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terça-feira, 9 de junho de 2020

Artigo - Os lírios do campo

A fim de nos oferecer a lição da Providência Divina, que tudo vê, tudo provê, a tudo está atenta, Jesus nos chamou a contemplar as aves do céu e os lírios do campo. As aves do céu não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros, contudo "vosso Pai Celestial as sustenta. Não tendes vós muito mais valor que as aves?" Os lírios do campo não fiam, nem tecem, e "Eu, todavia, vos asseguro que nem mesmo Salomão, em todo o seu esplendor, pôde se vestir como um deles. Então, se Deus veste assim a erva do campo que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais a vós outros, homens de pouca fé. "

O Homem é fruto da Consciência Divina, detentor da perfectibilidade e, embora não possa se tornar perfeito, pois perfeito só Deus o é, pode e irá se aperfeiçoar; tem no veículo físico um dos instrumentos para essa conquista.

O progresso acontecerá por uma adaptação crescente da Consciência às solicitações cada vez mais complexas, desde os estados primitivos e não-desenvolvidos até o máximo potencial para o qual foi criado, conquistando a liberdade progressiva em Humanidade e culminando com a plenitude em Angelitude.

Desde os instantes mais iniciais dessa evolução, o Homem tem a capacidade criadora e adaptativa, ainda que inicialmente com tendências a contemplar apenas suas necessidades humanas básicas. Mesmo assim, já contribui com o progresso geral, a exemplo dos pássaros que, em busca de alimentos, contribui para a frutificação.

Observando os lírios do campo, o objetivo deles é germinar, crescer, embelezar. Assim cada ser consciente deverá viver, dentro da sua condição, sem necessidade de se vincular a inquietações improdutivas, tais como agir contrariamente ao seu potencial divino para conquista do seu objetivo.

Germinar exige esforço, paciência, dependência de fatores ambientais, muitas vezes adversos, com necessidade de adaptação e providências pessoais para trazer o melhor para o crescimento próprio, respeitando o limite do solo vizinho.

Jesus vê em cada ser consciente em evolução não a imperfeição momentânea, mas sim o pássaro livre e o lírio formoso em potencial evolutivo.

Com seu amor incondicional já nos vê no nosso futuro próximo, daí a sua misericórdia para com nossas faltas.

O convite, nessa poética visão que Jesus nos apresenta é para que vejamos, uns aos outros, o pássaro livre e o lírio formoso do vir-a-ser. Esse olhar caridoso é o que precisamos nos esforçar por trazer em nossa vida de relação, onde estivermos inseridos, contribuindo para sermos melhores a cada dia e para que a Humanidade avance no seu processo evolutivo, tornando nosso Planeta um Lar cada vez melhor para se viver em Paz.

Rosária Soares, Coordenadora de Estudo e Doutrina do LEAE

terça-feira, 7 de abril de 2020

Artigo - Solidão

"Solidão é a ausência do outro. Solitude é a própria presença. "(OSHO)

Sentir-se em solidão é a valorização da ausência do outro na própria vida. A ausência física de alguém não deveria ser sinônimo de dor, ou de perda.

O coração humano abriga muitos afetos, e seu espaço  dimensional tem capacidade ao infinito. É o aprendizado do acolhimento da família universal, a qual aumenta na medida que se aumenta a capacidade de amar. Entretanto,  esse abrigo é de partilha, não de ocupação. E se em algum momento existe o afastamento físico,  não significa que houve um afastamento afetivo, cujos fios de ligação são imperecíveis.

Para que o fato de estarmos sós não denote solidão precisamos nos colocar no estado psíquico da SOLITUDE, quando nos permitimos um momento de estar a sós conosco mesmo. A solitude é  indispensável ao autoconhecimento; à ressignificação dos sentimentos; e às  mudanças de comportamentos escravizantes da alma,  para comportamentos libertadores. A solidão escraviza; a solitude liberta. A solidão dói; a solitude cura. A solidão conduz à tristeza; a solitude à alegria de viver. A solidão destrói; a solitude constrói.

Ideal procurarmos um espaço do dia para estarmos em solitude, a fim de educarmos nossos sentimentos, substituindo a solidão que ainda esteja assombreando nossa vida. Nascemos para a felicidade; nascemos para a liberdade; nascemos para voar em direção ao Grande Sol. Que a nossa convicção seja a de que somos frutos do Amor, e para o Amor retornaremos, na medida em que despertamos o Amor que somos.

Rosária Soares, Coordenadora de Estudo e Doutrina do LEAE