivem a feminilidade, sem necessariamente se identificar como mulheres. Para isso, utilizam hormônios e comumente não desejam a redesignação sexual. Na verdade, travesti é um termo que se refere a um terceiro gênero ou mesmo a gênero nenhum. Por outro lado, pessoas transexuais se identificam com o gênero em oposição àquele que lhes é imposto quando do seu nascimento. Mais que isso: desejam viver a experiência desse gênero, o qual lhes é socialmente negado. Recorrem a utilização de hormônios e, em alguns casos, realizam a cirurgia de redesignação sexual. Deixamos claro que não se pretende aqui estabelecer diferenças rígidas sobre as definições de travesti e transexual. Na verdade, essa breve explanação se destina apenas ao norteamento da pessoa do leitor, que poderá, a posteriori, se aprofundar em textos científicos voltados a discutir os significados destas acepções. Longe de querer estabelecer rígidas definições sobre a população trans e travesti, o que se pretende aqui é nos familiarizar sobre o tema.

Infelizmente, pessoas trans e travestis têm sido alvo de ódio exponencial. Mesmo com a equiparação da LGBTfobia ao crime de racismo, realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 13, oportunidades no mercado de trabalho e acesso à educação e saúde são negados a essa população. Direitos espirituais também são recusados: a maioria das religiões que se denominam cristãs rejeita pessoas trans e travestis, demonizando sua identidade de gênero. Esquecem-se das palavras do Mestre Jesus, conforme expressas em João 13:34: “Dou-vos um mandamento novo; que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.3”

Em O Livro dos Espíritos, na questão 200, Alan Kardec indagou com relação a se os espíritos têm sexo. A resposta dos Espíritos Superiores é útil para compreender o que está envolvido na existência humana, principalmente na essência de pessoas trans e travestis: “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.” Uma palavra chama à atenção nessa resposta: organização. Seu significado aponta para o criterioso ordenamento realizado visando a encarnação. Com efeito, a literatura espírita nos mostra o ponderado planejamento que ocorre na vida espiritual, quando se determina ao espírito seu retorno para o mundo físico. Não apenas o sexo, também o círculo familiar e social, a profissão e a natureza das experiências que o espírito viverá são delineados, visando sua aprendizagem e evolução. Nesta perspectiva, a pergunta subsequente de Kardec – “em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa?” – é respondida, deixando-se antever o principal objetivo da reencarnação: “decerto: são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.”

Desta forma, a Doutrina Espírita nos ensina que travestis e transexuais, longe de serem “demônios”, são, deveras, pessoas com identidades de gênero viáveis para a aprendizagem e a maturação do ser espiritual que temporariamente se encontra em uma vestimenta física. 

1 Sexólogo. Psicanalista em formação. Graduando em Psicologia. Professor de Língua Inglesa. E-mail: armandopsicologia@yahoo.com.br

2 A despeito de como se veem, as travestis desejam ser tratadas sempre no feminino.

3 A Bíblia de Jerusalém.

Artigo de  Armando Januário dos Santos para o site da Rádio Boa Nova